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06.08.2019

DICAS DE HOMILIA - 19º Domingo do Tempo Comum

O Tesouro do Reino de Deus - Não tenhais Medo, Pequeno Rebanho - A Confiança da Fé

 

(Sb 18,6-9 / Sl 32 / Hb 11,1-2.8-19 / Lc 12,32-48)

 

O Tesouro do Reino de Deus - Não tenhais Medo, Pequeno Rebanho - A Confiança da Fé

 

A Liturgia do Décimo Nono Domingo do Tempo Comum convida a todos a abraçarem o Reino de Deus e os seus valores, como o grande e único tesouro, capaz de direcionar toda a sua vida. Uma experiência muito similar foi feita por Abraão, descrita na Segunda Leitura, quando apresenta a sua grande Confiança em Deus, nascida na sua experiência de ter a Fé como seu maior tesouro. Somente por meio da experiência de uma verdadeira Fé, que faz nascer no coração a Confiança é que o cristão pode superar todos os seus medos e temores.

 

O texto do Evangelho do Nono Domingo continua o discurso do Domingo anterior, sobre a preocupação com as riquezas e a ganância desmedida, como algo que corroí o coração do homem. Porém, apresenta agora a grande riqueza que deve tomar, por inteiro, o coração do cristão que é o Reino de Deus. Se por um lado, rico para o mundo é aquele que se preocupa em acumular tesouros que perecem, para Deus, por sua vez, é rico aquele que se abre à Fé que leva à total confiança no amor do Pai. Uma confiança capaz de fazer com que o seu coração esteja sem medos, livre de qualquer angústia, pois, guarda no coração as Palavras de Jesus: "Buscai o seu Reino e essas coisas vos serão acrescentadas" (Lc 12,31).

        

O tesouro do coração do fiel está baseado na certeza da presença, do amor e da bondade de Deus em sua vida, algo que o faz perder o medo e crescer na confiança no Pai, todos os dias de sua vida. Porém é importante recordar que os que caminham com Cristo, que colocam o seu coração no Reino, reconhecendo-o como o seu maior tesouro, não vivem a alegria do Reino somente depois de sua morte. Ao contrário, pois, cheios de confiança nas promessas divinas, seguindo os passos do Mestre, eles apressam a vinda do Reino de Deus. O seu modo de vida, marcado pelo amor do Pai que os sustenta, é capaz de mudar a história, fazendo com que os valores do Reino já sejam vistos e reconhecidos. Sendo assim, quando Jesus afirma que foi do agrado do Pai dar o Reino ao seu pequeno rebanho, Ele não se refere somente ao Reino eterno, depois da morte. A afirmação de Jesus deve ser compreendida no dia a dia dos cristãos, chamado a ser seu discípulo missionário, capaz de trazer para o mundo, as realidades divinas. Alguém que ao assumir o seu lugar no mundo, torna-se portador das coisas do céu para a terra, mudando a história, por meio da renovação contínua do amor, da solidariedade e da compaixão, de maneira especial com os que mais precisam.

        

Os cristãos são chamados a reconhecer o Reino como o seu maior tesouro, colocando o seu coração, o seu empenho, enfim toda as suas forças na construção do mesmo no coração do mundo. São chamados a reconhecer que já possuem uma riqueza imensa que é o amor do Pai, a fim de que se tornem corajosos e audazes no seu testemunho dos valores do Reino que abraçaram. Todos serão reconhecidos como filhos e filhas de Deus à medida em que forem capazes de amar e se compadecer dos pequenos e pobres, tornarem-se próximos dos excluídos e marginalizados. A sua riqueza consistirá em se tornarem a face amorosa de Deus, que se mostra aos que mais necessitam, abrindo o tesouro de seus corações, a fim de revelarem as coisas do céu, aos que vivem e sofrem ainda na terra.

        

A confiança que vence todo o medo é um outro elemento essencial no caminho do discipulado missionário, consequência do reconhecimento do grande tesouro que é o Reino de Deus. De fato, no Evangelho de Lucas, Jesus exorta os seus discípulos a não terem e nem mesmo nutrirem no coração o medo, a falta de confiança no Pai. Ele o chama de "pequeno rebanho", isto é, reconhece a sua fragilidade de seus discípulos, mas, ao mesmo tempo, sabe que eles já fizeram um caminho com Ele. No qual foram descobrindo os valores do Reino, sendo formados pelo Mestre para abraçarem as coisas do céu, trazendo-as para a vida dos homens e mulheres, principalmente, dos que mais sofrem. De fato, o Senhor sabe que o medo poderia lhes roubar a confiança e a certeza de sua presença sempre com eles. Algo que retiraria de seus corações a alegria, a paz e coragem para enfrentar os desafios próprios da missão a eles confiada. Sendo assim, a exortação do Evangelho é direta, ou seja, não se pode dar lugar ao medo, que capaz de roubar do coração do discípulo missionário a confiança. Além disso, o medo pode fazer algo ainda mais grave, que é retirar o coração do discípulo missionário de onde deve estar, ou seja, no coração de Cristo.

        

O contrário do medo é a confiança, uma confiança calma, segura, cheia de esperança e de bondade, capaz de reconhecer que é Deus que conduz os que escolheu para Si. Por isso, não deve existir lugar para o medo no coração daqueles que se colocam no seguimento de Cristo, daqueles que desejam ser seus discípulos missionários. Ao pequeno rebanho Jesus diz que o Pai desejou dar-lhe o Reino, ou seja, os olhos e corações dos discípulos devem estar voltados para a novidade de Deus, para a criação de um mundo novo. O Reino de Deus, que tem seu início na terra dos homens, deve ser o grande tesouro de todos os que abraçaram a fé, a fim de que, por sua presença, as família, a Igreja e a sociedade sejam transformadas, segundo os valores do Reino. 

        

Mas como superar o medo e viver na plena confiança em Deus, tornando-se sinal do seu Reino já agora? A Segunda Leitura apresenta um caminho seguro, mesmo em meio às muitas adversidades que são apresentadas ao longo caminho da vida. "A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem" (Hb 11,1). Segundo o autor da Carta aos Hebreus, a experiência dos que nos precederam não foi diversa da experiência feita pelos cristãos hoje em dia. Eles também sofreram tribulações e passaram por grandes provações, porém, souberam colocar a sua total confiança no Senhor, vencendo assim, todos os temores. Sendo assim, o convite de Jesus feito aos seus discípulos é um chamado à fé, isto é, a uma grande confiança na graça de Deus que sempre sustenta os que escolheu e chamou.

        

A Palavra da Segunda Leitura é uma confirmação do que foi proclamado no Evangelho, ou seja, todos os que depositaram no Senhor a sua confiança, por meio da Fé, não foram desapontados. Aos cristãos de hoje é pedido que mantenham os olhos e os corações fixos nas realidades do céu, a fim de tocarem a terra com os valores do Evangelho. Algo que o farão, à medida que não cederem ao medo que enfraquece o testemunho e faz com que se perca a direção proposta, pela profissão da Fé. Somente vivendo com os olhos voltados para o projeto do Reino de Deus, que deve ser a meta a ser alcançada, é que os cristãos se tornarão verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo. Pois, vivendo assim, o discípulo cresce em confiança, mesmo em meio às grandes provas, sendo capaz de confirmar a fé dos demais com seu testemunho e presença. A responsabilidade daqueles que muito receberam é manter viva a chama da esperança e da fé no coração dos que lhes foram confiados. A quem muito foi dado muito será pedido no intuito de que cresça o Reino entre nós.

        

Que a Celebração deste Décimo Nono Domingo do Tempo Comum possa provocar em todos o desejo sincero de abraçar o Reino de Deus como o maior e único tesouro. Vencendo todo o medo que impede o testemunho fiel da Fé, crescendo na confiança e nos cuidados contínuos do Senhor, que olha com amor para os que escolheu e chamou, cuidando e conduzido-os como um Pequeno Rebanho.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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