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15.12.2021

DICAS DE HOMILIA - 4º Domingo do Advento

Deus visita o seu povo - Bem-aventurada Aquela que acreditou - A Missão dos discípulos missionários

(Mq 5,1-4a / Sl 79 / Hb 10,5-10 / Lc 1,39-45)

Deus visita o seu povo - Bem-aventurada Aquela que acreditou - A Missão dos discípulos missionários

A Liturgia do Quarto Domingo do Advento é marcada pelo desejo de Deus de visitar o seu povo, algo que é claramente reconhecido desde a Primeira Leitura até o Evangelho. De fato, o profeta Miqueias ressalta a visita do Senhor ao seu povo pobre, menor dentre todos os povos da terra, levando para os seus eleitos a Paz. No Evangelho, depois da visita do anjo, Maria sai apressadamente de sua casa, em direção à Judá, vai ao encontro de sua prima Izabel. Nesse encontro de duas mulheres marcadas pela graça divina, Izabel afirma que Maria é Bem-aventurada, isto é, marcada totalmente pela graça divina, por ter crido no Senhor. No gesto missionário de Maria está presente um chamado feito a toda a Igreja, aos discípulos e discípulas missionários, isto é, o de levar o Salvador aos homens e mulheres do mundo inteiro.

As palavras do profeta Miqueias são sempre carregadas de uma dura contraposição aos poderosos de seu tempo, aqueles que se despreocupavam com o povo, mas, mantinham vivos os seus próprios interesses. Ele se preocupa com os pobres, abandonados à sua própria sorte, diante da ganância dos mais ricos, que esquecem a Aliança e não olham para os que mais precisam. Todavia, o texto em questão, presente na Liturgia Dominical foge dessa atmosfera, pois retrata a esperança do profeta em tempos novo, de paz e justiça. Suas palavras falam da promessa divina e da expectativa do povo em relação à vinda do Messias esperado. Ele esquece a dureza de suas palavras e a violência que presenciava, para recuperar a esperança em tempos de paz e segurança. Nos quais o Messias reinará sobre o povo, estabelecendo a justiça, por meio do desejo e vontade de Deus. Essa figura misteriosa não virá do meio dos grandes e poderosos, não nascerá na grande cidade de Jerusalém, mas, virá do meio dos pobres e pequenos, ele nascerá na pequena cidade de Belém. O Messias será da descendência de Davi, o que lhe indicará que ele vem de Deus, enviado pelo Senhor para ser pastor de Seu povo eleito.

O Salmo Responsorial segue os passos da Primeira Leitura quando, nas palavras do salmista está presente o apelo para que o Senhor visita a sua vinha, isto é, visite o seu povo. O desejo de Israel é que o Senhor venha ao seu encontro, portanto a Paz e a sua Justiça, abrindo espaço para tempos novos, novos caminhos e nova vida para os filhos e filhas de Israel. O mesmo está presente na Segunda Leitura, visto que o autor da Carta aos Hebreus indica que, somente por meio da decisão de Cristo em fazer a vontade do Pai é que toda a humanidade foi salva. De fato, o autor afirma que foi tal adesão total de Cristo ao desejo do Pai a garantia da santificação, de uma vez por todas, da humanidade inteira. Ainda no Evangelho, a cena narrada só acontece devido ao que está escrito antes, ou seja, a visita do anjo Gabriel à Maria, como portador do desejo de fazê-la mãe do Salvador. A partir desse encontro, Maria diz seu sim e se coloca à serviço da obra salvífica, partindo imediatamente ao encontro de sua prima Izabel. Todos esses textos ressaltam a visita de Deus ao seu povo, comunicando ao mesmo o seu amor e bondade. Deus visita os pobres da terra, comunicando a eles a sua bondade, convidando-os a fazerem parte de sua obra de salvação. Todos são convidados a abrirem-se à esse encontro de amor, no qual todos são invadidos pela graça de Deus, oferta gratuitamente a todos, a fim de que se tornem, à exemplo de Maria, cheio da graça divina.

A figura de Maria é colocada em evidência, juntamente com outra personagem importante que é Izabel, mãe de João Batista. Quando os olhos se pousam sobre essas duas figuras do Evangelho, aparecem muitos detalhes que as separam: Maria era jovem e virgem, prometida em casamento, pobre e vivia muito longe de Jerusalém, na cidade de Nazaré. Izabel, por sua vez, era idosa e casada, sem filhos, esposa de um sacerdote e, por isso, de condição financeira considerável, além de morar próximo a Jerusalém. Num primeiro olhar, aparentemente, muitas coisas as separavam e distanciavam, todavia, algo as unia de forma única, a consciência de que a criança que cada uma trazia no ventre era um dom de Deus. Ambas sabiam que estavam grávidas pela ação divina, por pura graça e bondade de Deus, que desejava visitar o seu povo. Esse detalhe, que não é pequeno, não pode passar desapercebido e é ele que explica o encontro das duas mulheres, a alegria e esperança que nele as duas experimentam. Seja pela exclamação de Izabel, bem como, pelo canto de Maria, que segue o texto litúrgico, fica clara a certeza de que as duas foram agraciadas e reconhecem o dom recebido de Deus.

A cena do encontro destas duas mulheres ressalta a força da graça divina, presente na saudação de Maria e a alegria do reconhecimento de Izabel de estar diante da Mãe do Salvador. De fato, Izabel que ao receber a presença e a saudação de Maria, ficou repleta do Espírito Santo, isto é, cheia da graça de Deus. Ao ser invadida por tamanha graça, Izabel louva a Deus por ter realizado imensa obra para com o povo eleito e canta a bem-aventurança de Maria: "Bem-aventurada aquela que acreditou..." Tal afirmação contém um detalhe fundamental para a compreensão do que se realizou na vida de Maria, com o seu total sim a Deus. O evangelista Lucas utiliza um verbo em grego, bastante particular, que define o ser de Maria, ou seja, quem ela era. Ele a define, pela utilização de tal verbo como "a crente, ou seja a fiel", como aquela que fez de sua adesão à vontade de Deus a condição total de sua vida. Maria é então definida pelo seu sim ao Senhor, pelo fato de se fazer serva Daquele que a criou e a chamou à missão de ser Mãe do Salvador. Esse é o grande dom a visita de Deus ao seu povo, algo que se tornou realidade, pois, Maria traz no ventre o Salvador e o seu sim a tornou participante da história da salvação. Ao comunicar a Izabel a alegria de ter acolhido o Salvador, Maria se torna missionária do Natal, sinal da presença de Deus, portadora de um anúncio de alegria, salvação e esperança. 

Logo no início do texto do Evangelho, o autor indica que Maria deixa apressadamente a sua casa na direção da casa de Izabel, uma expressão que ressalta uma fé disponível, comprometida e cheia da alegria do anúncio que ela é portadora. Ao receber a notícia de ser mãe do Salvador, o coração de Maria, que acreditou nas palavras do anjo e disse sim, torna-se cheio do Espírito e, por isso, capaz de comunicar a alegria da salvação. A imagem de Maria apressada nas estradas que conduziam à Judéia quer comunicar a urgência da Salvação presente no Evangelho de Lucas, o hoje da salvação tantas vezes repetido no texto evangélico (Lc 2,11; 19,9; 23,43). Um anúncio que deve ser levado a todos e comunicado com alegria e esperança, pois é fruto de uma experiência de fé, daqueles que acolhem o Salvador em suas vidas e dele se tornam discípulos e discípulas missionários. De fato, a fé disponível de Maria é um exemplo para todos os discípulos e discípulas do Senhor hoje, que devem se apressar em levar aos irmãos e irmãs a grande alegria que têm nos corações. O chamado desse domingo é que todos sejam portadores de Cristo, comunicadores de sua presença e da alegria que se recebe ao acolhê-Lo. Da mesma forma que Maria comunicou a Izabel a alegria da salvação, tornando o coração de Izabel cheio do Espírito Santo, assim seja o anúncio dado aos nossos irmãos e irmãs. Sendo assim, que todos se apressem em se deixarem transformar pela graça de Deus, a fim de que, por palavras e, sobretudo, por meio de gestos concretos tornem-se anunciadores da alegria do Natal. Que os gestos de solidariedade e partilha, comunhão e perdão, justiça e verdade, afastamento do mal e compromisso com a vida sejam a marca desse anúncio que, à exemplo de Maria, todos somos convidados a proclamar. Que todos se alegrem com o anúncio da salvação e, ainda mais, com os sinais que seguem tal alegre anúncio.

Que a proximidade da celebração do Natal do Senhor, desperte em todos o desejo de ir na direção Daquele que sempre vem com Sua Luz a iluminar o mundo. De maneira especial, seguindo os passos de Maria que é  Aquela que acreditou e se tornou expressão daqueles que colocam a sua esperança no Senhor. Que em todos esteja o desejo de cumprir a vontade de Deus, como bem diz a segunda leitura: "Eis que venho com prazer fazer a vossa vontade". A fim de que todos, seguindo o exemplo de Maria coloquem-se disponíveis para serem portadores do anúncio e da imensa alegria para toda a humanidade: Deus visitou o seu povo e salvou.

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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