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11.02.2020

DICAS DE HOMILIA - 6º Domingo do Tempo Comum

A Verdade Essencial da Lei - A Responsabilidade dos Discípulos - A Lógica do Amor

 

(Eclo 15,16-21 / Sl 118 / 1Cor 2,6-10 / Mt 5,17-37)

 

A Verdade Essencial da Lei - A Responsabilidade dos Discípulos - A Lógica do Amor

 

A Liturgia da Palavra deste sexto domingo do tempo comum traz como ponto central a palavra de Jesus à respeito da verdade escondida nas palavras da Lei. Ele apresenta um caminho de entendimento mais profundo do que significa cumpri-la como sinal de fidelidade ao Senhor. Unida à reflexão sobre a Lei, a proposta da Primeira Leitura ressalta a responsabilidade do homem diante dos apelos de Deus, como algo fundamental para a vivência da fé. Desse modo, os cristãos ao compreenderem a verdade da Lei, que vai além de suas palavras e ao assumirem a sua responsabilidade diante de Deus e dos irmãos, passam a viver segundo a lógica do amor, que supera a toda frieza da Lei.

        

Em toda a história do Cristianismo, por vezes, foi proposta uma contraposição entre a Lei e o Evangelho, sobretudo, quando se tratava da Lei do Primeiro Testamento. De fato, tinha-se a errônea impressão de que a mesma aprisionasse o homem, enquanto o Evangelho, por sua vez, o libertasse. Jesus jamais apresentou o Evangelho como algo contrário à Lei, Ele mesmo afirma que não veio para aboli-la e apresentar uma nova Lei, mas, sim, trazer à tona a verdade profunda nela escondida, contribuindo assim para a sua vivência. Desse modo, o que Jesus apresenta não é senão um modo de interpretar a Lei que vai além das palavras nela contidas, isto é, Ele apresenta o desejo de Deus para seus filhos contido na Lei. Sendo assim , quando no Evangelho desse domingo Ele apresenta alguns casos da Lei, faz com os seus interlocutores um caminho de aprofundamento sobre a compreensão da verdade Nela escondida, que está para além das palavras dos próprios mandamentos.

        

Ao iniciar o discurso sobre a necessidade de uma nova justiça, que superasse a justiça dos fariseus, Jesus aponta para a necessidade deste novo modo de compreender e viver segundo a Lei de Deus. Seu desejo é o de ajudar aos seus discípulos, de todos os tempos, a perceberem que os elementos da Lei e seus passos possuem desdobramentos importantes que não podem ser negligenciados. Ele cita os mandamentos, oferecendo-lhes uma compreensão mais aprofundada, por exemplo: não se pode matar, mas, se alguém odeia o seu irmão é um assassino. Ou quando indica que o adultério vai para além do fato consumado, pois ele também pode ocorrer no coração dos homens e mulheres. Desse modo, Jesus apresenta a necessidade de se ir até o coração e a verdade escondida dentro da Lei. Ou seja, o discípulo de Cristo deve se perguntar sobre a verdade mais profunda da Lei e as suas exigências, a fim de que, indo além das palavras, chegue ao Seu coração e, assim, ao desejo de Deus para os seus filhos e filhas. Por isso, é obediente à Lei de Deus, aquele que segue a estrada proposta por Jesus, que não permanece na palavra da Lei, mas, consegue, unido à Cristo, chegar ao coração da mesma. E neste lugar, onde reina o amor a Deus e ao próximo, é que o discípulo missionário deve plantar a própria vida.

        

Na Primeira Leitura tirada do livro de Siracida, ou Eclesiástico, encontra-se um aspecto muito importante da vivência cristã que é a responsabilidade de cada um diante dos apelos de Deus. O autor do texto apresenta ao seu leitor a possibilidade de escolha diante do bem e do mal, agradar a Deus e servi-lo, ou abandonar os seus mandamentos e a prática da justiça, como indica o Evangelho. Neste diálogo entre a liberdade do homem de escolher e a sua responsabilidade, que se baseia o texto da Primeira Leitura, indicando a necessidade de se tomar uma posição clara e definitiva diante do bem que se deve escolher. Tal proposta de assunção da responsabilidade pessoal diante de Deus, dos irmãos e da própria vida, é também encontrada em muitos outros textos da Sagrada Escritura, apontando para o fato de que são as decisões do homem que traçam os seus próprios caminhos.

        

O discípulo de Cristo, convidado a acolher a sua Palavra e viver segundo os valores do Evangelho, é chamado a conjugar no coração a Lei, o Evangelho, a obediência a Deus e a sua  liberdade. Neste diálogo contínuo e necessário, ele é formado  em seu coração, lugar das maiores decisões da vida, brilhará a luz de Cristo e os valores do Evangelho a apontar o caminho a ser trilhado. Neste sentido, aos seus discípulos o Senhor pede uma radicalidade necessária, que tem a sua fonte na responsabilidade individual e que se manifesta nas palavras e ações. Ao afirmar que o sim deve ser pleno e o não também, o autor do Livro de Siracida aponta para o fato de que tudo o que se diz e faz, deve ser dito e feito diante de Deus, isto é, sob o olhar amoroso daquele que deseja guiar a vida dos seus eleitos. Assim sendo, as suas palavras e as de Jesus no Evangelho apontam para a mesma direção, ou seja, a responsabilidade que deve nascer e ser cultivada no coração daqueles que são chamados ao seguimento do discipulado. Algo que marca a vida e se traduz em tudo o que se faz, desde os menores até aos maiores gestos e ações. De modo que, tudo na vida dos que seguem o Senhor seja realizado no desejo de agradar a Deus e servir aos irmãos, fruto da responsabilidade dos chamados ao caminho do discipulado missionário.

        

Aqueles que ouvem o Evangelho do domingo de maneira desatenta, podem até pensar que propondo um olhar mais profundo sobre a "letra" da Lei, Jesus poderia estar apresentando um caminho mais fácil e até cômodo de ser trilhado. Todavia, esses se enganam, na verdade o que ele apresenta é uma nova lógica, um modo diverso e novo de pensar o seu seguimento e a adesão da Fé. De fato, o Senhor propõe aos seus a lógica do amor, isto é, a vivência da Lei e dos valores do Evangelho por meio de um amor sempre renovado a Deus, à sua Palavra e aos irmãos e irmãs. Tal caminho se traduz num modo de vida, que necessita de muito empenho e coragem, já que não se baseia numa adesão externa de preceitos e normas, mas, no envolvimento da própria vida.

        

Quando se fala de uma lógica baseada no amor, se refere a um modo de olhar a vida, a relação com Deus, com os outros e com a criação de maneira mais profunda. Fugindo assim, da superficialidade e indo no coração das questões, isto é, examinando as intenções que cada um carrega em si. Para propor aos seus de viverem segundo essa nova lógica, o próprio Jesus tornou-se um modelo, seja pela sua adesão à vontade do Pai, quanto no modo de se relacionar com os seus irmãos. Em seu coração ele nutria o desejo de viver segundo a profundidade proposta pela Lei e a responsabilidade que Ela demandava, a fim de cumprir sempre a vontade do Pai. Ele o fez por amor, um amor renovado, infinito e duradouro, presente em suas opções, seus pequenos gestos e em suas palavras, principalmente na direção dos pequenos e pobres. Com o seu exemplo ele falou mais ao coração dos seus e os conquistou para o caminho do discipulado missionário, ajudando-os a descobrirem a força da lógica do amor. Sendo assim, os discípulos de hoje são chamados a viver a vida pautada nessa nova lógica, de modo que em tudo o que realizarem esteja presente o desejo de viver em comunhão com Deus e com os irmãos. Pois, a radicalidade de vida que é apresentada pela proposta de Jesus tem a sua fonte nessa comunhão de amor que nasce nos corações dos que foram conquistados por Ele. E, por isso, desejam crescer e viver como seus discípulos missionários, de maneira especial, na vivência radical do amor comprometido, com o Senhor e com os irmãos e irmãs.  

        

Que a liturgia deste sexto domingo do tempo comum ajude a todos a perceberem a necessidade do encontro e da adesão à verdade essencial da Lei. A fim de que, todos possam assumir com alegria, responsabilidade e coragem o chamado a viver como verdadeiros discípulos missionários de Cristo. Iluminados pela Palavra de Deus, marcando o mundo e as suas relações com a nova lógica do amor.         

            

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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