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05.02.2020

DICAS DE HOMILIA - 5º Domingo do Tempo Comum

O Sal da terra - A Luz do mundo - Comprometidos com a Vida

 

(Is 58,7-10 / Sl 111 / 1Cor 2,1-5 / Mt 5,13-16)

 

O Sal da terra - A Luz do mundo - Comprometidos com a Vida

 

A Liturgia da Palavra deste quinto Domingo do Tempo Comum apresenta os símbolos do sal e da luz, ressaltando que a religião verdadeira deve ir além das boas intenções. Sendo professada com compromisso com a defesa da vida, segundo o que aponta o texto do profeta Isaías, na Primeira Leitura. De fato, a proposta da Liturgia da Palavra se volta para o que é central na fé cristã que é a vivência transparente do seguimento de Jesus, que marca a vida do cristão.

        

Na passagem do Evangelho de Mateus, proclamada nesse domingo, a afirmação de Jesus sobre o sal e a luz é diretamente dirigida à comunidade: vós sois o sal da terra (...) vós sois a luz do mundo". A utilização do pronome na segunda pessoa do plural é uma indicação clara de que não só os indivíduos, os cristãos devem ser sal e luz, mas, toda a Comunidade Eclesial de Base é chamada a testemunhar os valores do Evangelho, como um sinal do Reino.        

        

O sal na antiguidade era considerado portador de uma força vital, devido ao fato de ser capaz de conservar os alimentos e ser utilizado como elemento de purificação. O autor do Evangelho ao apresentar a imagem do sal para indicar à comunidade a sua vocação, como lugar dos discípulos missionários, confirma a força vital da mesma no mundo, como portadora da vida divina. Todavia, a força da imagem deve ser entendida, a fim de que o seu significado seja vivido plenamente pela Comunidade Eclesial de Base. De fato, quando o autor alude ao fato de que o sal ao perder seu sabor de nada vale, ele oferece uma importante indicação sobre a imagem. Ou seja, torna-se insípido aquele que não carrega em si o sabor e a força do Evangelho, que não vive as bem-aventuranças, que não leva por onde vai, o sabor de Cristo.

        

Ainda na imagem do sal, encontra-se também outros elementos muito importantes que indicam a forma como o mesmo é utilizado, isto é: não pode faltar na comida, não deve ser em excesso e se perde no meio do alimento. Tais aspectos unidos ao fato de que o sal não deve perder o seu sabor são essenciais na compreensão e vivência do que o autor do Evangelho propõe para a comunidade cristã. Em primeiro lugar, os cristãos, são chamados a serem discípulos de Cristo e se desejam encontrar o seu lugar e papel no mundo não podem perder o que lhes é essencial. Isto é, a sabedoria do Evangelho, o sabor da novidade que é Cristo. Em segundo lugar, os mesmos devem estar espalhados por todos os lugares, misturarem-se em meio aos muitos ambientes, a fim de que possam levar consigo o sabor do Cristo. Desse modo, onde estiver um discípulo de Cristo lá deve chegar o sabor novo do Evangelho, seja pelas palavras, atitudes, compromisso e modo de vida.

        

A outra imagem importante do Evangelho é a da luz que evoca a vida e o novo nascimento. Não é por acaso que quando alguém nasce, logo ouve-se dizer: "veio à luz". Em toda a Sagrada Escritura o próprio Deus é definido como sendo a Luz de seu povo, de modo particular guiando e garantindo a força vital aos seus eleitos. Sendo assim, o autor do Evangelho, ao utilizar a imagem da luz, não convoca a comunidade à ostentação das boas obras a fim de que sejam vistas e reconhecidas, ao contrário, indica que a mesma deve refletir o Reino, iluminada e refletindo a Luz de Cristo. Neste caso, a cidade construída sobre o monte, iluminada à vista de todos, é uma referência clara ao Reino de Deus, que cresce em meio aos homens, como uma semente plantada na terra.

        

Os cristãos são chamados a ser luzes no mundo, pois, quando cada homem adere à Cristo, tornando-se seu discípulo, a luz do ressuscitado brilha em sua vida. A fim de que, por meio da graça de Deus, ele seja capaz de iluminar o mundo, pela vivência dos valores do Evangelho, pela prática da justiça e pelo compromisso com a vida. Assim, também a Igreja se torna essa cidade iluminada sobre o monte, quando em seu corpo estão discípulos e discípulas missionários, marcados pelo sabor e pela luz de Cristo, espalhados pelo mundo como o sal e a luz.  

        

O texto do profeta Isaías, no capítulo 58, tem início com um diálogo entre Deus e o profeta, no qual o próprio Senhor pede ao seu servo que se dirija ao seu povo. Os filhos de Israel diziam que dirigiam a Deus suas orações e clamores, mas, por vezes, não se sentiam atendidos e nem viam acolhidos o seu jejum e os seus sacrifícios. Neste momento, irrompe a voz do Senhor indicando à todo Israel o itinerário de fé e de vida, segundo o qual todo o povo devia caminhar. O desejo de Deus era o de garantir ao povo a maturidade da fé, condições de que vivessem segundo seus desígnios e que fossem capazes de realizar as suas obras de misericórdia. O Senhor lhes revela o que é central na vida daqueles que o desejam agradá-lo e servi-lo. Ele coloca no centro da vida de fé: os pobres e perseguidos, os presos e humilhados, os famintos e marginalizados, enfim, todos os que mais precisam e sofrem, como sendo os destinatários de seu cuidado de Pai. Esta palavra firme e direta, somada à exortação de Jesus no Evangelho de Mateus, deve chegar ao coração de todos os fiéis na Celebração da Liturgia. De fato, tal compromisso com a vida de todos deve estar na ordem do dia da vida daqueles que são chamados ao discipulado, já que o próprio Jesus afirmou diante dos que o seguiam: "Eu vim para que todos tenham vida".

        

Num momento em que a sociedade ainda está tão marcada pela violência e barbárie, mais do que nunca precisa-se de homens e mulheres  que escutem a voz de Deus, um dia dirigida à Israel: são dirigidas as mesmas palavras: "se prestares todo o socorro ao oprimido, nascerá nas trevas a tua luz".

        

Que o bom sabor de Cristo, presente na vida dos seus discípulos hoje, traga para a sociedade os valores do Evangelho e seus sabores de vida, solidariedade, misericórdia, compaixão e paz. Que brilhem as luzes da vida dos discípulos de Cristo espalhadas por todos os lugares, a fim de que sejam dissipadas as trevas do descaso e do descuido com a vida. E principalmente, que a vida nova dos que foram marcados pelo encontro com a Palavra de Deus seja a força transformadora da sociedade, em vista da construção do Reino de Deus.    

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

05/02/2020 - maura Regina Buson

Olá Padre. Sua bênção! Sim, os textos são seus ótimos e de fácil compreensão já que na maioria das nossas comunidades são os ministros (a) da palavra que fazem a propagação do evangelho


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