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07.07.2020

DICAS DE HOMILIA - 15º Domingo do Tempo Comum

A força da Palavra - A fecundidade da Palavra - A esperança de renovação

 

(Is 55,10-11 / Sl 64 / Rm 8,18-23 / Mt 13,1-23)

 

A força da Palavra - A fecundidade da Palavra - A esperança de renovação

 

A Liturgia da Palavra desse Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum em suas leituras traz à tona o tema sobre a Palavra de Deus e sobre a esperança cristã. A Palavra de Deus é apresentada, na Primeira Leitura, em todo o seu vigor e em sua força, comparada à chuva que cai e tem poder de irrigar e fecundar a terra. Ela também é comparada à uma semente fecunda espalhada em diversos terrenos, que quando acolhida e cuidada produz uma grande quantidade de frutos. Por fim, unida ao tema da Palavra de Deus e oriunda da acolhida da mesma, encontra-se a esperança de renovação cósmica, apresentada pelo apóstolo Paulo na Carta aos Romanos. Na qual ele convida a todos a erguerem a cabeça e alargarem o olhar, pois o novo vem vindo na história como uma criança que é gerada e ansiosamente esperada.   

        

A leitura do Livro do profeta Isaías, presente na liturgia desse domingo, encontra-se na parte da obra chamada: "Livro da Consolação" (Is 40-55). Essa parte do escrito é de um autor desconhecido e tem início e término com o tema da Palavra de Deus, que funciona como uma moldura de todo o texto. Logo de início, o autor apresenta uma comparação entre a vida e as obras humanas, que são como a erva do campo e a Palavra de Deus, que dura para sempre. O contexto no qual se insere a comparação é aquele dos grandes impérios e da dominação dos grandes dessa terra sobre os pequenos, representando os projetos humanos que não duram para sempre, mas, ao contrário, tendem a ruir. A Palavra de Deus, por sua vez, é comparada à chuva que cai sobre a terra árida da Palestina, não para causar destruição e ruína, mas para fecundar o solo e fazer surgir a vida, de onde não se esperava nada além de desolação e tristeza.

        

O profeta apresenta a força da Palavra de Deus, que é capaz de fazer surgir a vida em meio ao deserto, irrigando e fecundando o solo, oferecendo a todos os frutos novos gerados pelo vigor da Palavra. O autor ao descrever tal ação divina, não propõe que os projetos de Deus caminham paralelos à história dos homens. Mas, que a vida divina surge dentro da história humana, isto é, Deus age transformando e fecundando a história "por dentro". Nisso consiste a beleza, o sentido e a profundidade da imagem apresentada pelo profeta, ao comparar a palavra de Deus à chuva que cai sobre o solo e nele penetra. Assim, como a chuva se espalha sobre a terra árida e nela entra até à sua profundeza, do mesmo modo a Palavra de Deus tem a capacidade e a força de inserir-se dentro da história humana e de transforma-la à partir do seu interno. Tal imagem ganha particular importância quando se ressalta o fato de que ela é dirigida àqueles que estavam exilados na Babilônia e esperavam a realização da promessa divina para poderem voltar à sua terra. A esperança do povo de Israel esta depositada na verdade de que a Palavra de Deus tem um vigor e uma força que lhe são próprios e que confere à mesma a capacidade de transformar a realidade e a história, quando acolhida e escutada. A Palavra de Deus é capaz de trazer à tona os melhores frutos, mesmo dos terrenos mais áridos e duros, ela é capaz de iluminar e guiar os corações frágeis e inseguros e dar a todos a esperança do novo que já está presente na história.

        

Seguindo com o tema da Palavra de Deus, o Evangelho traz á tona a sua fecundidade e capacidade de produzir frutos, algo muito semelhante ao que foi descrito na primeira leitura. O texto do Evangelho deve ser lido seguindo o apelo feito pelo evangelista que se encontra no meio da perícope lida na liturgia: "quem tem ouvidos ouça" (v. 9). O verbo escutar utilizado remete ao conteúdo do verbo correspondente em hebraico: "shema", que significa mais do que somente escutar, mas, sobretudo, acolher e obedecer. A grande imagem em questão é a do semeador que continua a lançar a sua semente, a atenção está centrada no ato de semear e no resultado que se obterá com a semeadura. O autor apresenta o semeador em seu trabalho, os terrenos que tem diante de si e o quanto de sementes que, aparentemente, são perdidas. Ao fazer tal descrição ele também ressalta que o semeador não se sente frustrado ou desencorajado quando a semente cai num terreno que não a recebe ou que não é capaz de acolhe-la. Ao contrário, o semeador sabe que cabe a ele semear, mas é tarefa de Deus fazer com que a semente germine e produza frutos, pois, ao anunciar o Reino, ele tem a esperança do novo que virá.

        

Neste caso, o Evangelho se aproxima da Primeira Leitura, quando confirma que a Palavra possui uma fecundidade que não se perde, mas tem o poder de trazer vida para o coração da história humana. Ela é portadora de uma esperança vigorosa que deve confirmar o trabalho árduo de todos os semeadores do Reino espalhados por todos os cantos, a fim de que confiem e esperem contemplar o fruto de seu trabalho missionário. Os esforços, o trabalho e o cansaço de todos os que semeiam o Reino na grande seara do mundo devem ser fundamentados na esperança de que é o Senhor que fará crescer o que foi semeado. Tal promessa e verdade já estão presentes no chamado feito pelo Senhor aos seus e na graça de, tendo-os formado como discípulos missionários, tê-los enviado em missão. O discípulo sabe que cabe a ele semear e ao Senhor fazer crescer a semente lançada no solo do coração dos homens e na história do mundo. 

        

Como se pode ver, a Palavra de Deus é apresentada na liturgia desse domingo com a sua força de fecundar a história dos homens, partindo de dentro da mesma, fazendo surgir os frutos da graça de Deus, que nascem da acolhida da graça que a Palavra comunica. A Segunda Leitura do apóstolo Paulo aos Romanos segue unida ao tema central da liturgia desse domingo, ao afirmar que existe na criação uma esperança da manifestação dos filhos e filhas de Deus. Isto é, o apóstolo afirma que todo o universo espera ver, contemplar e celebrar a plenificação da obra criadora de Deus, por meio da presença e ação daqueles que foram fecundados pela Palavra de Deus. Ele parte da fragilidade da vida humana e de suas limitações, para depois afirmar que em Cristo o homem encontra a força e a graça de ser sinal de um mundo novo.

        

Em Cristo tudo encontra o seu sentido e plenitude, por isso o apóstolo recorre à imagem das dores de parto, isto é, um tempo de expectativa e espera do novo que vem, mesmo em meio as angústias do tempo presente. Neste caso, as dores da parturiente é expressão de um tempo que se dirige para à sua plenitude, onde o novo, quem vem sendo gerado no coração da história, se manifestará plenamente. Para o apóstolo tudo tem um sentido próprio e se insere no grande desejo de Deus para seus filhos e filhas, para a sua obra criada. Para expressar isso, de modo claro, Paulo utiliza uma expressão grega que significa "levantar o olhar, erguer os olhos para o horizonte", indicando que a humanidade deve manter viva e ativa a sua esperança. Isto é, confirmar os passos dados, fortalecer a decisão de seguir o caminho proposto pelo Senhor que continua a convocar a todos para acolher a força e a fecundidade da Palavra e continuar a semeá-la nos caminhos do mundo. Nessa espera confiante os discípulos de Cristo tem um papel fundamental que é o de antecipar esse tempo novo da graça por meio de suas ações concretas na direção da construção do Reino de Deus já nesse mundo. Por isso, o apóstolo afirma que o universo anseia pela manifestação dos filhos e filhas de Deus, isto é, espera que se tornem atuantes e presentes, trazendo para o mundo o que tem de melhor, o vigor, a força e a fecundidade da Palavra de Deus.

        

Que a Liturgia desse Domingo provoque em todos o desejo de abrirem-se à força da Palavra de Deus que é como a chuva que cai sobre a terra, fecundando-a e transformando-a, trazendo a esperança e a vida. A fim de que tocados e fecundados pela Palavra de Deus todos sejam formados como verdadeiros discípulos e discípulas missionários, que semeiam em todos os ambientes e lugares as sementes do Reino de Deus. A fim de que, toda a realidade, as cidades e os campos, a vida dos homens e mulheres, as dores e alegrias do tempo presente sejam atingidas por tal força e fecundidade, de modo que os sinais do Reino de Deus sejam visíveis já no meio de nós.

  

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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