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A FORÇA DO MISTÉRIO PASCAL

Por Pe. Josimar Pirovani

 

 

A Paz do Cristo Ressuscitado!

 

Quero propor uma simples reflexão para esse dia da Páscoa na Ressurreição do Senhor (estamos na oitava da Páscoa, por isso, a liturgia celebra como se fosse um único dia, um grande domingo). A reflexão é a partir do Evangelho segundo Lc 24,13-35 (evangelho que o Diretório da Liturgia da Igreja no Brasil propôs para a celebração de ontem à tarde e à noite)

 

“... dois discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante de Jerusalém” (Lc 24,13)

Jesus foi condenado, crucificado e morto – os discípulos estão decepcionados, tristes, sem esperança, dominava o desânimo e a incerteza. O mestre estava sepultado, e, de alguma forma, também a esperança e alegria foram sepultadas, por isso, fogem de Jerusalém.

Quantas vezes o caminho se torna cansativo e difícil, quantas vezes caminhamos para longe de Jerusalém, ficamos sem esperança, nos esfriamos, nos distanciamos. Também em nós as vezes sentimos o desejo de ir embora da nossa Jerusalém. A nossa Jerusalém é a nossa própria vida com suas alegrias, dores, fracassos e sonhos; Jerusalém é a nossa família, o matrimônio, os filhos, os pais; é essa realidade bela, marcada por desafios, medos, projetos, infidelidades e comunhão; nossa Jerusalém é a nossa comunidade de fé, esse lugar bonito, mas exigente, nem sempre fácil, mas necessário para a vivência da Palavra e do mistério Eucarístico; nossa Jerusalém pode ser nossos sonhos e projetos, que depois de tantas tentativas fracassadas, pensamos logo em desistir e abandonar a utopia; nossa Jerusalém pode estar mais perto que imaginamos e talvez estamos abandonando-a e fugindo por medo, preguiça, comodismo, orgulho, vaidade...

 

“Conversavam a respeito de tudo o que tinha acontecido” (Lc 24,14)

Imaginem a conversa dos dois discípulos: podemos imaginá-los conversando sobre todo o processo de condenação de Jesus, falavam de Pedro que negou, de Judas que traiu, de Pilatos que lavou as mãos, e gosto de imaginar esse diálogo marcado por uma certa emoção ao se lembrarem de Maria Santíssima e do discípulo amado – “quanta fidelidade e ternura daquela mãe das dores e da esperança, um sim ofertado até o fim”, poderiam dizer. E ao falarem do discípulo amado, no coração daqueles dois uma mistura de encantamento e contrição – encantados com a fidelidade daquele que amou e ficou até a Cruz junto ao Senhor, e, ao mesmo tempo, havia neles uma certa contrição, por não terem a coragem de ficar.

Enquanto falavam ia crescendo no coração a dor, a decepção, a frieza, o medo e mais rápido andavam. Reparem que a conversa estava centrada no que aconteceu: o mestre estava morto, tudo tinha acabado.

Chamo atenção para uma realidade: os discípulos se esqueceram da promessa – que promessa? “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar depois de três dias” (Mc 8,31). Os discípulos esqueceram-se dessa promessa: depois de tudo, ressuscitar no terceiro dia.

O mesmo acontece conosco: ficamos presos nas dores da vida, conversamos sobre os sofrimentos da vida e esquecemos da promessa do Senhor, esquecemos da sua graça, do seu amor, da sua ternura – “os discípulos, porém, estavam como que cegos” (Lc 24,16). Os discípulos não se lembravam da promessa de que no terceiro dia Ele iria ressuscitar – é preciso se lembrar sempre do “terceiro dia”, o Senhor sempre nos oferece um “terceiro dia”, depois de tudo, deixemos crescer no coração, que logo virá o “terceiro dia”, e ele será abundante, belo e grande.

 

“Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e começou a caminhar com eles” (Lc 24,15)

O ressuscitado caminha com os discípulos, não estão sozinhos.

Eis a novidade de Deus: Ele ressuscitou - se te parece difícil segui-lo, se achas o caminho da fé às vezes tão difícil de compreender – estejas seguro de Ele está perto de você, está contigo, Ele dá a paz e a força de que precisas para viver, quem crê nunca está sozinho.

Prestem atenção: a ressurreição nos alcançou e nos agarrou – a morte nos segurava – agora é o Cristo Ressuscitado que segura nossa mão, nos segura firme, mesmo quando nossas mãos estão fracas. Cristo foi no abismo da morte, ressuscitou e permanece para sempre segurando nossas mãos. Onde quer que possamos cair, cairemos nas suas mãos – até mesmo na morte, onde ninguém vai nos acompanhar, lá Ele nos espera e segurará firme nossas mãos.

Escutem bem o que diz o santo Evangelho: “Então Jesus entrou para ficar com eles. Sentou-se à mesa com os dois, tomou o pão e abençoou, depois o partiu e deu a eles. Nisso os olhos dos discípulos se abriram, e eles reconheceram Jesus (Lc 24,29-31). Os discípulos reconhecem Jesus ao partir o pão – mistério eucarístico. A Eucaristia é a força do discípulo, lembramos da magnifica afirmação de São João Paulo II:“A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de Céu que se abre sobre a terra; é um raio de Glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho” (ECCLESIA DE EUCHARISTIA, 19)

 

“Não estava o nosso coração ardendo...” (Lc 24,32).

Eis o tempo meus queridos irmãos e irmãs: deixar o coração arder, deixar o coração revigorar as forças, renovar as esperanças. “Aqui está o primeiro anúncio de Páscoa que gostava de vos deixar: é possível recomeçar sempre, porque há uma vida nova que Deus é capaz, independentemente de todos os nossos falimentos, de fazer reiniciar em nós. Deus pode construir uma obra de arte até a partir dos escombros do nosso coração; a partir mesmo dos pedaços arruinados da nossa humanidade, Deus prepara uma história nova. Ele sempre nos precede: na cruz do sofrimento, da desolação e da morte, bem como na glória duma vida que ressurge, duma história que muda, duma esperança que renasce. E, nestes meses sombrios de pandemia, ouçamos o Senhor ressuscitado que nos convida a recomeçar, a nunca perder a esperança” (Papa Francisco, homilia da missa da vigília pascal, sábado, 3 de abril de 2021)

 

“Na mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém” (Lc 24,33)

Que loucura! Depois de reconhecerem Jesus, os discípulos voltam para Jerusalém, voltam para a comunidade, voltam para enfrentar Herodes, voltam para anunciar o que viram, estão cheios de força, cheios de esperança. Fizeram a Páscoa, a passagem do desespero para a esperança, do medo para a coragem. Celebremos a Páscoa também em nós! Que a Ressurreição do Senhor renove nossa vida!

 

Obrigado. Deus vos abençoe e vos guarde!

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