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09.12.2021

DICAS DE HOMILIA - 3º Domingo do Advento

Alegrai-vos no Senhor - O que devemos fazer? - Acolher a Boa Nova

(Sf 3,14-18a | Is 12,2-6 | Fl 4,4-7 | Lc 3,10-18)

Alegrai-vos no Senhor - O que devemos fazer? - Acolher a Boa Nova

O Terceiro Domingo do Advento é conhecido como Gaudete, ou seja, o Domingo da Alegria, isso deve-se ao fato de que a antífona de entrada começa com o imperativo: “Alegrai-vos!”, e também os textos das leituras trazerem tal convite. O motivo de tão grande Alegria se baseia no fato de que Deus é Fiel às promessas feitas ao seu povo, manifestando a sua presença e a sua ação, o que se torna causa de grande alegria e esperança para os seus filhos e filhas. Todos ao acolherem o grande anúncio da presença do Senhor Salvador, são tocados em seus corações e fazem a sincera e luminosa pergunta à João Batista: O que devemos fazer? Diante desse questionamento o Batista responde com os passos de uma vida nova, própria daqueles que acolheram o anúncio da Boa Nova do Evangelho.

O convite à alegria perpassa toda a liturgia desse Terceiro Domingo do Advento, está presente seja na Primeira Leitura, no Salmo e na Segunda Leitura. A Liturgia desse Terceiro Domingo do Advento é marcada por um convite explícito à alegria, isto é, a viver na expectativa da vinda do Senhor, na certeza de que Ele que já realizou prodígios e cumulou o seu povo de graças, realizará obras ainda maiores. Tal esperança está muito presente na Primeira Leitura do profeta Sofonias, pois retrata a certeza dos pobres de serem acompanhados pela presença e graça do Senhor. Deus olha com ternura para os pequenos do povo, manifestando-se no meio deles como um grande defensor, Aquele que toma para si a causa dos mais pobres e excluídos. Desse modo, a Alegria do povo se manifesta diante da imensa bondade do Senhor, algo que percorre toda a história de Israel e que está na base de sua profissão de Fé.

A Alegria presente na Primeira Leitura, proposta pelo Salmo e encontrada nas palavras de Paulo aos Filipenses na Segunda Leitura é um modo de vida, não é um sentimento passageiro, mas, está fundamentada na esperança cristã. De fato, a esperança unida à fé faz do cristão um profeta da novidade de Deus, como verdadeiro discípulo missionário, um portador e anunciador do projeto de vida para todos. Dessa forma, mesmo em meio às grandes dificuldades e sofrimentos, como apresenta o apóstolo Paulo aos Filipenses, mesmo em meio aos desafios do tempo presente, o cristão tem uma memória agradecida. Algo que lhe garante a paz em seu coração e a constante alegria, por saber-se acompanhado pelo Senhor, sustentado por sua graça e bondade. Sendo assim, a Alegria que a liturgia propõe está presente no coração daqueles que se tornam discípulos do Reino, ou seja, aqueles que compreendem o modo de Deus agir na história. Ela deixa de ser um sentimento sem sentido, para se tornar um lugar de memória e atualização das promessas de Deus, dos sinais de Sua presença. Algo que é mantido, mesmo quando a realidade parece tão distante do desejo de Deus para seus filhos e filhas. Deste modo, a alegria que a liturgia propõe ganha contornos de profecia e esperança, pois é um canto de júbilo que nasce no coração daqueles que colocam em Deus a sua confiança e sabem que não serão desamparados.

Diante do convite à vivência dessa alegria que é fruto da presença do Senhor, surge uma pergunta no coração dos discípulos e discípulas, a fim de que possam, de fato, serem plenos dessa alegria verdadeira. Tal pergunta, aparentemente simples, aparece três vezes no Evangelho desse domingo e é fundamental para que o Advento realize no coração e vida dos fiéis: O que devemos fazer? Tal pergunta, apesar de ser simples e sem grandes pretensões, revela, mesmo que minimamente, um desejo de mudança e uma disponibilidade de renovação. Aqueles que se dirigem à João Batista se propõem a escutar do mesmo uma indicação sobre o que deveriam fazer, depois de terem ouvido o profeta os exortar: "Preparai o caminho do Senhor!". Ao ouvirem o convite firme do Batista, todos se sentem tocados no seu íntimo e percebem a necessidade de darem passos na direção proposta. Desejam, de fato, retirarem da vida tudo o que é contrário à vontade de Deus e viverem segundo o caminho que estavam abraçando, por meio do batismo que receberam. João Batista não propõe algo impossível e inatingível, ao contrário, ele indica um caminho concreto, não fácil, mas possível de ser trilhado. Ao falar com cada grupo que dele se aproximava, João indicava o caminho da solidariedade e da partilha, da misericórdia e da compaixão, como a estrada necessária a ser seguida.

Em todas as Comunidades Eclesiais de Base da Diocese, ao celebrarem a Eucaristia e a Palavra de Deus, nos Círculos Bíblicos, momentos de oração com a Palavra, nas famílias que rezam e refletem a Palavra juntas, a voz de João Batista deve ser ouvida. Todos, ao ouvirem a Boa Nova proclamada na Liturgia desse domingo são convidados a fazer a mesma pergunta que fizeram a João Batista no deserto, depois de sua pregação. Somente assim, partindo de uma grande abertura de coração e de uma disposição para a mudança concreta que cada um será convencido da necessidade de abraçar o caminho que conduz ao discipulado missionário. As indicações de João Batista são claras e diretas, não existe modo de viver na plena alegria do Reino sem ser solidário e comprometido com o outro, sem ter no coração o desejo sincero de viver a misericórdia e a compaixão, principalmente com os que mais precisam. De fato, no final do Evangelho proclamado, Lucas afirma que João anunciava a Boa Nova do Reino, isto é, o projeto de Deus para os seus filhos e filhas. Nas palavras do Batista estavam presentes o desejo de Deus para a história, marcada pela acolhida do Salvador e de seu projeto de comunhão com o Senhor e de vida plena para todos. Desse modo, todos os que desejam viver como discípulos e discípulas missionários de Cristo, devem ouvir e acolher a exortação de João Batista. Assumirem o compromisso de, olhar e tocar a realidade ao seu redor, por meio do amor compassivo de Cristo, a fim de reconhecerem nela aqueles aos quais o Senhor os envia. De fato, a grande alegria do Reino está em receber a Boa Nova do Reino, por meio e na Pessoa Daquele que vem no Natal, o Filho de Deus. Pois ao acolhe-Lo e adorá-Lo e, sobretudo, ao abraçar o Seu projeto de amor, misericórdia e salvação, o cristão se torna um sinal do Reino. Somente assim, a Alegria plena e verdadeira será uma constante no coração de todos os fiéis, pois não será somente um estado de espírito, desvinculado de uma concreta postura de vida. A Alegria será a certeza no coração dos cristãos, que se comprometem em fazer do mundo um lugar de Deus e um lugar para os seus filhos e filhas. Desse modo, a pergunta feita a João Batista se torna o primeiro passo para aqueles que, de fato, desejam se preparar bem para acolher o Salvador. Pois, é Ele a grande Boa Nova do Pai, não somente pelas Palavras, mas apresentou o caminho a ser seguido, em toda a sua vida revelou o desejo de Deus para os seus filhos e filhas. Apresentando um caminho a ser seguido, escolhas a serem feitas, posturas de vida a serem assumidas, a fim de que o Reino de Deus se torne presente, confirmação das promessas divinas e causa de alegria para todo o seu povo.  

Que a proclamação da Alegria da presença de Deus em meio ao seu povo ecoe nesse Terceiro Domingo do Advento, a fim de que todos sejam tocados pela Palavra do Senhor e depositem Nele a sua esperança. Que a proclamação da Palavra toque os corações dos irmãos e irmãs, fazendo surgir a mesma pergunta dirigida à João Batista: O que devemos fazer? A fim de que, por meio da acolhida da Boa Nova e de uma sincera mudança de vida, todos se comprometam a ser um sinal da presença de Deus, principalmente juntos aos que mais precisam.

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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