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08.04.2021

DICAS DE HOMILIA - 2º Domingo da Páscoa

A Nova Criação - A Caridade Fraterna - O Verdadeiro Amor

 

(At 3,13-15.17-19 / Sl 4 / 1Jo 2,1-5a / Lc 24,35-48)

A Nova Criação - A Caridade Fraterna - O Verdadeiro Amor

        

A Liturgia da Palavra do Segundo Domingo da Páscoa relata a experiência feita pela comunidade cristã da ressurreição do Senhor, a manifestação do Ressuscitado aos seus discípulos, a força da sua ressurreição e as bases fundamentais das primeiras comunidades cristãs: a comunhão fraterna e o amor verdadeiro. Seus primeiros passos, suas bases fundamentais e a sua esperança fundamentada na experiência com o Senhor Ressuscitado. A experiência da ressurreição do Senhor descrita no evangelho proclamado no domingo ressalta a força da vida nova de Cristo comunicada aos seus discípulos e à toda Igreja. A vivência dessa experiência de fé faz surgir uma comunidade de discípulos que possui bases bem firmes e sólidas, que devem estar presentes em toda a Igreja, a fim de que se torne lugar de formação de novos discípulos e discípulas ainda hoje.

        

O relato do Quarto Evangelho proclamado no Segundo Domingo de Páscoa indica a experiência feita pela primeira comunidade de discípulos da ressurreição do Senhor. No início do texto existe a indicação de que se trata do dia da ressurreição do Senhor, isto é, o primeiro dia da semana. Este é o dia da Celebração da comunidade, no qual os cristãos se reuniam para a celebração da Eucaristia, na partilha da Palavra de Deus e do Corpo e Sangue do Senhor. O texto, porém, traz a cena dos discípulos trancados, com as portas de onde se encontravam fechadas, por medo dos judeus. Uma alusão ao fato de que a comunidade ainda não havia feito a experiência da ressurreição do Senhor, o que lhes daria coragem e força no testemunho e na vivência do Evangelho.

        

No decorrer da cena, Jesus coloca-se no meio deles, os saúda com a Paz, uma saudação que se repete por duas vezes. Tal saudação e o convite de olharem para seu corpo não se constitui num modo de se apresentar. Ele deseja comunicar a toda a comunidade a potência de sua ressurreição, isto é, a graça alcançada em sua vitória na cruz. Uma graça que quando acolhida pode transformar a comunidade temerosa dos discípulos em uma comunidade confirmada na fé e firme no testemunho do Evangelho. Jesus também cumpre um gesto muito significativo, isto é, "soprou" sobre toda a comunidade, comunicando o dom do Espírito Santo e fazendo a promessa do perdão dos pecados a tantos quantos os seus discípulos perdoassem. Ao realizar tal gesto de Jesus evoca a passagem do Antigo Testamento, presente no livro do Gênesis quando da criação do homem (Gn 2,7). Deus faz um boneco de barro e sopra sobre o mesmo o sopro da vida, e o boneco de barro se torna um homem vivente. A palavra hebráica para Espírito é Ruah, que pode ser entendida também como sopro vida. Por isso quando Deus sopra sobre o boneco de barro, ou no caso do Evangelho, quando Jesus sopra sobre os discípulos, em ambos os casos, o sopro comunica a vida, e, no segundo caso a renovação da mesma - a nova criação. Sendo assim, o Ressuscitado sopra sobre a comunidade dos discípulos o Espírito Santo, sinal da vida nova, da renovação total para toda a humanidade. Se no livro do Gênesis o boneco de barro ganha a vida, no relato do Evangelho a comunidade dos discípulos é recriada, sinal da nova criação que é iniciada com a ressurreição de Cristo.

        

Ainda no que diz respeito ao Evangelho proclamado, encontra-se em sua segunda parte a pessoa de Tomé, suas dúvidas e a sua grande profissão de fé no Cristo Ressuscitado. A experiência de Tomé é muito significativa, pois, sendo ele discípulo de Jesus que, pouco antes do Evangelho confirmava a sua decisão de seguir o Senhor até às últimas consequências Jo 11,16, agora coloca em dúvida a presença do ressuscitado no coração da comunidade reunida. Em seu encontro com o Ressuscitado no coração da comunidade, no dia do Senhor, Tomé é interpelado pelo Mestre: "Não sejas incrédulo, mas fiel". O que provoca em seu coração uma mudança radical, a ponto dele proclamar a mais alta e profunda profissão de Fé de todo o Evangelho: "Meu Senhor e meu Deus". Ele nasce como nova criatura marcado pela experiência realizada com o Ressuscitado, o que garante que o seu testemunho tenha sido fecundo e a sua palavra tenha chegado até os dias de hoje. No coração da comunidade ele foi confirmado como um verdadeiro discípulo missionário, capaz de reconhecer o Senhor e a Ele seguir durante toda a sua vida.

        

A comunidade dos primeiros discípulos, descrita no texto dos Atos dos Apóstolos é marcada pela experiência do Ressuscitado e apresentada com a marca profunda da Caridade Fraterna. Essa postura que determinava as relações dentro e fora da comunidade sustentava a mesma, dando-lhe força e vigor missionários. A Caridade Fraterna, o amor comprometido e ativo é uma das colunas que sustenta a comunidade dos discípulos missionários. Ela está presente e se manifesta na vida daqueles que se tornam discípulos de Cristo, “aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8,21). Ela se torna modo de vida e se atualiza naqueles que “tem fome e sede de justiça” (Mt 5,6; 6,33) e se torna realidade na Opção Preferencial pelos pobres, a fim de que tenham vida, e a tenham em abundância, como nos indica o próprio Senhor (Jo 10,11; 15,13). Todavia, para que a Caridade Fraterna esteja presente na vida daqueles que são chamados ao caminho do discipulado missionário, faz-se necessário a escuta autêntica e verdadeira da Palavra de Deus. O que garante que os passos dos fiéis sejam conduzidos na direção da observância e da prática da Palavra. Tal postura de vida é capaz de fazer desabrochar na vida dos discípulos missionários a justiça e o amor, a solidariedade e a partilha, a comunhão e o compromisso, particularmente com os empobrecidos e excluídos da sociedade.

        

Tanto na experiência relatada no Evangelho, quanto aquela descrita nos Atos dos Apóstolos indicam a maturidade alcançada pela comunidade dos discípulos missionários. Uma maturidade na Fé e, sobretudo, no Verdadeiro Amor, que nasce do encontro com o Senhor e se desdobra na direção dos irmãos e irmãs. Nesse sentido, a afirmação encontrada na Segunda Leitura é crucial para que se compreenda à que vocação os cristãos são chamados, ou seja, qual a postura que se espera daqueles que fazem a experiência da Ressurreição de Cristo. O autor afirma que o Verdadeiro Amor a Deus se traduz no amor para com os irmãos e irmãs, um amor concreto e provado pela postura e opções de vida dos cristãos. Isso se dá no encontro com o Senhor que comunica aos seus a novidade de sua Ressurreição, tornando-os novas criaturas, mas se concretiza nas atitudes de partilha e na Caridade Fraterna.  Desse modo, a experiência da Ressurreição de Cristo, vivida na comunidade, é capaz de formar verdadeiros discípulos missionários, cheios da graça de Deus e do vigor missionário. Homens e mulheres capazes de darem razões à Fe que professam, unidos ao Senhor que lhes guia e renova, sendo junto dos irmãos e irmãs, principalmente dos que mais precisam um sinal concreto do Amor de Deus.    

        

Que a participação na Liturgia da Palavra desse Segundo Domingo da Páscoa toque nos corações de todos, convidando-os a fazerem a mesma experiência dos discípulos em seu encontro com o Senhor. A fim de que, renovados e fortalecidos pela graça do Espírito Santo, possam ser sinais claros do Amor de Deus, de maneira especial juntos aos que estãos excluídos e marginalizados. Que seja a Caridade Fraterna a força das Comunidades Eclesiais de Base, chamadas a formarem homens e mulheres novos, para um mundo novo e renovado.

 

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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