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14.05.2020

DICAS DE HOMILIA - 6º Domingo da Páscoa

Guardar os mandamentos - A obra do Paráclito - A Alegria do Evangelho

 

(At 8,5-8.14-17 / Sl 65 / 1Pd 3,15-18 / Jo 14,15-21)

 

Guardar os mandamentos - A obra do Paráclito - A Alegria do Evangelho

 

Na Liturgia desse Sexto Domingo da Páscoa são apresentados em todas as Leituras, com maior ou menor clareza a presença, a ação e o vigor do Espírito Santo. No Evangelho, a primeira e última palavras de Jesus se dirigem à atenção em guardar e conservar viva a sua Palavra e os seus mandamentos. Pois, o Paráclito prometido é a garantia dada pelo Senhor aos seus discípulos de que eles jamais estariam sozinhos, mas, sempre acompanhados pela força do alto. A pregação de Felipe, no território da Samaria, lugar marcado por dificuldades com a comunidade judaica, expressa a força e o vigor do Evangelho, ao mesmo tempo, que manifesta a alegria provocada quando o mesmo é acolhido.

        

O Evangelho desse Domingo tem seu início e conclusão como uma palavra de Jesus dirigida aos seus discípulos, um convite claro afim de que guardassem os seus mandamentos. A expressão utilizada por Jesus somada ao verbo guardar, relaciona-se diretamente à sua Palavra, isto é, àquilo que ele comunicou aos seus discípulos de mais precioso, tornando-os seus seguidores. Isto é, algo que na Primeira Carta de João é apresentado de modo bastante catequético, quando o autor diz: "este é o mandamento: crer no nome do seu Filho Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros" (IJo 3,23-24). Desse modo, diante da comunidade dos discípulos são apresentados dois pontos fundamentais dentro do seguimento de Jesus, ou seja: crer no Filho e amar ao próximo. Quando estes dois pontos são colocados no dia a dia da comunidade e na vida dos discípulos, apresentam-se não como abstratos ou estéreis, mas, muito concretos e necessários, fecundos e urgentes.

        

A fé na pessoa de Jesus é uma relação de total confiança e abandono, a base de uma vida fundada na certeza do cuidado de Deus e de sua presença sempre constantes. No que diz respeito ao amor ao próximo, isto é, ao mandamentos do amor, ele se manifesta e se relaciona diretamente àquilo que movia o coração do próprio Jesus. Segundo Paulo aos Filipenses, significa ter os mesmos sentimentos que moviam Cristo Jesus, desde a sua kenose, ou abaixamento na Encarnação, até à sua entrega total na cruz. Sendo assim, os discípulos do Senhor são convidados a fortalecer a sua relação de confiança na presença e cuidado divinos e amadurecer o seu amor pelos irmãos, na escola do amor misericordioso e compassivo de Cristo. Desse modo, os discípulos seriam capazes de guardar os mandamentos e viverem iluminados pelos mesmos no dia a dia da vida. Pela vivência da fé e pela graça de Deus se tornariam sinais de um amor maior que vai ao encontro do próximo, servindo e oferecendo a vida para que os outros tenham vida.

        

O texto do Evangelho se encontra entre os discursos de despedida de Jesus, antes de se dirigir à Jerusalém a sua hora máxima da cruz. Neste diálogo com os seus, Jesus lhes comunica a radicalidade da separação que estava para acontecer e de suas consequências, ao mesmo tempo que as ilumina pela verdade do dom do Espírito, o Paráclito. O autor do Evangelho ao descrever essa situação de separação e despedidas, evoca a figura do órfão, isto é, alguém sem pai, sem raízes, sem estabilidade e sem seguranças. Neste contexto, sob a solidão que tal figura expressa, a palavra de Jesus sobre a vinda do Paráclito é iluminadora e faz nascer, no coração dos discípulos, uma esperança cheia de imortalidade.

        

O termo grego do qual é derivada a palavra Paráclito significa literalmente: "chamar para próximo", ou até mesmo "chamar junto". Isto significa que o Paráclito é aquele que, no momento da necessidade, coloca-se junto ao necessitado, ao lado do que está fraco, defende aquele que se encontra em situação de fraqueza e debilidade. Desse modo, se expressa de modo claro qual seria a obra do Paráclito junto dos discípulos, isto é, estar próximo dos mesmos, quando lhes é pedido o que é essencial no caminho do discipulado missionário, na vivência cristã: crer no Filho e amar o próximo. Algo que soa difícil e árduo de se conseguir, já que a comunidade se sentia sozinha na tarefa deixada pelo Mestre. Não é sem razão que o texto da liturgia desse domingo segue o do domingo anterior quando Jesus inicia o seu discurso convidando os seus discípulos a terem confiança e não se perturbarem o coração (Jo 14,1). Neste contexto o Paráclito é apresentado em uma de suas mais importantes missões junto dos discípulos, ou seja, assegurar aos mesmos, muitas vezes incapazes de se manterem fieis e seguirem os mandamentos do amor segundo o coração de Cristo, a força e constância necessárias para tal. Desse modo, sabendo das incertezas e fragilidades de cada um, o Senhor lhes confia uma ajuda necessária, com a qual todos podiam contar. Nenhum discípulo está sozinho em seu caminho de seguimento, na profissão de fé e na missão de amar o próximo, pois o Paráclito se coloca sempre ao lado, se coloca junto, faz o caminho com aquele que a ele se confia.

        

A comunidade dos discípulos, marcada pela presença do Senhor e de sua ressurreição, assegurada no caminho pela presença do Paráclito é enviada em missão. A Primeira Leitura é o relato claro dessa comunidade que deixa pra traz os limites da segurança de Jerusalém e vai na direção da Samaria, na certeza da companhia e ação do Espírito Santo. As relações entre os judeus e os samaritanos não eram as melhores, pois, ser chamado de samaritano para um judeu era considerado um insulto, ainda assim a missão de Felipe o dirige para essa região. O aspecto mais singular e importante do relato é o fato de que a palavra de Felipe tenha sido escutada e acolhida,  sendo ele responsável pelo trabalho da caridade, torna-se junto aos samaritanos portador da alegria do Evangelho. A sua ação missionária junto aos samaritanos repete a missão de Jesus, por sua palavra e grandes obras ele comunica aos irmãos da Samaria a força e alegria do Evangelho de Jesus Cristo. Ele está entre os irmãos enviado pela Igreja, algo que é confirmado depois, no próprio relato, pela presença de Pedro e João. A obra missionária por ele realizada comunica aos irmãos a salvação e a força libertadora do Evangelho, a alegria que enche o coração dos samaritanos é fruto da acolhida dessa graça a eles gratuitamente oferecida. Nos passos de Felipe a Igreja é convidada a se tornar também hoje portadora dessa graça presente no anúncio do Evangelho. Comunicar por meio de palavras e obras o vigor de Cristo Ressuscitado, de modo que todos os que o acolherem sejam inundados pela alegria própria dos discípulos missionários. Na verdade, toda a Liturgia da Palavra desse Domingo ressalta que o vigor da comunidade dos discípulos missionários, seja na constância da vivência do mandamento do amor, seja na missão, provém da presença viva do Paráclito. É ele que mantém viva a chama da Palavra de Jesus no coração de seus discípulos, fazendo com que os mesmos se recordem que jamais estarão sozinhos diante dos desafios próprios que a missão apresenta.

        

Que a Liturgia da Palavra desse Sexto Domingo da Páscoa apresente a todos a figura do Paráclito como o sustento do caminho de fé e da vivência do amor fraterno junto à comunidade dos discípulos. A fim de que, sustentados por tamanho auxílio, todos sejam fiéis e observem com constância e diligência o mandamento do Senhor. Sejam também vigorosos na missão de anunciar a Alegria do Evangelho, fruto da acolhida de Cristo e de sua obra salvadora. Desse modo, a comunidade que celebra a presença do Ressuscitado participará e viverá a mesma experiência dos primeiros discípulos, que agiam segundo a força e impulso do Espírito Santo e levavam a todos a força transformadora do Evangelho.  

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

14/05/2020 - maura Regina Buson

Olá. Padre Anderson. Sua bênção! Apesar do que estamos vivendo, é muito bom está lendo as homilias, pois ajuda a fortalecer nossa fé. Os textos são ótimos. Parabéns e que d Deus te abençoe


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