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02.12.2021

DICAS DE HOMILIA - 2º Domingo do Advento

Preparai o Caminho do Senhor - Que cresça o Amor - A Construção da Paz e da Justiça

(Br 5,1-9 Sl 125 | Fl 1,4-6.8-11 | Lc 3,1-6)

Preparai o Caminho do Senhor - Que cresça o Amor - A Construção da Paz e da Justiça  

A Liturgia desse Segundo Domingo do Advento apresenta a figura de João Batista como uma forte voz que ecoa no deserto: "Preparai o Caminho do Senhor". Tal exortação é confirmada pela palavra de São Paulo, dirigida à comunidade dos Filipenses, quando o apóstolo incentiva aos irmãos fazerem progressos, crescerem no Amor, seja no conhecimento, quanto na experiência de vida. Algo que ganha eco nas palavras o profeta Baruc, dirigida aos que voltavam do Exílio da Babilônia, ao confirmar que Jerusalém deveria ser reconhecida como a cidade da Paz, fruto da Justiça. 

No Evangelho de Lucas, ouve-se a exortação firme que vem do deserto, por meio da boca de João Batista, reconhecido como o último dos grandes profetas de Israel. A indicação precisa do tempo no qual ele aparece é muito interessante, pois situa historicamente o seu anúncio, dando ao mesmo uma realidade e uma verdade. Não faltam detalhes históricos importantes, que garantem que a sua voz toca a história dos homens e mulheres daquele tempo, marcado por suas dificuldades e pelo momento em que viviam. A descrição inicial apresenta o governo político, econômico e religioso daquela época, indicando o poderio de Roma, diante do qual ninguém poderia se opor, até chegar ao seu domínio em terras Palestinas. Esses dados históricos indicam que toda a história deveria ser marcada pela presença do Messias que deveria vir, anunciado pelo Batista. Nesse contexto, a palavra de João surge como um convite a tolher tudo o que pudesse ser empecilho para que o Senhor, que já estava às portas, pudesse ser acolhido. Do deserto levantava a sua voz: "Preparai o Caminho do Senhor, endireitai as suas veredas".

O convite de João Batista atravessa o tempo e a história, continua firme e cheio de autoridade até hoje, tocando a realidade atual, com a força de sua palavra. É ouvido e deve ser acolhido, em todas as celebrações da Eucaristia, da Palavra de Deus, nos Círculos Bíblicos e em qualquer lugar onde se escuta o Evangelho, nas Comunidades Eclesiais de Base. De modo que, a exortação daquele que sempre está a preparar o caminho do Senhor, ecoe no coração da Igreja. Um convite claro e direto, diante do qual não há como se esconder ou fugir, todos são convidados a se posicionar, seja na acolhida ou no fechamento total ao Senhor que vem. Desse modo, preparar o Caminho implica em retirar tudo o que possa impedir que esse encontro aconteça. De modo que, as estradas estejam abertas e endireitadas, para que quando Ele passar cada um possa acolhe-Lo sem hesitação. Sendo assim preparar a estrada e o caminho, no fundo quer dizer, tornar possível o encontro, facilitar a chegada, tirar os obstáculos que impedem o Senhor de visitar a cada um. Pois de certo que Ele deseja entrar nas casas, visitar as famílias, ir ao encontro dos pobres, acolher os doentes, isto é, tocar com o seu Amor a história.

Seguindo os passos e indicações presentes no Evangelho, a Segunda Leitura da Cartas aos Filipenses traz uma importante exortação do apóstolo Paulo. Já no início da Leitura, ele indica que os irmãos e irmãs foram capazes de acolherem o Evangelho, que para o apóstolo, é Jesus Cristo. Paulo reconhece que somente na acolhida do Senhor é que cada um será transformado e educado no caminho do discipulado missionário, ou seja, por meio do encontro com o Senhor, cada cristão será sinal no mundo de Sua presença. Por isso mesmo, é que São Paulo assegurou aos Filipenses e a todos hoje que a graça realizada em suas vidas será plena nessa comunhão com o Senhor.

O apóstolo Paulo incentiva aos irmãos a continuarem o caminho do crescimento no Amor, marcados pelo encontro pessoal com o Senhor que lhes garante a graça de aperfeiçoar tal obra, por Ele iniciada. De fato, a graça de Deus é a garantia de que os Filipenses possam crescer no Amor e viverem como verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo. Na verdade, o apóstolo afirma que o amor deve tocar todas as dimensões da vida, desde o modo de pensar até a maneira de agir. O amor deve estar na base das decisões e escolhas, bem como, no agir e no compromisso de todos os cristãos. Sendo assim, a Segunda Leitura segue o caminho proposto pelo Evangelho de Lucas, visto que, aquele que prepara o caminho do Senhor, permite que a obra de Deus começada continue o seu curso. Na verdade, somente cresce no amor e na vivência do mesmo, aquele que responde ao apelo feito por João Batista e se abre ao Salvador. Crescer no amor significa aprender com o Mestre, colocar-se com um discípulo que espera todos os dias a Palavra capaz de formar e iluminar o seu coração e vida. Desse modo, o que Paulo propõe está em profunda consonância com o que encontra-se no Evangelho, indicando um caminho seguro para a preparação do Natal que se aproxima. O amor é o grande sinal que iluminou a noite da cidade de Belém, o Amor Maior de Deus que visitou o seu povo e lhe deu um Salvador. Nos olhos atentos de Cristo, em suas mãos operosas, em suas escolhas e atitudes de perdão, misericórdia e amor, os seus discípulos são formados para amar. Desse modo, preparar-se todos os dias para receber o Mestre é o caminho seguro para crescer no amor fraterno, sinal da presença do Reino de Deus no mundo.

O amor é o grande sinal de Deus na história da humanidade, um amor que não se rompe mesmo diante das dores da cruz, sinal claro da gratuidade da salvação, que torna todos filhos e filhas de Deus. Essa experiência de amor, que salva e conduz, foi vivida pelo povo de Israel em toda a sua história. De maneira especial em todos os momentos em que o povo de Deus precisou confirmar a sua Fé, principalmente, diante de situações tão desafiadoras e difíceis. A Primeira Leitura do profeta Baruc retrata um desses momentos ao se dirigir ao povo diante da desolação que viviam no Exílio da Babilônia. Um tempo difícil para o povo de Deus, levado forçosamente de seu terra, longe do Templo e impossibilitado de realizar o culto a Deus. Todavia, mesmo diante de quadro tão desolador e privo de esperança, o profeta traz uma palavra de consolo que procura recuperar a esperança perdida. Sua palavra é como um raio de luz a invadir o coração de todo o povo, trazendo à tona as grandes promessas de Deus feitas à Israel ao longo de sua história. Em suas palavras ele afirma que a glória será devolvida aos seus filhos e filhas, que retornarão à cidade Santa, chamada de "Paz da Justiça e Glória da Piedade". Tais nomes indicam claramente o desejo de Deus para a cidade Santa de Jerusalém, algo que deve refletir no modo como o povo retornaria do Exílio. Isso é, existe um compromisso de Deus com os seus e uma missão confiada aos exilados que estavam voltando à sua terra. Ou seja, a cidade Santa deveria refletir a Glória de Deus e ser sede de toda a Paz, algo que só é possível, quando os homens e mulheres buscam verdadeiramente o Senhor. Sendo assim, a reconstrução da Cidade Santa espelha, como modelo, a construção de um mundo onde reina a paz e a glória de Deus está presente. Desse modo, a Paz que é fruto da justiça brilha quando as relações entre as pessoas são pautadas pelo Amor de Cristo. Um amor comprometido e solidário, capaz de transformar o mundo num lugar para todos, superando assim, toda e qualquer exclusão. Esse mundo novo, renovado pela força transformadora das boas obras do amor é repleto da Luz de Cristo, pois é iluminado pela vida dos cristãos autênticos. Desse modo, a palavra do profeta tem sentido, quando unida à exortação do Batista e o apelo de São Paulo dirigido aos Filipenses. Pois, somente por meio de uma abertura total ao Senhor, preparando o caminho para que Ele venha, é que o mundo será transformado pela força do Amor, presente na vida de cada cristão, cada homem e mulher de boa vontade. Assim de fato, a celebração do Natal do Senhor será vivida de forma intensa e profunda, pois a acolhida Daquele que vem será vivida na esperança de um mundo renovado, um lugar de Paz e Justiça, onde brilha a glória de Deus.

Que a Liturgia desse Segundo Domingo do Advento comunique aos corações a força da Palavra de João Batista, no intuito de que todos desejem se preparar bem para a Celebração do Natal. No desejo de acolherem o Amor de Deus feito carne, seu Filho Jesus Cristo que a todos ensina o caminho do amor fraterno e solidário, sinal da presença de Deus no mundo. De fato, o desejo de Deus, a sua glória é o homem vivo, realizado em todas as suas dimensões, capaz de fazer desse mundo um lugar melhor onde todos têm lugar e dignidade respeitados. Que a Preparação desse Tempo de Advento seja fecunda e que todos se abram à Aquele que vem a fim de que o seu amor cresça e o mundo se torne uma casa para todos os filhos e filhas de Deus.                                                  

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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