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20.10.2020

DICAS DE HOMILIA - 30º Domingo do Tempo Comum

O Amor a Deus - O Amor ao próximo - A Radicalidade do Amor

 

(Êx 22,20-26 / Sl 17 / 1Ts 1,5c-10 / Mt 22,34-40)

 

O Amor a Deus - O Amor ao próximo - A Radicalidade do Amor

 

A Liturgia da Palavra desse Trigésimo Domingo do Tempo Comum traz o Amor como tema principal, presente nas Leituras e no Evangelho, dirigido a Deus e ao próximo, como afirma Jesus. Amar a Deus é uma escolha de vida que deve tocar o homem por inteiro, é um empenho que nasce no coração daquele que se sentiu amado e acolhido pelo próprio Deus. Segundo o Evangelho, não existe divisão entre o Amor a Deus e ao próximo, visto que os dois caminham juntos, já que o segundo é a manifestação clara do primeiro. Desse modo, a Liturgia da Palavra dominical propõe a Radicalidade do Amor ao próximo, descrito, de modo direto, na Primeira Leitura, como uma escolha de vida que tem sua fonte na Aliança de Deus com o seu povo.

        

No Evangelho, ao ser perguntado sobre qual seria o maior dos mandamentos da Lei de Deus, Jesus responde: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento! Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’. Ao terminar a sua resposta Ele  ainda diz que nesses dois mandamentos estão contidos a Lei e os profetas. A primeira parte da resposta indica o Amor a Deus de todo o coração, de toda a alma e com todo o entendimento, algo que nasce na tradição deuteronomista, no Primeiro Testamento. O convite ao amor a Deus, presente no texto do Deuteronômio capítulo 6,5, nasce no fato concreto de que a humanidade foi amada primeiro por Deus. Nesse caso, o amor dos homens para com Deus é uma resposta ao eterno amor de Deus para com os seus filhos e filhas. Aqueles que Ele escolheu, aos quais libertou da opressão do Egito e com os quais concluiu uma Aliança eterna. Para o livro do Deuteronômio, de onde a passagem que ocorre no Evangelho é tirada, o Amor está sempre relacionado com a obediência. Neste caso, o Amor deixa de ser uma emoção, como comunmente se propõe para ser uma atitude de vida, algo que comporta uma resposta ao Amor recebido. A resposta de Jesus indica que Deus deve ser amado de todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento, isto é, algo que envolve toda a vida do homem. O coração não é para o mundo bíblico o lugar dos sentimentos das emoções, mas, o lugar das decisões mais profundas, onde são assumidas as posturas de vida. Sendo assim, amar a Deus de todo o coração significa  amá-Lo com o centro do seu próprio ser, ou seja, que todas as escolhas da vida passem pelo crivo do amor a Deus. Quando Jesus afirma que Deus deve ser amado com toda a alma, ele quer indicar o ser inteiro, ou seja, a pessoa integral, as raízes mais profundas da própria vida, não algo superficial e passageiro, mas uma atitude que defina a própria história da pessoa. No caso, de amar a Deus com todo o entendimento, ele vem confirmar a proposta anterior, ressaltando a força do amor que abraça o homem por inteiro. Sendo assim, o Amor a Deus deve ser a força motriz da vida do homem, o que o define e distingue, Deus deve ocupar o primeiro lugar em tudo na vida do homem. Um amor maior que insere o homem num caminho de profunda adesão a Ele e aos seus mandamentos, no caso, a força que move o homem na direção do amor aos irmãos.

        

A segunda parte da resposta de Jesus indica o Amor ao próximo como sendo parte integrante do primeiro mandamento, isto é, o Amor a Deus. Com a mesma importância do primeiro mandamento, o Amor ao próximo indica que um não pode se realizar sem o outro, isto é, não é possível Amar a Deus e negligenciar o Amor aos irmãos. Como dito anteriormente, o Amor indicado no Primeiro, quanto no Segundo Mandamento, não é simplesmente uma emoção ou sentimento, é, sobretudo, uma escolha, uma atitude de vida. No caso do Evangelho de Mateus, o Amor deve se estender até aos inimigos (Mt 5,44-45), isto é,  exige um empenho maior, tornando-se uma estrada a ser trilhada por aqueles que desejam seguir Cristo como seus discípulos. Sendo assim, viver na presença de Deus, não significa somente fazer algumas coisas, mas, tudo fazer animado pela lógica do Amor, principalmente direcionado aos pequenos e pobres, aos sofredores e excluídos. Somente o Amor consegue abraçar todas as coisas e dar sentido a vida inteira, inserindo o homem numa dinâmica de vida nova que nasce no coração de Cristo. Neste caso, Jesus ao afirmar que o Amor ao próximo é semelhante ao Amor a Deus e que em ambos toda a Lei e os profetas se encontram, indica um caminho a ser seguido pelos seus discípulos. Ou seja, crescer no Amor a Deus e desejar obedecê-Lo em todas as circunstâncias e comprometer-se com o Amor fraterno como caminho de vida. Assim fazendo, o discípulo alarga o seu pequeno coração e, animado pelo Amor que Deus derrama em seu coração, segue no caminho do Amor fraterno, como sendo uma escolha proposta a cada dia. Esse é um caminho para a vida inteira, uma estrada a ser seguida passo a passo e dia a dia, no sentido de traduzir nas escolhas e postura de vida, nas ações e palavras, o Amor que cada um é chamado a doar aos irmãos e irmãs.

        

O Amor a Deus e aos irmãos exige uma sincera adesão e comporta uma decisão radical e constante, um caminho trilhado por aqueles que são chamados ao discipulado missionário. O Amor aos irmãos é uma escolha radical de vida, algo que está claramente descrito na primeira leitura desse domingo. A parte do livro do Êxodo que a liturgia traz é conhecida como Código da Aliança e indica a vivência do povo já instalado na terra que é chamado a reconhecer a dignidade de cada pessoa humana diante de Deus. O homem é visto naquilo que é diante de Deus e a sua dignidade deve ser preservada e mantida, a fim de que se reconheça, no povo de Israel, a liberdade dom de Deus e a igualdade, que os faz todos irmãos. A recordação da saída do Egito, não é somente uma lembrança de um evento do passado, mas, um modelo para a vida do povo, algo sempre presente que deve fundar uma comunidade de  homens livres, irmãos e filhos do mesmo Deus libertador.

        

Os estrangeiros não possuíam nada e viviam do que recebiam das pessoas nas cidades onde tinham sido acolhidos. O mesmo pode-se dizer das viúvas e dos órfãos, visto que, sendo pobres, viviam das esmolas e da pouca ajuda que conseguiam. Assim sendo, o que o texto retrata é a situação extrema, na qual esse grupo de pobres devia viver e quantas vezes deviam empenhar a coberta que tinham como abrigo noturno para receberem dinheiro para a comida. Deus se apresenta como aquele que vê o sofrimento dos pobres e vem em seu auxílio, não está alheio às suas necessidades, mas, ouve os seus gritos e coloca-Se ao lado de cada um. Nesse caso, Deus mesmo requer de seus filhos e filhas uma postura de compromisso com aqueles que sofrem, ele pede dos seus um olhar atento e um coração capaz de se compadecer do sofrimento e das necessidades dos pequenos e pobres, dos preferidos de Deus.

        

Existe uma radicalidade no Amor, um compromisso que nasce no Amor a Deus e se desdobra no Amor ao próximo. Não é possível Amar a Deus e não se propor ao caminho que leva na direção dos seus filhos e filhas, daqueles que sofrem e estão em situação de exclusão e miséria. Um grande Santo da Igreja, São João Crisostomo afirmava: "De que serviria, afinal, adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro, se ele morre de fome na pessoa do pobre? Primeiro dá de comer a quem tem fome, e depois ornamente a sua mesa com o que sobra. Queres oferecer-lhe um cálice de ouro e não és capaz de lhe dar um copo de água? De que serviria cobrir o seu altar com toalhas bordadas a ouro, se lhe recusas a roupa de que precisa para se vestir?" (Homilias sobre Mateus 50,3-4).  Em suas palavras fica claro que o Amor a Deus deve tornar-se visível quando cada um torna-se próximo dos irmãos e irmãs, de maneira especial, daqueles que sofrem e mais precisam.  

        

Que a Liturgia da Palavra desse Trigésimo Domingo do Tempo Comum confirme em cada coração o Amor de Deus como o grande dom que cada um recebe em Cristo. A fim de que impulsionados por esse infinito Amor todos se comprometam a Amá-Lo de todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento. Sendo levados pelo Amor de Deus a um compromisso radical para com o Amor aos irmãos e irmãs, principalmente com os que mais precisam. De modo que o Amor aos irmãos seja a marca na vida dos discípulos e discípulas missionários, chamados ao seguimento de Jesus e vocacionados a serem um sinal do Amor que  renova a sociedade. 

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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