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DICAS DE HOMILIA - Tríduo Pascal

 

 

 

(At 10,34a.37-43 / Sl 117 / Cl 3,1-4 / Jo 20,1-9)

 

A Radicalidade do Amor - O Mistério da Cruz - A Esperança da Luz

 

O tríduo pascal não se reduz a uma celebração que antecede a Solenidade pascal, mas, é a própria celebração do Evento Pascal no decorrer dos três dias. Existe uma unidade nas celebrações do Tríduo, que vai desde os ritos que as compõem, como uma única unidade celebrativa, o caminho proposto nos dias e, até mesmo, na própria liturgia de cada um deles. A Celebração da Ceia do Senhor, na qual se realiza o lava pés, na noite da quinta-feira, é revestida de um caráter e significado das primeiras vésperas da adoração da Santa Cruz, tendo o seu ápice na solene Vigília Pascal, que se une à celebração do domingo de Páscoa da Ressurreição.

         A proposta desta reflexão é a de unir a reflexão das três celebrações litúrgicas: Ceia do Senhor, Adoração da Santa Cruz e Vigília Pascal. No decorrer do Tríduo Pascal todos são chamados a contemplar a Radicalidade do Amor expressa na liturgia da Quinta feira, na celebração da Ceia do Senhor, na qual se realiza o gesto do lava pés, sinal claro do amor que se desdobra e chega até à sua plenitude. Já na Sexta feira, na liturgia da Adoração da Santa Cruz, todos são convidados a se colocarem diante do mistério da cruz de Cristo, numa união íntima com o Senhor que se entrega em favor da humanidade, reconhecendo no sofrimento de Cristo na Cruz a presença de Deus na história humana. Por fim, no Sábado Santo, com o acendimento do fogo novo e o entoar da proclamação da Páscoa, toda a assembleia litúrgica é convidada a reascender a sua Esperança em Cristo Crucificado Ressuscitado.   

        

A Liturgia da Quinta feira Santa não somente retrata o desejo de Jesus de cear e celebrar a Páscoa com os seus, antes do momento mais crucial de sua vida. Tal evento coloca em relevo o valor mais alto de sua  missão junto aos seus discípulos e de como Ele desejava que os mesmos compreendessem, até o último momento o que, de fato, significava a radicalidade do amor que se doa e se entrega. A Ceia do Senhor, ou o Lava Pés, como é comumente conhecida a celebração, é a expressão da Radicalidade do Amor de Cristo, não somente pelo gesto de lavar os pés dos seus discípulos, mas, sobretudo, pela partilha do Pão e do Vinho, isto é do Seu Corpo e Sangue. O texto do Evangelho proclamado, traz logo no seu início a seguinte afirmação: "tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim". Esse amar até o fim, pode ser compreendido de duas maneiras: o primeiro ressaltando a entrega de Cristo na cruz, o segundo indicando a Radicalidade do amor, isto é, a realização plena do amor que se doa e se entrega. Desse modo, quando não se atenta à profundidade das palavras, pode-se dirigir o olhar para a morte de Cristo na cruz, algo que nos próximos capítulos será relatado no texto do  Evangelho. Porém, para a compreensão mais profunda da expressão que o Evangelho traz, deve-se dirigir o olhar para a toda a Missão de Jesus junto aos seus. Isto é, para os gestos de amor e compaixão, para as diversas curas e milagres, para seu compromisso com os mais pobres e esquecidos, enfim, a sua presença junto aos que mais precisavam. Desse modo tal expressão unida ao gesto da Ceia do Senhor, ou seja, o lava pés e às palavras da entrega do Seu Corpo e Sangue, ganha um sentido mais profundo. Isto é, revela a radicalidade do amor de Cristo, é um sinal claro de sua escolha em fazer a vontade do Pai. Por isso, é preferível interpretá-la e compreende-la como expressão da radicalidade do amor de Cristo, que não se cansa, mas deseja chegar à plenitude do amor. Ou seja, amar até o fim significa: amar de forma plena, amar de forma perfeita, infinita e total. Desse modo, a celebração litúrgica da ceia do Senhor antecipa a entrega de Jesus na cruz, como a manifestação suprema de seu amor, um sinal claro de que toda a missão de Jesus se dirige para essa hora, na qual ele se entrega ao Pai por amor a toda a humanidade.

        

Nesse contexto do Lava pés, Jesus realiza o gesto de partir e distribuir o Pão e partilhar o Vinho entre os seus discípulos, algo que é realizado de forma completamente nova. No Evangelho proclamado o gesto central é o do Lava pés, mas isso não significa que não esteja clara a afirmação de que o Pão partido era o Seu próprio Corpo e o Vinho distribuído era o Seu próprio Sangue. Isso se dá, pois, naquela última ceia, Jesus já sabia o que o aguardava, e, ainda assim, foi capaz de marcar aquela celebração com a novidade da instituição da Eucaristia. No Pão e Vinho partilhados entre os irmãos, Jesus doa o Seu Corpo e Sangue, sinais claros da Nova Aliança selada em sua entrega na cruz. Aquele momento com os discípulos é revestido da novidade da partilha do Corpo e Sangue do Senhor, sinal visível de seu compromisso até às últimas consequências como o projeto do Pai e com os seus que amava. Tal entrega se dá no contexto do gesto significativo do lava pés, o que faz pensar qual o tipo de comunidade Jesus desejava para seus discípulos. Uma comunidade de discípulos missionários, capaz de se colocar à serviço, por meio da misericórdia e compaixão, expressões da radicalidade do amor que se doa até às últimas consequências. Assim sendo, a descrição do lava pés, no momento da última Ceia, nada mais é do que um sinal visível desse amor que se coloca à serviço, se abaixa e é capaz de gestos de tamanha generosidade e entrega. Amar até o fim, de forma radical, seguindo os passos do Mestre é parte integrante do chamado e da vocação dos discípulos amados do Senhor. Algo que deve estar vivo dentro de cada um, no intuito de conduzir a vida de todos na direção da radicalidade do amor de Cristo.  

        

A liturgia da Sexta feira da Paixão traz a Cruz de Cristo na qual todos são chamados a contemplar o mistério infinito do Amor do Pai pela humanidade. A cruz era reconhecida como símbolo de dor e sofrimento, de agonia e condenação, de maldição e punição, seja pelo Império Romano, quanto para o Judaísmo (Dt 21,23). Todavia, aquela que era um instrumento de punição, se torna, por meio da entrega de Cristo, sinal de um amor sem limites, da redenção e salvação da humanidade. Na cruz de Cristo está expresso o misterioso amor de Deus pelos seus filhos e filhas, sinal concreto da plenitude de seu amor, de sua proximidade junto a todos os homens sofredores e marginalizados, esquecidos e abandonados.

        

No relato proclamado da Paixão encontra-se o Senhor que de réu se torna juiz, pois é Ele aquele que se assenta no lugar de Pilatos, em sua apresentação, de onde passa a julgar a todos pelo amor que se entrega (Jo 18,13). Desse modo, a Cruz de Cristo é o mistério do amor que se afirma, mesmo diante do sofrimento expresso na morte de Jesus na cruz, visto que, segundo o texto do Evangelho, a cruz não é sinal do abandono e abominação, mas da exaltação e da glorificação do Filho de Deus. Por isso, a Cruz de Cristo não é simplesmente o patíbulo, no qual o Senhor entrega a sua vida, mas o trono real, no qual ele reina vitorioso sobre a morte, indicando assim a vitória da cruz.

        

A Cruz de Cristo é transformada de sinal de morte e dor em manifestação do misterioso amor de Deus pelos seus filhos e filhas. O corpo do Senhor pregado na Cruz atrai todos os olhares e corações, de modo que o seu peito aberto se torna uma porta que conduz a todos ao Pai. Desse modo, todos são convidados a aproximarem-se Dele, que se entrega na Cruz para alcançarem a misericórdia e o auxílio divino no tempo oportuno. Pois a sua cruz coloca todos diante do mistério do amor do Pai, que acolhe, no Seu Filho nela entregue, os seus filhos e filhas dispersos pelo pecado. Sendo assim, os fiéis são convidados a aproximarem-se com confiança da Cruz de Cristo e nela serem tocados pelo mistério do Amor do Pai, convidados a fazerem a experiência da acolhida e da misericórdia reveladas no Senhor morto.

        

Na Adoração da Santa Cruz, todos adoram o mistério do amor divino, manifestado no Senhor Crucificado. Ao beijá-la aproximam-se com confiança e fé do mistério da Salvação, realizada pela entrega de Cristo na cruz, resultado de um amor infinito que não se rompe, apesar de ir até às últimas consequências. Por isso, tal união íntima ao Crucificado indica a estrada da maturidade para os cristãos de hoje, que são chamados ao discipulado missionário. Na entrega do Senhor pela humanidade o caminho do serviço e da doação de vida é aberto, indicação para a maturidade da vivência da fé, que parte para a doação e para o compromisso com os outros. Sendo assim, aqueles que beijam a Cruz de Cristo são convidados a abraçarem o seu modo de vida, suas opções e o seu projeto de amor e solidariedade. De modo que a compaixão mova os corações dos discípulos e discípulas de Cristo, levando-os a abraçarem a todos e todas que ainda sofrem nessa terra, reconhecendo neles, o próprio Cristo que ainda hoje carrega a sua cruz.

          

A Vigília Pascal é mais importante Celebração Litúrgica da Igreja, é a fonte na qual nascem toda as demais celebrações litúrgicas e os sacramentos. Uma noite iluminada pela esperança da vida nova, manifestada na luz do fogo novo, na qual é aceso o Círio Pascal sinal da presença do Ressuscitado na comunidade dos discípulos missionários. Nessa importante Celebração vários símbolos são apresentados no intuito de ressaltar a força da vitória do Ressuscitado, são eles: a bênção do fogo novo, o acendimento do Círio Pascal, a proclamação solene da Páscoa, a liturgia da Palavra, a liturgia batismal e os ritos que seguem a celebração eucarística. Com essa celebração rompe-se o silêncio iniciado na Sexta feira, quando a comunidade se reúne para a adoração da Santa Cruz.  A benção do fogo novo traz a luz que iluminará o Círio Pascal, luz que conduzirá os primeiros passos dessa celebração e acompanhará a Igreja durante todo o ano litúrgico. A Luz nova do Círio comunica a esperança de um tempo novo, que nasce com a Ressurreição de Cristo, sinal da vitória da luz sobre as trevas.

        

A liturgia da Palavra da Vigília Pascal resgata o longo caminho da história da salvação e faz uma memória da ação divina ao longo do caminho do seu povo eleito. Sendo assim, as leituras e os salmos retratam a experiência de fé do povo de Israel no Deus da Aliança, que cria e liberta a humanidade, celebrando assim, a fé no cuidado divino junto ao seu povo eleito. Por isso, é que a esperança contida na recordação da Páscoa dos hebreus, torna-se um sinal significativo na liturgia e aponta para a Páscoa de Cristo, isto é, para a sua Ressurreição. Já o Evangelho proclamado, traz em si o encontro das mulheres com o túmulo vazio, e a voz do jovem que afirma: Não vos assusteis, Ele Ressuscitou! Diante dessa afirmação, elas que tinham os corações mergulhados na noite de sua tristeza e dor, da desilusão, foram iluminadas pela esperança da Ressurreição.

        

Na indicação para as mulheres está a proposta de um caminho para toda a Igreja, isto é, sempre trilhar as estradas sob a luz do Ressuscitado. O jovem indica às mulheres e, por ela aos discípulos que deveriam voltar à Galiléia, ou seja, fazer a memória do caminho trilhado com os olhos iluminados pela vitória da luz que brilha na ressurreição do Senhor. Desse modo, a experiência da ressurreição reascende nos corações a esperança de um tempo novo da graça de Deus para os seus filhos e filhas. Pois, todos os que seguem o Senhor e desejam fazer a cada dia a experiência da Ressurreição, vivendo como novas criaturas, devem estar imbuídos da mesma esperança, ou seja, marcados pela luz de Cristo Ressuscitado. Sendo assim, celebrar a Páscoa é fazer a experiência da luz e da vida, na qual a vitória de Cristo sobre a morte enche os corações dos homens da esperança de serem acompanhados, em todos os passos, pelo Ressuscitado. Ao acolhe-lo e segui-lo a comunidade dos discípulos se torna portadora dessa esperança de um mundo novo, marcado pela vivência dos valores do Evangelho, no qual a defesa da vida e da dignidade humana fazem parte integrante da profissão de Fé. De modo que a celebração da Páscoa do Senhor se torne um anúncio dessa esperança e a busca desse horizonte novo, desse mundo novo, que nasce na Ressurreição do Senhor. Por isso, a comunidade dos discípulos missionários deve se tornar comunicadora da salvação por seus gestos e palavras, apresentando a todos esperança que traz Cristo vitorioso sobre a morte.   

        

Que a celebração do Tríduo Pascal seja uma oportunidade para todos de mergulharem a sua vida no amor de Deus que se manifesta no mistério da morte e ressurreição de Cristo. Que ao participarem da Ceia do Senhor todos sejam tocados pela radicalidade do amor de Deus que se entrega e se doa até às últimas consequências. A fim de se unirem a Cristo em sua entrega na cruz, sinal claro do amor de Deus que abraça toda a humanidade. Para que morrendo com Ele, todos possam aguardar com esperança a sua ressurreição, sinal da vitória da vida sobre a morte.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

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