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04.09.2019

DICAS DE HOMILIA - 23º Domingo do Tempo Comum

O Encontro com o Senhor - O Coração do Discipulado - A Radicalidade do Seguimento de Jesus Cristo

 

(Sb 9,13-18 / Sl 89 / Fm 9b-10.12-17 / Lc 14,25-33)

 

O Encontro com o Senhor - O Coração do Discipulado - A Radicalidade do Seguimento de Jesus Cristo

 

A Liturgia proclamada no Vigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum coloca Jesus diante dos que o seguiam, para os quais ele dirige algumas Palavras que indicam o Caminho do Discipulado. Uma estrada que tem a sua origem no Encontro Pessoal com o Senhor, que a todos chama ao seu seguimento. Um caminho que deve ser trilhado passo a passo, no qual os discípulos são chamados a assumirem posturas bem claras, que estão no Coração do Discipulado. Revelando assim, a Radicalidade da proposta de Jesus dirigida aos que Ele chamava ao seu Seguimento, algo que, ainda hoje, é apresentado aos seus discípulos e discípulas missionários.

        

A decisão de seguir o Senhor nasce a partir de um encontro pessoal com Ele, que marca o início do Caminho do Discipulado, sendo radical e transformador. De fato, todos os discípulos de Jesus fizeram esta experiência de Fé que é profundamente transformadora, capaz de resignificar as suas vidas e redirecionar os seus passos. De fato, somente por meio de tal experiência é que os discípulos são formados, gerados e enviados para a missão de anunciar o Evangelho. Porém, sem tal Encontro Pessoal com o Senhor, algo que se repete cotidianamente na vida do discípulo, não é possível assumir o caminho do discipulado missionário.       

 

O Encontro com o Senhor é algo que não se pode explicar com palavras, mas, é capaz de transformar a vida, algo que foi experimentado pelos profetas, pelos discípulos de Jesus e por muitos homens e mulheres na história do Cristianismo. No caso dos discípulos de Jesus, eles foram atingidos pela força de Sua Palavra, uma Palavra capaz de indicar uma estrada nova. Garantindo-lhes a certeza de poderem ir além, de serem enviados a anunciar o Evangelho e de realizar grandes obras. Eles que antes pescam na Galileia, são enviados a lançarem as redes nas águas profundas do mundo inteiro, fazendo de todas as nações discípulos missionários.        

 

O Senhor se manifestou a cada um deles de um modo e maneira particular, fazendo-os perceber a sua presença acolhedora e misericordiosa, perdoando os pecados, fortalecendo no seguimento e enviando na missão. Todos tiveram um encontro com o Senhor, sem o qual nada do que fizeram existiria, pois, eles não foram curados, fortalecidos e enviados por si mesmos, mas, por Aquele que os acolheu em Sua presença. O início de todo seguimento, do discipulado missionário se dá pelo encontro com Cristo, que é condição necessária para que cada um faça uma experiência marcante com Deus. Somente na presença do Senhor, apoiados por Sua graça e fortalecidos por Sua Palavra é que nascerão os verdadeiros discípulos e discípulas missionários.

        

Os discípulos ingressam no Caminho do Seguimento, por meio do encontro pessoal com o Senhor, que lhes convida a assumirem tal estrada para a vida inteira. Porém, o texto do Evangelho, deste Domingo, indica que tal caminho requer tipos de postura de vida bem determinados, que indicam o Coração do Discipulado. De fato, Jesus dirige três indicações bem claras aos que o seguiam, isto é, deveriam renunciar a tudo, carregarem a sua cruz e segui-Lo.

        

Quando se ouve que para seguir o Senhor deve-se renunciar a si mesmo, num primeiro momento, pode parecer algo duro demais e até fora das possibilidades humanas. De modo especial quando a proposta é colocada diante dos valores e do modo de vida assumidos pela sociedade atual. Hoje a palavra de ordem é o crescente individualismo, radicalizado pelo empenho enorme das pessoas em seus próprios interesses e um crescente fechamento para as necessidades dos outros, principalmente as dos mais necessitados e excluídos. A resposta é clara, pois, só é possível a renuncia de si, quando esta é apoiada no encontro pessoal com o Senhor. Somente por meio de uma união intima com Ele, que o cristão batizado será capaz de dar um passo tão importante de maturidade na fé. A renúncia de si, não significa um perder-se, a anulação de seus próprios interesses, sonhos e projetos pessoais, ao contrário, significa que tudo o que se tem e é deve ser iluminado pela Presença de Cristo. Aquele que renuncia a si mesmo acolhe a Cristo, recebe Dele a inspiração e os valores para edificar a própria vida.

        

Quando o Senhor convida aos seus discípulos a tomarem a própria cruz, Ele não o diz referindo-se somente ao sofrimento que a cruz simboliza. Pois, de fato, na cruz estão presentes, para a fé cristã, todas as dores do mundo, todos os lamentos e angústias dos filhos e filhas de Deus de todas as raças línguas e nações. Porém a Palavra de Jesus vai na direção de assumir o caminho do discipulado numa união íntima com Ele, a fim de que o seu discípulo torne-se sinal de Salvação. Assim sendo, a cruz ganha um sentido salvífico e redentor, isto é, passa de um instrumento de morte e dor, para um caminho de adesão ao Senhor que nela Se entregou por toda a humanidade, a fim de que tivesse vida e vida em abundância. Por tudo isso, ao convidar os seus discípulos e aos discípulos de hoje a abraçar a própria cruz, o Senhor não fala somente dos nossos sofrimentos individuais e das questões pessoais. A sua proposta é que cada discípulo seja capaz de reconhecer as dores dos irmãos e irmãs, Ele o convida a abraçar o outro, a ser solidário, a comprometer-se com a vida e a ser compassivo. De modo que o mundo seja transformado pelos valores do Evangelho, por meio da solidariedade e da compaixão vividas por seus discípulos e discípulas missionários.

        

Ainda no que diz respeito ao Coração do Discipulado, o Senhor convida aos seus discípulos a segui-Lo. Esse convite, direto e claro sempre é precedido pela pregação da Palavra, pelo anúncio e pelo Encontro com o Senhor. Um convite que quando aceito insere os discípulos num caminho de contínua conversão e mudança de vida. Um caminho para toda a vida, no qual os discípulos são formados aos pés do Mestre, na escuta de Sua Palavra e na acolhida de sua graça transformadora. Sendo assim, segundo a proposta do Evangelho deste Domingo, torna-se cada vez mais claro que, somente formados no caminho do discipulado missionário é que os católicos serão capazes de renunciarem a si mesmos, tomarem a cruz e seguirem o Senhor.

        

Por fim, partindo dos elementos anteriores, pode-se dizer que o Encontro com o Senhor conduza os discípulos ao Coração do Caminho do Discipulado, que é uma proposta bastante Radical. A Radicalidade do Seguimento de Jesus Cristo é marca do Cristianismo, pois quem encontra Cristo, não se encontra diante de uma ideia, um conceito, mas, é colocado diante de uma pessoa viva. Somente a partir desse encontro Radical com o Senhor, que é transformador e que propõe um modo de vida que passa pelos valores do Evangelho é que o cristão se tornará um verdadeiro discípulo. Sendo assim, a proposta do Evangelho indica para a Radicalidade do Seguimento, um caminho que deve ser trilhado cotidianamente e que contém uma série de passos fundamentais, como os apresentados anteriormente.

        

Ninguém é discípulo de uma ideia, de um slogan e, nem mesmo, de um projeto que se deseja realizar, de fato, se é discípulo de uma pessoa real. No caso da experiência cristã, o discipulado nasce do encontro com o Senhor, da acolhida de seu chamado e da decisão em segui-Lo. Algo que insere o cristão no caminho da Radicalidade do Discipulado, isto é, um modo de vida marcado pelos valores do Evangelho de Cristo. Desse modo, mais do que seguir o Mestre, ao discípulo é reservada a tarefa de fazê-Lo reconhecido em sua vida. De modo a poder dizer como o próprio São Paulo: "Não sou eu que vivo, mas, é Cristo que vive em mim" (Gl 2,20). Assumindo assim a radicalidade do Discipulado, assumindo em sua própria vida, a postura de Cristo. De maneira especial, colocando-se como um sinal do amor de Deus junto aos pobres e excluídos, aos pequenos e marginalizados, revelando-lhes a face amorosa do Senhor.

        

Que a liturgia desse Vigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum provoque em todos os irmãos e irmãs de nossas Comunidades Eclesiais de Base o sincero desejo de assumirem o Caminho do Seguimento de Cristo. Abraçando em suas vidas o Coração do Discipulado e vivendo a Radicalidade do Evangelho, algo tão urgente no tempo de hoje.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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