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18.08.2020

DICAS DE HOMILIA - 21º Domingo do Tempo Comum

A Região de Cesareia de Felipe - A Profissão de Fé - A Missão de confirmar na Fé

 

(Is 22,19-23 / Sl 137 / Rm 11,33-36 / Mt 16,13-20)

 

A Região de Cesareia de Felipe - A Profissão de Fé - A Missão de confirmar na Fé

 

A Liturgia da Palavra desse Vigésimo Primeiro Domingo do Tempo Comum traz a importante cena da profissão de Fé de Pedro e dos discípulos de Jesus, num lugar bastante significativo. A região de Cesareia de Felipe não é um lugar qualquer e, por essa razão, foi escolhido pelo evangelista para esse encontro de Jesus com os seus discípulos. A profissão de fé de Pedro, que nasce a partir da pergunta do Mestre que se torna um passo fundamental no caminho do discipulado missionário. A partir desse momento, a Pedro e aos demais é confiada a missão de confirmar os irmãos e irmãs na fé, fazendo com que os mesmos sigam o Senhor como seus discípulos missionários.

        

A região de Cesaréia de Felipe é um lugar significativo, um espaço que, na época de Jesus era habitado, particularmente, por pagãos. No alto de uma montanha, nessa região, foi construída a cidade de Banias, lugar de culto ao deus "Pã", marcado por grandes festas pagãs e local para onde se dirigiam todos os que procuravam toda a espécie de prazeres. Algumas lendas da época diziam que lá existia uma gruta muito profunda, que poderia chegar à "porta dos infernos", local de todo o mal que atenta contra a vida dos homens. Por outro lado, nessa região também se encontram as nascentes do rio Jordão, que nasce tímido e se torna um rio que corta, praticamente, todo o território de Israel. Esses elementos fazem com que o espaço no qual Jesus instaura um diálogo com os seus discípulos se torne bastante significativo.

        

O Senhor conduz os seus discípulos a um espaço marcadamente pagão, longe de toda a segurança que o espaço do Templo ou das sinagogas poderiam oferecer. De fato, o evangelista, ao relatar a cena, deseja ressaltar a força da profissão de Fé de Pedro e, com ele, dos demais discípulos. Mas não deixa de mencionar o local, no qual tal encontro se dá, pois ele é determinante na postura e no vigor profético que os discípulos deveriam ter. A pergunta do Mestre, dirigida aos discípulos, só poderia ser respondida quando os mesmos procurassem as fontes mais profundas de onde brotam o vigor do seu próprio batismo. Por isso, ir àquele local, onde misteriosamente nasce o rio Jordão, sinal claro do Batismo, pois, o próprio Jesus foi nele batizado, era fundamental para o sentido do texto em questão. Jesus indica aos seus discípulos o caminho necessário para a que a pergunta fundamental, proposta por ele aos seus discípulos seja respondida: E vós, quem dizeis que eu sou?" Somente aprofundando a experiência batismal, isto é, a intimidade profunda com o Trindade é condição para que se firmem os passos no caminho do discipulado, já que o próprio Jesus indica que foi o Pai quem revelou a Pedro a resposta à sua pergunta.

        

O local de Cesareia de Felipe também é significativo por ser um espaço marcado pelo paganismo, no qual se cultuava o deus Pã. De fato, em meio as experiências religiosas e valores tão diversos, os discípulos são convidados a firmarem a sua experiência de Fé. Algo que deve ajudar aos discípulos e discípulas de Cristo hoje, mergulhados em realidades tão diferentes,  a manterem viva a sua Fé e a saberem dar razões para a mesma. O diálogo com o diferente deve ser uma postura sempre presente no coração dos discípulos de Cristo, já que é possível encontrar, em todas as manifestações religiosas, por meio de valores que são universais, as sementes do Reino de Deus. Todavia, aos cristãos é pedido a clareza da Fé que professam, a fim de que sejam capazes de trazer para o mundo os valores presentes no Evangelho. Tal missão, segundo o relato do Evangelho, só é possível de ser realizada, quando se aprofunda a experiência que nasce no Batismo.

        

Neste lugar, cheio de significados, Jesus propõe aos seus discípulos uma pergunta acerca de sua identidade. No primeiro momento, a pergunta possui um caráter geral: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?". As respostas equivalem às esperanças e desejos de um povo que aguardava ansiosamente o Messias. Tais respostas eram fruto de uma compreensão parcial do ministério de Jesus. Elas eram as únicas respostas possíveis de uma multidão que não caminhava diretamente com ele e não se encontrava no grupo dos discípulos.  A segunda pergunta se torna direta e dirigida ao grupo dos discípulos: "E vós, quem dizeis que eu sou?". Agora, dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus lhes interroga sobre o caminho feito, sobre as palavras escutadas, sobre o ensinamento recebido e sobre o amor partilhado. Pedro personifica a profissão de fé da comunidade cristã: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo". Tal resposta do apóstolo ressalta a sua importância na comunidade Mateana, ao mesmo tempo que o apresenta como fundamento sólido da fé desta comunidade, que estava reunida ao redor da profissão de fé daqueles que a confirmam.

        

Na palavra de Pedro ecoa a voz de toda a comunidade; nelas a comunidade dos discípulos é contemplada e é, ao mesmo tempo, confirmada na fé que o próprio Pedro professa. Nessas palavras cheias de sentido e fé, a Igreja se edifica, pela própria palavra de Cristo. A Igreja não será edificada sobre as rochas que se encontravam nas bases das grandes cidades e nem mesmo sobre as pedras com as quais se edificavam os magníficos palácios. Ela terá como base Cristo, rocha viva, na qual se apoia a fragilidade do homem chamado por Jesus para ser pescador de outros homens. Já que, na profissão de Fé de Pedro em Cristo, inspirada pelo próprio Pai, é que serão colocadas as bases da Igreja.

        

Ao responder a pergunta direta de Jesus, Pedro professa a sua Fé e, junto dele todos os demais discípulos. A sua resposta ao Senhor não só o coloca como responsável pela comunidade dos discípulos, mas lhe confere a autoridade e missão de confirmar os irmãos na fé que ele professou. Pedro, além de reconhecer Jesus como o Cristo, em todo o significado de sua cruz, ele, segundo o evangelista Mateus, o reconhece como Filho de Deus, um sinal claro de sua filiação divina e da fé aprofundada na vivência do mistério pascal, uma profissão de fé iluminada pela experiência da ressurreição. Hoje é oferecida às Comunidades Eclesiais de Base a oportunidade de confirmar a sua Fé, juntamente com Pedro e os demais discípulos. De fato, ao responder a pergunta de Jesus, não somente Pedro e os outros se tornam responsáveis pela missão de confirmar os irmãos na Fé, mas toda a comunidade recebe esse envio missionário. Hoje, em todas as comunidades a experiência do discipulado tem sido fecunda na formação de cristãos conscientes e maduros à respeito da Fé que professam e as suas consequências na vida do dia a dia. Que a pergunta que o Senhor fez aos seus discípulos, que ainda hoje ressoa em todas as vezes que tal texto do Evangelho é lido, seja respondida com a mesma prontidão de Pedro e seja colocada em prática do mesmo modo.

        

Que a Liturgia da Palavra desse Vigésimo Primeiro Domingo do Tempo Comum leve a todos a responderem à pergunta de Jesus dirigida aos seus discípulos, a fim de que, todos se comprometam com o caminho do discipulado missionário. Que a realidade plural na qual a Igreja se encontra sirva de espaço fecundo para o aprofundamento das bases da Fé que estão na celebração cotidiana do mistério batismal. A fim de que a Igreja se torne, cada vez mais, comprometida com a confirmação da Fé de seus filhos e filhas, sinal claro do Reino que deseja chegar a todos. Que a Fé professada e vivida, pelos gestos concretos de solidariedade e promoção da justiça para todos, seja a marca de todas as Comunidades Eclesiais de Base e esteja presente na vida de todos os discípulos missionários do Senhor.

 

Pe.  Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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