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A CARTA ENCÍCLICA “FRATELLI TUTTI”, E O APELO DO PAPA FRANCISCO À CONSTRUÇÃO DE UM FUTURO COMUM DA HUMANIDADE

Por Seminarista João Vitor Nogueira Preato

 

 

No dia 03 de outubro deste ano, o Papa Francisco, percebendo o contexto de uma crise dramática que estamos vivendo em nosso mundo, movida pela indiferença em relação à figura dos irmãos, principalmente aos diferentes, presenteou o mundo com a Carta Encíclica “Fratelli Tutti”, que tem como temática principal um apelo à amizade social.

 

Vivemos em um mundo que não tem consciência que vive numa verdadeira Casa Comum, em que todos nós nos relacionamos e somos corresponsáveis uns pelos outros. Diante disso, somos assolados por diversas formas de injustiça em nossa sociedade, marcadas por exclusões sociais, atitudes racistas e extremistas. Vemos pessoas sendo escravizadas, e projetos econômicos que visam apenas o lucro a todo custo e não levam em conta a dignidade que é própria de cada ser humano.

 

Além disso, ao invés de uniões entre as nações e as diferentes culturas existentes em nosso mundo, podemos constatar sentimentos de superioridade em relação ao outro, a tentação de se criar muros entre os países e as culturas e de ver o diferente como uma ameaça àquilo que é meu.

 

Já em 1967, o Papa Paulo VI, em sua Carta Encíclica “Populorum Progressio” (sobre o progresso dos povos), nos convidava a refletir que o nosso mundo está doente e precisa de mudanças. Um país não pode crescer com tranquilidade enquanto outro passa por dificuldades e cresce num ritmo menor. Diante dessa realidade, o pontífice nos convidava, assim como hoje nos convida o Papa Francisco, a pensarmos numa humanidade em que todos caminham juntos, e a buscarmos a justiça em nossas relações, a ponto de nos reconhecermos como irmãos uns dos outros e não vermos como inimigos.

 

Como vimos, estamos mergulhados em um contexto de guerras e desuniões externas, mas também dentro da própria Igreja essa realidade está presente. Pode-se perceber o aumento de grupos extremistas dentro da própria Igreja, que não aceitam as mudanças pastorais trazidas pelo Concílio Vaticano II e não reconhecem a validade do ministério petrino do Papa Francisco. Há o crescimento de pessoas que não aceitam os ensinamentos dos Santos Padres e do Magistério da Santa Igreja e criam cismas, se distanciando da Sã Doutrina que nos foi passada pelos séculos e atualizada pelos bispos reunidos. É preciso, antes, valorizar, até mesmo dentro da Igreja, as diferenças, pois elas são reconciliadas pela ação do Espírito Santo, e nunca fomentar a divisão.

 

O apelo principal realizado por Francisco é que abramos nossa consciência para percebermos que somos todos irmãos, como bem explicita o título da encíclica, e que necessitamos uns dos outros para construirmos um futuro comum para nossa humanidade. É preciso que reconheçamos que estamos no mesmo mundo e navegamos no mesmo barco. Se este barco naufraga, todos, sem exceção, nos afogamos e perecemos.

 

A realidade da pandemia da COVID-19 que estamos vivendo, nos faz lembrar, recordou o Papa, que somos uma comunidade mundial e que precisamos nos ajudar mutuamente, e assim pudemos perceber que ninguém vive sozinho. Segundo ele, a vivência da expressão “salve-se quem puder” transforma-se rapidamente numa realidade de “todos contra todos”, ou seja, quando nos isolamos, estamos planejando, mesmo que sem perceber, a nossa desgraça.

 

Para que isso se torne uma realidade, o Santo Padre nos convida a observar o exemplo de São Francisco de Assis, que a todo tempo retornava seu coração à mensagem que nos traz o Evangelho e andava ao lado dos pobres e dos últimos, buscando viver uma vida desapegada dos bens materiais e tendo como fonte principal sua espiritualidade e seu amor a pessoa de Cristo Jesus.

 

A encíclica “Fratelli Tutti”, propositalmente, não é endereçada apenas aos cristãos ou a um grupo específico de pessoas, mas a todos os homens de boa vontade e a todas as religiões, visto ser ela um apelo a toda a humanidade para que abra seus olhos e enxergue a grave crise social que nos assola. É preciso, portanto, que o amor e a fraternidade reinem entre as nações e as diferentes culturas. Mais do que nunca é preciso diálogo, é preciso encontro de culturas e não separação; união e não divisão. Somente quando desenvolvermos no mundo essa consciência é que conseguiremos nos dedicar a um futuro comum da humanidade e poderemos fazer com que nosso mundo se cure.

 

Que nossas Comunidades Eclesiais de Base, nossas famílias e todo o nosso mundo, atendendo aos apelos do Santo Padre e à sua mensagem de esperança, façam de fato um retorno ao Evangelho, não tendo medo de reconhecer o outro como irmão, mesmo que este seja diferente ou pense de forma contrária à minha.

 

Jesus Cristo, morrendo pelos pecadores, vem nos lembrar que somos todos irmãos e pertencemos a uma mesma família: à Família de Deus. Que nosso amor não seja apenas para os nossos, mas seja aberto a todos, sem distinção, a fim de que realmente seja fecundo e produza frutos em nosso mundo.

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