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28.08.2019

DICAS DE HOMILIA - 22º Domingo do Tempo Comum

A Humildade do Evangelho - A Gratuidade do Evangelho - A Alegria do Evangelho

 

(Eclo 3,19-21.30-31 / Sl 67 / Hb 12,18-19.22-24a / Lc 14,1.7-14)

 

A Humildade do Evangelho - A Gratuidade do Evangelho - A Alegria do Evangelho

 

A Liturgia proclamada e celebrada no Vigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum apresenta uma estreita ligação temática entre a Primeira Leitura, o Salmo Responsorial e o Evangelho de Lucas. Pois, todos estes textos apresentam, cada um a seu modo, pontos fundamentais do Evangelho anunciado por Jesus aos seus discípulos. Na Primeira Leitura e também no texto de Lucas os autores propõem uma reflexão sobre a Humildade, como modo de vida e, sobretudo, como sinal da confiança em Deus. No Evangelho também, em sua segunda parte, Lucas apresenta a Gratuidade como algo indispensável ao discípulo missionário, pois, ela é o reflexo do Amor Gratuito de Deus em sua vida. Por fim, no Salmo Responsorial, o salmista canta a Alegria do Pobre, daquele que se coloca confiantemente nas Mãos do Senhor e sabe que não será desapontado. Uma Alegria própria do Evangelho de Jesus, dirigido aos pequenos e pobres, capaz de trazer esperança e animar os corações na construção do Reino de Deus.

        

Na Primeira Leitura e no Evangelho de Lucas, os autores apresentam o caminho da Humildade, algo que o autor de Siracida diz ser uma fonte de graças e Lucas indica como sendo necessária na vida do discípulo. Segundo o Livro de Siracida, conhecido como Eclesiástico, a atitude daquele que é humilde se verifica naquele que reconhece que não existe nada que o diferencie dos seus semelhantes. Na raiz da palavra Humildade, que vem do latim, encontra-se a palavra "humus", ou seja, terra, existe na palavra uma realidade que não deve ser perdida. De fato, quanto mais próximo de si mesmo, quanto mais pousado sobre a sua própria realidade, mais o homem será humilde. Ou seja, num diálogo constante que ele mesmo estabelece entre a sua fragilidade e as suas potencialidades, entre o que nele é fraco e a graça de Deus. Sendo assim, o homem, ao reconhecer a sua fragilidade, lança-se nas Mãos do Criador, confiando plenamente em seu amor e misericórdia sempre constantes. Aqui se encontra a sua grandeza, já que essa vem de sua intimidade com o Senhor, que como cantava a Virgem Maria, eleva os humildes lembrando de sua fidelidade e amor.

        

No caso do Evangelho de Lucas, Jesus reflete sobre a humildade apresentando a lógica de um banquete oferecido aos convidados, uns com mais honra e outros com menos destaque. O banquete escatológico de Lucas, diz respeito, não somente à vida futura diante de Deus, mas, ao modo como deveriam viver os seus discípulos. A escolha do caminho Humildade está baseada, de maneira especial, nas atitudes, nas escolhas e nas posturas de Jesus, que afirma não ter vindo ao mundo para ser servido, mas, para servir. Desse modo, a vida do discípulo, a sua participação plena no banquete do Reino, não se dará na medida em que procure honras e glórias, mas, por meio de escolhas autênticas. Por meio de uma postura de vida que o leve a colocar-se a serviço em favor dos outros, pois, a verdadeira grandeza se encontra em fazer da vida um dom. Algo que foi vivido plenamente por Maria a Mãe do Salvador, que colocou-se inteiramente a serviço do Senhor, dirigindo-se apressadamente na direção de Izabel e do mundo inteiro, para comunicar a alegria da presença de Deus em meio ao seu povo. Sendo assim, a Humildade do Evangelho não é a perda dos dons e o desconhecimento das potencialidades, mas, uma atitude interior e concreta de colocar-se a serviço. É Humilde quem toma a própria vida e a oferece para que seja acolhida como dom, algo que foi exemplarmente vivido por Jesus, que no alto da cruz oferece-se ao Pai a serviço da salvação da humanidade.

        

Na segunda parte do Evangelho de Lucas, Jesus trata da Gratuidade, como sendo tão necessária, para os seus discípulos, quanto a Humildade antes apresentada. Ao continuar o discurso sobre o banquete, Jesus apresenta que, na vida, a lei definitiva não pode ser jamais a da troca, ou seja, do oferecimento de algo na expectativa do retorno. Algo que está na ordem do dia na sociedade atual, que se baseia na troca de favores, fazendo com que as relações não sejam autênticas, mas marcadas pelo interesse. Tal postura tem transformado o mundo num grande negócio, marcado pela troca interessada de favores, fazendo com que os que nada podem oferecer fiquem relegados a não participação, isto é, a total exclusão.

        

A postura de Jesus e o seu discurso vão na direção oposta, pois, o seu universo de relações, suas opções estão centradas no amor gratuito, que se oferece livremente e não como moeda de troca. As suas Palavras vão na direção da Gratuidade, que se baseia no fato da liberdade diante do dom oferecido. Ao convidar aos seus discípulos a uma postura de vida livre das expectativas, Ele diz: convide sem esperar retorno, ofereça gratuitamente, ajude ao pobre que não poderá restituir aquilo que recebeu. Uma lógica totalmente inversa daqueles que procuram os seus próprios interesses e não conseguem abrir mão de seus desejos e vontades, em vista do outro. De fato, o caminho proposto por Jesus conduz à vivência do Reino, que se traduz em gestos de Gratuidade, serviço e partilha, pois tem a sua fonte no infinito amor de Deus gratuitamente oferecido à humanidade.

        

A experiência do amor gratuito de Deus forma o discípulo de Cristo para a vivência da Gratuidade, pois, não é possível ao homem superar o próprio egoísmo, sem experiências concretas de amor gratuito. Desse modo, ao convidar seus discípulos a viverem a partir da Gratuidade, Jesus aponta para o caminho do Reino, que deve ser trilhado na experiência contínua do Amor do Pai. Um Amor que se dobra para não se romper e chega às últimas consequências no alto da Cruz, de onde o Pai acolhe a todos os que ao seu Filho se achegam. Pois, na Cruz a verdade do Evangelho se descortina, de modo claro, na atitude de entrega de Jesus que oferece a sua vida inteira aos outros. A sua morte é garantia de vida para a humanidade, chamada a fazer a experiência da gratuidade divina que não se cansa de educar o homem para a gratuidade de vida. Sem esta experiência do Amor Gratuito de Deus, os discípulos dificilmente poderão superar o próprio egoísmo, o que os impediria de viver segundo a Gratuidade do Evangelho. Por isso, o discípulo é chamado a seguir os passos do Mestre que se doou na Cruz, para que todos tivessem vida, abraçando, de maneira especial, os pequenos e pobres, os excluídos e marginalizados, os últimos do mundo. 

        

Por fim, a Liturgia da Palavra traz no Salmo Responsorial uma reflexão sobre a Alegria do Evangelho, que tem como fonte o cuidado de Deus para com o seu povo. O salmista rejubila de alegria por reconhece o cuidado de Deus para com os pobres, algo que o faz cantar os seus louvores ao Senhor. Ao afirmar: Com carinho preparastes a mesa para o pobre, ele reconhece a escolha de Deus pelos últimos, pelos desconsiderados da sociedade. A sua postura segue na direção da Gratuidade proposta por Jesus e assumida até às últimas consequências em sua própria vida. Pois, ao dirigir-se aos pobres e excluídos, Jesus afirma que foi para eles que o Pai o enviou. Assim, a Alegria do salmista pode ser comparada à Alegria do Evangelho, ou seja, o reconhecimento de que o Pai olha com ternura, amor e compaixão para todos os sofredores da terra.

        

Ao relatar o cuidado de Deus para com o seu povo, o salmista faz um elenco daqueles aos quais o Senhor acompanha e dos quais ele cuida com o seu carinho e atenção. De fato, a Alegria do salmista está em perceber que Deus não abandonou os seus filhos e filhas à sua própria sorte. Entre os pobres que ele apresenta, estão as viúvas, os órfãos, os deserdados, os estrangeiros e os prisioneiros, ou seja, todos os que estão presentes no discurso escatológico de Mateus (Mateus 28). Aqueles e aquelas com os quais Jesus se identifica, ao afirmar que neles Ele se encontra à espera de gestos de Amor Gratuito. Desse modo, a Alegria do Evangelho já está retratada no Salmo Responsorial, quando afirma que é Deus que vem na direção de seu povo, para dele cuidar e acompanhar.

        

A Alegria do Evangelho é a certeza da misericórdia, do cuidado sempre constante de Deus, manifestado na entrega de Cristo na Cruz, que a todos acolhe e salva. Porém, a mesma Alegria não deve ser assumida somente como um contentamento interior, capaz de apaziguar a alma daquele que segue o Senhor. Ela é transformadora, pois torna o que a recebe portador da mesma graça de salvação, de maneira especial junto aos que mais precisam. Sendo assim, a Alegria do Evangelho deve mover os corações dos discípulos na direção de fazerem de suas vidas um grande dom para os irmãos e irmãs. Seguindo os passos decididos do Mestre que aos seus discípulos apresenta o caminho do serviço, da entrega e da Gratuidade. Vive a Alegria do Evangelho aquele e aquela que faz de sua vida um dom para os irmãos, principalmente para os pobres desta terra, que são os preferidos de Deus.   

        

Que a Liturgia do Vigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum comunique a todos a Alegria do Evangelho, algo que é capaz de transformar os cristãos em verdadeiros discípulos missionários. Capazes de gestos de Gratuidade, que nascem nos corações dos Humildes, daqueles que reconhecem que tudo o quê recebem são fruto da gratuidade divina.

        

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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