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13.01.2021

DICAS DE HOMILIA - 2º Domingo do Tempo Comum

Chamado pelo Senhor - Formados pelo Senhor - Enviados pelo Senhor

 

(1Sm 3,3b-10.19 / Sl 39 / 1Cor 6,13c-15a.17-20 / Jo 1,35-42)

 

Chamado pelo Senhor - Formados pelo Senhor - Enviados pelo Senhor

 

Tendo completado o período do Natal, a Igreja retoma o caminho iniciado com a Solenidade de Cristo Rei do Universo, partindo agora do Segundo Domingo do Tempo Comum. Toda a liturgia da Palavra proclamada convida aos fiéis a escutarem, reconhecerem e acolherem o chamado do Senhor, à exemplo de Samuel e dos discípulos de Cristo no Evangelho. De fato, somente ouvindo a Palavra do Senhor e o seu chamado é que os fiéis são formados, na intimidade do "estar com Ele", sendo moldados como verdadeiros discípulos missionários. De modo que, formados como testemunhas do Senhor, possam ser enviados a chamarem outros ao seguimento, realizando assim a sua missão como discípulos amados do Mestre.

        

Na Primeira Leitura encontra-se o jovem Samuel em seu caminho de chamado, vocação e conhecimento do Senhor, o que faz dele, uma figura muito significativa e importante para a experiência de fé de todo o Israel. A sua experiência com o Senhor é constantemente revisitada na história dos filhos de Israel, tornando-se um modelo para aqueles que recebem do Senhor um chamado e uma missão. No relato é clara a iniciativa divina e o modo como o Senhor se aproxima do seu escolhido, fazendo com que ele pudesse, pouco a pouco, crescer na intimidade e comunhão com Aquele que o chamou. O texto é claro ao afirmar que o jovem Samuel ainda não conhecia o Senhor, o que o coloca em pé de igualdade com todos os que são tocados pela Palavra de Deus a ingressam num caminho de seguimento e discipulado. É iluminadora a experiência feita pelo profeta que, pouco a pouco reconhece a voz do Senhor e amor divino presente em sua vida e, por confiar totalmente, na graça acolhida, cresce em sabedoria e vigor. Samuel torna-se um homem de Deus, chamado pelo Senhor para ser seu mensageiro, portador de sua Palavra, sinal claro de Sua presença junto aos filhos e filhas de Israel.

        

Do mesmo modo, no Evangelho proclamado, os discípulos de João são interpelados pela palavra direta e clara de João Batista, que indica o Cordeiro de Deus, isto é, o próprio Jesus. No relato evangélico, proposto logo após o prólogo do mesmo, é reconhecido como a semana inaugural, tal sucessão de dias tem início em Jo 1,19 e segue até as bodas de Caná em Jo 2,12. O texto desse domingo relata o momento no qual João Batista indica, aos seus discípulos, Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Tal figura do Cordeiro é bastante sugestiva, ela evoca, principalmente, ao momento da paixão e cruz no qual o Senhor será apresentado como o cordeiro pascal. Os discípulos de João Batista, ao ouvirem a sua palavra tão direta à respeito de Jesus, decidem seguí-Lo, colocando-se diante do Senhor. Ao vê-los, Jesus os interroga, a fim de descobrir as suas razões profundas que os moviam, chamando-os para estarem com Ele. O mesmo acontece com Pedro, pois, ao receber o anúncio de André, que era um dos discípulos de João que seguiram Jesus, também é convidado a estar com o Mestre e ser formado por sua Palavra. Sendo assim, todos aqueles que são convidados para uma missão, são primeiramente chamados a permanecerem com o Senhor, serem formados por Ele e, por fim, enviados para a missão.

          

Desse modo, é claro que para serem formados como verdadeiras testemunhas, vigorosos profetas e discípulos missionários do Senhor, os chamados são convidados a permanecerem aos pés do Senhor, acolhendo a sua Palavra. Sendo assim, como é descrito na Primeira Leitura, Samuel foi formado pela Palavra do Senhor, junto ao sábio Eli, a fim de que pudesse ser um grande sinal da presença de Deus junto aos seus filhos e filhas. Na mesma direção, no Evangelho os discípulos são convidados a estarem com o Senhor e serem introduzidos na comunhão com o Pai. Os discípulos são conduzidos a uma intimidade profunda com o próprio Jesus, a fim de que se tornem suas testemunhas, permanecendo Nele e sendo guiados pelo seu Espírito.       

        

O relato do chamado dos primeiros discípulos em Jo 1,35-42 é muito diferente do presente nos outros Evangelhos, pela sua estrutura, forma, bem como pela sua ambientação. Este lugar do primeiro encontro deve se tornar para o discípulo uma fonte perene para a qual ele sempre deve retornar, no intuito de jamais abandonar o caminho do seguimento. Esta experiência torna-se espaço de amadurecimento, já que o discípulo é imerso numa experiência pessoal com o Mestre, um encontro de comunhão e profunda relação de amizade. Quem se coloca no caminho do seguimento é tomado por Cristo, entra num diálogo único e irrepetível, que o conduz a uma vida de grande intimidade com o próprio Senhor: "foram e viram onde ele morava e permaneceram com ele aquele dia. Era aproximadamente a hora sétima" (v. 39). O caminho tem início quando os discípulos vão ver onde ele morava e termina quando contemplam a sua glória e acreditam nele, texto encontrado no final do relato das Bodas de Caná (Jo 2,11). O verbo permanecer tem uma extensão para toda a vida e a hora sétima diz do momento a partir do qual as suas vidas mudaram completamente.

 

O novo chamado, o discípulo também pronuncia a sua profissão de fé: "Encontramos o Messias" (v. 41.45). A Experiência de comunhão com o Mestre produz um desejo de anunciar aos outros Aquele que foi encontrado e garantiu um sentido novo para a vida e um chamado a uma nova vocação. Neste caso, pode-se perceber que existem dois pontos fundamentais no discipulado do Quarto Evangelho: o chamado do Senhor à comunhão, isto é, a estar com Ele: "venham e vejam" (v. 39.46), e um lançar-se na direção dos outros no anúncio e na missão.

        

Desse modo, do chamado acolhido, do encontro fecundo, no qual o discípulo missionário é gerado, nasce a missão dos discípulos missionários, isto é, ela é fruto da experiência feita junto daquele que chama e forma os seus discípulos. Deste modo, o caminho de seguimento e discipulado é apresentado como um chamado pessoal de comunhão com o Senhor que se desenvolve na formação de novas testemunhas, anunciadores da Verdade do Evangelho. Sendo assim, é Cristo que convida o homem ao seguimento e é Ele aquele que o sustenta no mesmo caminho. Aquele que é chamado se une a Cristo, e junto com Ele deve dar os passos no discipulado, a fim de que, nas dificuldades do dia a dia da vida, nunca desista da vocação a que foi chamado, a de ser discípulo missionário. A missão assim compreendida, não pode ser desvinculada de um longo processo de encontro, experiência e permanência com o Senhor que convida a cada discípulo ao seguimento. Ao contrário, a missão é fruto de um caminho contínuo e constante  junto Àquele que é o autor da fé, que por sua voz forte e vigorosa continua a convidar homens e mulheres do nosso tempo a fazerem a mesma experiência que fizeram os primeiros discípulos e discípulas.

        

Que a liturgia desse Segundo Domingo do Tempo Comum, desperte nos corações de todos o sincero desejo de acolher o chamado que constantemente o Senhor faz a todos. De modo que, unidos a Ele pelo batismo e assumindo o caminho do seguimento como o modo de vida e de profissão de fé, os cristãos sejam formados como verdadeiros profetas, à exemplo de Samuel, discípulos missionários à exemplo das figuras do Evangelho. De modo que, chamados e formados pela Palavra do Senhor, sejam também enviados para a missão, imbuídos dos valores do Evangelho e capazes de serem sinais do Reino de Deus no mundo. De fato, a sociedade, ainda marcada por tanta exclusão e miséria, por tantos sinais contrários aos valores do Reino, necessita de homens e mulheres formados pela Palavra e capazes de testemunharem o que do Senhor, constantemente recebem.  

          

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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