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02.10.2020

DICAS DE HOMILIA - 27º Domingo do Tempo Comum

O Apelo do Amor - A Esperança dos frutos - A Prática do Evangelho

 

(Is 5,1-7 / Sl 79 / Fl 4,6-9 / Mt 21,33-43)

 

O Apelo do Amor - A Esperança dos frutos - A Prática do Evangelho

 

A Liturgia da Palavra desse Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum traz o símbolo da videira, seja na Primeira Leitura, quanto no Evangelho, uma imagem muito conhecida e importante, que retrata o povo de Deus, convidado a produzir bons frutos. Na Liturgia dominical, Deus faz um apelo de amor ao seu povo, a fim de que produza os frutos que Ele deseja, todavia, tal apelo não é escutado. A Esperança que os frutos venham aparece no final do texto do Evangelho, depois da não aceitação dos enviados de Deus, por parte dos trabalhadores da vinha. Segundo o Senhor, ele concederá a sua vinha a um povo capaz de produzir frutos, aqueles que segundo o apóstolo Paulo, na Segunda Leitura, praticam o Evangelho.

        

A imagem trazida na Liturgia da Palavra desse Domingo é muito conhecida no universo bíblico e também, muito utilizada para caracterizar o povo de Deus, como uma vinha plantada pelas mãos do Senhor. Desde a imagem grandiosa do livro dos Números, quando Israel traz cachos de uvas carregados por vários homens (Nm 13,23); passando pelos Salmos que cantam a certeza de que Israel é a vinha retirada do Egito e transplantada na terra Santa, até chegar às belezas do livro dos Cânticos dos Cânticos, no qual vemos a vinha como sinal do amor. Em todas essas passagens o que fica claro é que a imagem da vinha reflete para Israel o cuidado e, sobretudo, o amor de Deus para com o seu povo escolhido. No caso da Primeira Leitura desse Domingo, o profeta Isaías é rico em demonstrar o cuidado de Deus para com a sua vinha escolhida. Ao descrever o que foi construído ao redor da vinha, a fim de que ela pudesse produzir bons frutos é manifestação de um cuidado e zelo, na expectativa do que viria como retorno. O terreno fértil na qual foi plantada a vinha, as melhores cepas escolhidas e plantadas, a torre e o lagar feitos com o objetivo de receberem os frutos e produzir um bom vinho, tudo isso é sinal do cuidado e do amor que Deus dedicou ao seu povo. Algo importante a ser notado é a ocorrência de verbos que demonstram toda a ação de Deus na direção do povo, sinais claros de seu amor que não mediu esforços a fim de oferecer o melhor para o seu povo.

        

Todavia, depois de tudo realizado e toda a obra construída, os frutos não aparecem e existe a "desilusão" daquele que somente o amor ofereceu e se desdobrou em cuidados e atenção para com a sua vinha. O desfecho da Leitura se dá numa juízo, que não deve ser compreendido aos moldes jurídicos, mas bíblicos. Na Sagrada Escritura, existe um processo conhecido como "rîb" que não é uma condenação, mas um apelo que nasce numa desilusão amorosa. Nesse caso, o apelo nasce no amor de Deus que não foi correspondido pelo povo, quando não produzem os frutos esperados. Neste tipo de processo, as partes devem ter alguma ligação e, uma das partes deve ter rompido com o seu compromisso, o que faz com que a outra parte exponha a questão, a fim de retomar o pacto estabelecido. Sendo assim, a Leitura é a expressão de um apelo de amor de Deus na direção de seu povo, um grito de quem ama a fim de que ouvido e acolhido, transforme os corações. O vínculo existente entre Deus e o seu povo é a Aliança, um compromisso de amor e fidelidade que requer de ambas as partes o reconhecimento e um tipo de comportamento. Deus é sempre fiel ao seu pacto de Aliança, uma fidelidade provada diante dos vários pecados e desvios do povo. Nesse caso, a situação colocada expressa o apelo Deus e demonstra o seu desejo de reconciliação, uma abertura a fim de que o seu povo se volte para Ele e seja curado. Deus acusa porque ama, seu apelo nasce em seu amor e cuidado para com o povo que escolheu, de modo que possa retornar ao caminho que lhe conduzirá à vida.

        

Na mesma direção da Primeira Leitura, o Evangelho do Domingo traz a imagem da vinha, plantada e cuidada, colocada nas mãos de vinhateiros, a fim de que, no tempo devido, pudesse produzir bons frutos. Todo o texto é um quadro da história da salvação, na qual Deus continuamente espera frutos de seu povo, oferecendo as condições necessárias para que apareçam em seu tempo. O envio dos mensageiros, por parte do dono da vinha, mortos pelos que a tinha sob custódia, é uma imagem que evoca a presença dos profetas, enviados por Deus e rejeitados pelo povo. O evangelista leva a rejeição dos profetas, algo reconhecido no Primeiro Testamento (Ne 9,26), a um patamar superior, quando fala do envio do filho e de sua morte. Nesse caso, o pecado daqueles que tinham a vinha em suas mãos, não é diverso daqueles que hoje rejeitam os que professam a verdade, que anunciam a justiça, aqueles desejam um mundo com frutos para todos. Os profetas do mundo bíblico foram mortos porque anunciavam os desejos de Deus para o povo e os malfeitos daqueles que os governavam, preocupados em tomar de assalto a vinha do Senhor. A vinha do Senhor é para todos, os frutos que dela nascem devem ser colocados em comum, pois foi o Senhor que dela, por primeiro cuidou e zelou, a fim de que os frutos nascidos desse amor, pudessem ser partilhados.

        

O grande pecado dos que cuidavam da vinha foi o de não reconhecerem os apelos de Deus nas vozes dos enviados, dos profetas e de seu próprio Filho. Hoje, como antes, muitos são os que se fecham às muitas vozes e apelos de justiça e solidariedade, preocupados em manter as estruturas marcadas pela exclusão e miséria. É possível reconhecer aqueles que não se preocupam em partilhar os frutos recolhidos, mas afastam e matam os que propõem um caminho diverso. Sobre esses pesa o olhar de Deus que não se cansa de vir na direção dos pequenos e pobres, dos excluídos e retirados da vinha, aqueles que estão às margens da sociedade. No final do texto do Evangelho o Senhor indica um sinal de esperança, já que retirará das mãos dos maus vinhateiros a sua vinha e a entregará àqueles que produzirão bons frutos. Esses não são os grandes e sábios, mas os pequenos e pobres, aqueles que estão em situação de exclusão e fora da vinha, a eles será concedida a vinha do Senhor, na esperança que produzirão muitos e bons frutos.

        

Tendo escutado os apelos do amor de Deus a fim de que o seu povo possa produzir bons frutos, o apóstolo Paulo oferece um caminho claro a todos os cristãos que desejam ser discípulos de Cristo, trabalhadores fieis na vinha do Senhor. Na Segunda Leitura, depois de exortar aos irmãos a fim de que se ocupem de tudo o que é reto e bom, ele indica a prática do que ensinou aos irmãos como um caminho seguro de seguimento de Cristo. Sabemos que o que Paulo anunciou aos irmãos foi o Evangelho, que não é um conjunto de ideias, segundo palavras do próprio Paulo, mas a própria pessoa de Jesus Cristo. Nesse caso, o que o apóstolo indica aos irmãos está muito unido ao tema da liturgia desse Domingo, quando se ouve os apelos do amor de Deus a fim de que o seu povo produza bons frutos. De fato, a vivência do Evangelho implica, segundo Paulo, na escolha clara e fiel da realização da vontade de Deus na própria vida. Nesse caso, o apelo de Paulo é que todos sejam capazes de colocarem em prática os valores do Evangelho, como ele mesmo diz, terem em seus corações os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. Por isso, a prática do Evangelho, com todas as suas implicações concretas, é o caminho proposto para aqueles que são chamados ao caminho do discipulado missionário. O compromisso em produzir frutos e partilhá-los, a preocupação com aqueles que estão fora da vinha do Senhor e o gesto concreto de tronar-se próximo dos que mais precisam, tudo isso é sinal da acolhida e da verdadeira prática do Evangelho de Cristo. O cristão é chamado a ser um construtor de uma sociedade nova, justa, fraterna e solidária, como um bom trabalhador da vinha do Senhor. Colocando os seus dons à serviço de todos, a fim de que a vinha produza bons frutos e esses estejam disponíveis a todos.

        

Que a Liturgia da Palavra desse Vigésimo Sétimo Domingo do Tempo Comum faça ressoar nos corações os apelos do amor de Deus, que sempre se coloca ao lado daqueles que chamou e enviou para o trabalho em sua vinha. Que os corações sejam tocados a fim de que revejam o seu modo de vida e se coloquem ao lado de Deus e dos homens e mulheres de boa vontade na esperança da vinda de bons frutos para todos. E que o compromisso de viver e praticar o Evangelho seja assumido por todos, como um sinal da acolhida dos apelos do amor de Deus e do desejo de ver um mundo mais justo, fraterno e solidário.

 

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

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