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A SIMPLICIDADE DE UMA CRIANÇA

Por Seminarista Paulo Junior Camilette

 

 

No Evangelho de São Mateus, há uma preocupação por parte do evangelista em trabalhar junto à sua comunidade as relações pessoais, interpessoais e com Deus. Neste sentido, ele se utiliza de exemplos concretos da vida cotidiana do povo para desestabilizar uma estrutura que se baseia na troca de favores, na busca de honras e no status social.

 

Ao utilizar do exemplo de uma criança, ele lembra à sua comunidade que, como as crianças de seu tempo, ela não tinha a qualidade de serem detentoras de direito. Em um movimento de desvelamento das novas relações com Deus não serão mais os bens, o sucesso nos negócios, a sabedoria acadêmica das leis, que garantirão a salvação para o povo.

 

O sistema social judaico endureceu o coração do povo ao ponto de compreenderem a sua relação com o Deus que os livrou do cativeiro do Egito, como o Deus que lhes garantiria a satisfação dos seus bens materiais. Porém, a lógica do amor de Deus é contrária à toda instrumentalização que o homem possa fazer dEle. Deus não nos ama devido a nossos méritos, mas na liberdade de quem Ele é.

 

Todas as vezes que Ele socorreu o povo foi para garantir-lhes não os bens, mas a vida e a liberdade. Seus discípulos ainda estão presos às amarras da lógica elitista deste mundo. Não compreendem que foram escolhidos de forma gratuita, mas, buscam justificar, com suas próprias qualidades, o lugar que devem alcançar ao lado de Deus.

 

Até onde é preciso descer no meu coração para que meu egoísmo não me impeça de manter uma relação livre com Deus? Tomar o lugar da criança é se reconhecer sem direitos. É reconhecer que aquilo que eu recebo brota da gratuidade de quem me dá. É saber que não há em mim a qualidade de exigir nada, pois o Amor que recebo de Deus é ato da sua liberdade.

 

É preciso ser como uma criança, pois o sustento de sua própria vida não depende de si mesma, há alguém que cuida dela, que garante suas necessidades. Ela não está fechada em um egoísmo que faz com que sua percepção gire apenas em torno de si. A criança se centra na relação com o outro, se abre, se mantém receptiva, permite que o diálogo se dê em forma de brincadeira, mas não perde a seriedade, ganha em espontaneidade e leveza.

 

Conforme crescemos nosso “Eu” se afirma em oposição ao “Outro”, muitas vezes, não de uma forma saudável, mas como quem diz “sou melhor que você, por isso, garanta os meus direitos”. Queremos garantir nosso lugar de conforto, de segurança, e como consequência disso, perdemos a espontaneidade, a simplicidade, a liberdade da gratuidade do amor que nos é dado.

 

Neste tempo em que é comum agredir, insultar, menosprezar o outro por ser diferente de mim, ou querer obrigá-lo a pensar da mesma maneira que eu penso, ignorar seu ponto de vista, fingir que ele não existe, seguimos no caminho contrário àquele que foi trabalhado e trilhado por Deus para cada um de nós.

 

Seu Amor não destroi as diferenças, não aniquila a diversidade, não mata quem pensa diferente de Si. Seu Amor agrega, congrega, une a diversidade nesta grande família humana. Respeita quem não quer seguir seus passos. Porém, sempre mantém os braços e as portas abertas para acolher quem se achega ao seu Caminho, para quem busca o seu Amor.

 

Ser como criança é pensar que todos são de uma grande família. “Todos somos primos” que vivem em lugares diferentes, que se divertem, que se entristecem, que discutem, que se respeitam e principalmente que sempre buscam se reconciliar quando algo sai errado. Ser criança é não depender do próprio egoísmo, mas receber com alegria o auxílio de Deus, pois "o meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra" (Sl 120, 2).

 

Senhor, que eu reconheça que Tu me amas não porque eu tenho direito do seu Amor, mas porque na liberdade do seu Amor escolheu amar minha pequenez. Amém!

 

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