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10.09.2019

DICAS DE HOMILIA - 24º Domingo do Tempo Comum

O Amor Misericordioso do Pai - A Experiência da Misericórdia - Sinais da Misericórdia do Pai

 

(Êx 32,7-11.13-14 / Sl 50 / 1Tm 1,12-17 /  Lc 15,1-32)

 

O Amor Misericordioso do Pai - A Experiência da Misericórdia - Sinais da Misericórdia do Pai

 

A liturgia do Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum tem como tema central a Misericórdia de Deus, que se celebra no perdão divino, sinal de reconciliação e possibilidade de vida nova. O Amor Misericordioso e sem limites do Pai é celebrado nos gestos realizados pelo pai presente no relato do Evangelho de Lucas. Uma verdadeira Experiência de Misericórdia que se apresenta em todos os textos proclamados, desde a Primeira Leitura até o Evangelho de Lucas. Tal experiência da misericórdia divina é capaz de transformar o coração do homem, fazendo dele um sinal do grande e infinito amor do Pai, assim como está presente na Segunda Leitura.

 

O relato do Evangelho de Lucas deste Domingo é muitíssimo conhecido, sendo ele, parte integrante do capítulo que traz as parábolas da Misericórdia: a moeda perdida, a ovelha perdida e o filho perdido. No caso específico do Evangelho proclamado é proposta a parábola do Filho Pródigo, ou pode-se dizer, a parábola do Pai Misericordioso. De fato, a figura central de toda a parábola, que permanece imutável em sua atitude, em relação aos seus dois filhos é o pai. A parábola tem seu início a partir da murmuração dos fariseus e dos mestres da Lei, que é indicada no texto, por meio do verbo "criticar". Eles criticavam a atitude de Jesus de comer com os pecadores, murmurando contra o perdão sem limites e contra o desejo de Deus de fazer festa com seus filhos que estavam perdidos, que são alvos de seu Amor Misericordioso. Na realidade são três episódios que compõem uma só parábola, determinada pela expressão: "o que estava perdido foi encontrado".

 

A parábola tem seu desenrolar ao redor da questão da partida do filho mais jovem, o modo como gasta todos os seus bens, a situação miserável que tem que enfrentar e, por fim, de seu retorno e Encontro com o Pai Misericordioso. O leitor consegue entender o que está em seu coração e consegue captar o que o faz retornar à casa paterna, isto é, a confiança no Amor e na Misericórdia do pai. Algo que é confirmado com todas as atitudes e posturas do pai que esperava ansiosamente o retorno do filho, na certeza de que ele faria o caminho de volta para a casa. O pai, ao ver o filho de longe, corre ao seu encontro comovido por grande compaixão, toma-o em seus braços, abraça-o e beija-o, coloca o anel em seu dedo, sandálias nos seus pés e prepara uma grande festa. Todos esses gestos são claramente a indicação de um Amor que supera as distâncias, espera o retorno e acolhe sem senões e porquês, um Amor provado, que nasce na gratuidade divina.

        

O relato do Evangelho, bem como os demais textos da Liturgia apresentam o Amor Misericordioso de Deus, como parte de seu pacto eterno de fidelidade. Pois sempre é Deus quem dá o primeiro passo em direção ao homem fraco e necessitado de sua graça, retomando com a humanidade a comunhão perdida. Ele assume, movido por seu infinito amor, a posição de quem quer reconciliar-se, e é ele que toma a iniciativa ao revelar o seu amor em Cristo, perdoando os pecados dos homens e salvando-os. De fato, a morte de Cristo na cruz desencadeia um movimento novo na história da humanidade, pois o homem é convidado a abrir-se ao Amor Misericordioso do Pai e, por meio deste amor, mudar radicalmente a sua atitude de vida. Tornando-se, a partir desta experiência com a Misericórdia, um sinal da mesma, na solidariedade e comunhão, de maneira especial na direção dos que mais precisam.

        

Todos os textos proclamados na Liturgia da Palavra, deste Domingo, relatam a Experiência dos homens diante da Misericórdia divina. A Primeira Leitura indica que Deus desiste de punir o povo pelos pecados, o Salmo Responsorial, por sua vez, convida a todos a voltarem para a Casa do Pai, na Segunda Leitura o autor relata a experiência de Paulo de ter sido perdoado e acolhido por Deus, em Cristo e, por fim, no Evangelho de Lucas encontra-se a Parábola da Misericórdia. Todos estes textos ressaltam a Experiência da Misericórdia como momento inicial do Encontro do pecador com o Amor de Deus. Além do fato de ressaltar o quão transformador é tal experiência na vida de todos os que foram atingidos por tal graça e perdão.   

        

Todos os textos apresentam a face amorosa e misericordiosa de Deus, mesmo diante das transgressões de seu povo eleito, algo que é ressaltado na Primeira Leitura. De fato, Deus é misericordioso e cheio de amor e paciência para com os seus filhos e filhas, como afirma o Salmo Responsorial. Pois a misericórdia faz parte da natureza divina, manifestada, de modo particular, em sua graça, perdão e bondade. A Misericórdia é sempre anterior e superior a cólera e o senso de justiça divinos, mesmo diante dos pecados e transgressões de seus filhos e filhas. De fato, a misericórdia divina manifesta a fidelidade de Deus diante do pacto de Aliança concluída com o seu povo. De modo que, o Senhor manifesta ao povo a sua misericórdia e compaixão, todas as vezes que o mesmo, por sua fraqueza e infidelidade, perder o rumo e romper o pacto de Aliança.

        

Este Encontro com a Misericórdia é radicalmente proposto aos homens em Cristo, pois Deus se manifesta plenamente, por meio das escolhas, atitudes e ações de Seu Filho. Ele que, por meio de sua morte e ressurreição, sinal e realização da salvação, resgata os homens da morte para a vida, apresentando a todos a face amorosa e misericordiosa do Pai. Sendo assim, as palavras, as ações, os gestos e as opções de Jesus, principalmente em seu cuidado e atenção para com os que mais sofrem, os doentes, pecadores e pobres, são manifestação da misericórdia divina.

        

No caso específico do Evangelho, todos os gestos do pai espelham gratuidade e são sinais claros de que o mais importante é a recuperação daquele que estava perdido, um espaço de acolhida onde as explicações não são mais necessárias. No Encontro de amor entre o pai e o filho pródigo é a manifestação clara da misericórdia divina que resgata, que acolhe e perdoa.  Pois, o pai sabe que o filho, ao retornar, reconhece as suas infidelidades, é capaz de perceber a origem de seus erros e, por isso, oferece ao filho a acolhida e o perdão irrestrito. Esse gesto de Encontro e Experiência com a Misericórdia é a imagem clara do perdão de Deus para com os seus filhos e filhas. Estes que por vezes, se afastam de Sua presença, perdem-se no caminho da vida e acabam por deixar de lado a casa e o amor do Pai, afastando-se da misericórdia que é capaz de curar as feridas do pecado e do mal. No Evangelho de Lucas, o pai da parábola é o grande comunicador desta Misericórdia pois, devolve a vida e sabe dialogar com as dificuldades ainda presentes nos corações de seus filhos.

        

Jesus sempre enfrentou a dificuldade de entendimento e aceitação de um grupo contrário à sua proposta de abrir as portas do Encontro com o Pai, a todos indistintamente. Ele manifestou e indicou o desejo de Deus de fazer festa com todos os que, ao ouvirem o apelo do seu Amor Misericordioso, pudessem voltar ao seu convívio e à comunhão. Ainda assim, alguns não desejaram participar dessa festa de grande alegria, os primeiros foram os fariseus e os mestres da Lei, depois o filho mais velho, que se nega a entrar nessa festa do perdão. Os primeiros não se assentam com Jesus por acharem que abriu as portas para aqueles que não poderiam entrar, o segundo não quer participar da festa preparada pelo Pai, que celebrava a vida do irmão perdido, mas, que pelo amor foi acolhido e encontrado. Todos esses que se pensavam "achados", prontos e não necessitados da acolhida e misericórdia, por não terem se desgarrado ou se perdido, acabam por perderem-se, preferem à si mesmos ao Amor Misericordioso, por isso, não participam da festa. Os pecadores e o filho mais novo, não tendo nada a oferecer, se não a si mesmos, acolhem o dom do amor e da misericórdia com grande alegria e, por isso, não somente participam da festa, como também se tornam o grande motivo da alegria no céu. 

        

Este Encontro com a Misericórdia de Pai, quando verdadeiro, deve fazer de todos sinais desta experiência transformadora, capazes de gestos de misericórdia e solidariedade, de maneira especial com os que mais precisam. Na Segunda Leitura, o autor relata a experiência vivida pelo apóstolo Paulo que recebeu, em primeira pessoa, a força da misericórdia divina em sua vida.  De fato, a reconciliação, fruto da misericórdia divina atingiu o apóstolo, quando ele ainda perseguia os cristãos, oferecendo a ele um caminho de vida ao lado de Cristo. Esta experiência está intimamente unida à sua cruz, morte e ressurreição, por meio da qual o homem é convidado a viver o hoje da salvação e o dia da graça como um dom do amor de Deus.

        

Todos os que fazem este Encontro com a Misericórdia divina são chamados a serem discípulos de Jesus e convidados a participarem dessa comunhão profunda entre Ele e o Pai. Tornando-se sinais da misericórdia e da compaixão uns para com os outros, revelando a todos o que de graça receberam. Pois a Misericórdia possui um caráter relacional, isto é, deve tocar a forma como as pessoas se relacionam umas com as outras. Desse modo a misericórdia é parte da grande experiência religiosa, isto é, uma confirmação da Fé que se professa, como a partilha de um dom recebido gratuitamente do Amor divino. Ela transforma a vida, pois faz com que o homem se sinta amado e perdoado, chamado a amar e perdoar os seus inimigos. Desse modo, o apelo que Jesus faz aos seus discípulos de serem misericordiosos como o Pai, não é algo direcionado a uns poucos que superaram as barreiras da falta de perdão e da violência. Ao contrário, tal postura de Amor Concreto é um sinal que deve estar presente como um grande farol na vida de todos os que abraçaram o Evangelho e desejam seguir o Senhor. O verdadeiro discípulo missionário não se cansa de aprender com o Mestre e a mais importante lição a ser aprendida é a do Amor Misericordioso. Capaz de romper as divisões e curar as feridas da violência, por meio da promoção da Paz e da Justiça, criando laços novos para um mundo renovado, fraterno e mais solidário.

        

Que a liturgia desse Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum ofereça a todos uma oportunidade de experimentarem a Misericórdia divina que a todos acolhe e perdoa. A fim de que nossas Comunidades Eclesiais de Base e todos os seus membros tonem-se sinais da Misericórdia do Pai, principalmente na direção dos que mais precisam.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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