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10.11.2020

DICAS DE HOMILIA - 33º Domingo do Tempo Comum

O Caminho do Senhor - Os Filhos da Luz - A Responsabilidade do Discípulo Missionário

 

(Pr 31,10-13.19-20.30-31 / Sl 127 / 1Ts 5,1-6 / Mt 25,14-30)

 

O Caminho do Senhor - Os Filhos da Luz - A Responsabilidade do Discípulo Missionário

 

A Liturgia da Palavra desse Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum apresenta uma proposta de reflexão sobre a vida concreta dos que são chamados ao caminho do discipulado missionário. De fato, no Salmo canta-se a certeza de que o Senhor acompanha todo aquele que se propõe a trilhar os seus caminhos, guardando-o e conduzindo-o. Segundo Paulo, a vida de seguimento de Jesus insere o cristão, chamado a ser filho da Luz, num caminho de constante vigilância e crescimento na fé e nas obras de serviço e caridade. Algo que é retratado, de modo claro, no Evangelho do domingo, que repropõe o mesmo tema da responsabilidade dos discípulos missionários, já apresentado anteriormente.

        

O Salmo 127 canta a bem aventurança de todos os que trilham os caminhos do Senhor, seguindo a sua Palavra e vivendo segundo a sua graça. O salmista reconhece que a comunhão com o Senhor garante ao fiel a certeza de que em todos os tempos Ele será presente e o seu auxílio sempre será percebido. A alegria e a felicidade, dons de uma vida marcada pela presença de Deus, não significam uma explosão de sentimentos, algo que muitas vezes é tão desejado e buscado, mas, a serenidade do coração que se percebe acompanhado por Deus. Nesse sentido, existe no Salmo um convite direcionado a todos, a fim de que acolham o convite do Senhor e se coloquem disponíveis para seguir a Sua Palavra e caminhar com Ele.

        

Nessa relação de intimidade com o Senhor, na qual o cristão é inserido na presença de Deus, que é formado o verdadeiro discípulo missionário. No estar com o Senhor, aos pés do Mestre cotidianamente é que o discípulo reconhece a graça de Deus atuante em sua vida, transformando-o e fazendo-o crescer na fé e na vivência da mesma. Nesse sentido, o Salmo Responsorial torna-se mais que um convite, é uma verdadeira proposta de caminho de seguimento. Na qual, o trabalho, o serviço, a doação da vida, os gestos concretos de solidariedade são os frutos abençoados das mãos dos que confiam no Senhor. Sendo assim, o Salmo une-se diretamente à Segunda Leitura e ao Evangelho, pois propõe para os que são chamados a ser filhos da Luz um caminho de seguimento para toda a vida. A fim de que sejam capazes de fazer florescer os dons confiados a cada um por Deus, na responsabilidade própria que a Fé confere a cada um. 

        

Segundo Paulo, na Carta aos Tessalonicenses, todos os que abraçaram a Fé em Jesus Cristo são filhos da Luz e devem se comportar com tal, por meio de uma vida marcada pelos valores do Evangelho. A sua palavra, dirigida aos irmãos e irmãs daquela comunidade, chega até esse tempo cheia de atualidade e vigor. Uma exortação clara e direta, que deve chegar aos corações de todos os que a escutam na celebração litúrgica: "Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios". Nestas palavras encontra-se o caminho trilhado pelo próprio apóstolo, já que, ele mesmo foi ilumidado por Cristo na estrada de Damasco. Uma experiência sem igual que marcou decisivamente a sua vida, introduzindo-o no caminho do seguimento de Jesus Cristo, tonando-se o apóstolo de todas as nações. Ao ser iluminado pelo Senhor, Paulo percebe que o caminho que lhe é apresentado é o da profunda união com Cristo, sendo ele transformado, pela graça de Deus, numa nova criatura. Por isso, ao afirmar que todos os que abraçam a Fé são filhos da luz e devem viver conforme essa vocação, ele retrata a sua própria vida. Desse modo, a experiência pessoal do apóstolo torna-se um modelo para todos os cristãos que são chamados, pelo batismo a deixarem-se iluminar sempre e cada vez mais pela presença de Cristo em suas vidas.

        

O apóstolo Paulo ainda afirma  que todos os cristãos, como filhos da luz, devem cultivar uma vivência ativa da fé, isto é, não é possível ser cristão e dormir, ou seja, não cumprir a sua missão cotidiana. Quando ele exorta à vigilância e à sobriedade, indica um modo de vida, marcado pelos valores do Evangelho, algo que deve acompanhar os cristãos em todas as dimensões de sua vida. Por isso, aqueles que foram batizados, que são filhos da luz por vocação, discípulos missionários, formados aos pés do Mestre, devem iluminar o mundo por meio de suas boas obras. A luz de Cristo deve brilhar na vida de todos os que o seguem, de modo que marque decisivamente todas as situações de sua vida, desde a família até o trabalho, desde as decisões menores até as maiores. Desse modo, a vivência do Evangelho que pede de todos um compromisso atuante com a Fé será a marca principal de todos os discípulos missionários, chamados a iluminar o mundo com a Luz de Cristo.

        

No Evangelho de Mateus é retomada a questão apresentada nos domingos passados, sobre a responsabilidade do cristão em sua vivência da Fé. A parábola dos talentos se insere no tema das demais leituras quando apresenta o caminho de vida dos que são chamados pelo Senhor a trilharem os seus caminhos e a viverem como verdadeiros filhos da Luz. De fato, a cada um o Senhor confiou uma porção de sua riqueza, na esperança de que, quando voltasse poderia receber mais do que o que foi confiado. Algo que foi visto pelos que retribuiram a confiança neles depositada com a multiplicação dos talentos e a restituição de muito mais do que foi confiado. Todavia, um deles, por medo e preguiça, preferiu guardar o talento, disperdiçar o tempo e retribuir o pouco que recebeu, sem mesmo tentar multiplicá-lo. Essa imagem retratada no Evangelho é sugestiva, visto que, indica o desejo e a esperança do coração de Deus depositados no homem, chamado a ser distribuidor, no mundo, de sua graça, amor e bondade.    

        

Como dito anteriormente, existe uma responsabilidade depositada nas mãos dos cristãos, chamados a ser discípulos de Cristo, isto é, são chamados a trillhar os caminhos do Senhor e viverem como filhos da Luz. Sendo assim, a vocação cristã comporta uma responsabilidade com a transformação da sociedade, ou seja, a Fé que se professa, deve ser vivida e praticada. Desse modo, a ética que nasce da vivência da Fé e a da responsabilidade, do compromisso e do serviço, do afastamento da sede de poder e da liberdade daqueles que desejam um mundo mais justo, fraterno e solidario. Sendo assim, a todos foram confiados diversos talentos, dons da graça de Deus em sua vida, sinais claros da bondade de Deus e, por isso, devem ser colocados à serviço de todos, principlamente dos que mais precisam. Tal postura é o que se espera de um cristão maduro e fiel, que trilha os caminhos do Senhor e, por isso, reconhece-se como filho da Luz, chamado a colocar-se a serviço dos irmãos e irmãs.

        

O papa Francisco, numa carta que deve ser lida por todos os católicos, instituiu o Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum, como o dia do pobre. Em seu escrito, ele faz um grande apelo a toda a Igreja a fim de que se coloque na direção dos irmaõs e irmãs empobrecidos, que estão à margem da sociedade e padecem na exclusão. O papa toma o texto da Primeira Carta de São João, na qual se lê: "Não amemos com palavras e com a boca, mas com obras e com a verdade (1Jo 3,18), a fim de conclamar a todos os cristãos católicos a saírem de si na direção dos que mais precisam. Sendo assim, as palvras e o pedido do papa se insere perfeitamente na liturgia desse domingo, visto que expõe, de modo tão claro, o chamado que é feito aos cristãos de se tornarem filhos da Luz, no serviço e na doação, por meio dos dons que cada um possui.

        

Que a Liturgia desse Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum desperte a todos para trilharem sempre os caminhos do Senhor, na vivência cotidiana dos valores do Evangelho, como verdadeiros filhos da Luz. A fim de que cada um assuma com alegria e compromisso a responsabilidade de multiplicar os dons que recebeu de Deus, colocando-os à serviço dos irmãos e irmãs, principalmente dos que mais precisam. Que as Comunidades Eclesiais de Base se sintam convocadas, pela Palavra de Deus e pela voz do papa Francisco a saírem na direção e ao encontro dos pobres, apresentando-lhes a face amorosa de Deus, por meio de gestos concretos de solidariedade e partilha.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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