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01.09.2020

DICAS DE HOMILIA - 23º Domingo do Tempo Comum

A Responsabilidade do Cuidado - A Plenitude do Amor - A Comunhão e Fraternidade na Comunidade

 

(Ez 33,7-9 / Sl 94 / Rm 13,8-10 / Mt 18,15-20)

 

A Responsabilidade do Cuidado - A Plenitude do Amor - A Comunhão e Fraternidade na Comunidade

 

A Liturgia da Palavra desse Vigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum ressalta, em todos os textos litúrgicos, uma verdade fundamental que deve ser assumida por todos os que desejam ser verdadeiros discípulos de Cristo: ser irmão significa ser responsável pelos outros. Nesta direção, a Primeira Leitura e o Evangelho se aproximam quando expõem, de forma clara, o chamado que Deus faz aos seus a serem responsáveis, no cuidado com os irmãos, mesmo com os que pecam. Esta postura deve ser pautada, sobretudo, na afirmação do apóstolo Paulo, na Segunda Leitura, quando diz que é o amor a plenitude de toda a Lei. Por meio do chamado ao cuidado, baseado no amor mútuo, a comunidade é convocada a reconhecer a necessidade de promover a comunhão entre os seus membros, sinal claro da presença de Deus.

          

A Primeira Leitura desse Domingo se une diretamente ao texto do Evangelho ao propor uma séria reflexão sobre a ética da responsabilidade, pautada no cuidado mútuo. A imagem do sentinela utilizada pelo profeta Ezequiel é parte de sua vocação, como também, reflete o chamado feito pelo Senhor a todos os profetas e aos discípulos de Jesus Cristo. A vida do profeta é marcada pelo chamado e pela responsabilidade do cuidado para com o povo a ele confiado, em todas as circunstâncias e em todos os momentos é ele a voz de Deus a convidar o povo para os justos caminhos. Tal postura era vista em todos os momentos de correção, de maneira especial, quando os filhos de Israel se afastavam do caminho proposto. Mas, também se manifestava nos momentos de grande dor e desolação, particularmente, quando perderam a sua terra sendo levados para o Exílio. Sendo assim, o profeta era a manifestação clara do cuidado de Deus, de seu amor sempre presente que exorta e educa e, ao mesmo tempo, é capaz de acolher e curar as dores e as feridas.

        

O profeta é colocado como uma sentinela nas torres da cidade, para impedir que ninguém se perca, apresentado como os olhos de Deus que alcançam a todos. De maneira especial, todos aqueles que, porventura, poderiam ser levados para longe dos caminhos do Senhor, muitas vezes pelos próprios pecados. Desse modo, a sua missão é participação na missão do próprio Deus, que escolhe um povo para si, mas, também se debruça sobre o mesmo com um cuidado sempre presente. Assim, como o próprio Deus, o profeta é chamado a assumir as dores e os pecados, as fragilidades e limites do povo, a fim de ser para todos um sinal do cuidado e do amor divino. Tal postura e responsabilidade também se aplicam aos discípulos de Cristo, na vivência no interno da comunidade, descrita no Evangelho. O texto desse Domingo é retirado do capítulo dezoito que é reconhecido como o Discurso Eclesial, não somente pelo fato de nele se encontrar a palavra Igreja, mas, sobretudo, porque contém o estatuto fundamental de toda a comunidade que deseja ser cristã.  O relato descreve o pecado de um irmão no coração da comunidade e o empenho da mesma em resgatá-lo de seu erro e reintegrá-lo na comunidade. Não fica claro qual seria o erro do irmão, mas, tal postura não diz respeito somente a algo privado, pelo contrário, pois, esta atitude deve ter atingido a toda a comunidade. O elemento principal do texto não se encontra no procedimento disciplinar a ele aplicado, ou as penas devidas, mas, sim na preocupação em salvar o irmão. Tal postura é confirmada na Palavra de Jesus encontrada na reflexão sobre a ovelha que se perde: "Assim é a vontade do vosso Pai que está nos céus, que nenhum desses pequeninos se perca" (Mt 18,14). Os pequeninos referidos na passagem são todos os irmãos e irmãs ainda imaturos na fé, capazes de sofrerem e até mesmo se perderem, diante dos erros cometidos dentro da comunidade. Nesse sentido, a responsabilidade e o cuidado da comunidade com os mesmos deve ser redobrada, a fim de que amadureçam na fé e permaneçam no coração da mesma.

        

Tal atitude a que se referem os textos da Primeira Leitura e do Evangelho só são compreendidas, em sua totalidade, quando se baseiam na proposta de Paulo encontrada na Segunda Leitura. O apóstolo indica claramente que o amor é a plenitude da Lei e é, por meio dele que a comunidade deve viver. Em suas palavras, Paulo faz duas afirmações importantes: a primeira é que o amor é um débito para com os irmãos, já na segunda ele diz que o amor é a plenitude da Lei. Na primeira afirmação, o apóstolo utiliza um verbo indicador das relações comerciais, afirmando que o amor mútuo é um débito a ser pago. Fazendo com que, num primeiro momento, tal afirmação, possa até parecer contraditória com a gratuidade própria do amor. Todavia, ela se baseia no fato de que o amor de Deus foi derramado gratuitamente nos corações, quando todos ainda eram pecadores. Desse modo, não há nenhum débito a ser pago com o Senhor, por seu amor gratuito, se não, o do compromisso do amor para com os irmãos e irmãs. Sendo assim, no que diz respeito ao amor, ninguém pode se sentir em crédito, mas, sempre chamado a ir além do que já conseguiu realizar, visto que, o amor recebido por Deus é sempre renovado e gratuito. No que se refere à segunda afirmação, o apóstolo, ao dizer que o amor é a plenitude da Lei, indica que todos os preceitos da Lei se encontram seu cumprimento no amor mútuo. Ao colocá-lo como plenitude da Lei, não só resume tudo ao amor comprometido no coração das comunidades, mas confirma que amando o cristão cumpre a Lei. Pois, o amor para com o próximo é o vértice de toda a vivência cristã, sinal claro do caminho do discipulado e algo fundamental para que a comunidade seja lugar de formação de novos discípulos missionários.

        

As afirmações de Paulo ganham ressonância nas palavras do Evangelho, quando Jesus indica o papel e a responsabilidade da comunidade para com os seus membros. No caso da afirmação sobre a ovelha que merece todo o cuidado a fim de que não se perca, o evangelista coloca em relevo a necessidade do cuidado dentro do espaço comunitário. Algo que só pode ser exercido na gratuidade do amor mútuo, pelo qual os irmãos se comprometem por meio de laços de fraternidade e comunhão e não baseados na leis e punições. A razão principal do texto do Evangelho é a de provocar a reconciliação do irmão que peca e não a sua punição. Pois, a lei que rege a vida comunitária é aquela do cuidado e da capacidade de levar o "peso" dos irmãos, mesmo aquele de seus pecados e faltas. A comunidade é convidada a reconhecer a necessidade de crescer em comunhão e em fraternidade, sendo capaz de reconhecer os erros dos irmãos, mas também de perdoá-los e reintegrá-los à vida de fé. Nisso se manifesta a plenitude do Amor, capaz de perdoar, acolher e sobretudo, cuidar dos que mais precisam.

        

Por fim, um último mas, não menos importante aspecto da liturgia desse Domingo é a necessidade da comunhão e fraternidade no coração da Comunidade Eclesial de Base. Tendo refletido sobre a responsabilidade do cuidado dentro do espaço eclesial e também sobre o amor mútuo como cumprimento de toda a Lei, faz-se necessário ressaltar o que o Evangelho propõe sobre a comunhão e a fraternidade. O texto do Evangelho traz a seguinte afirmação de Jesus: "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. Por vezes, essa foi compreendida somente no âmbito da oração e de sua eficácia, todavia, o que deve ser ressaltado é o aspecto da comunhão e da fraternidade da comunidade que ora.  Isto é, a expressão "estiverem reunidos" significa uma comunhão de vozes, uma sinfonia, pessoas que estão de acordo e expressam isso, também por meio de sua oração. Nesse caso, é a comunhão que garante a eficácia da oração, pois somente uma comunidade que vive o cuidado e o amor mútuo será capaz de orar segundo o desejo de Deus. Sendo assim, fica claro que é o amor o fundamento de toda a vida eclesial e é por meio dele que os laços de fraternidade e cuidado devem estar sempre presentes, a fim de que a comunidade na vivência do amor seja capaz de se colocar diante de Deus na sinceridade de sua oração.

        

Que a liturgia desse Vigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum ilumine a vida de todas as Comunidades Eclesiais de Base, a fim de que sejam formadoras de discípulos e discípulas missionários formados para o cuidado e amor fraterno. De modo que seja o amor e o compromisso com os irmãos a força que move toda a ação das comunidades, num empenho sincero de cuidar e de não deixar que se percam nenhum dos que o Senhor confiou a cada uma. Que o Senhor faça todas as Comunidade Eclesiais de Base crescerem na comunhão e na fraternidade, de modo que, os seus espaços orantes e celebrativos sejam marcados pelo desejo de inserirem os irmãos e irmãs na gratuidade do amor de Deus, que convida a todos ao amor mútuo.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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