28 2101-7604

Home / Dicas de homilia

DICAS DE HOMILIA - 6º Domingo da Páscoa

 

 

(At 10,25-26.34-35.44-48 / Sl 97 / (1Jo 4,7-10 / Jo 15,9-17)

 

Deus é Amor - Eu vos Amei - Amai-vos uns aos outros

 

O tema central da Liturgia da Palavra desse Sexto Domingo da Páscoa é o Amor. De maneira especial, expresso no dinamismo do Amor que do Pai, por meio do Filho, chega aos fieis e, por intermédio desses, alcança a todos os que mais precisam. Deus é Amor afirma claramente o autor da Primeira Carta de São João, ao descrever o gesto salvífico de Cristo, acentuando o desejo de Deus de salvar toda a humanidade. Em Cristo o Amor do Pai pela humanidade se revela, de modo pleno, de fato, Ele amou a todos e assumiu todas as consequências de tal escolha, entregando-se à morte na cruz. Sendo assim, a todo o fiel é entregue o mandamento do Amor, como caminho para a vida dos que ingressam na estrada do discipulado missionário. O mandamento do Amor e o seu cumprimento são a confirmação do Amor do Pai, que derramado no coração dos fiéis pelo Filho alcança toda a humanidade.

        

O verbo grego utilizado pelo autor da Segunda Carta de São João para indicar o amor de Deus é o "agapào", que exprime essencialmente o amor como um dom. De fato, o autor ao afirmar que Deus é amor, indica seja a natureza quanto a essência de Deus, visto que todas as suas ações nascem no Amor e também se dirigem para suscitar o mesmo Amor. Desse modo, o que é apresentado é um elemento objetivo de Deus sobre a sua natureza, como também um subjetivo, ou seja, sobre o modo como Deus se relaciona com toda a humanidade. Na gratuidade, o Pai derrama o seu Amor continuamente sobre toda a humanidade, ao longo de sua história, convidando-a à comunhão Consigo. Por meio do Filho, Deus toca as realidades humanas com ternura e compaixão, tornando o seu Amor conhecido. No início da Segunda Leitura, a Carta de São João, o autor chama os seus destinatários, aqueles que iriam receber a carta e a todos que a escutam hoje de caríssimos, que numa melhor tradução seria: Amantíssimos, isto é, muitíssimo amados. Essa expressão une diretamente ao que vem em seguida, pois o autor afirma que todo o que ama foi gerado, nasceu de Deus. De fato, todos são amados por Deus, gerados em seu amor de Pai, que doa o seu Filho Único a fim de salvar e resgatar a todos. Sendo assim, o Amor de Deus ganha contornos mais claros, pois, na entrega do seu Filho, Ele revela à humanidade no que consiste o Amor verdadeiro, ou seja, a verdade do Amor é que ele é sempre dom, entrega, compromisso. A gratuidade do Amor de Deus é sentida por todos aqueles que, por meio de sua adesão a Fé em Jesus Cristo, entram em comunhão com o Pai. Desse modo, transformados por esse Amor são gerados como novos filhos e filhas, discípulos missionários daquele que lhes salvou, ou seja, o Filho Amado do Pai.

        

No início do Evangelho proclamado, Jesus indica o Amor do Pai derramado em seu coração é o mesmo Amor que Ele oferece aos seus, algo também presente na Segunda Leitura quando o autor afirma que o Pai enviou o Seu Filho Amado para que o mundo tivesse vida. Esses dois elementos são a expressão do Amor de Cristo para com a humanidade, a sua entrega na cruz, a doação de sua vida. Se o Amor do Pai é reconhecido como dom oferecido gratuitamente à humanidade, como afirma o próprio autor da Segunda Leitura, o mesmo pode-se dizer do Amor de Cristo, por todos os que o Pai o confiou.

        

Na contemplação da Cruz de Cristo, todos são convidados a entrarem no mistério do Amor que se estende, se amplia, se alarga e busca alcançar a todos. De fato, nos braços abertos de Cristo na cruz a humanidade inteira encontra um lugar para si, já que ninguém é mais estrangeiro diante daquele que a todos acolheu por amor. A afirmação do Evangelho não se reduz à Cruz, mas a ela dirige, isto é, o Amor que Jesus afirma ter para com todos foi manifestado em todos os seus gestos. Algo que pode ser visto na acolhida dos pecadores, dos doentes e pobres, daqueles que estavam excluídos e marginalizados, enfim de todos os homens e mulheres indistintamente. Desse modo, torna-se manifesto, uma vez mais o Amor do Pai, que envia o Seu Filho Amado para revelar ao mundo a Sua face amorosa. Por isso, quando Jesus no Evangelho diz amar os seus com o mesmo Amor que foi amado pelo Pai, Ele quer indicar que tudo o que recebeu Ele comunica gratuitamente aos seus discípulos e discípulas. Sendo assim, todos os que se colocam no caminho do seguimento de Jesus Cristo como seus discípulos e discípulas missionários são inseridos, por meio Dele, na comunhão do Amor do Pai. Amados e acolhidos pelo Filho e levados por Ele aos braços amorosos do Pai, que deseja, por laços de Amor e ternura gerar novos homens e mulheres, capazes de amar e servir.

        

O Amor do Pai manifestado em Jesus Cristo, gera em cada fiel uma resposta de Amor e seguimento, um caminho no qual todos são formados como verdadeiros discípulos missionários. Sendo assim, a Segunda Leitura e o Evangelho apresentam o Amor como essa fonte na qual e sob a qual toda a vida do Cristianismo e da Igreja se sustenta. Algo que se torna presente na Liturgia desse Domingo nas afirmações: "Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele" (I Jo 4,9) e "Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor".(Jo 15,9). Devido a isso, quando se deseja explicar o Cristianismo por meio de sua moral e seus valores morais, tende-se a uma dureza muito grande consigo e com os outros, isso devido às exigências do caminho. Do mesmo modo, quando se deseja aproximar-se da Igreja, do Cristianismo, somente por meio dos textos Sagrados, isto é somente da Sagrada Escritura, pode-se correr o risco de se perder em tantas explicações e símbolos que, por vezes podem parecer complexos demais. Ainda, quando essa aproximação se dá pela beleza da liturgia e dos ritos, pode-se, num primeiro momento, ficar encantado, mas, se não existe a profundidade dos passos seguintes, essa aproximação torna-se vazia de sentido. Quando por fim, tal aproximação se dá somente pela dimensão solidária do Cristianismo, isto é, pelo cuidado com os doentes e pobres, sem uma profundidade maior, isto é, sem a experiência com Cristo, pode-se cansar diante da imensa necessidade que se encontra pelas ruas desse mundo. Sendo assim o único modo de se compreender o Cristianismo em todas as suas dimensões é reconhecendo a sua raiz primeira que é o Amor de Deus. Aquele Amor, manifestado em Jesus Cristo, que é capaz de gerar em cada cristão uma resposta de amor e seguimento. De fato, somente quem provou por si um amor tão grande e sem medida poderá gerar amor para com os outros, ser solidário, compassivo, um sinal claro do Amor que gratuitamente recebeu. Desse modo, o segredo de toda a vida do Cristianismo, da vida da Igreja está no amor gratuito de Cristo, que resplandece sobre todos o Amor infinito do Pai. Aquele que nasceu desse amor, como nova criatura, é capaz de amar, servir, ter compaixão e doar a própria vida para que outros também tenham vida digna e plena. Assim sendo, todos são chamados a seguir o caminho até essa fonte do Amor, a fim dela beber e ser formado como verdadeiros amigos de Cristo. Pois, os cristãos só serão capazes de responder aos apelos do tempo presente, de se colocarem e se tornarem próximos dos que sofrem, quando formados nesse amor de Cristo, que é o mesmo amor do Pai. De modo que os seus corações sejam dilatados e tomados por um Amor maior, capaz de gestos de compaixão e solidariedade, próprios daqueles que foram gerados pelo Amor de Deus e seguem Jesus Cristo como discípulos missionários.

        

Que na Liturgia da Palavra desse Sexto Domingo da Páscoa todos possam fazer a experiência do Amor do Pai, que se derrama e a todos alcança, por meio da doação da vida de Seu Filho único. De modo que, gerados por esse amor tornem-se sinais claros do mesmo Amor principalmente junto aos que mais precisam. Sendo no mundo verdadeiros amigos de Jesus, ou seja, capazes de produzirem os frutos de um amor comprometido e verdadeiro, próprio daqueles que vivem a Fé na Vida do dia a dia.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

Comentários


Informativo

Cadastre seu e-mail e receba informações mensais da Diocese.


  diocesacachoeiro@hotmail.com

  28 2101-7603

Rua Costa Pereira, 41 - Centro

CEP: 29.300-090 - Cachoeiro de Itapemirim - ES

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

 

© Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Todos os direitos reservados.

 

Produção / Cadetudo Soluções Web