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MORTE: UM ENTREGAR-SE AO AMOR ETERNO DE DEUS

Por Pe. Carlos Renato Carriço Gomes

 

 

A existência humana é marcada pela consciência do tempo que passa exteriormente e interiormente (horas, minutos, segundos, dia, noite, meses, anos – criança, adolescente, jovem, adulto, idoso), físico-biológico e psiquicamente. Isso imprime no viver um saber sobre a transitoriedade das coisas e a finitude humana. Somos levados à certeza da morte para todo ser humano. Diante desta constatação, perguntamos a nós mesmos: O que é a morte? Por que morremos? Para onde vamos quando morremos? Como posso me preparar para a morte? Tenho medo ou devo ter medo da morte? O que minha religiosidade me ensina sobre o morrer? Como viver a vida sabendo que vou morrer um dia? O escritor Anselm Grun, no seu livro Morte: a experiência da vida em plenitude afirma nas páginas 10 e 11: “...ter a própria morte diante dos olhos significa viver humanamente, de acordo com nossa existência humana, que afinal de contas, é mortal. Para mim, significa viver de forma atenta e alerta, significa lembrar-me sempre de novo do mistério que encontro no fato de existir, respirar, sentir, viver e de ser uma criatura singular neste mundo, no fato também de representar um aspecto de Deus que apenas eu seja capaz de expressar neste mundo. Pensar na morte serve à vida. Procuro descobrir o mistério da vida...”. A inevitabilidade da morte nos deve colocar na urgência do viver bem e proporcionar também aos outros um bem viver. Isso se dá pela busca da vida com amor e por amor, tendo como fonte originária o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo.

 

Para a espiritualidade cristã a vida é missão de amor, onde cada ser humano ama-se, ama e é amado e busca profundamente viver esta experiência de amor. Deste modo, a morte será também uma entrega da vida no amor, onde o filho e filha de Deus mergulha no amor de Deus que o ama e o amará para sempre. É um entregar-se a eternidade do Amor de Deus. E é na Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Cristo que as portas da eternidade são abertas para que o ser humano possa tocar com sua alma a vida eterna em Deus. O Catecismo da Igreja Católica nos afirma no nº 1010: “Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. “Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro” (Fl 1,21). “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos” (2Tm 2,11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já está sacramentalmente “morto com Cristo”, para viver de uma vida nova; e, se morrermos na graça de Cristo, a morte física consuma este “morrer com Cristo” e completa, assim, nossa incorporação a ele em seu ato redentor”.  E continuando, o Catecismo no nº 1020 afirma: “O cristão, que une sua própria morte à de Jesus, vê a morte como um caminhar ao seu encontro e uma entrada na Vida Eterna”. A morte para a fé cristã é um encontro com o infinito amor misericordioso de Deus que nos acompanha na mais profunda escuridão do morrer para de lá nos reerguer para a luz da eternidade. Sobre isso, a Liturgia da Igreja, no Prefácio dos defuntos, no Missal Romano nos diz: “Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”. Esta bonita compreensão está na fé do coração dos santos e santas, como em Santa Teresinha do Menino Jesus que diz ao sentir aproximar-se sua morte: “Não é a morte que me virá buscar, mas, sim, o Bom Deus”... “Não morro, entro na vida...”. Sobre isso, a Carta de São Paulo aos Filipenses, capítulo 3, versículos 20 a 21, nos diz: “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos ansiosamente como Salvador o Senhor Jesus Cristo, que transfigurará nosso corpo humilhado, conformando-o ao seu corpo glorioso, pela força que lhe dá poder de submeter a si todas as coisas”.  As palavras de Santa Teresinha e a Sagrada Escritura, aponta-nos para a nossa ressurreição em Cristo, que professamos na oração do Creio, resumo de nossa fé, e que é expressado por São Paulo, na 2ª Carta aos Coríntios, capítulo 4, versículos 14 a 15: “Pois sabemos que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus ressuscitará também a nós com Jesus e nos porá ao lado dele, juntamente convosco. E tudo isto se realiza em nosso favor, para que a graça, multiplicando-se entre muitos, faça transbordar a ação de graças para a glória de Deus”.

 

Jesus Cristo abre o horizonte da vida humana para o crer pela fé na eternidade. Diz-nos Jesus no Evangelho de João, capítulo 11, versículos 25 a 26: “Eu sou a Ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?”. Não sabendo quanto tempo de vida teremos ao nascermos resta-nos aprender a viver o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc 12, 28-34), pois São João da Cruz nos diz: “No entardecer de nossa vida, seremos julgados sobre o amor”.

 

Aos que já estão na eternidade, nossa prece, nossa lembrança e saudade, pois como diz uma música do Nelsinho Corrêa: “Só se tem saudade do que é bom. Se chorei de saudade não foi por fraqueza, foi porque eu amei”.  E quando chegar a nossa hora possamos dizer como São Paulo, na Segunda Carta a Timóteo, capítulo 4, versículos 6 e 7: “...chegou o tempo de minha partida. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé”. Mas, enquanto vivermos nesta Casa Comum, como irmãos e irmãs, vivamos em Cristo o amor, para que encontrados por Deus na morte estejamos unidos e entregues a Ele neste mesmo amor por toda a eternidade, como fez Jesus na cruz, quando gritou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”(Lc 23,46).     

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