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27.04.2021

DICAS DE HOMILIA - 5º Domingo da Páscoa

Permanecer unido a Cristo - A Formação do discípulo missionário - A Missão do discípulo missionário

 

 

Permanecer unido a Cristo - A Formação do discípulo missionário - A Missão do discípulo missionário

 

A Liturgia da Palavra desse Quinto Domingo da Páscoa, no Evangelho proclamado, apresenta uma imagem de grande importância para toda a Sagrada Escritura, isto é, a da Videira. O aspecto mais ressaltado é o da união dos ramos à mesma, numa alusão clara da necessidade dos discípulos permanecerem, estarem unidos ao Mestre, algo que se faz presente seja no Evangelho, quanto na Segunda Leitura. O fruto dessa união íntima entre o ramo e a videira, isto é, entre o discípulo e o Mestre é o amor concreto, aquele comprovado pelas ações e pela vida.

 

        

A videira no Antigo Testamento é o próprio Israel que foi conduzido e trazido desde o Egito pela mão forte do Senhor, um povo eleito, cuidado e protegido como uma videira convidada a dar muito fruto. Na terra que é dom de Deus, o povo foi plantado pelo Senhor, como uma videira escolhida entre as demais. Por várias vezes no Novo Testamento, principalmente nos Evangelhos Sinóticos, essa imagem aparece e, junto dela, o convite feito à produção de frutos que permaneçam. Nesse chamado sempre está presente o compromisso do Senhor de cuidar, alimentar e proteger a videira por Ele plantada.

        

No caso da Liturgia desse Domingo, Jesus se apresenta como a Videira verdadeira, à qual todos os ramos devem permanecerem unidos a fim de produzirem frutos. Em tal imagem está clara a relação proposta por Jesus aos seus discípulos, visto que, para a teologia do Quarto Evangelho, crer, amar, observar os mandamentos e realizar as obras de Deus, são expressão de uma única coisa: conhecer e acolher o Filho de Deus. Sendo assim, quem não conhece Cristo, não o acolhe, não é capaz de produzir frutos, pois não se une a Ele. Sendo assim, os discípulos são colocados diante de uma possibilidade concreta de serem formados pela mesma "seiva" que o próprio Jesus foi formado. Isto é, a comunhão com o Pai que o nutria e capacitava a realizar todos os sinais que realizou, até à doação da própria vida. Tal afirmação é confirmada também pela Segunda Leitura que propõe que todo aquele que guarda os mandamentos, permanece em Deus, o que significa que a "seiva do amor" de Deus passa a animar a sua vida. De modo que a vida vivida no dia a dia, como afirmava São Paulo, seja vivenciada pela união íntima com o Senhor e marcada pelo seu amor que forma os verdadeiros discípulos missionários.

        

Deve-se notar que o verbo permanecer aparece onze vezes na liturgia, sendo três na Segunda Leitura e oito no Evangelho. Não é casual essa ocorrência tão grande do verbo, e o seu valor deve ser notado e refletido. De fato, a utilização dessa forma verbal é a indicação de algo sem o qual o verdadeiro discípulo missionário nunca será formado, isto é, a continuidade de seu caminho de seguimento. A união íntima entre o ramo e a videira é indicada como uma relação vital, do mesmo modo que deve ser a união do discípulo com o Mestre. Sendo assim, não deve ser entendida como um caminho intermitente, descontínuo, esporádico, que se estabelece mais pela necessidade do que pela profissão de fé. Ao contrário, deve ser marcada pela continuidade, pelo esforço de fidelidade ao caminho e, pela decisão sempre confirmada no coração do discípulo de se manter unido ao Mestre. Desse modo, não quer indicar também somente uma união estática, mas sim dinâmica, ou seja, a união que o verbo quer descrever indica um movimento na direção de Jesus. Do mesmo modo que tudo aquilo que é da videira passa para os ramos, assim também tudo o que é de Cristo passa, quando acolhido, aos discípulos.

        

Ainda seguindo a imagem, os ramos passam a ter a seiva da videira, isto é, aquilo que é a sua própria vida, bem como, o que alimenta o Senhor Jesus, aquilo que lhe garante a força e a decisão de fazer a vontade do Pai, passa para os seus discípulos.  Neste caso, a segunda leitura indica sobre a necessidade de guardar os mandamentos para estar unido ao Pai, o que o Evangelho confirma ao indicar que unidos a Cristo, videira verdadeira, os discípulos também estariam unidos também ao Pai. Nessa relação de intimidade e amor é que são formados os verdadeiros discípulos missionários. Tal união nasce no fato de que o próprio Senhor entregou a sua vida, por amor, para que os seus pudessem ter vida plena. Essa união se dá pelo amor do Senhor que se entrega para que os ramos tenham vida, pois a "seiva" que alimenta a entrega de Jesus é o seu desejo de fazer a vontade do Pai, amando os seus até às últimas consequências. Nesse amor o discípulo cresce e é formado, como os ramos precisam da seiva da videira, os discípulos precisam ser alimentados por esse amor de entrega e doação. Por isso, a continuidade no percurso do caminho do discipulado, ou seja, a contínua relação do fiel com o Mestre é a condição sem a qual jamais o discípulo missionário será verdadeiramente formado. Quanto mais o discípulo tornar-se íntimo e permanecer unido a Cristo, mais o seu amor será real e moldará a vida daquele que ao Senhor se uniu.  

        

Um outro aspecto muito importante que está diretamente unido ao fato de que os discípulos missionários sejam formados na união com o Mestre é a missão de produzirem frutos. De fato, é na relação contínua dos mesmos com o Senhor que esses são formados e podem, por meio de sua graça, produzirem muitos frutos. Pois, não importa quais sejam as dificuldades e fragilidades dos discípulos, desde que se mantenham continuamente unidos ao Mestre, esses sempre produzirão frutos que permaneçam. Pois, seguindo a imagem do Evangelho, os ramos, quando unidos à videira, recebem pouco a pouco a seiva que lhes garante a vida e a possibilidade de produzirem frutos. De modo semelhante os discípulos receberiam, quando unidos continuamente ao Mestre, a sua bondade, o seu amor, a sua compaixão, a sua solidariedade, as suas escolhas e opções. Tornando-se capazes de produzirem frutos à partir de tudo o que recebem do Senhor, amando, sendo compassivos, solidários e escolhendo em tudo e sempre realizar a vontade do Pai.

        

Sendo assim, a missão dos discípulos é a de realizarem a obra de Deus em suas vidas, isto é, aquilo que receberam do Mestre por meio de sua íntima relação com Ele. Não somente pela palavras e discursos, mas sobretudo, por uma história de vida marcada pela luz das boas obras, pelo verdadeiro testemunho daqueles que vivem unidos a Cristo Ressuscitado. Pois aquele que se une a Cristo, como os ramos estão unidos à videira é capaz de produzir os frutos mesmo em tempos difíceis, pois o que os sustenta é a seiva do amor de Deus viva em seus corações. Alimentados por tão grande amor, os verdadeiros discípulos missionários serão capazes de, à exemplo do Mestre, darem a sua vida para que tantos também tenham vida.    Que a Liturgia da Palavra desse Quinto Domingo da Páscoa desperte todos os fiéis para a necessidade da união íntima e constante com o Senhor, do mesmo modo que os ramos vivos estão unidos à videira. A fim de que, nessa contínua relação com o Mestre todos sejam formados e enviados como verdadeiros discípulos missionários. Capazes de produzirem frutos tão necessários num tempo ainda marcado pela violência e exclusão. Que a missão dos discípulos seja a de realizarem a obra do Pai, isto é, serem sinais claros do amor e da compaixão de Cristo junto aos que mais sofrem e estão á margem da sociedade. De modo que as Comunidades Eclesiais de Base e seus membros, imbuídos desse espírito e desse vigor assumam o mandato missionário dado pelo Senhor com alegria e entusiasmo, tornando-se anunciadores da Alegria do Evangelho.  

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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