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DICAS DE HOMILIA - 5º Domingo da Quaresma

 

 

 

(Jr 31,31-34 / Sl 50 / Hb 5,7-9 / Jo 12,20-33)

 

Queremos ver Jesus - A Lei no Coração - A Missão dos Discípulos Missionários

 

A Liturgia da Palavra do Quinto Domingo da Quaresma é marcada pelo apelo de um grupo de grego, isto é, os pagãos, dirigido à Felipe: "Queremos ver Jesus". Tal pedido expressa o desejo daqueles homens e mulheres de conhecerem profundamente o Senhor, serem tocados por sua Palavra e, como afirma a Primeira Leitura, terem a sua Lei gravada no coração. A figura de Felipe representa a comunidade dos discípulos missionários que tem a Missão de revelar Jesus aos homens que desejam conhecê-Lo.

 

No Evangelho proclamado, um grupo de gregos é levado a Jesus, depois de manifestarem seu desejo a Felipe: "Queremos ver Jesus" (Jo 12,21). Esses homens, segundo o Evangelho de João, tinham ido a Jerusalém para a Festa da Páscoa dos judeus, a fim de adorarem a Deus. A quem procuravam? O que desejavam encontrar? O que buscavam? O pedido é simples e direto: "Queremos ver Jesus".

 

Os verbos gregos mais usados para indicar o ato de "ver" são dois: um deles diz respeito simplesmente ao gesto de ver, o olhar comum, isto é, o modo como vemos as coisas. O outro, por sua vez, exprime um olhar profundo, como o ato de contemplar, ou seja, expressa uma ação que vai além das aparências, como o ato de perscrutar os corações das pessoas, um olhar em profundidade. Esse segundo verbo é o que encontramos no texto do Evangelho e, mais precisamente no pedido dos gregos. Ou seja o evangelista deixa claro que os gregos queriam ver e viram o coração de Cristo, queriam vê-Lo em profundidade. Ansiavam também fazer a experiência de sua Ressurreição e desejavam também serem vistos por Ele da mesma forma.

 

No decorrer do encontro, ao buscarem Jesus, os gregos encontram o Senhor que lhes fala de sua morte, por meio da imagem do grão de trigo que se abandona e morre, a fim de que outros grãos pudessem nascer e crescer. Ele fala de sua entrega na cruz, de seu serviço gratuito pela salvação de todos e de como a sua morte faria nascer, pela fé, novos filhos e filhas de Deus. Jesus é o verdadeiro grão de trigo que se entrega, para que os novos homens e mulheres, marcados pela força da ressurreição, os novos grãos de trigo possam ter a vida nova em comunhão com o Pai. Ao irem até Jesus, os gregos encontraram alguém capaz de uma entrega total e sem limites e, por isso, foram levados a contemplar o coração aberto de Cristo, cheio da compaixão que o movia em todos os seus gestos e sinais.

 

A experiência que os gregos e tantos outros homens e mulheres que se aproximaram de Jesus fizeram é aquela descrita na Primeira Leitura pelo profeta Jeremias. Isto é, no encontro com o Senhor ter a sua Lei gravada no coração, como um tesouro que é capaz de iluminar a vida, dar novo sentido a ela e comunicar uma missão. De fato, a experiência do Estar com o Senhor é condição necessária para que nasça o verdadeiro discípulo missionário. Aquele que descobre Cristo, o encontra no caminho da vida tem o seu coração atingido por sua Luz, é liberto do mal e nasce para uma vida nova. Diante do olhar de Deus, manifestado de forma plena nos olhos atentos de Cristo, cada um se vê envolvido na graça que liberta do mal e cura as feridas do pecado. Uma graça que é capaz de garantir a vida nova para todos os que se abrem a ela, algo que foi real para tantos homens e mulheres que se aproximaram do Senhor, no desejo de vê-Lo. Em seus corações os valores do Evangelho se tornam a grande força motriz, isto é, o impulso para viverem segundo os desejos de Deus. Desse modo, a experiência relatada pelo profeta é real e acontece todas as vezes em que alguém se coloca, à exemplo dos gregos, diante do Senhor, a fim de encontrá-Lo de modo profundo e verdadeiro. Nesse encontro com o Ressuscitado o fiel descobre a sua verdadeira e mais profunda vocação, ou seja, viver como um verdadeiro discípulo missionário, impulsionado pela Lei do Amor.

 

O próprio Jesus no Evangelho fala da Lei do Amor, quando faz o relato de sua entrega, pois, é Ele o grão de trigo que cai na terra a fim de que outros grãos possam nascer. Em toda a sua vida, seus gestos palavras e atitudes, principalmente juntos aos que mais precisavam, aos doentes e pobres manifesta a clareza da Lei do Amor. Desse modo, aqueles que a Ele se unem, todos os que o buscam e desejam o seguir devem deixar-se gravar nos corações a compaixão e a misericórdia de Cristo. A fim de que, com os corações movidos pelos mesmos sentimentos e impulsos que movia o Senhor se tornem seus sinais em todos os tempos e lugares.  

 

Sendo assim, aos cristãos de hoje, às Comunidades Eclesiais de Base é oferecida uma grande e importante Missão, um grande desafio: o de indicar, mostrar Jesus, fazer com que as pessoas sejam capazes de encontrar Aquele que procuram, como aconteceu com os gregos do Evangelho. Qual é a resposta que se pode dar quando as pessoas se apresentam procurando Jesus? O que lhes é oferecido? Nesses momentos as palavras perdem o seu sentido e seu valor, somente o amor gratuito e compassivo de Cristo gravado, como uma nova Lei no coração dos discípulos, pode mostrar o próprio Senhor a todos aqueles que o procuram. O que atrai os homens e mulheres ainda hoje ao Cristianismo é o amor total de Cristo e sua entrega na cruz, principalmente quando esse amor é vivido e praticado pelos cristãos. Este é o espaço onde nascem os novos grãos de trigo, os novos cristãos e os novos discípulos amados. Quando as pessoas pedirem "Queremos ver Jesus", que o Senhor nos ajude a ser sinais de seu amor compassivo e infinito, um amor que se doa e sabe servir, a fim de que, ao contemplarem tal gesto de acolhida e doação, sejam conduzidos a professarem a fé como discípulos amados do Senhor.

 

Que a Liturgia da Palavra desse Quinto Domingo da Quaresma desperte em todos os corações o desejo de seguirem os passos dos gregos descritos no Evangelho e o seu desejo de verem o Senhor. De modo que nesse encontro real e fecundo, a Lei do Amor seja gravada no íntimo de cada coração, a fim de que surjam verdadeiros discípulos missionários, marcados pelo amor compassivo e misericordioso de Cristo. Imbuídos e enviados em Missão, aquela de levarem a todos o amor fraterno, a compaixão, a misericórdia, a solidariedade própria daqueles que se encontraram com o Senhor e tiveram os coarações tocados por sua Palavra e a sua nova Lei do Amor.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

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