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14.08.2019

DICAS DE HOMILIA - Solenidade da Assunção de Maria

Nos Passos de Maria - A Missão das Comunidades Eclesiais de Base - A Esperança do Mundo Novo

 

(Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab / Sl 44 / 1Cor 15,20-27a / Lc 1,39-56)

 

Nos Passos de Maria - A Missão das Comunidades Eclesiais de Base - A Esperança do Mundo Novo

 

A Liturgia proclamada e celebrada na Solenidade da Assunção deseja ressaltar o mistério que foi o chamado de Deus na vida de Maria e a sua resposta ao Projeto de Amor do Pai. Em toda a Sagrada Escritura, o chamado que o Senhor faz a cada personagem bíblico, não é algo que somente lhe diz respeito, mas, é sempre dirigido a todo o povo. Não somente o chamado, mas, sobretudo, a forma como esse é respondido, os passos dados e a missão acolhida. Sendo assim, a experiência, o chamado, a resposta, os passos dados e a missão assumida por Maria devem iluminar o caminho de toda a Comunidade dos discípulos missionários. Deste modo, celebrar a Assunção de Maria é reconhecer que toda a sua vida, de maneira especial, os passos dados na missão, são modelo para todos os cristãos.   

        

A Primeira Leitura apresenta uma imagem eclesial muito forte, pois a mulher vestida de sol, grávida, em meio às dores de parto, é a Igreja, chamada a dar à luz a filhos e filhas de Deus, em meio às muitas perseguições. A Igreja é chamada a reconhecer a sua própria vocação, sua missão, isto é, ser um sinal do cuidado e presença de Deus na história dos homens e mulheres, principalmente, dos que mais sofrem. A fim de que a humanidade se abra à esperança de um mundo novo, proposto pela entrega de Jesus na cruz e recriado em cada gesto de solidariedade e comunhão de seus discípulos no dia a dia, como apresenta a Segunda Leitura. 

        

O texto do Evangelho de Lucas, proclamado na Solenidade é a sequência do episódio, no qual Maria recebe o anúncio do anjo sobre seu chamado e sobre a notícia da gravidez de sua prima. A partir desta experiência, o texto do Domingo tem início com a atitude de Maria de ir apressadamente na direção de sua prima Izabel, para colocar-se à disposição daquela que, na sua velhice, também estava grávida. Os passos apressados de Maria, na direção do serviço e disponibilidade, diante da necessidade de Izabel, indicam que a experiência feita com o anjo foi crucial para a Virgem Maria. De fato, o coração de Maria enche-se da alegria do alto, tornando-se, pela graça do Espírito Santo, capaz de comunicar a alegria da salvação. Desse modo, os passos apressados da menina de Nazaré, pelas estradas da Galiléia rumo à Judeia, expressam a urgência em comunicar a Salvação. Maria torna-se portadora de um anúncio, de uma graça, não somente para ela mesma, mas, algo a ser dividido com a humanidade inteira.

        

Os passos firmes e decididos de Maria a conduzem até à casa de Izabel, que, diante da saudação de Maria, fica repleta do Espírito Santo, isto é, cheia da graça de Deus. Ela foi invadida por tamanha graça, que espontaneamente louva a Deus por ter realizado imensa obra para com o povo eleito. Dos lábios de Izabel saem um canto sobre as bem-aventuranças de Maria: "Bem-aventurada aquela que acreditou..." Tal cena indica que os passos de Maria a levaram, não somente à casa de sua prima que necessitava de auxílio, mas, sobretudo, revelam a missão de Maria, como a primeira discípula missionária.

        

O texto do Evangelho segue com o Canto do Magnificat, no qual a Virgem canta alegremente a sua confiança nas promessas de Deus, que sempre se coloca ao lado de seu povo, manifestando o seu especial cuidado com todos os excluídos e esquecidos da história. O canto de Maria revela também a sua missão como comunicadora da Boa Notícia da salvação, portadora de Cristo, sinal claro para toda a comunidade dos discípulos missionários. Essa, por sua vez, que deve se espelhar e seguir os passos da Mãe de Jesus, como um modelo de abertura e fidelidade à missão. Pois, de fato, o sim de Maria, as escolhas feitas e os passos dados devem ser um exemplo para todos os discípulos e discípulas do Senhor. Chamados a assumirem, com alegria e disponibilidade, à exemplo de Maria, que soube servir e ser fiel. Algo que assumiu diante da necessidade de Izabel, no caminho de seguimento de seu Filho até à Cruz e na confirmação da Fé da Primeira Comunidade dos Discípulos.          

        

A Segunda Leitura do Livro do Apocalipse ressalta a cena da mulher grávida, vestida de sol colocada diante de um imenso dragão cor de fogo. Uma cena muito conhecida, mas, que requer uma interpretação dos símbolos que nela se encontram, a fim de que seja bem compreendida. A mulher grávida, pronta para dar a luz ao seu filho é uma imagem significativa, que representa a Igreja, chamada a dar a luz a novos filhos e filhas pela fé. O parto e as dores do mesmo são sempre o sinal da novidade, da graça divina, do novo que vem, mesmo em meio às muitas dificuldades e perseguições. De maneira especial, no que diz respeito ao desejo de Deus de salvação para os seus filhos e filhas, marcando a história dos homens com a sua presença. O filho que nasce, nas dores do parto e na turbulência da vida, é o sinal autêntico da esperança e do cuidado de Deus para com os seus. O dragão, por sua vez, evoca os grandes mitos da humanidade, sendo ele extremamente maior do que a mulher, é a personificação das forças do mal. De maneira especial, dos inimigos do homem que procuram roubar as suas esperanças, sendo ele contrário à força vital que a mulher traz em seu ventre. O dragão recorda também a serpente do Gênesis que era a expressão de tudo o que rouba do homem a comunhão plena no projeto de vida de Deus para seus filhos e filhas.

        

Partindo de todos símbolos, no coração do texto existe uma esperança que nasce, apesar da imensa desproporção existente entre a mulher, que está para dar à luz, e o dragão. Pois, Deus se coloca próximo e vem em socorro da mulher e de seu filho recém-nascido, agindo por meio de sua misericórdia, a fim de despertar no coração dos homens a esperança de tempos novos. A cena é concluída com um respiro de esperança, que nasce no cuidado de Deus para com os seus, confirmando que Ele sempre virá em auxílio a todos os que desejam cumprir a sua vontade. De fato, o Senhor vem em socorro daqueles que chama e convida para si, daqueles que desejam colaborar com o seu Reino.

        

O texto do Apocalipse é portador do anúncio de uma grande esperança que deve sempre firmar e confirmar os corações dos discípulos missionários. Mas, também indica uma Missão para a Igreja, chamada a continuar dando à luz a filhos e filhas de Deus, discípulos missionários de Jesus Cristo. De fato, amparada pelo cuidado de Deus, a Comunidade Eclesial de Base é chamada a assumir com alegria e compromisso a missão de continuar gerando novos e autênticos cristãos. Homens e mulheres capazes de abraçarem e acolherem o anúncio do Evangelho, vivendo como novas criatura, unidos ao Senhor Ressuscitado. Desse modo, a Comunidade assume para si a imagem do texto do Livro do Apocalipse, colocando-se no lugar da mulher que, apesar do sofrimento e lutas, não abre mão de sua missão de gerar novos discípulos.

        

Por fim, na Leitura da Primeira Coríntios, São Paulo afirma que a Nova Criação tem início com morte e ressurreição de Cristo, na qual todos participam pelo batismo que receberam. De fato, o apóstolo indica que a redenção da humanidade diz respeito a todos os aspectos e dimensões da vida humana, isto é, abraça a vida do homem em sua totalidade. Pois, com a Morte e Ressurreição de Cristo toda a criação é atingida por uma total renovação, caminhando assim, na direção do desejo e do plano divino. Pois, Deus salva a humanidade marcada por muitas contradições e pecados, acolhendo-a e abraçando-a em sua infinita misericórdia. Desse modo, por meio da Morte e Ressurreição de Seu Filho, todos são elevados e transfigurados Nele que por todos se entregou. Sendo assim, torna-se claro que a nova criação nasce no amor e misericórdia divina, um poder vitorioso sobre todas as contradições presentes no mundo. Fazendo com que o coração da humanidade se abra à Esperança de um mundo novo, marcado pelos valores do Evangelho. O próprio Paulo, em inúmeras passagens, indica a transformação do mundo pela graça divina, manifestada na vida de todos os que se deixaram tocar pela ressurreição de Cristo. Ele exorta aos irmãos e irmãs a não se conformarem com o mundo, mas, transformá-lo pela renovação do próprio coração e espírito. Isto é, sendo sinais da graça divina que deseja atuar cada vez mais na história, levando-a à sua plenitude, ou seja, na direção do Reino de Deus.

        

No canto de Maria, portadora da esperança e da alegria divinas, está presente a esperança do mundo novo proposto por Jesus Cristo. Pois, Maria ao afirmar que o Senhor é fiel às suas promessas, indica que a nova criação, instaurada por meio da Morte e Ressurreição de Jesus é a realização da promessa de Deus, de novos céus e terra. Maria proclamou diante de Isabel a alegria da salvação, a esperança de tempos novos, comunicando à sua prima o dom do Espírito Santo. Do mesmo modo, deve ser o anúncio que nasce no coração de cada discípulo missionário, seja pela palavra anunciada, pelo testemunho e, sobretudo, por meio de gestos de solidariedade e partilha, comunhão e perdão. Algo tão presente no canto entoado por Maria, ao exaltar e proclamar a esperança de tempos novos para todos, particularmente para os que mais precisam, os pobres e excluídos.

        

Que as palavras e atitudes da Virgem Mãe sejam inspiradoras, capazes de tocar os corações dos discípulos e discípulas presentes nas Comunidades Eclesiais de Base, a fim de que assumam a sua missão. De modo que, todos, assumindo para si a vocação e missão de Maria, também sejam capazes de levar com alegria o anúncio de tempos novos, principalmente por meio de ações marcadas pela solidariedade e compaixão.

        

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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