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18.02.2021

DICAS DE HOMILIA - 1º Domingo da Quaresma

Tempo de Conversão - A Celebração da Aliança - Vencer as Tentações

 

 

(Gn 9,8-15 / Sl 24 / 1Pd 3,18-22 / Mc 1,12-15)

 

Tempo de Conversão - A Celebração da Aliança - Vencer as Tentações

 

O período da Quaresma é marcado por um apelo à conversão que a Igreja dirige aos seus filhos e filhas, marcando esse tempo pela oração, pelo jejum e pela caridade fraterna. A acolhida da Palavra de Deus é o espaço onde nasce a verdadeira conversão, uma etapa de um percurso que leva o cristão a uma vivência dos valores do Evangelho na vida diária. Nesse espaço de conversão a acolhida do Reino faz com que o fiel se torne discípulo de Cristo, seguindo os seus passos e vencendo todas as tentações do caminho do discipulado missionário.

        

Na Liturgia da Palavra desse Primeiro Domingo da Quaresma é marcado por um forte apelo à conversão, algo que vem proposto, de forma enfática, pela voz de João Batista, logo no final do Evangelho proclamado. De fato, depois de relatar o caminho vitorioso de Jesus no deserto, em meio às tentações, o texto do Evangelho é concluído com o apelo do Batista, dirigido a todos. O Reino está próximo e, por isso, acolher o caminho de conversão é a proposta para todos os que desejam vencer as tentações do caminho do deserto da vida. O apelo à conversão é mais do que uma proposta para o período da quaresma, vai além disso, ou seja, é um apelo dirigido a todos, a fim de que se coloquem no caminho do discipulado. Nesse caminho proposto, aqueles que seguem Cristo desejam abraçar a sua proposta e seguirem os seus passos, isto é, seguirem o seu caminho rumo à vontade do Pai. A conversão é mais do que uma mudança superficial da vida, visto que a verdadeira mudança deve tocar as bases da vida, onde as decisões mais radicais são tomadas. Por isso, o apelo de João Batista deve ecoar no coração de todos, convidando-os à uma revisão de vida, diante da Aliança amorosa de Deus com os seus. Acolher as opções de Cristo, fazer que Sua Palavra e Missão seja a de cada um, é o sinal de uma verdadeira conversão. Nesse caso, aderir à conversão não é algo que se reduz a uma parte da vida, mas deve perpassar a vida inteira, um caminho iniciado que deve ser percorrido até o seu fim. Ou seja, um percurso para a vida inteira, no qual os valores do Evangelho são assimilados e as opções de Cristo são vividas e promovidas. Tudo isso se dá, pois Deus que ama os seus filhos e filhas, propõe a renovação de sua Aliança de amor, que é vivida no processo de conversão.

        

A Primeira e a Segunda Leitura apresentam a Aliança de Deus com os seus como algo fundamental para a compreensão de que tipo de relação Deus convida o seu povo. Deus é aquele que convida, celebra e se mantém fiel à sua Aliança, sinal claro de seu amor incondicional, revelado, de modo claro, na pessoa e nas atitudes de Jesus Cristo. Sendo assim, a Quaresma é um tempo propício para a recordação da Aliança de Deus com os seus filhos e filhas, momento em que esse pacto de Amor é renovado e reproposto. Desse modo, os cristãos são convocados a não somente celebrar o que é proposto mas, sobretudo selar o seu compromisso de Aliança com o Deus da Vida. Selar a Aliança não se reduz a um rito externo mas, como foi dito sobre a conversão, implica em mudança radical de vida, isto é, aderir aos apelos de Deus e sua proposta de amor. Deus é fiel e a sua fidelidade se manifesta em sua Aliança eterna de amor, um compromisso gratuito e livre realizado por amor. Por isso, ao acolher a Aliança, os fiéis são introduzidos na comunhão com o Senhor, levados a experimentar a sua companhia nos desertos da vida, capacitando-os a vencer todas as tentações do mal.

        

Ainda na Liturgia da Palavra desse Primeiro Domingo da Quaresma o Evangelho traz Jesus em seu percurso no deserto, onde Ele enfrenta as tentações do mal. O texto do Evangelho que traz as tentações de Jesus no deserto é uma proposta que vem apresentada ao homem a fim de que seja capaz de fugir do pecado que rompe a comunhão. No deserto Jesus coloca-se nas mãos amorosas do Pai, sinal de sua total confiança e esperança, o que fez com que Ele tenha superado todas as tentações desse caminho árido e difícil. No texto, deserto deve chamar a atenção, pois esse lugar árido e inóspito, na Sagrada Escritura é cheio de significados. Um espaço que evoca a prova e o castigo, até ser proposto como espaço de intimidade e comunhão do homem com o Senhor. No caso, do Evangelho desse domingo, o deserto é apresentado como o lugar da prova, por isso, Jesus ao percorrer o deserto faz a mesma estrada do povo de Israel. O deserto é o lugar da solidão e da prova, espaço onde a fragilidade e precariedade da vida podem ser sentidas fortemente, espaço no qual o Senhor desejou saber o que Israel tinha no coração (Dt 8,2). Nesse espaço cheio de significado Jesus é conduzido a fim de que as razões mais profundas de seu coração fossem colocadas às claras, ali ele rasga o coração e se apresenta profundamente confiante nas mãos do Pai e resoluto em fazer a sua vontade.

        

O Evangelho é sucinto ao apresentar as tentações de Jesus, visto que o que está em jogo é a sua relação com Deus, da mesma forma como aconteceu com povo de Israel em toda a sua história. Jesus em seu caminho no deserto é assistido pelos anjos, sinal da proteção e da segurança que o Senhor garante aos seus, mesmo em meio às dificuldades e tentações. Jesus não se deixa levar pelo mal e ao enfrentar as tentações no deserto, onde a fragilidade e a insegurança são profundamente presentes, abraça o desejo de Deus para si mesmo. Ao vencer as tentações, Jesus indica um caminho possível para os seus discípulos, no qual devem trilhar para viverem, no deserto de suas próprias vidas, em comunhão com Deus. A obediência de Cristo ao projeto de comunhão com Deus e a sua confiança irrestrita no seu amor de Pai foram as bases de sua vida. Ao escolher ser fiel, mesmo diante das tentações, Jesus indica um caminho para os seus discípulos trilharem, não uma estrada fácil e simples, mas, necessária e possível. A obediência de Cristo nasceu e foi nutrida na oração, na busca constante da presença e na profunda comunhão com o Pai. Jesus sai vitorioso do deserto e continua o seu caminho levando ao cumprimento a Palavra de João Batista: O Reino de Deus está próximo!

        

Que a Liturgia da Palavra desse Primeiro Domingo da Quaresma, tempo de grande graça e conversão ilumine os corações de todos com o amor de Deus Criador e o seu chamado à renovação da Aliança e da comunhão com Ele. De modo que no deserto do dia a dia, todos, acompanhados por Cristo, sejam fortalecidos em sua luta contra as tentações, principalmente aquela do abandono do caminho do discipulado missionário. Cristo obediente ao Pai aquele a guiar os passos de todos os seus discípulos nesse caminho de conversão e busca de vida nova.

            

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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