28 2101-7603

Home / Dicas de homilia

21.01.2020

DICAS DE HOMILIA - 3º Domingo do Tempo Comum

Vem e segue-me - Estar com o Senhor - A missão dos discípulos missionários

 

(Is 8,23b-9,3 / Sl 26 / 1Cor 1,10-13.17 / Mt 4,12-23)

 

Vem e segue-me - Estar com o Senhor - A missão dos discípulos missionários

 

A Liturgia da Palavra deste Terceiro Domingo do Tempo Comum traz à tona o chamado feito por Jesus aos seus primeiros discípulos. Ao dirigir-se a eles, o Senhor não só os convida ao seguimento: "Vem e segue-me", mas, também apresenta a sua missão: "farei de vós pescadores de homens". Contudo, tal proposta missionária não surge somente pelo fato da aceitação do chamado, ela é reflexo de um ponto fundamental que se encontra na leitura da Primeira Carta aos Coríntios. De fato, ao questionar à comunidade pelas divisões internas da mesma, Paulo afirma que todos são de Cristo, isto é, devem unir-se a Ele, estar no Senhor, viver com Ele, como condição fundamental para se tornarem discípulos.  

        

O texto do Evangelho proposto pela Liturgia da Palavra apresenta o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos, o seu chamado e a missão a eles proposta. Este primeiro encontro se dá na  região da Galileia, local que marca o início do ministério de Jesus. A escolha deste território é uma resposta à palavra do profeta Isaías, que anuncia a manifestação da graça de Deus entre as cidades deste espaço marcadamente pagão. A libertação que o profeta anuncia, o evangelista Mateus vê realizar-se através do ministério de Jesus, que se torna Luz para a "Galileia das nações", para o "o povo que jazia nas trevas".

        

Em sua manifestação, Jesus revela a força do seu chamado e indica características próprias do modo de seguimento que Ele mesmo propõe. Entre os judeus os discípulos se formavam em contato direto e continuo com o mestre, aceitando a sua palavra e os seus ensinamentos, algo também visto no caminho de formação dos discípulos cristãos. Apesar  da proximidade existente entre o discipulado cristão e o judaico, alguns pontos os diferenciam radicalmente. No judaísmo, o discípulo escolhia o seu mestre e deixava tudo para segui-lo, já no caso do discipulado iniciado com Cristo, a iniciativa é sempre do Mestre, ou seja, é Ele que escolhe quem quer para ser formado na escola do discipulado. Ainda outra diferença crucial é a que no caso judaico, os discípulos poderiam e desejavam se tornar, por sua vez, mestres. Já entre discípulos de Cristo isso era diverso, já que o discípulo se faz no contínuo contato com o Mestre e não separado dele. Por fim, a sorte e a escolha de vida do discípulo no judaísmo poderia ser diversa da do seu mestre e no caso cristão, o discípulo se une de tal forma ao Mestre, que o seu caminho se torna o caminho trilhado por Ele. A sorte do Mestre será a mesma do discípulo: Beber o cálice que ele bebeu.

        

A cena do Evangelho de Mateus apresenta o chamado de Jesus de forma tão direta e firme que faz com que os homens abandonem as redes imediatamente. Ou seja, eles num primeiro momento não as arrastam para a praia (v.20) e no segundo momento, não as lançam ao mar (v.22). O advérbio "imediatamente" aplicado à ação, por parte dos chamados, é uma indicação clara da urgência em responder ao apelo que lhes foi feito. Desse modo, a Liturgia da Palavra deste Domingo propõe a todos, a escuta da voz do Mestre, a fim de que, à exemplo dos primeiros discípulos todos desejem estar com o Senhor.

        

Como foi apresentado, o discípulo missionário é formado aos pés do Mestre e no convívio estreito com aquele que o chamou para o seguimento. Sendo assim, é condição fundamental para que o mesmo seja formado que ele esteja com o Senhor, isto é, mantenha-se unido a Ele, por meio de uma relação de intimidade e comunhão. Na Segunda Leitura, o apóstolo Paulo faz uma dura exortação à comunidade dos Coríntios que se encontrava marcada por sérias divisões internas. Ao questionar a postura da comunidade ele apresenta o ponto fundamental da fé cristã que é a morte e ressurreição de Cristo, para a salvação de todos. Paulo exorta aos irmãos a reconhecerem que estarem unidos a Cristo é o que de fato importa, de maneira especial, para todos os que desejam seguir o Senhor no caminho do discipulado. Tal união é condição para que esses superem as dificuldades do caminho proposto no seguimento do Senhor e sejam capazes de realizarem a sua missão como verdadeiros cristãos.

        

Diante da cruz de Cristo todos são iguais e todos se tornam irmãos, por isso, não deve existir diferença e separação, discórdia ou desunião entre aqueles que a ela abraçam como sinal de salvação. Com tal afirmação o apóstolo Paulo aponta aos irmãos um rumo a ser seguido e uma meta a ser alcançada, ou seja, estar com Cristo como condição fundamental para que os discípulos sejam formados. Algo que é necessário também para que a comunidade amadureça por meio da Palavra de Deus, da Eucaristia, da comunhão fraterna e das orações, numa verdadeira comunidade de discípulos missionários. De fato, como afirma o apóstolo na Segunda Carta aos Coríntios: "aquele que está em Cristo é nova criatura", isto é, torna-se lugar da manifestação da graça de Deus, capaz de fazer surgir a novidade do Evangelho no mundo. Por isso, a Liturgia da Palavra desse domingo convida a todos os cristãos a fazer o mesmo caminho proposto pelo apóstolo na segunda leitura e confirmado pelo Senhor em seu chamado direto aos seus discípulos. Estar com o Senhor como condição necessária a fim de que todos sejam formados como verdadeiros discípulos missionários, capazes de dar razão à sua fé e viver a sua missão com o vigor próprio dos profetas.

        

Tendo chamado os seus discípulos a estarem com Ele, o próprio Senhor também indica a sua missão: "vos farei pescadores de homens". Esta é uma expressão de ligação que une os chamados a Cristo e à sua própria missão, já que todos são convidados a estar com o Mestre e unirem-se a Ele por sua Palavra e ensinamento, na missão de fazer novos discípulos. O convite que os primeiros discípulos receberam de abandonar as redes de pesca e se tornarem pescadores de homens os atinge no momento em que eles estavam pescando (v.18 ) e preparando as redes para a pesca (v.21). Todavia, o texto do Evangelho propõe que Jesus passava pela Galileia anunciando a Boa Nova do Reino, tal indicação é crucial para entender a força do chamado e de como ele foi aceito pelos discípulos. De fato, é possível intuir que os mesmos já tinham ouvido a pregação do Senhor, e, por meio dela, já tinham sido eles mesmos "pescados" para o Reino. Tais elementos destacam que o chamado atinge cada um no lugar onde se encontra, na comunidade em que está e no correr dos dias, de maneira especial, todas as vezes que se acolhe a Palavra e por ela se deixa tocar e conduzir.

        

O convite que o Senhor dirigiu aos pescadores do Evangelho é dirigido à Igreja hoje, a cada fiel, a fim de que toda a Igreja se torne pescadora de homens e mulheres para o Reino. Deste modo, a resposta ao chamado deve ser pessoal, mas, nunca desligada da comunidade na qual se professa e testemunha a fé. O Senhor lança a rede e convida ao seguimento aqueles que se tornarão os seus primeiros discípulos, indicando-lhes à sua missão: "Vos farei pescadores de homens". Juntamente com eles todos são convidados a "abandonar as suas redes" e tomar as "novas redes" da Palavra, da acolhida, do serviço, da profecia, da misericórdia, para com Ele aprender a pescar homens e mulheres para o Reino.

        

Na primeira leitura, retomada no texto do Evangelho, ouve-se a palavra do profeta Isaías: "O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz". A sociedade vive num momento de grande crise e violência, na qual a vida humana parece poder ser descartada sem que isso fira os olhos, o coração e a dignidade de todos. O cristão, chamado pela fé a ser discípulo de Cristo, não comunga com essa barbárie e descaso com a vida de irmãos e irmãs, mas se indigna e levanta a sua voz. Que a Liturgia da Palavra deste Domingo toque os corações de modo a que cada um perceba o chamado que recebeu de se tornar essa luz brilhante de Cristo hoje, em meio às muitas trevas. De modo que os valores do Evangelho, trazidos no coração, na vida, nas atitudes e nas palavras dos cristãos de hoje se tornem luzes cheias de brilho e vida. Que Deus por sua graça faça surgir novos profetas, que não comunguem com as trevas, mas, sejam comprometidos com a luz e a vida, principalmente dos que mais precisam. Desse modo, os discípulos formados aos pés do Mestre serão vigorosos pescadores de homens e mulheres, pelo testemunho, pela palavra e pela vivência do Evangelho.   

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

Seja o primeiro a comentar

Informativo

Cadastre seu e-mail e receba informações mensais da Diocese.


  diocese@diocesecachoeiro.org.br

  28 2101-7603

Rua Costa Pereira, 41 - Centro

CEP: 29.300-090 - Cachoeiro de Itapemirim - ES

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

 

© Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Todos os direitos reservados.

 

Produção / Cadetudo Soluções Web