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28.07.2020

DICAS DE HOMILIA - 18º Domingo do Tempo Comum

A Gratuidade Divina - O Amor Divino - O Serviço aos Irmãos e Irmãs

 

(Is 55,1-3 / Sl 144 / Rm 8,35.37-39 / Mt 14,13-21)

 

A Gratuidade Divina - O Amor Divino - O Serviço aos Irmãos e Irmãs

 

A Liturgia da Palavra desse Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum tem como tema central a Bondade de Deus, que é expressa por meio de sua gratuidade, bem como, revelada no gesto de entrega de Cristo na cruz. A Primeira Leitura, do profeta Isaías, traz o convite divino, dirigido a todos os seus filhos e filhas: "inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim". Já a Segunda Leitura da Carta aos Romanos, indica que nada poderá separar o homem do amor de Deus, manifestado, de modo infinito e eterno, em Cristo Jesus, ou seja, em sua entrega na Cruz. Por fim, os Discípulos que acompanhavam Jesus são formados na escola da compaixão e do cuidado divinos. Exortados pelas Palavras de Jesus: "dá-lhes vós mesmos de comer", a manifestarem a todos, principalmente aos que mais precisam o que de graça receberam.

        

Nas palavras do profeta Isaías ouve-se o convite divino dirigido ao povo de Israel num momento muito particular de sua história, ou seja, no momento em que deveriam retornar à sua terra. Marcados pela distância, pela dor da perda e pela saudade da terra a eles dada pelo Senhor, começam a perceber que o caminho de retorno já está sendo aberto. Este momento é de grande crise para os filhos e filhas de Israel, por isso mesmo, o profeta lhes recorda a promessa divina, seu cuidado e proteção sempre presentes. Nas palavras de Isaías encontra-se um sonho de reconstrução da cidade Santa de Jerusalém, arrasada ao solo pelas tropas da Babilônia. Um sonho que poderia parecer impossível, mas, profundamente real, pois, nascia no coração da promessa divina e na esperança de dias de justiça e paz para todo o povo.

        

O profeta Isaías eleva a voz e faz um grande convite, em nome do Senhor, dirigido a todo o povo, a fim de que reconheça, por meio do que é a ele oferecido, que nunca lhes faltará nada para o seu sustento. O que é oferecido gratuitamente são os frutos da terra e do rebanho, tudo o que o povo nômade mais precisa para sobreviver. Os produtos indicados não devem ser compreendidos somente no campo espiritual, ao contrário, eles manifestam a prosperidade da terra prometida, algo que estava no coração da promessa divina confiada a Israel. De fato, indicam que era o Senhor o que proveria o sustento de seu povo, chamando a todos a se alimentarem gratuitamente. Ao mesmo tempo que deveriam aprender com esse gesto da gratuidade divina a partilharem tudo o que possuíam, a fim de que não existissem necessitados entre eles. Na verdade, a existência dos pobres na Sagrada Escritura não era um sinal de Deus, mas, revelava que o povo tinha se esquecido da sua Aliança com o Senhor. Pois, o desejo de Deus era a vida plena de todos os seus filhos e filhas, como também, dos estrangeiros, das viúvas e dos órfãos, isto é, os menores e mais pobres. Sendo assim, a palavra do profeta não somente quer recordar aos filhos e filhas de Israel que é o Senhor que lhes proverá tudo o que precisam, mas, quer também indicar que eles devem cuidar para que todos tenham uma vida digna e justa, sem que ninguém passe fome ou necessidade de forma alguma.

        

São Paulo mergulhado no amor que recebeu de Cristo, de maneira especial em seu chamado na estrada de Damasco, apresenta aos Romanos uma verdade inquestionável: "nada poderá nos separar do amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus". Sendo assim, a leitura da Carta aos Romanos está intimamente unida à Primeira Leitura, pois, apresenta aos cristãos a segurança maior do amor divino. Ou seja, o que o profeta indica aos filhos e filhas de Israel, o apóstolo vê plenamente realizado no gesto salvífico da entrega de Cristo na cruz, pela salvação de toda a humanidade. De fato, o amor de Deus que aparece na leitura, não indica o amor dos homens pelo Senhor, mas, o seu infinito amor por toda a humanidade.

        

O apóstolo ao refletir sobre o infinito amor de Deus, faz um elenco de todas as dificuldades da vida humana, muitas delas que poderiam colocar em dúvida o amor e cuidado divinos. Ele indica sete situações muito concretas: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada. Não parece ser casual o fato de usar um número perfeito, que exprime totalidade, para colocar diante de seus ouvintes o que todos, indistintamente, podem vir a passar e viver ao longo de sua existência. Com esse elenco de situações, Paulo quer convocar seus irmãos e irmãs a reconhecerem as dificuldades cotidianas, suas dores e desafios, comuns a todos, em todo o tempo e lugar. Ao mesmo tempo, que revela a verdade mais luminosa que o cristão deve manter sempre viva em seu coração, isto é: o amor de Deus. De fato, nada do que foi apresentado como problema ou desafio será capaz de separar o homem do amor que Deus tem por ele, manifestado em Cristo Jesus. Desse modo, o cristão é convidado a se confiar inteiramente aos cuidados divinos, de maneira especial, a fim de que nesta escola do seguimento de Cristo, aprenda a partilhar, com gratuidade e compromisso, tudo o que do Senhor receber.

        

Por fim, o Evangelho de Mateus traz a cena da multiplicação dos pães, que se coloca como uma conclusão direta de toda a reflexão da Liturgia da Palavra deste Domingo. Pois, os bens que o profeta Isaías apresentou, como sendo frutos da gratuidade divina, bem como, o amor divino indicado por Paulo, como um sinal de cuidado e proteção, não são bens a serem acumulados, mas, sim, partilhados. De fato, assim como o amor de Deus a todos abraça, nutre, cuida e guia, da mesma forma, deve ser o amor que nasce no coração dos discípulos missionários. Pois, diante do amor ninguém é excluído ou deixado de lado, ao contrário, todos encontram lugar, repouso, proteção e alimento. 

        

Os milagres de Jesus não são manifestações do poder divino, nem mesmo, indicações puras e simples de seu domínio sobre a natureza ou sobre o mundo dos homens. Eles são, sobretudo, sinais de um mundo renovado, indicações e luzes do Reino já presente, de maneira especial, no coração dos que Nele professam a fé e o seguem. De fato, os milagres de Jesus indicam um mundo pacificado, homens e mulheres reconciliados com o seu Criador e entre si.

        

No caso específico da multiplicação dos pães, o relato de Mateus evidencia alguns elementos essenciais na vida da Comunidade dos Discípulos Missionários. Em primeiro lugar o cuidado de Deus com os seus filhos e filhas, manifestado no olhar compassivo de Cristo para a multidão cansada e faminta. Em segundo lugar, a afirmação de Jesus: dá-lhes vós mesmos de comer", indica que a responsabilidade de ser sinal do amor divino que cuida e protege é inerente ao caminho de fé dos cristãos. Ou seja, é colocada sobre os ombros e corações de todos os discípulos e discípulas de Cristo, chamados a experimentar em suas vidas o amor divino e a comunicá-lo aos que mais precisam. De fato, diante desta responsabilidade ninguém pode ausentar-se, pois todos estão envolvidos, já que decidiram seguir Jesus Cristo. Não importa o que cada um possui, pois, o pouco ou o muito que cada um tem deve ser partilhado, de maneira especial, com aqueles que têm menos e passam por dificuldades e tribulações.

        

Que o Senhor ajude a todos a compreenderem o mistério da Celebração da Eucaristia que é a partilha do Corpo e Sangue de Cristo, alimento doado a todos, como o sinal da gratuidade e amor divinos. De modo que, nesse convívio do amor que a todos une a Cristo e nunca se rompe, os verdadeiros discípulos missionários são cotidianamente formados. A fim de que sejam capazes de manifestarem aos pobres e excluídos a compaixão e solidariedade, frutos da bondade divina em suas próprias vidas.  

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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