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02.06.2020

DICAS DE HOMILIA - Solenidade da Santíssima Trindade

A Fidelidade de Deus - O Amor que Salva - A Comunhão que nasce da Trindade

 

(Êx 34,4b-6.8-9 / Ct. Dn 3,52-56 / 2Cor 13,11-13 / Jo 3,16-18)

 

A Fidelidade de Deus - O Amor que Salva - A Comunhão que nasce da Trindade

 

Na Liturgia da Palavra da Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja se coloca diante do mistério de Deus, diante de sua majestade e grandeza, ao mesmo tempo que é acolhida em sua intimidade e amor. Deus é o totalmente outro, aquele que por sua santidade é reverenciado, mas, ao mesmo tempo, é o totalmente próximo, que por seu amor se deixa encontrar por todos. Por isso mesmo,  na Liturgia da Palavra é ressaltada a Aliança de Deus com o seu povo escolhido, um compromisso que se confirma apesar da infidelidade dos filhos de Israel. O Evangelho, apesar dos poucos versículos, cofirma o que é encontrado na Primeira Leitura, já que o autor ressalta o amor de Deus que é fonte de salvação e não de condenação. O discípulo missionário de Cristo é formado para a comunhão com os irmãos e irmãs, por meio de sua intimidade e convivência no seio da Trindade, que é a escola da comunhão e fraternidade. 

        

Em toda a Sagrada Escritura, particularmente no Primeiro Testamento, encontra-se o convite a viver na presença e diante da face de Deus. De fato, tal convite expressa o desejo de Deus de que os seus vivam em sua presença, mesmo marcados pela contínua busca daquele que, por vezes, aparentemente, está ausente. Sendo assim, é nessa contínua busca, entre a ausência fecunda e a presença manifesta de Deus é que o fiel é chamado a viver. Desse modo, a Primeira Leitura é expressão clara desse diálogo, já que Moisés manifesta o seu desejo de caminhar com o Senhor, ao mesmo tempo que pede à sua companhia apesar dos pecados de seu povo. A alegria do encontro, nessa busca constante da face de Deus, enche os corações daqueles que continuam no caminho da busca do Senhor.

        

A comunhão a que o homem é convidado a viver é possível graças à fidelidade divina, já que Deus é sempre fiel à sua Palavra e as suas promessas. Por isso, é possível ao homem, apesar de seus pecados e transgressões, viver na presença de seu Criador e caminhar diante de sua face. Pois, a garantia que o homem tem de sempre ser acolhido diante de Deus é a sua fidelidade, isto é, Deus não pode rejeitar o seu povo, já que decidiu escolhê-lo para si como herança. Nesse caso, o pedido de Moisés serve de uma recordação, não para Deus, apesar de ser uma oração a ele dirigida, mas, sobretudo, dirigida ao povo, a fim de que jamais se esqueça que será sempre acompanhado pela face amorosa do Senhor.

        

A fidelidade divina é novamente confirmada nos poucos versículos do Evangelho desse domingo, no qual o evangelista confirma que o amor de Deus salva e não condena. No texto sagrado está presente o mistério do insondável e infinito amor de Deus, que ultrapassa toda a compreensão humana e vai além dos limites esperados. De fato, ao ressaltar a força do amor divino, o evangelista indica a sua extensão, já que o coloca como razão primeira da acolhida dos pecadores e o amor incansável de Deus na direção de seus filhos e filhas.

        

Em todo o Quarto Evangelho, as ações de Jesus, seu cuidado para com os pequenos e pobres, os doentes e pecadores é manifestação clara do amor do pai. "Quem me vê, vê o pai", disse Jesus a Felipe, isto é, o amor com o qual Ele amou os seus que estavam no mundo, amando-os até o fim, foi o mesmo amor que Ele recebeu do Pai. De fato, Jesus comunica aos seus discípulos a intimidade do Pai, quando manifesta o seu amor sempre fiel e constante, apesar dos pecados e transgressões de seus filhos. Sendo assim, na relação de intimidade com Jesus e na comunhão vivida em seu amor, derramado abundantemente nos corações de seus discípulos é que os mesmos são formados no caminho da salvação. Ou seja, abraçam o seu seguimento na certeza de que sempre serão acompanhados por esse amor maior e infinito, que supera e apaga totalmente toda a culpa daqueles que a Ele se unem. Por isso, o Evangelho confirma a Primeira Leitura, já que propõe o amor de Deus como sinal de sua fidelidade à Palavra proferida, à Aliança concluída com o seu povo eleito. Os discípulos de Jesus são introduzidos na intimidade e comunhão plena com o Pai, por meio do seguimento de seu Filho. Nessa relação de amizade com o Mestre, os mesmos discípulos passam a ser sinais desse amor recebido, comunicando aos outros os frutos da comunhão nesse amor que salva e não condena.

        

Nessa comunhão do amor divino que salva são formados os verdadeiros discípulos de Cristo, capazes de levar ao mundo e comunicar a todos o verdadeiro amor que de Deus receberam. A intimidade com a Trindade é a escola do amor fraterno, espaço de comunhão com o Senhor e convite de comunhão com os irmãos. Algo que na Segunda Leitura o apóstolo Paulo ressalta, ao confirmar a necessidade do esforço e do trabalho contínuo de cada um que deseja ser discípulo de Cristo. De fato, a comunhão fraterna e o amor entre os irmãos nascem e são fortalecidos na intimidade de cada um com o próprio Senhor. Nessa relação profunda de amizade e constância diante da presença de Deus é que são formados para a vivência do amor os chamados aos discipulado missionário. Aqueles que foram mergulhados nesse amor que salva e não condena, sinal da fidelidade divina, crescem na comunhão com os irmãos e são capazes de viverem por meio de laços de sincera fraternidade. Por isso, o apóstolo ressalta que existe um caminho a ser trilhado a fim de que a verdadeira comunhão seja estabelecida, pois, a mesma é fruto da graça de Deus e do esforço contínuo dos irmãos da comunidade. Sendo assim, os laços da comunhão fraterna, manifestos por meio de uma partilha solidária e uma sincera, concreta e constante preocupação e cuidado com os irmãos da comunidade são frutos da comunhão com o Senhor. Ao mesmo tempo que a comunhão com o Senhor é verificada no compromisso solidário e amoroso entre os irmãos da comunidade dos discípulos missionários.      

        

Que a Liturgia da Palavra da Solenidade da Santíssima Trindade seja um convite à intimidade com o Senhor que se deixa encontrar e convida à comunhão com Ele. A fim de que tocados pelo amor fiel e constante do Senhor, que não se cansa de perdoar e acolher a todos que Dele se aproximam, sejam todos marcados pelo selo da fidelidade divina. Ao experimentar tão grande amor, os discípulos de Cristo sejam formados na escola desse amor maior e se tornem testemunhas vivas desse mesmo amor. Que a celebração dessa Solenidade conduza a todos à comunhão com o Senhor e desperte o desejo sincero da comunhão fraterna com os irmãos, fruto do amor de Deus derramado em seus corações.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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