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13.10.2020

DICAS DE HOMILIA - 29º Domingo do Tempo Comum

A Atuação da Fé - O Esforço da Caridade - A Firmeza da Esperança

 

(Is 45,1.4-6 / Sl 95 / 1Ts 1,1-5b / Mt 22,15-21)

 

A Atuação da Fé - O Esforço da Caridade - A Firmeza da Esperança

 

A Liturgia da Palavra desse Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum traz na Carta de São Paulo aos Tessalonicenses um retrato da comunidade de Tessalônica, que vivia o Evangelho, por meio das virtudes: Fé, Caridade e Esperança. A reflexão de Paulo une-se diretamente à proposta do Evangelho, de maneira especial, no que diz respeito à afirmação de Jesus: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". A construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário é parte integrante do compromisso do homem com a sua Fé. Diz respeito também, ao modo como se compromete com os outros pelo amor e na incansável esperança de um mundo novo.

        

Ao olhar para a comunidade de Tessalonica, o apóstolo Paulo reconhece os avanços realizados pelos irmãos no compromisso de viver o Evangelho e, logo no início de sua carta, faz menção a isso. Ele louva a Deus pela atuação da Fé dos irmãos, ou seja, pela operosidade da Fé que eles viviam. Para Paulo, os cristãos são aqueles que, ao entrarem em contato com Cristo, por meio de sua morte e ressurreição, são inseridos na filiação divina, por obra do Espírito Santo recebido. Todavia, o que apóstolo acentua, em relação à Fé dos irmãos tessalonicenses, é o fato de terem passado da relação da Fé, como parte da vida cristã, para a atividade da Fé, ou seja, superaram a barreira entre a Fé professada e a Fé vivida.  Nesse caso, a Fé, que é a acolhida do Evangelho de Cristo, passa a tocar a vida dos irmãos, levados, por meio dela, a viverem segundo os valores do Evangelho que abraçaram. O apóstolo reconhece que a Fé dos irmãos da comunidade é ativa, criativa e vai para além das portas da igreja, tornando-se uma experiência missionária. A Fé alcança a sua maturidade quando se traduz no testemunho ativo e operante do Evangelho, nessa atividade constante está a raiz da Fé para o apóstolo Paulo. Ela passa a ser vista como uma obra própria dos cristãos, chamados a ser discípulos missionários de Cristo. Não mais somente algo que se realiza no coração e no íntimo daquele que a professa, mas, torna-se o sustento de toda a vida cristã, isto é, o impulso para viver como discípulo missionário. Existe aqui a superação da barreira entre a Fé e a Vida, visto que, para o apóstolo a Fé é uma obra a ser realizada e vivida, ou seja, ela é concreta e deve ser ativa.

        

No caso da caridade, ela possui um nível vertical e outro horizontal, isto é, o primeiro diz respeito ao amor de Deus pelos homens e a ele dirigido, já o segundo, diz respeito ao amor devido aos irmãos. Na carta, o que o apóstolo ressalta é o nível horizontal do amor, isto é, o amor entre os irmãos que é reconhecido pelo seu esforço e empenho. O fato de Paulo ressaltar o esforço concreto de viver o amor entre os irmãos da comunidade, não extingue a sua essência. Ao contrário, chama a atenção para a realização histórica do mesmo, para a sua concretude, ou seja, para o fato de que o amor deve ser vivido e se tornar um compromisso de todos os cristãos. O amor tem um horizonte próprio que é reconhecido no gesto concreto da doação de Cristo na cruz, nesse caso, o amor vivido entre os irmãos da comunidade deve ser permeado pela mesma atitude de serviço e doação. O apóstolo deseja encarnar o amor, evitando assim qualquer tentativa de torná-lo abstrato e irreal, impossível de ser vivido e realizado, enquanto uma obra historicamente visível. É nesse sentido, que o apóstolo utiliza o termo "esforço" unido-o ao amor, garantindo assim, o seu aspecto real, enquanto algo que requer um empenho de forças e por sê-lo comporta, em si mesmo, o cansaço e fadiga. Desse modo, o amor entre os irmãos deve se unir ao de Cristo Sofredor na cruz, visto que o Seu empenho e o Seu esforço estavam direcionados na doação de sua própria vida. O gesto salvífico de Cristo, manifestação perfeita de seu amor, deve se tornar a fonte do amor fraterno, na busca de alcançar a todos, principalmente aqueles que mais sofrem. Sendo assim, fica claro o desejo do apóstolo Paulo em ressaltar a concretude do amor, algo que deve fazer parte da vida daqueles que são chamados a ser discípulos de Cristo. Esses que, por vocação e missão, devem ser sinais claros e concretos do Seu amor que se doa e serve, principalmente, junto aos que mais precisam.

        

Por fim, Paulo louva a firmeza da esperança dos irmãos tessalonicenses, ressaltando o aspecto fundamental da vida cristã que é a espera das realidades futuras, em meio às dificuldades da vida presente. O cristão é chamado a ser firme na esperança em meio às muitas contradições da história, não perdendo assim de vista o horizonte que o espera, na vivência do Evangelho cotidianamente. A esperança cristã se funda na experiência da ressurreição de Cristo, que garante um futuro de vida em Deus para todos os seus filhos e filhas. Algo que se realiza já historicamente, visto que, a esperança da vida eterna deve impulsionar a vivência dos valores do Evangelho no dia a dia da vida de cada cristão. Por isso, a firme esperança, à qual o apóstolo faz menção, é aquela que mantém o cristão no caminho do seguimento, capaz de realizar na vida as obras próprias da fé que professa. Os discípulos de Cristo esperam ansiosos a plena manifestação do Senhor, ao mesmo tempo que se comprometem na construção do Reino de Deus aqui nessa terra. O Reino já é um dom oferecido por Deus, em Cristo, aos seus filhos e filhas, de certo que a sua plenitude será alcançada na glória eterna. A esperança cristã une os discípulos de Cristo nessa expectativa do Reino que virá, o que não deve atenuar, em nada, o esforço contínuo para a transformação da sociedade. Visto que a firme Esperança que mantém viva a Fé e alimenta a Caridade, deve se manifestar, de modo especial, nas atitudes e no modo de vida dos discípulos missionários. Todos são chamados a participar do Reino de Deus e tal chamado, que nasce na esperança do Reino definitivo, conduz os discípulos de Cristo pelos caminhos da história, num esforço concreto de trazer para o mundo os valores do Reino.

        

A reflexão paulina sobre a necessidade da vivência da Fé, Caridade e Esperança, pelos discípulos de Cristo, ajuda a compreender a resposta dada por Jesus aos que o interrogaram sobre o pagamento de impostos ao imperador. De fato, a questão que se coloca é a da dominação romana na Palestina na época de Jesus e a imposição, por parte dos romanos, do pagamento de impostos a César. Nesse sentido, dois grupos pertencentes ao Judaísmo discordavam entre si, isto é, os herodianos apoiavam o pagamento e os zelotas o rejeitavam. Os fariseus, por sua vez, para garantirem a liberdade religiosa, aceitavam o pagamento dos impostos, mesmo sendo contrário à sua perspectiva de fé. Sendo assim, ao perguntarem Jesus sobre se era lícito ou não pagar o imposto, o Mestre responde aprofundando a questão, colocando-a num novo patamar. A sua resposta, não comportava um sim ou um não, mas, apontava para o reconhecimento que a Deus pertencem todas as coisas. Ao dizer: "dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", Jesus não se limita a dizer se era lícito ou não o imposto, mas, introduz Deus na argumentação. Ao fazê-lo, ele recupera o princípio fundamental da Fé Judaica que indica que Deus deve ser amado de todo o coração, com todas as forças e com toda a inteligência. Isto é, a obra e as organizações humanas são importantes, mas, sobretudo, o horizonte último do homem está colocado em Deus. Desse modo, a reflexão do Evangelho se une ao que foi dito sobre o apóstolo Paulo, visto que, a Esperança de um mundo futuro deve impulsionar o homem na construção do Reino já agora. Sendo assim, a força vital do homem, suas energias e empenho na construção da sociedade e de seus projetos devem estar direcionadas para o desejo de Deus, a quem tudo pertence. Dizer: "dai a Deus o que é de Deus" implica numa adesão de Fé profunda ao projeto de vida plena que Ele propõe para todos os seus filhos e filhas, algo que se realiza quando o homem empenha todas as suas forças na construção da civilização do Amor.

        

Que a Liturgia da Palavra desse Vigésimo Nono Domingo do Tempo Comum seja um convite a todos na construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário, que nasce quando os discípulos de Cristo abraçam a sua vocação cristã. Formados pelo Amor do Mestre que se doa, sendo capazes de atualizá-lo junto aos que mais precisam, sinal de sua Fé ativa e de sua Esperança firme e segura no horizonte do Reino de Deus. Um mundo mais de Deus e mais dos seus filhos e filhas, onde não haja a violência, a injustiça a exclusão, mas, onde tudo seja de Deus e para os seus escolhidos.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

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