28 2101-7604

Home / NENHUM

DICAS DE HOMILIA - 12º Domingo do Tempo Comum

 

 

(Zc 12,10-11;13,1 / Sl 62 / Gl 3,26-29 / Lc 9,18-24)

 

Renunciar a si mesmo - Tomar a Cruz - Seguir Jesus Cristo

 

A Liturgia desse Décimo Segundo Domingo do Tempo Comum traz, no Evangelho, três passos essenciais para o caminho do discipulado missionário: renunciar a si mesmo, tomar a cruz e seguir Jesus Cristo. De fato, os discípulos, ao ouvirem as palavras de Jesus apresentando esses passos fundamentais do discipulado, foram questionados profundamente sobre o modo com que viviam o seu seguimento. Nesse momento eles são provocados a assumirem o caminho da fé como uma estrada que os levaria à Vida Plena que é o próprio Jesus Cristo e, um dia, ao encontro com Ele na casa do Pai.

        

O trecho do Evangelho de Lucas proclamado no Domingo traz em seu início uma cena muito significativa, que marca de forma decisiva o caminho dos discípulos de Jesus. Ele os conduz a um lugar deserto a fim de lhes instruir e fazê-los descansar um pouco, da missão e do caminho que estavam trilhando, no seguimento do Senhor. Neste espaço solitário, Jesus dirige aos discípulos uma questão crucial: Quem dizem os homens que eu sou? E vós quem dizeis que eu sou? Diante de tal interrogação e da resposta que deram ao Senhor, os discípulos são convidados a assumirem um compromisso ainda mais radical de seguimento. Algo que provoca a indicação de Jesus, dos passos que são necessários no caminho do seguimento do discipulado missionário. Isto é: Renunciar a si mesmo, tomar a cruz e seguir o Senhor.

        

O primeiro passo, renunciar a si mesmo. Tal proposta, num primeiro momento pode parecer incompreensível e ao mesmo tempo, por demais radical. De modo especial se colocada diante dos valores e do modo de vida propostos pela sociedade atual que caminha, a passos largos, para outra direção. Hoje a palavra de ordem é o crescente individualismo, radicalizado pelo empenho enorme das pessoas em seus próprios interesses e um crescente fechamento para as necessidades dos outros, principalmente as dos mais necessitados e excluídos. De fato, cada vez mais existe uma preocupação com a satisfação pessoal, mesmo quando essa traz consigo a exclusão de muitos jovens, crianças e de famílias inteiras em nossas cidades e campos. Como compreender o que o Senhor propõe ao dizer: Renunciar a si mesmo? O que significa esse passo tão importante no caminho do discipulado missionário? A resposta está na própria Palavra de Jesus, já que Ele diz que renunciar a sim mesmo seria possível somente por Ele, isto é, na união intima com Ele é que o cristão batizado será capaz de dar um passo tão importante de maturidade na fé. A renúncia de si, não significa um perder-se, a anulação de seus próprios interesses, sonhos e projetos pessoais, ao contrário, significa que tudo o que se tem e é deve ser iluminado pela Presença de Cristo. Aquele que renuncia a si mesmo acolhe a Cristo, recebe Dele a inspiração e os valores para edificar a própria vida, ou seja, como diz São Paulo aos Coríntios: "Quem está em Cristo é uma nova criatura" (2Cor 5,17). Renunciar a si mesmo é deixar-se moldar pelos valores do Evangelho, é viver segundo as opções de Jesus e escolher de acordo com o Seu Sagrado Coração.

        

O segundo passo do caminho de fé é: Tomar a cruz. A cruz para o cristão não é um símbolo de dor e sofrimento, apesar de nela contemplarmos o sofrimento e a dor Daquele que por nós se entregou e morreu. Na cruz estão presentes, para a fé cristã, todas as dores do mundo, todos os lamentos e angústias dos filhos e filhas de Deus de todas as raças línguas e nações. Pois Cristo, ao assumir a nossa humanidade se tornou o servo de todos e se entregou por nossa salvação no madeiro da cruz, como afirma São Paulo aos Filipenses (Fl 2,7-8). Deste modo, a cruz ganha um sentido salvífico e redentor, isto é, passa de um instrumento de morte e dor, para um caminho de adesão ao Senhor que nela Se entregou por toda a humanidade, a fim de que tivesse vida e vida em abundância.

        

Neste caso, a palavra de Jesus é também questionadora diante da sociedade atual do bem estar e da busca incessante pelo prazer e satisfação, incapaz de reconhecer o valor da cruz. As dores da sociedade são enormes, desde a violência que assola o mundo e destrói as famílias, passando pelo flagelo das drogas que rouba a vida dos jovens. Por não falar da despreocupação total com os menores e com aqueles que estão nas cadeias, marcadas pelo degrado, espalhadas por todo o país. Como fechar os olhos para o grande número de excluídos e desempregados no país inteiro, marcados pela negação de acesso aos bens necessários para uma boa qualidade de vida? Sem falar da multidão que bate às portas dos países em busca de um lugar para viverem longe das guerras e perseguições religiosas que ainda assolam o mundo inteiro.

        

Por tudo isso, a proposta de Jesus de tomar a cruz, dirigida aos seus discípulos de ontem e de hoje, ganha um sentido salvífico e redentor. Já que a cruz passa de um instrumento de morte e dor, para um caminho de adesão ao Senhor que nela Se entregou por toda a humanidade, a fim de que tivesse vida e vida em abundância. Ao convidar os seus discípulos e aos discípulos de hoje a abraçar a própria cruz, o Senhor não fala somente dos nossos sofrimentos individuais e das questões pessoais, também, mas sobretudo, convida a abraçar o outro, a ser solidário, a comprometer-se com a vida e a ser compassivo como Cristo o foi. Ele convida a transformar o mundo, não conformando-se àquilo que ainda não respira os valores do Evangelho na sociedade, mas sendo um sinal claro da solidariedade e compaixão divinas. Nesse caso, a palavra do apóstolo Paulo, na segunda leitura, é iluminadora, já que, aquele que abraça a cruz é capaz de romper com os grilhões e amarras do mal e promove, em tudo o que faz, a vida e nova criação.

        

No terceiro ponto o Senhor convida os seus discípulos e a todos os cristãos hoje a segui-Lo. Esse convite, direto e claro, foi precedido pela pregação da Palavra, pelo anúncio e pela presença dos sinais do Reino encontrados em Jesus. O seu convite foi aceito pois continha uma verdade vivida por Ele mesmo, algo que foi capaz de convencer àqueles homens e mulheres a abandonarem tudo para se tornarem seus discípulos e discípulas. Em certo sentido, tal convite foi feito também ao profeta Jeremias, que ao ouvir a voz do Senhor, foi convidado a colocar-se como sinal para o povo de Deus. Na sua luta interior entre o reconhecimento das dificuldades do caminho proposto e a voz de Deus que o seduzia, o profeta responde sim.

        

Hoje, em meio às muitas vozes presentes na sociedade, ainda marcada pela dissolução das seguranças e dos valores perenes, encontram-se indivíduos inseguros e, muitas vezes, incapazes de aderir a projetos duradouros. As instituições e grandes propostas são questionados e, por vezes, abandonados por esses indivíduos mergulhados no caos de nossas cidades e atingidos por tantas vozes que os circundam. A comunidade humana vive um momento crucial, no qual necessita de caminhos e saídas criativas, construídos de forma comum e participativa, para os novos desafios desse tempo. De maneira especial, em nosso país, percebe-se a grande dificuldade de mobilização das pessoas em prol de algo comum, desde os projetos sociais até causas que tocam os que mais necessitam. Por tudo isso, o anúncio da Igreja deve recuperar a mesma autenticidade e veracidade, não somente pelas palavras proferidas, mas, sobretudo, por meio das ações que as acompanham e confirmam. É pelo testemunho das Comunidades Eclesiais de Base e de seus membros que os novos discípulos e discípulas desse tempo serão chamados e, por meio de seu sim, serão formados no caminho do testemunho autêntico e da solidariedade comprometida. Seguindo assim a exortação de Paulo, encontrada na segunda leitura, de formar cristãos não conformados com o mundo, entendido aqui nas forças contrárias ao Evangelho e à vida, mas decididos em trazer, por meio de suas atitudes, a novidade do Reino. Desse modo, torna-se cada vez mais claro que, somente formados no caminho do discipulado missionário é que nossos católicos serão capazes de renunciarem a si mesmos, tomarem a cruz e seguirem o Senhor.

        

Que a liturgia desse Décimo Segundo Domingo do Tempo Comum possa provocar e tocar a todos, pelo convite de Jesus encontrado nas Palavras do Evangelho. A fim de que todos os chamados ao caminho do discipulado possam compreender o que significa: Renunciar a si mesmo, tomar a cruz e Seguir Jesus. De modo que toda a comunidade seja provocada e levada a viver aquilo que a Palavra do Evangelho indica, no caminho de construção do Reino já aqui, como discípulos e discípulas missionários.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

Comentários


Informativo

Cadastre seu e-mail e receba informações mensais da Diocese.


  diocese@diocesecachoeiro.org.br

  28 2101-7603

Rua Costa Pereira, 41 - Centro

CEP: 29.300-090 - Cachoeiro de Itapemirim - ES

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

 

© Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Todos os direitos reservados.

 

Produção / Cadetudo Soluções Web