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DICAS DE HOMILIA - 4º Domingo da Páscoa

 

 

(At 4,8-12 / Sl 117 / 1Jo 3,1-2 / Jo 10,11-18)

 

O Bom Pastor doa a vida - A Confiança dos pobres - A Missão dos filhos de Deus

 

A Liturgia da Palavra do Quarto Domingo da Páscoa apresenta no Evangelho a imagem do Bom Pastor, nela o cuidado e o amor de Deus são revelados, por meio das palavras e dos gestos de Jesus, que doa a vida pelos seus. O Salmo Responsorial traz retratada em suas palavras a confiança do povo de Israel no Senhor, o reconhecimento que o seu auxílio vem do Deus Vivo e não dos poderosos desse mundo. Por fim, a Segunda Leitura fala da filiação divina, isto é, os filhos e filhas de Deus carregam em si a dignidade, a vocação e a missão de revelar a face amorosa de Deus Pai a todos, principalmente aos que mais precisam.  

        

Deus sempre se apresentou como sendo o Pastor de seu povo eleito, nessa imagem estão depositadas as mais profundas esperanças e anseios dos filhos e filhas de Israel. Diante do Senhor que os escolheu, eles sentem-se acolhidos e cuidados, ouvidos e atentamente conduzidos, nos caminhos da história.  No Evangelho, Jesus afirma ser o Bom Pastor, aquele que conduz, protege e é capaz de dar a vida por suas ovelhas. Ao mesmo tempo, ele indica a postura contrária dos mercenários, que não somente querem usufruir do que o rebanho pode oferecer, mas também se descuidam do mesmo, deixando-o à mercê dos assaltantes e das feras do campo. Tanto o pastor quanto o mercenário, caminham lado a lado, no intuito de chamar a atenção das ovelhas, a fim de que sejam atraídas por sua voz e os sigam. A diferença está no fato de que as ovelhas não conhecem as vozes dos estranhos, que não são pastores e a estas vozes elas não seguiriam. 

        

Não faltam na história da humanidade homens interessados em serem seguidos e amados, reverenciados por seus feitos e realizações, por suas palavras e grandes propostas. Aqueles que conclamam os seus seguidores a darem as suas vidas pelos ideais que apresentam, pelas propostas que trazem e pelas palavras que proferem. Todavia, o que emerge do Evangelho é bem diferente, visto que, Jesus, ao se apresentar como o Bom Pastor, não pede que ninguém dê a vida por Ele, ao contrário, é Ele mesmo que afirma oferecer a sua vida pelos que os seguem. Em suas palavras e atitudes, o Bom Pastor se coloca à frente do rebanho, expõe-se aos perigos, assume as consequências de conduzir as suas ovelhas nos caminhos tortuosos do mundo. Sendo assim, o seu pastoreio é verdadeiro, pois assume o lugar daquele que é capaz e, de fato o foi, de dar a sua vida para que as suas ovelhas tenham a vida em plenitude. Desse modo se verifica a diferença entre o mercenário e o Bom Pastor, já que o primeiro, preocupa-se consigo mesmo e com os seus próprios interesses, ele, ao ver o perigo, abandona o rebanho e foge. Os verbos abandonar e fugir são significativos para determinar a postura dos mercenários e revelam ainda mais a sua preocupação consigo mesmo e o seu descuido para com o rebanho. Já o Bom Pastor, por sua vez, é determinado pela sua decisão em proteger as ovelhas diante dos perigos, e, por isso, é capaz de dar a sua vida pelo rebanho a ele confiado. Isso porque Ele tem uma relação de intimidade e conhecimento com as suas ovelhas, é capaz de compadecer-se e de cuidar, algo impossível para o mercenário. Assim se dá a presença do Bom Pastor, que oferece a sua vida para que as ovelhas tenham vida em abundância.

        

O Salmo Responsorial canta a alegria do povo que se sente auxiliado diante dos cuidados do Senhor, Nele ele deposita a sua mais profunda confiança. De fato, o seu refúgio está no Deus de Israel, que a todos acolhe e protege, ele convida aos pequenos e pobres a depositarem a sua confiança no Senhor que a todos conduz. A experiência retratada no Salmo reflete a experiência feita, ao longo da história pelo povo eleito. O menor de todos os povos, o mais fraco de todos, mas que recebe gratuitamente o amor do Senhor, sendo por ele eleito, chamado e enviado a ser uma bênção para todos os povos da terra. A confiança no Senhor nasce na certeza da presença divina em cada passo que o povo deu, seja nas grandes vitórias, como também nos momentos de grandes tribulações. O Senhor sempre foi fiel ao seu povo e a sua fidelidade se manifesta ainda mais palpável em seu Filho que, como Bom Pastor, oferece a sua vida em resgate de todos. Assim sendo, ao cantar no Salmo que a pedra rejeitada pelos construtores, tornou-se a pedra angular, os discípulos de Cristo, podem contemplar, à Luz da Ressurreição, a presença do Ressuscitado, Aquele que garantiu a vida em plenitude a toda a humanidade. Nesse sentido, é no gesto salvífico que se coloca toda a confiança dos discípulos e discípulas de Cristo, em todos os tempos e lugares. Pois os pobres e esquecidos dessa terra, depredados pelos muitos mercenários, têm no Senhor Crucificado Ressuscitado a sua maior esperança. Deus se coloca ao lado dos pequenos e pobres, como seu defensor, como Aquele que vela por eles e lhes oferece a sua própria vida, a fim de que tenham a vida em plenitude.

        

Os discípulos de Cristo, formados na escola do Bom Pastor, recebem nos cuidados do seu pastoreio os maiores ensinamentos para a sua missão. De fato, em sua intimidade com Cristo e confiando em seu grande amor, todos são introduzidos na comunhão com o Pai. Aqueles que fazem tal experiência, são tocados pelos cuidados divinos, inseridos na relação íntima com o Bom Pastor que lhes garante a vida plena. Nessa relação contínua e constante são também formados, pelas palavras e gestos do Pastor a terem o mesmo cuidado para com os irmãos e irmãs. Na Segunda Leitura da Carta de São João, o autor afirma que todos são filhos e filhas de Deus, nascidos no infinito amor do Pai. Essa afirmação revela a dignidade de todos os batizados, os que foram mergulhados na morte e ressurgiram com Cristo para a vida nova. Mas, é também uma indicação clara de uma vocação e missão, ou seja, a de manifestar no mundo, por meio de gestos concretos o amor do Pai. Sendo assim, a missão do cuidado para com o outro, por meio de um amor fraterno e solidário, nasce da relação de profunda intimidade com o Pastor, que nos revela o infinito amor do Pai. É o Pastor que conhece as ovelhas, sabe de suas necessidades e se coloca ao lado delas, principalmente das pequenas e pobres. Sendo assim, na relação contínua com o Pastor, os filhos e filhas de Deus, chamados a serem discípulos de Cristo, aprendem a reconhecer as dores dos que estão perdidos e são capazes de se colocarem ao lado dos que sofrem, com compaixão e solidariedade. Desse modo, o amparo recebido, os cuidados e a proteção do Pastor se tornam "lugar" de aprendizado e formação para todos os que do Bom Pastor se aproximam. Pois, formados na escola do amor e solidariedade do Bom Pastor, são capazes de gestos e atitudes concretos de amor, solidariedade e compaixão, principalmente com os excluídos e necessitados. Em momentos tão difíceis, nos quais se multiplicam diante dos olhos os muitos mercenários em todos as esferas da sociedade, é urgente que os cristãos se aproximem do Bom Pastor e assuma para si mesmos a sua missão de cuidar e defender os pequenos dessa terra. Que Deus, por sua graça, toque nos corações de todos, fazendo surgir em todos os ambientes verdadeiros filhos e filhas seus, capazes de gestos próprios daqueles que foram formados na escola do amor do Bom Pastor que é Cristo.

        

Que a Liturgia da Palavra desse Quarto Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, todos se sintam acompanhados pelos cuidados Daquele que por todos ofereceu a sua própria vida. A fim de que, nessa relação íntima de confiança e compromisso, novos filhos e filhas de Deus nasçam, isto é, verdadeiros discípulos missionários de Cristo Pastor. De modo que, formados na escola de seu pastoreio tornem-se sinais claros do amor, do cuidado e da companhia divina, principalmente junto daqueles que mais precisam e ainda estão à mercê dos muitos mercenários nesse mundo.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

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