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DICAS DE HOMILIA - Natal do Senhor Jesus

 

 

(Is 52,7-10 / Sl 97 / Hb 1,1-6 / Jo 1,1-18)

 

A Palavra se fez carne - Cantai ao Senhor Deus um Canto Novo - Deus assumiu a Humanidade

 

Com o Natal do Senhor as trevas que cobriam a terra foram dissipadas pelo clarão de uma luz resplandecente de brilho e fulgor, os corações dos homens e mulheres foram aquecidos com o anúncio de tão grande salvação. No natal do Senhor as mais profundas esperanças humanas encontraram um novo vigor e sustento, os olhos marcados pela dor e sofrimento recuperaram o seu brilho, os corações atribulados foram consolados e, por toda a terra, os homens e mulheres de boa vontade entoaram os seus cânticos e os seus louvores ao Deus Vivo e verdadeiro. No Evangelho proclamado descobre-se o desejo de Deus de assumir a humanidade, pois o seu Verbo Eterno se Encarnou. Diante de tão grandiosa proclamação, toda a terra é inundada por uma imensa alegria e nos lábios dos homens surge um cântico novo, um hino ao Senhor.

        

A passagem do Quarto Evangelho proclamada no dia de Natal é o Prólogo do mesmo, nele encontra-se uma afirmação que mudou a história da humanidade e a iluminou: "E a Palavra se fez carne e habitou entre nós". Diante de verdade tão imensa, o silêncio da separação de Deus e a solidão humana são preenchidos por uma esperança, isto é, Deus veio habitar entre os seus filhos e filhas. Na verdade, o autor do Prólogo, mergulhado no mistério do nascimento do Filho de Deus, é envolvido na glória divina e descreve, de modo único a alegria que invade o seu espírito. O modo mais simples de compreender tal afirmação escrita em grego seria: A Palavra se fez carne e armou a sua tenda entre nós, isto é, Deus desejou morar entre os homens. Do mesmo modo, afirma também Paulo, em sua carta dirigida aos Filipenses, ao afirmar o mistério da Encarnação do Filho de Deus: "despojou-se, assumiu a condição de escravo, tornando-se semelhante aos homens" (Fl 2,7). Desse modo, ao entrar na história humana, Cristo escolhe nascer e é acolhido pelos pequenos e pobres, repousa nos braços de sua mãe junto aos perdidos da terra, coloca-se ao lado dos que fogem das ameaças dos poderosos do mundo, faz-se simples para atrair os mais simples. E, sendo achado em condição humana, torna-se o servo dos servos, levando até às últimas consequências a sua escolha de fidelidade ao Pai, entregando-se na cruz pela salvação da humanidade.

        

Ao entrar no mundo, a Palavra de Deus trouxe a sua luz, vida e graça, fazendo-se próximo dos homens, a fim de trilhar com eles os novos caminhos da salvação e vida nova. Diante das grandes questões humanas, dos silêncios intermináveis, das lutas diárias, muitas são as dúvidas, as dificuldades e os sofrimentos que cada um passa. A espera de uma palavra, de um alento e consolo sempre está presente no coração de cada homem e mulher dessa terra, um desejo de ver acolhida o seu pedido e ouvida a sua prece. Nesse tempo, no qual poucas são as palavras autenticas e verdadeiras, todos procuram junto à gruta de Belém um facho de luz, um olhar atento e um respiro de esperança, para continuar o caminho. Deus visitou os seus e é Cristo a Palavra do Pai feita carne, no qual todos os olhares são iluminados e as vidas recuperam o seu sentido mais profundo. É Ele, a Palavra encarnada, que comunica a vida nova e é capaz de tornar filhos e filhas de Deus todos os que o acolhem por meio da fé. Todos aqueles que a Ele se dirigem e são tocados por sua Luz experimentam a bondade e a misericórdia, a compaixão e a solidariedade de Deus que desejou habitar entre os seus. Ao contemplarem o Senhor, recém nascido, embalado nos braços da Virgem, todos são chamados a reconhecer o Salvador, aquele que nasceu em meio aos pobres, para que neles pudesse habitar. Sendo assim, ainda hoje, encontra-o todo aquele que se coloca atento às vozes e às dores dos pequenos e pobres, dos que sofrem e são perseguidos, pois neles o Filho de Deus continua a caminhar nos caminhos do mundo.

        

Diante de tão grande mistério do amor de Deus, manifestado em sua fidelidade para com o seu povo eleito, o profeta Isaías conclama o povo a reconhecer a presença do Senhor em seu meio. A força do povo de Israel é o próprio Deus, é Ele o seu canto maior a razão de sua grande alegria, algo visto também no Salmo Responsorial entoado na solene liturgia. Nele, o autor convida a todos a entoar um canto novo, cheio de esperança e júbilo, pelas ações do Senhor junto aos seus filhos e filhas. Já no Prólogo do Quarto Evangelho, está presente a afirmação de uma grande verdade, isto é, em Jesus Cristo todos recebem graça por graça, isto é, ele é o portador da novidade de Deus. Desse modo, os textos indicam que Deus assumiu a humanidade em Cristo e Nele está a possibilidade de novos céus e nova terra.

        

Na solenidade do Natal, em todos os lugares do mundo, nas Comunidades Eclesiais de Base, nos mais remotos povoados e cidades cânticos são entoados e hinos de louvor cantados. O desejo é o de encher a terra com os louvores ao Senhor por ter dado aos seus filhos, de forma gratuita e livre, o Seu Filho Único, como um irmão de todos. Nessa união de vozes que se espalham por toda a terra, o canto novo entoado é o próprio Filho de Deus, pois é Ele que recolhe em Si mesmo todo o desejo do amor do Pai, manifestado aos homens. Desse modo, que todos os corações e em todos os lábios esteja o nome do Senhor Emanuel, Deus Conosco o Salvador, a fim de que todos celebrem a sua presença e sejam marcados pela alegria de sua graça. Pois, assim fazendo, o sentido mais pleno do Natal se realiza, isto é, o de que cada um deixe-se invadir pela presença de Cristo, tornado-se seu discípulo missionário, seu sinal junto aos que mais sofrem e padecem ainda hoje. Enquanto houver sofrimento e dor, exclusão e miséria, fome e violência, aqueles que se recolhem diante da manjedoura, devem assumir, com alegria e coragem, a sua missão de levarem por onde forem o anúncio do canto novo do Natal. Que é mais do que somente palavras e vozes, mas, uma atitude de vida nova e um compromisso com a justiça e solidariedade, com a promoção da vida e a defesa dos pequenos e pobres. 

        

A Solenidade do Natal traz em sua primeira oração, chamada de coleta, um tema teológico crucial para a fé crista, importante e cheio de significado, que é a afirmação da Encarnação do Filho de Deus e a divinização do ser humano. O texto da oração é o seguinte: "dai-nos participar da divindade de vosso Filho que se dignou assumir a nossa humanidade". Esse pedido traz em si o grande mistério celebrado na solene liturgia, quando existe a maravilhosa troca de dons entre o céu e a terra, pois, a humanidade recebe de Deus o seu Filho Único, feito homem, de modo que, todo homem, unido à Ele por meio da fé, torne-se participante da vida divina. Esse grande mistério da fé encontra-se descrito também no Prólogo do Quarto Evangelho proclamado no dia de Natal: "todos os que o receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus". Na verdade, diante do nascimento do Salvador, todos são chamados a contemplar a grandeza do amor de Deus, que oferece aos homens o seu Filho, a fim de que, Ele conduza a todos de volta ao seio do Pai.        

        

Desse modo, para celebrar e vivenciar bem o Natal, faz-se necessário um mergulho profundo no mistério de Deus, isto é, acolher o Filho que nos mostra o Pai. Não somente indo ao presépio e encantando-se com as luzes, os personagens e o menino recém nascido, mas, sobretudo, acolhendo-o na Fé e seguindo-o como seus discípulos. O Natal tem seu sentido mais profundo pois aquele que nasceu é o Salvador da humanidade, o Servo dos servos que se deixou pregar na cruz para a salvação de toda a humanidade. Por isso, acolher essa maravilhosa troca de dons entre o céu e a terra, significa comprometer-se em trazer para a terra o Reino de Deus. Aquele que acorre ao presépio encontra o menino nos braços da Virgem é iluminado por sua luz e recebe a graça de entoar um canto novo de alegria e júbilo. Mas, também, ao sair dali e enviado em missão, levado aos pequenos e pobres, aos aflitos e excluídos, chamado a ser um sinal do amor misericordioso de Deus que visitou o seu povo e o libertou.            

        

Que a celebração da Solenidade do Natal do Senhor traga aos corações a certeza de que ninguém caminha sozinho nessa terra pois o Deus escolheu habitar entre nós. Por meio do nascimento de Jesus, o Filho de Deus, contemplamos a face amorosa do Pai, que convida a todos a entoarem um canto novo, com a voz e com a vida. A fim de que, o mundo seja renovado, por meio de homens e mulheres de boa vontade, marcados pelo desejo e o compromisso na construção de um mundo mais fraterno, justo e solidário.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

 

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