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30.12.2019

DICAS DE HOMILIA - Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus

A Benção Divina - O Tempo de Deus - Maria - A Verdadeira Discípula

 

(Nm 6,22-27 / Sl 66 / Gl 4,4-7 / Gl 4,4-7 / Lc 2,16-21)

 

A Benção Divina - O Tempo de Deus - Maria - A Verdadeira Discípula

 

A Igreja, no primeiro dia do ano novo, apresenta a figura de Maria Mãe de Deus, dentro ainda da oitava do Natal, como a Serva Fiel do Senhor. Diante dela, todos são convidados a contemplar a figura daquela que desejou acolher e ser sinal da benção divina, de modo que o tempo de sua vida fosse tocado pelo tempo da graça de Deus, tornando-se uma verdadeira discípula de seu próprio Filho.

        

Na Primeira Leitura do livro dos Números, ouve-se a bênção de Aarão, fórmula utilizada várias vezes para abençoar os filhos de Israel. Também no Salmo recitado, o sinal da bênção está presente desde o início até o fim do mesmo, quando se pede a bênção sobre todo o povo. Ao pedir a graça e a bênção divinas, o salmista implora ao Senhor o dom da fertilidade, a fim de que toda a terra reconheça sobre Israel a face bondosa de Deus, capaz de abençoar e salvar. A fórmula da bênção de Aarão é relativamente curta, mas, profundamente rica e nela encontram-se alguns aspectos teológicos muito importantes. Entre tantos possíveis, destacam-se dois: O primeiro é o fato de ser Deus a fonte da bênção, é dele que ela provém, já o segundo indica que a bênção divina transforma a vida do homem, tocando, por meio dele, também a história e garantindo-lhe um sentido maior.

        

O primeiro aspecto a ser ressaltado sobre a bênção é a verdade de que é Deus a sua fonte. Todas as pessoas na Sagrada Escritura, mesmo Abraão, que foi por Deus abençoado e chamado a se tornar uma bênção, também dependia da bênção divina. Foi somente a partir da bênção recebida que ele foi capaz de comunicá-la, tornado-se portador de uma graça para todos os povos e nações. Nas poucas linhas do texto dos Números o nome santo do Senhor vem pronunciado três vezes e, em todas elas, é ele o sujeito da bênção. Sendo assim, não é o homem a fonte da bênção, pois, também não é fonte da vida; somente o Senhor pode garantir a bênção e a graça sobre todos os que a ele se dirigem.

        

O segundo aspecto diz respeito ao homem como portador da bênção, já que abençoado é chamado a construir e edificar, convidado a ser protagonista de sua história e, por diversos modos, ser capaz de ser sinal do Reino de vida para todos. Por isso, o mesmo homem é sempre dependente da bênção de Deus, de maneira especial, por participar do mistério de sua presença. Convocado, pelo próprio Deus a depositar em suas Mãos a sua total confiança, na certeza de que é Ele o garantidor da graça e da bênção. Esta, uma vez doada, não retorna ao Senhor sem antes ter feito o seu percurso na história dos homens. De fato, mesmo as passagens mais difíceis e duras da vida ganham um sentido, quando vistas sob o olhar daquele que se confia nas mãos do Senhor. Neste caso, a fragilidade, a transitoriedade e as incongruências da vida não são capazes de fazer o homem perder a bênção recebida, ao contrário, são lugares da manifestação daquele que é a fonte de toda a bênção.

        

O cristão, chamado a ser discípulo de Cristo, é convidado a iniciar o ano colocando-se debaixo e sob a força da bênção divina, na certeza de que ela o acompanhará em todos os momentos do ano novo. Isso significa caminhar em comunhão com o Senhor, seguindo-o em todos os momentos e buscando a sua Palavra como fonte de vida e luz, para que ao receber a bênção divina torne-se portador da mesma para todos, de modo que a história seja tocada pelas mãos de homens e mulheres, comunicadores do dom da bênção divina.

        

Quando se depara com o ano novo, logo surgem desejos e anseios, sonhos e projetos para esse tempo novo que se inicia. Pois, o início do ano é sempre um momento que evoca a esperança de tempos melhores, uma ocasião para se desejar coisas novas e boas, um horizonte aberto e vasto, que se coloca diante de cada um. Na carta de Paulo aos Gálatas, o apóstolo utiliza a expressão: "Quando se completou o tempo previsto", algo que acontece com a vinda do Filho de Deus. Com essas palavras, o apóstolo reflete sobre a espera de um tempo de graça e libertação sobre o kairós, isto é, a plenitude do tempo iniciada com a presença de Cristo na história humana. Paulo reconhece que a plenitude instaurada em Cristo dá um sentido pleno a todas as coisas, ilumina com a sua presença os pequenos fragmentos da vida humana, ou seja, os dias, os anos, as alegrias e os sofrimentos, as esperanças e angústias de cada pessoa. O que o apóstolo indica é que, ao nascer entre os homens, o Filho de Deus assume para si as vicissitudes da vida humana, a fim de que a história humana, o tempo humano, se tornem história e tempo de Deus. O tempo humano torna-se tempo visitado por Deus, assumido por ele, um tempo abençoado, tornado lugar do encontro dos filhos com aquele que é fonte de toda a bênção.

        

No início desse novo ano, os olhos de todos devem estar fixos em Cristo que abre, para todo o gênero humano, o tempo de Deus. Neste primeiro dia do ano a todos é dirigido um convite da parte de Deus à comunhão com Ele, por meio de seu Filho, de modo que, trilhando os caminhos do Senhor todos se abram à graça e à bênção conferidas àqueles que se colocam no caminho do discipulado, daqueles que desejam fazer do tempo do ano novo um tempo de Deus.

        

A liturgia da palavra, desse domingo, o primeiro do ano, coloca em relevo a figura de Maria, Mãe de Deus, a partir do texto do Evangelho de Lucas, que é o seguimento daquele que foi proclamado na noite de Natal. Nele é ressaltada a atitude de Maria diante da presença dos pastores que se achegavam para ver o Menino, imbuídos e enviados pelas palavras do anjo. No relato existem duas atitudes que indicam uma fé madura, algo que se espera de todos os que desejam seguir o Senhor como discípulos desde os primeiros dias do ano que se inicia. A primeira atitude é a dos pastores, pois logo que escutaram o anúncio do anjo se colocaram a caminho do local onde estava o Menino. A eles o anjo afirma hoje sobre o nascimento do Salvador, algo que percorre todo o Evangelho de Lucas, ressaltando a urgência da salvação. A partir desse anúncio, os pastores não se imobilizaram diante do estupor da visão dos anjos, mas souberam reconhecer o tempo de Deus e se colocaram a caminho sem hesitar. Ao final de sua estrada, contemplaram o mistério de Deus e, na postura própria de discípulos, proclamaram tudo o que lhes tinha sido dito a respeito do Menino.

        

Na postura de Maria encontra-se a segunda atitude que indica a maturidade da fé. O texto afirma que, após ter escutado o relato dos pastores, ela guardava e meditava sobre tudo em seu coração. Partindo do verbo utilizado pelo autor do Evangelho, a atitude de Maria é descrita como quem era capaz de unir todos os eventos da vida, isto é, era capaz de alinhavar todos os fatos da vida sob a luz da presença de Deus em sua história. Nesse caso, ela não perdia o fio da história de Deus em sua vida e, com ele, unia todos os eventos e acontecimentos, reconhecendo o tempo vivido como um tempo de Deus. Por isso, mesmo nas situações mais dramáticas e difíceis que viveu, diante das quais poderia parecer impossível manter-se fiel e seguir o caminho proposto, ela encontrou força na bênção de Deus. Como uma verdadeira discípula, deixou-se envolver pelo Senhor, permitindo, assim, que os eventos da vida pudessem se unir à Palavra divina em seu coração. Desse mesmo modo devem viver os discípulos e discípulas de Cristo hoje, capazes de trazer nos corações a força da Palavra de Deus, que pode dar um sentido maior a todos os eventos da vida do dia a dia.

        

Que desde o início desse ano novo todos sejam tocados pela bênção de Deus, capaz de despertar em todos os corações as maiores esperanças, de forma que fortalecidos por tão grande graça e comprometidos em ser portadores da mesma se tornem sinais do Reino em todos os dias do ano. Que o Senhor desperte os corações a fim de que todos reconheçam que hoje é o tempo da graça e que neste tempo, todos são chamados a ser sinal do Reino, para que, marcados pela Palavra, a exemplo de Maria, se tornem verdadeiros discípulos missionários.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

30/12/2019 - maura Regina Buson

olá Padre. Sua bênção. Os textos tem ajudado bastante, e meio onde todos acessam e facilita a evangelização.


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