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DICAS DE HOMILIA - 6º Domingo da Páscoa

 

 

(At 15,1-2.22-29 / Sl 66 / Ap 21,10-14.22-23 / Jo 14,23-29)

 

Cidade de Deus, Cidade dos Filhos e Filhas - Amar e Guardar a Palavra - A Vivência da Paz

 

A Liturgia da Palavra do Sexto Domingo da Páscoa traz, mais uma vez, na Segunda Leitura do Livro do Apocalipse, a imagem da Cidade Santa, a Jerusalém Celeste que desce do céu - Uma Cidade de Deus construída para abrigar os seus filhos e filhas. No Evangelho, Jesus dirige aos seus discípulos suas últimas Palavras, antes de sua Morte, Ressurreição e Ascensão. Indica que o Caminho do Discipulado Missionário tem como estrada o Amor a Ele e a Observância de Sua Palavra: Quem me ama, guarda a minha Palavra. Aqueles que guardam a Palavra são chamados a viver e a construir a Paz, fruto e sinal claro do Ressuscitado.

        

Na Segunda Leitura, do Livro do Apocalipse, uma vez mais, vem apresentada a Cidade Santa, a Jerusalém Celeste, que desce do céu revestida da glória divina. Tal imagem resplandecente não deve ser assimilada e recebida, como uma contraposição da Jerusalém hoje, nem mesmo, como um mundo no qual o cristão é convidado a refugiar-se. Não deve ser encarada como uma fuga das realidades ainda contraditórias da sociedade atual, nem mesmo como fundamento de uma esperança vazia de concretude. Ao contrário, a imagem da Jerusalém Celeste deve animar os cristãos hoje, no empenho sincero de continuar a obra divina de transformação do mundo no qual se vive. Pois ela indica a fidelidade de Deus ao seu projeto de amor, ao seu desejo de levar à plenitude a obra criada por suas mãos. Desse modo, a Jerusalém do alto é a cidade marcada pela ressurreição de Cristo, por sua vitória sobre a morte, uma cidade de Deus para os homens, seus filhos e filhas.

        

A Ressurreição de Cristo inaugura um tempo novo, marcado pela vitória da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado, da gratuidade do amor divino frente às negações dos homens. Segundo o apóstolo Paulo, Cristo, com a sua morte e ressurreição, inaugura um tempo novo, uma Nova Criação. Na qual todos os que Nele professam a Fé são inseridos, independentemente se são judeus ou pagãos, pois em Cristo todos são acolhidos na presença do Pai, chamados à reconciliação com Ele. Sendo assim, os muros de separação, as divisões a exclusão são vencidas e os homens pacificados no Autor da Paz, o Ressuscitado. Acolhidos na Jerusalém Celeste que é fruto da Promessa divina, uma Cidade que vem do Céu para abrigar os filhos e filhas de Deus. Porém, ao mesmo tempo em que a Cidade Santa é fruto da promessa, ela comporta um empenho concreto dos homens e mulheres reconciliados com Deus, por meio de Cristo. Pois, os que foram marcados pela graça, inseridos pelo batismo no Corpo de Cristo, tornam-se responsáveis pela construção ativa da Cidade de Deus, como uma Cidade para os seus Filhos e Filhas. Uma Cidade capaz de acolher a todos, marcada pelo amor de Cristo que reconcilia a humanidade interia com o Pai. Construída por meio de laços de fraternidade e compaixão, solidariedade e busca de justiça e vida plena para todos. Uma Cidade desejada por Deus, para abrigar todos os seus Filhos e Filhas, garantindo-lhes uma Vida em Plenitude.

        

O desejo de Deus para os seus filhos e filhas é de uma vida plena, marcada pelos valores do Evangelho que são luzes no caminho dos discípulos missionários. No Evangelho, Jesus dirige as suas últimas Palavras aos seus discípulos, um discurso longo que aconteceu na noite, antes de sua partida para a Cruz. Antes de sua hora máxima, na qual Ele manifestou a plenitude de Seu amor, para com os seus discípulos e toda a humanidade, Ele dirigiu aos seus algumas Palavras para lhes confortar, fortalecer e iluminar. O contexto no qual tais Palavras foram ditas é fundamental para a sua compreensão, pois, revela o peso das mesmas e a sua importância. Pois, no momento de sua despedida, Jesus convida os seus discípulos a permanecerem fiéis aos ensinamentos que receberam, na certeza de que Ele sempre os acompanhará. Algo que está intimamente ligado com o que foi descrito no Livro do Apocalipse, quando afirma que a Cidade Santa é a morada dos filhos de Deus, Ou seja, para que tal Cidade se torne uma realidade os discípulos de Cristo devem se empenhar em viver segundo o que o Mestre propôs, guardando a Sua Palavra como o sinal verdadeiro do Amor a Ele.

        

Ao se despedir dos seus discípulos, Jesus os convida a perceber a sua ausência, não como algo que poderia lhes causar tristeza ou dor, mas, como um modo diferente se percebê-Lo sempre presente. Ao afirmar que todo o que o ama, guarda a Sua Palavra, Jesus convida seus discípulos a uma relação de intimidade constante, necessária ao crescimento dos discípulos. Pois, todo aquele que guarda a Palavra será habitado por Deus, ou seja, o Pai e Jesus virão fazer nele morada. O verbo utilizado é o "fazer morada", no sentido de habitar, revelando a intimidade da casa, onde se encontra o espaço da intimidade, gratuidade e paz. Sendo assim, ao partir, Jesus não será mais visto como antes, por seus discípulos, porém, isso não significa que lhes deixará sozinhos. Ao contrário, Ele e o Pai estarão presentes nas estradas, nas casa, nas ruas, nos hospitais, nas cadeias, enfim, onde estiver um seu discípulo lá o Pai e Jesus estarão. Desse modo, os discípulos serão no mundo a presença de Deus, construtores do mundo novo, na esperança e confiança sempre presentes, de que onde dois ou mais estiverem reunidos no nome do Senhor, lá Ele se fará presente.

        

Ainda no Evangelho, Jesus comunica aos seus discípulos a Paz, concedendo aos seus corações a plenitude de vida oriunda de sua ressurreição, isto é, a Paz, como sinal de vida plena. A Paz que Jesus doa, logo após ter evocado o Espírito Santo, não deve ser entendida somente como uma saudação, ou até mesmo como um desejo e promessa feita aos seus discípulos. Existe na Palavra de Jesus um convite dirigido aos seus, um apelo a um empenho por parte dos discípulos, no compromisso concreto de construção da Paz. De fato, aos discípulos cabe a tarefa de construírem, por meio da pregação da Palavra e da vivência concreta do Amor, uma sociedade marcada pelos valores do Evangelho. Que é capaz de renovar as realidades do mundo, levando-o na direção do desejo de Deus, isto é, que se torne uma Casa Comum para seus filhos e filhas. Desse modo, a Palavra de Paz dirigida aos discípulos deixa de ser algo restrito à eles, passando a se tornar uma missão confiada aos mesmos. Pois, unidos ao Ressuscitado, pela força do Espírito Santo, são enviados a proclamarem a Paz, ou seja, o projeto do Reino de vida plena para todos. Sendo assim, olhando as realidades do mundo, ainda tão marcadas pela contradição e exclusão, os discípulos devem assumir o seu papel de construtores da Cidade Nova, da Jerusalém que vem de Deus. Uma Cidade Nova iluminada pela Luz do Cordeiro Pascal, o Ressuscitado, um Mundo Novo iluminado pelas boas obras dos discípulos e discípulas de Cristo, homens de Deus no coração do mundo, homens do mundo unidos ao Coração e ao Projeto de Deus.

        

Que a Liturgia da Palavra desse Sexto Domingo da Páscoa ilumine os corações de todos e desperte na Comunidade o sincero desejo de comprometer-se com o Senhor, na construção de um Mundo Novo. Marcado pela Paz, que é a vida plena ofertada e desejada por Cristo, como um sinal claro do Reino de Deus. Que todos desejem viver a Paz como meta e vocação cristã, a fim de que todas as realidades do mundo sejam tocadas pelas mãos operosas dos Discípulos Missionários, homens e mulheres promotores da Paz.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

 

 

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