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24.06.2020

DICAS DE HOMILIA - Festa de São Pedro e São Paulo

A Profissão de Fé - A Adesão a Cristo - O Testemunho fiel

 

(At 12,1-11 / Sl 33 / 2Tm 4,6-8.17-18 / Mt 16,13-19)

 

A Profissão de Fé - A Adesão a Cristo -  O Testemunho fiel

 

A Liturgia da Palavra da Festa de São Pedro e São Paulo toca especialmente a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim que tem São Pedro como o seu padroeiro. Ele que foi um apóstolo fiel do Senhor que testemunhou a sua fé com coragem até à doação da própria vida. Juntamente com Pedro, celebramos a festa e a vida de Paulo, que ao aderir a Cristo pela fé, tornou-se ardoroso anunciador do Evangelho, que é o próprio Cristo, doando também, à exemplo de Pedro, a sua vida por esse anúncio. No Evangelho proclamado na festa dos apóstolos, encontra-se a profissão de fé de Pedro, que em nome da comunidade dos discípulos confirma o seu desejo de seguir o Senhor que lhe chamara às margens do Mar da Galileia. A Segunda Leitura, apesar de ser um escrito atribuído ao apóstolo, mas, não dele, ressalta a força da adesão de Paulo a Jesus Cristo e de como essa íntima união o tornou uma testemunha fiel do Senhor. Por fim, na profissão de fé de Pedro e também na adesão de Paulo a Cristo, nasce o testemunho fiel de terem sido chamados, formados e enviados como missionários, cada qual em seu lugar na Igreja.    

        

O Evangelho de hoje nos coloca diante de uma cena muito importante na vida desse rude pescador, que junto às margens do mar da Galiléia, foi chamado e tocado pelo convite amoroso do Senhor ao discipulado missionário. Jesus conduz Pedro e os outros discípulos para a região de Cesaréia de Felipe, tal região é um lugar cheio de significado e que se torna um marco no caminho de seguimento dos discípulos. Neste espaço geográfico se encontra um lugar de culto ao deus Pã, um lugar marcadamente pagão que deveria receber o Filho do Homem que vem em seu reino (cf. Mt 16,28). Também nesta região se encontram as fontes do rio Jordão, um detalhe que evoca o Batismo e as fontes de nossa fé.

        

Neste lugar importante e cheio de sentido, Jesus propõe aos seus discípulos uma pergunta acerca de sua identidade. No primeiro momento a pergunta possui um caráter geral: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?". As respostas equivalem às esperanças e desejos de um povo que aguardava ansiosamente o Messias. Tal resposta era fruto de uma compreensão parcial do ministério de Jesus, e era a única resposta possível de uma multidão que não caminhava diretamente com ele e não se encontrava no grupo dos discípulos. A segunda pergunta se torna direta e dirigida ao grupo dos discípulos: "E vós, quem dizeis que eu sou?". Agora dirigindo-se aos seus discípulos Jesus lhes interroga sobre o caminho feito, sobre as palavras escutadas, sobre o ensinamento recebido e sobre o amor partilhado. Pedro personifica a profissão de fé da comunidade cristã: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo". Tal resposta do apóstolo ressalta a sua importância na comunidade Mateana, ao mesmo tempo que o apresenta como fundamento sólido da fé desta comunidade, que estava reunida ao redor da profissão de fé daqueles que a confirmam.

        

Na palavra de Pedro ecoa a voz de toda a comunidade, nela a comunidade dos discípulos é contemplada e é, ao mesmo tempo, confirmada na fé que o próprio Pedro professa. Nessas palavras cheias de sentido e fé, sobre elas, a Igreja se edifica, pela própria palavra de Cristo. Confirmado como fundamento da Igreja o apóstolo recebe a autoridade e missão de confirmar os irmãos na fé que ele professou. Pedro além de reconhecer Jesus como o Cristo, em todo o significado de sua cruz, ele, segundo o evangelista Mateus, o reconhece como Filho de Deus, um sinal claro de sua filiação divina e da fé aprofundada na vivência do mistério pascal, uma profissão de fé iluminada pela experiência da ressurreição.

        

A experiência que Paulo fez do Senhor é fundamental para compreender o seu testemunho e a sua coragem no anúncio do Evangelho em todos os lugares e situações nas quais se encontrou. É inegável que a experiência pessoal de Paulo com Cristo foi para ele um divisor de águas, transformando completamente a sua vida e a sua compreensão religiosa, marcando de forma indelével a sua história. O seu encontro com o Ressuscitado na estrada de Damasco condicionou todas as suas escolhas, a sua postura religiosa, como também o seu modo de vida. Por várias vezes em suas cartas, o apóstolo menciona a ruptura radical que essa experiência causou em sua história, direcionando-o a uma dinâmica de vida, um processo que o levou a romper radicalmente com tudo o que se referia à sua vida passada, lançando-o num caminho de uma radical conversão e de um profundo abandono nas mãos de Deus. Toda a bagagem adquirida pelo apóstolo no decorrer dos anos que precederam o seu encontro com Cristo, assim como a sua integridade como judeu observante da lei e perseguidor dos heréticos cristãos são abandonadas diante do conhecimento do bem maior que é Cristo. Tudo o que, aos olhos do mundo são riquezas e tesouros a serem custodiados, para o apóstolo perde o seu valor, torna-se perda, esterco sem utilidade em comparação ao conhecimento de Cristo (cf. Fl 3,7-9), confirmando, assim, a radicalidade da mudança de paradigma de Paulo. O apóstolo faz a experiência real do amor de Cristo na estrada de Damasco, algo que repercute por toda a sua vida. Ao contemplar o gesto da cruz ele compreende a ação de Deus que reconcilia consigo a humanidade em Cristo. De fato, o amor de Cristo é para Paulo uma força sem precedentes; ele mesmo o expressa de forma explícita várias vezes, é vê como esse amor passa a ser a fonte de todo o seu ministério, dando-lhe condições de não viver mais para si mesmo, mas para Cristo, que por ele morreu e ressuscitou.

        

A vida de Paulo toma um rumo completamente diverso quando ele, em primeira pessoa, encontra-se com a força do amor manifestado na iniciativa divina de reconciliar consigo em Cristo toda a humanidade pecadora. A vida de Paulo, desde de o seu processo de conversão, passando pela sua radical adesão à fé em Cristo e a sua vivência como nova criação, constitui um paradigma para todo o fiel que deseja aderir à fé em Cristo. A afirmação do apóstolo de ser uma nova criação em Cristo é o resultado deste caminho que tem o seu início na experiência do apóstolo na estrada de Damasco, em seu encontro pessoal com Cristo ressuscitado. Este evento histórico coloca evidência dois elementos muito importantes que constituem, primeiramente parte da vivência pessoal do apóstolo, mas, ao mesmo tempo, numa visão mais ampla, tornam-se essenciais para a compreensão da proposta paulina da «nova criação» em Cristo. Em primeiro lugar, o apóstolo ressalta a centralidade do evento Cristo e de como a sua morte na cruz é o elemento chave no entendimento da divisão radical que esse acontecimento produz em sua vida. Em segundo, ele indica a sua total adesão à fé em Cristo morto e ressuscitado como condição de possibilidade para que ele viva como uma nova criação.

        

Por fim, a Igreja na festa dos apóstolos celebra a força e a fidelidade de seu testemunho na esperança de que a Palavra proclamada e a celebração litúrgica sejam capazes de suscitar novos discípulos missionários, imbuídos do mesmo vigor de Pedro e Paulo. O caminho de seguimento de Pedro e de Paulo foi trilhado na confiança e na disponibilidade total ao Senhor. Em tudo o que fizeram, apesar de suas fraquezas, souberam colocar na graça de Deus a sua confiança e, por isso, provaram o seu poder, sua força e sustento nos momentos cruciais de seu caminho. Desse modo, o testemunho que deram e que chega até hoje no anúncio da Igreja foi marcado pela constância e fidelidade, próprias daqueles que, ao longo de toda a Sagrada Escritura, experimentaram o chamado do Senhor e nele confiaram as suas vidas. Que esse testemunho fiel suscite na Igreja mais discípulos missionários, comprometidos com a defesa da vida, solidários, audazes e fiéis à exemplo de Pedro e Paulo.  A fim de que, na nesta festa litúrgica todos sejam convidados, a confirmar e professar a fé que foi acolhida no batismo, unidos a Cristo e aos irmãos e irmãs. Sendo capazes, com a graça de Deus, de criar e promover espaços fecundos em nossas comunidades, para formação de discípulos e discípulas missionários, que professam a fé e defendam a vida, principalmente dos mais pobres e excluídos.

 

Que a Liturgia da Palavra da festa de Pedro e Paulo provoque no coração de todos o sincero desejo de renovar sempre a fé e a missão que a mesma comporta. A fim de que unidos a Cristo, à exemplo de Pedro e Paulo todas as Comunidades Eclesiais de Base tornem-se, cada vez mais, locais fecundos onde são formados os discípulos missionários. De modo que, alegres pela profissão de sua fé e comprometidos no seguimento de Cristo, sejam capazes de dar um testemunho fiel do Senhor, por meio das palavras e da vida.  

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

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