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26.03.2021

DICAS DE HOMILIA - Domingo de Ramos

O Amor de Deus - A Solidariedade de Deus - O Filho de Deus

 

 

(Is 50,4-7 / (Sl 21 / Fl 2,6-11 / Mc 15,1-39 - Forma breve)

 

O Amor de Deus - A Solidariedade de Deus - O Filho de Deus

        

A liturgia do Domingo de Ramos é marcada por dois momentos significativos: o ingresso de Jesus na cidade Santa de Jerusalém, aclamado, entre cantos e palmas, como rei de Israel e o seu caminho até o calvário, culminado com a sua morte na cruz. O Primeiro momento é celebrado pelo convite feito a todos a seguirem o Senhor em seus passos até a cidade Santa de Jerusalém, isso se dá por meio da procissão até a Comunidade na qual se celebra. No que diz respeito ao Segundo momento, isto é, à Leitura da Paixão do Senhor, a liturgia apresenta uma profunda reflexão sobre o amor de Deus, manifestado na entrega de Cristo na Cruz. De modo especial, a liturgia revela a solidariedade divina, no gesto do esvaziamento de Cristo, sua "kenose", que na cruz alcança a sua máxima expressão, reconhecida pelo centurião romano que expressa: Verdadeiramente esse era o Filho de Deus.

        

A cruz de Cristo é sinal claro e límpido do amor divino, que sempre encontrou modos de tocar a vida dos homens, percorrendo caminhos inusitados na história humana, chegando até às últimas consequências para alcançar a todos. O desejo de Deus, em seus desígnios de amor é o de  manifestar, por meio da cruz de Cristo, o seu amor incansável, que não encontra repouso ate alcançar os últimos de todos os tempos e lugares. Isso Ele realiza por meio da entrega de Cristo na cruz, visto que o Senhor assume para Si mesmo o projeto do Pai de revelar a todos a face amorosa de Deus, diante da qual ninguém é estrangeiro e nem mesmo estranho, mas todos são filhos e filhas amados. Por isso, Paulo afirma com veemência aos Romanos que ninguém nesse mundo pode ser separado do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus. Deus se faz presente em todos os passos de Jesus, mesmo diante do momento crucial de sua vida, onde ele se encontra abandonado pelos seus. Ali, solitário e mergulhado nas trevas que cobriam o céu, num inferno de angústia e dor, mesmo lá Deus se faz presente. Desse modo, em suas dores na cruz, Cristo reúne nas suas próprias dores todas as dores e sofrimentos humanos, a fim de apresentá-los ao Pai. Sendo assim, a cruz de Cristo não coloca um limite ao amor, mas é expressão da solidariedade de Deus para com os que sofrem. Ela tem o poder de fazer ressurgir a esperança e a confiança no poder do amor de Deus que se deixa crucificar pelo próprio amor dirigido à humanidade.

        

Diante dessa verdade da Cruz de Cristo, como sinal visível do amor divino, todos são convidados a reconhecer que no mistério da cruz surge uma nova lógica. Esse novo modo de pensar e viver, baseado nos valores do Evangelho, deve ser assumido por todos os que abraçam o seguimento de Jesus Cristo com os Ramos nas mãos e beijam a sua cruz na sexta-feira santa. Ou seja, ser tocado pelo amor divino que é derramado sobre todos que se colocam diante da Cruz de Cristo, implica numa mudança radical de vida. Pois, ao contemplar o Filho pendente da Cruz, morto pela salvação de todos, morto por amor, o fiel é convidado a viver uma vida marcada pelos mesmos sentimentos que moviam o Mestre.  Pois quando acolhem nos braços o Cristo morto por amor, todos devem se deixar tocar e conduzir pelo mesmo amor, manifestado na entrega do Senhor. Os olhares devem se abrir, os corações serem aquecidos a fim de que uma vida nova surja, de modo que todos sejam conduzidos e direcionados pelo amor. Um amor concreto que sabe acolher e respeitar o próximo, levantar o caído e ajudá-lo a caminhar, sustentar os fracos e defender a vida dos que se encontram em situação de risco. Ser capaz de reconhecer o Senhor nos que encontram no caminho da vida, como ele mesmo diz: "Eu tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era estrangeiro e me acolhestes, estava nu e me vestistes, doente e preso e viestes me visitar".

        

Na liturgia da Palavra do Domingo de Ramos, Jesus é aclamado como rei dos judeus, todavia, logo em seguida, com a leitura do relato da Paixão, todos se colocam diante de sua crucificação e morte na cruz. Ele é elevado da terra e atrai para si todos os olhares do mundo, pois, em seu corpo ferido e marcado pelas dores, em seu corpo inerte e morto se encontram também todos os homens e mulheres, os sofredores dessa terra. No evento da Cruz de Cristo, isto é, não somente no madeiro da cruz, mas, no sentido plena da obra nela realizada, todos os filhos e filhas de Deus, de todos os tempos e lugares, raças e línguas são amparados e sustentados. A Cruz de Cristo é manifestação da Solidariedade de Deus com a humanidade, isto é, ninguém sofre sozinho sem que seja assistido pelo amor de Deus. Desse modo, os fieis cristãos, unidos a Cristo, contemplando-o pregado na cruz, são convidados a contemplar aqueles que ainda sofrem hoje em dia, são excluídos e marginalizados, sofrem a dor do preconceito e da discriminação. Sendo assim, nas palavras de dor e solidão de Cristo se encontram os gemidos e as dores das mães que perderam seus filhos à causa da violência, aqueles que padecem as dores do desemprego e são vitimas de toda o tipo de exclusão. Aquele que segue Cristo, abraça a sua cruz e deseja ser seu discípulo missionário é convidado a ouvir os lamentos e as dores, sentir a solidão e tornar-se próximo dos que ainda hoje sofrem. Sendo assim, por ser sinal da solidariedade de Deus para com a humanidade, a cruz de Cristo se torna lugar onde o sofrimento humano é depositado e redimido. Ela é redentora e uma luz capaz de iluminar, confortar e fortalecer todos os que ainda hoje sofrem nessa terra. Por isso, todos os que participam da Celebração dos Ramos devem trazer consigo as alegrias e tristezas, a esperança e as angústias, as dores e as conquistas de todos os homens e mulheres. De modo que toda a vida seja depositada aos pés da cruz redentora de Cristo, sinal da solidariedade de Deus para com os seus filhos e filhas, lugar no qual todo o sofrimento humano é acolhido e transformado em sinal de esperança, confiança e fé.

        

A cena da crucificação é descrita por meio dos sinais das trevas e da solidão do Filho de Deus. Em Cristo traído por seus amigos, deixado sozinho na cruz, destituído de suas vestes, sofrendo o silêncio do próprio Deus, encontram-se presentes todos aqueles e aquelas que experimentam o mesmo e dizem: Por que Deus nos abandonou? Nesse momento, onde toda a esperança parece ter cedido lugar à angustia e ao sofrimento, ouve-se a voz de um centurião romano, um pagão que afirma: "Ele era mesmo o Filho de Deus". Essa afirmação é retomada do início do Evangelho de Marcos, que já indica o itinerário a ser percorrido por todos os que desejavam saber quem era Jesus. Ao ser proclamada pelo centurião a verdade do Evangelho de Marcos é um sinal de esperança, isto é, todos os que se aproximam do Senhor, com o coração sincero, podem ser tocados pela sua graça e transformados em seus discípulos. De fato, Jesus é o Filho de Deus, e essa verdade enche de luz a cena marcada pelas trevas, pela morte e pela falta de esperança. É Ele que é portador e comunica uma verdade indiscutível, ou seja, Deus é fiel ao seu amor e à sua Aliança como  o seu povo. Tal fidelidade é manifestada na cruz de Cristo, pois, no Filho morto na cruz, todos os que sofrem não devem jamais se sentirem sozinhos.  

        

Que a liturgia do Domingo de Ramos, que inaugura a Semana Santa seja celebrada com a acolhida de Cristo que segue o seu caminho na direção da vontade do Pai. Ele que é a manifestação do amor e da solidariedade de Deus para com os seus filhos e filhas, por meio de sua entrega na cruz. Que todos ao segurarem os Ramos e ouvirem atentos o relato da Paixão, sintam-se tocados pelo amor de Deus e desejem fazer um caminho até ao Domingo de Páscoa, seguindo os passos do Senhor dos Passos, que leva confiante a sua cruz. Que ao contemplarem a cruz de Cristo, todos se sintam acolhidos e convidados a acolherem as dores dos irmãos e irmãs, como sinal claro da bondade, amor, misericórdia e solidariedade divinas

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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