28 2101-7603

Home / Dicas de homilia

11.02.2021

DICAS DE HOMILIA - 6º Domingo do Tempo Comum

A Compaixão que cura - O Encontro com Cristo - A Missão do novo discípulo

 

(Lv 13,1-2.44-46 / Sl 31 / 1Cor 10,31–11,1 / Mc 1,40-45)

 

A Compaixão que cura - O Encontro com Cristo - A Missão do novo discípulo 

 

A Liturgia do Sexto Domingo do Tempo Comum é marcada pelo discurso sobre a lepra, desde a Primeira Leitura, nas prescrições de Moisés, até o encontro de Jesus com o homem leproso que pede a sua cura. Jesus é movido pela compaixão, seu coração reconhece as dores daquele homem e, por isso, vai ao encontro do leproso, reconhecendo as suas dores e curando-o de seu mal. O homem curado de sua lepra e liberto de toda a marginalização que sobre ele recaia, torna-se um discípulo missionário, propagando a acolhida e a cura que recebera de Jesus.

 

Quando falamos da lepra na Sagrada Escritura devemos levar em consideração não somente a doença, que por si só, já causava dor e grande sofrimento, mas, sobretudo, as consequências que ela trazia para a vida de quem adoecia. A lepra, não somente desfigurava a pessoa em seu aspecto físico, causando-lhe a perda da pele e de seus membros, modificando para sempre o rosto e a sua vida. Como descrito na Primeira Leitura, a lepra comportava também um tipo de condenação social e religiosa, pois, aqueles que dela sofriam, perdiam tudo o que possuíam: seu nome, sua família, sua condição social e até mesmo o seu lugar na comunidade. Além disso tudo, eram considerados pecadores públicos, isto é, eram afastados do convívio social e abandonados à sua própria sorte, como condenados por Deus.

 

Sendo assim, a cura do leproso que hoje ouvimos no Evangelho, não se reduz simplesmente a uma cura física, mas sobretudo, à restituição da vida plena, da dignidade humana que lhes tinha sido retirada. A compaixão e a acolhida de Jesus expressam, de modo claro, o olhar bondoso de Deus que acolhe e se torna próximo daqueles que sofrem. O leproso encontra-se com o Senhor, foi tocado por sua compaixão, um amor maior, capaz de lhe mudar a história, curando as feridas da vida e conduzindo-o a um rumo novo. Aqueles que são chamados a ser discípulos e discípulas de Cristo, marcados por uma experiência de fé profunda e uma vivência eclesial tão fecunda e viva, não podem ir noutra direção. Isto é, as Comunidades Eclesiais de Base devem ser casas abertas onde se experimenta a compaixão, acolhida e solidariedade, lugar do encontro, do diálogo e da missão. Todos são chamados a entrar na escola da compaixão de Cristo, sendo capazes de uma acolhida verdadeira, isto é, abrir as portas e as janelas das comunidades e ir ao encontro das realidades que as cercam. Existem tantos desafios, muito a ser construído e conquistado, pessoas a serem resgatadas e encontradas, uma sociedade mais justa a ser edificada. Por isso, seguindo o exemplo do próprio Jesus, que todos tenham corações compassivos, capazes de ir ao encontro dos que mais precisam, sendo sinais da Acolhida Misericordiosa de Deus.

 

O segundo ponto é o Encontro com o Senhor. Ao experimentar a acolhida como uma porta aberta, o leproso fez um profundo encontro com Deus, não somente pela cura que recebeu, que por si só já foi algo maravilhoso, mas sobretudo, pela experiência de ter sido tocado em seu íntimo. O leproso do Evangelho fez da experiência da cura um lugar de encontro profundo com o Senhor e de uma verdadeira profissão de fé. De fato, a sociedade hoje está marcada por um grande individualismo, onde as necessidades pessoais são o que movem a maioria das pessoas, causando um grande mal-estar e um imenso vazio de solidariedade e de comunhão. O homem contemporâneo, marcado pelo consumismo provocado pela imensa onda do mercado tem dificuldade de se comprometer com a construção do bem comum e de fazer um caminho de uma sincera profissão de fé. Busca-se a realização de seus desejos e a resposta para as suas necessidades, mas, por vezes, tal experiência desencarnada, não se traduz num compromisso de um autêntico discipulado. Nesse sentido, o encontro verdadeiro com o Senhor provoca uma fecunda profissão de fé e conduz à vivência da comunhão fraterna e da compaixão para com o próximo. Todos são convidados pelo testemunho do leproso que se colocou aos pés de Jesus, a fazer um profundo encontro com o Senhor. Deixarem-se encontrar por Ele, num abraço de misericórdia e de amor, afim de serem formados como verdadeiros discípulos de Cristo, segundo os valores do Evangelho. As Comunidades Eclesiais de Base devem ser lugares propícios para que muitos, ao serem acolhidos, façam essa experiência profunda de encontro com Cristo. Ele que não somente cura as feridas e as marcas próprias da vida de cada um mas, sobretudo, convida a todos para o seu seguimento, para o caminho do discipulado missionário. Que sejam as comunidades lugares da afirmação e defesa da vida, dos direitos e da dignidade de todos. Escolas de fé e de vida, onde são formados os homens e as mulheres novos para tempos marcados pela ética, pela igualdade social e pelo compromisso de construção de nossa casa comum. 

 

Por fim, o terceiro ponto a ser refletido a partir da liturgia da Palavra desse Sexto Domingo do Tempo Comum é a Missão que nasce da acolhida e do encontro com o Senhor. No que se pode ver, o leproso do Evangelho, não somente foi curado, mas professa sua fé, tornando-se um anunciador do que o Senhor fizera por ele. Isto é, tornar-se um missionário, portador de uma experiência de Deus que o marcou profundamente, a ponto de poder comunicar aos outros aquilo que gratuitamente recebeu. De fato, a compaixão que experimentou, a acolhida que recebeu e o encontro com o Senhor da Vida que fez, lhe transformou em portador de uma graça, de uma bênção e de uma verdade. Em toda a Sagrada Escritura, todos aqueles e aquelas que se aproximaram do Senhor foram acolhidos, permaneceram com Ele e foram enviados como discípulos missionários.

 

A Igreja hoje é chamada a ser portadora de uma graça especial para todos os homens e mulheres, diante dos desafios do cotidiano. Tudo isso se dá na vivência das Comunidades Eclesiais de Base, em suas luzes, em suas conquistas, em seus  sonhos, em seus  projetos e suas vitórias. Toda a Igreja é chamada a ser uma Comunidade em Saída hoje na sociedade, seja na zona rural quanto na cidade. A fim de que as comunidades sejam sinais de uma Igreja que vai ao encontro dos filhos e filhas de Deus, numa sincera e verdadeira postura de compaixão, encontro, acolhida, diálogo e de cuidado. Que a exemplo do leproso curado todos se sintam tocados pela graça de Deus e comprometidos com o Senhor, no anúncio de sua Palavra e no testemunho da caridade.    

        

Que a liturgia deste Sexto Domingo do Tempo Comum se transforme em lugar da acolhida da compaixão de Cristo, que vem ao encontro de cada um, conhecendo as suas necessidades e curando as suas feridas. De modo que, invadidos por um amor maior e curados das dores, se tornem capazes de reconhecer os sofrimentos, as dores, as necessidades dos irmãos e imãs, principalmente dos que mais precisam. Sendo capazes de ir-lhes ao encontro como sinais claros da misericórdia e da compaixão de Cristo, como verdadeiros discípulos e discípulas missionários.

        

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

Informativo

Cadastre seu e-mail e receba informações mensais da Diocese.


  diocese@diocesecachoeiro.org.br

  28 2101-7603

Rua Costa Pereira, 41 - Centro

CEP: 29.300-090 - Cachoeiro de Itapemirim - ES

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

 

© Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Todos os direitos reservados.

 

Produção / Cadetudo Soluções Web