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31.07.2019

DICAS DE HOMILIA - 18º Domingo do Tempo Comum

Vaidade das Vaidades - A Ganância na Vida do Homem - A Nossa Vida está escondida em Cristo

 

(Ecl 1,2;2,21-23 / Sl 89 / Cl 3,1-5.9-11 / Lc 12,13-21)

 

Vaidade das Vaidades - A Ganância na Vida do Homem - A Nossa Vida está escondida em Cristo

 

A Liturgia do Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum apresenta uma linha de reflexão muito clara, sobre quais são os verdadeiros valores que devem reger a vida do homem. Na Primeira Leitura, o autor do Livro do Eclesiastes propõe uma máxima muitíssimo conhecida, mas, pouco compreendia: Vaidade das Vaidades, tudo é Vaidade. Na mesma direção, no Evangelho de Lucas, Jesus exorta os que o ouviam sobre o perigo da Ganância, algo que pode corroer no coração do homem os valores que, de fato, podem lhe garantir uma vida plena. Por fim, o autor da Carta aos Colossenses afirma, de modo direto, que a vida do Cristão está escondida em Cristo, indicando que todos devem se revestir, gradativamente, de Cristo, o Homem Novo.

        

Na Primeira Leitura, o autor do Livro de Qóelet, ou Eclesiastes, propõe uma máxima, muito conhecida, mas, pouco compreendida em sua profundidade: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". De fato, o autor não se refere à vaidade no sentido que comumente ela é aplicada, ou seja, no cuidado excessivo consigo e com a aparência externa. Na verdade, a sua atenção é direcionada ao sentido e ao significado hebraico da palavra, ou seja, ele a utiliza recuperando a sua raiz. De fato, a palavra vaidade possui a mesma raiz do nome dado a um dos filhos de Adão, ou seja, Abel, que traduzido, de uma forma mais simples, significa: "sopro que passa". No que diz respeito ao personagem bíblico, o seu nome o identifica muito bem, pois, no relata da Sagrada Escritura, quando o mesmo é mencionado, ele não pronuncia nenhuma palavra e é morto por seu irmão Caim. Sendo assim, pode-se dizer que a sua vida foi passageira, como um sopro que passa, sem grande consistência. Da mesma forma, a máxima da Primeira Leitura deve ser compreendida, ou seja, quando o autor afirma: Vaidade das Vaidades, ele está dizendo que Tudo passa, indicando, assim, a brevidade das coisas. Ou seja, o autor reflete e chama à atenção de seus leitores, para o fato de que na vida tudo passará.

        

O Livro de Eclesiastes deseja refletir sobre a vida do homem e o tempo que ele dedica a cada coisa, no intuito de ajuda-lo a empenhar-se com coisas que possam garantir um sentido mais profundo à sua vida. Quando afirma que tudo passará, que a vida é como um sopro que passa, pois, agora existe e logo depois deixa de existir, ele quer indicar um novo caminho a ser trilhado. Uma estrada a ser percorrida por cada pessoa, no desejo de fazer da vida algo que, de fato tenha um sentido de eternidade, que não se reduza somente as coisas desta terra. Algo que o aproxima muito do texto do Evangelho de Lucas, que também reflete sobre o que pode garantir á vida do homem a plenitude e a verdadeira felicidade. Desse modo, tanto a Primeira Leitura, quanto o Evangelho indicam que a vida do homem é passageira, e, por isso, ele deveria dedicar a sua atenção aos valores que são eternos. Pois, de que vale o homem ganhar o mundo inteiro e perder a si mesmo? De que vale o homem possuir tudo o que desejar e ainda ter um vazio imenso em seu coração? De que vale o homem conquistar os mais altos postos e a mais alta condição financeira, quando o seu coração ainda não se encontra saciado? São perguntas que continuam a permear muitos corações que se propõem a buscar a sua satisfação nas coisas que passam e deixam de procurar o que de fato pode dar um sentido pleno à vida.

        

No Evangelho de Lucas, Jesus é muito duro e direto ao falar que a Ganância corroí no coração do homem tudo o que pode dar sentido à sua vida. Ele afirma que: "A vida do homem não consiste na abundância dos bens", questionando todos os que vivem na busca gananciosa dos bens materiais. Sua palavra é direta e iluminadora, pois chama a atenção para algo que toca todos os homens em todos os tempos, ou seja, a procura desenfreada por bens materiais. A Ganância, na Sagrada Escritura, é comparada com a idolatria, pois vem acompanhada de uma atitude e de um modo de vida. No desejo de possuir, o homem não se importaria em pisar, massacrar e destruir tudo e todos ao seu redor, a fim de que, pudesse alcançar o seu objetivo. Desse modo, a Ganância não se refere somente aos bens materiais, mas, indica um modo de vida marcado pela despreocupação total com os outros e uma centralização em si mesmo.

        

Num primeiro momento, a reflexão do Evangelho pode parecer pertencente a um outro tempo, como algo que não se aplica mais no tempo presente, ou pelo menos, deveria ser revista. Isso se deve ao fato de que o modo de se organizar da sociedade atualmente, parte do princípio que o acúmulo de bens é algo a ser perseguido e que a abundância de dinheiro pode conceder a felicidade perfeita. Fazendo com que o número dos muito ricos seja cada vez menor e o dos extremamente pobres, cada vez maior, aumentando a desigualdade social e econômica, fazendo com que o mundo se torne cada vez menos humano e menos segundo o desejo de Deus. Essa proposta é fortalecida pelos meios de comunicação e pelas figuras da mídia, que sempre se apresentam cheias de possibilidades e rodeadas do luxo e conforto desmedido. Uma imagem que é vendida sem pudores e, por isso, comprada facilmente por uma grande parte da população. Porém, mesmo os que se deixam apresentar desse modo, em sua grande maioria, sofrem as consequências de suas escolhas, sendo marcados por angústias e vazios profundos. Possuem tudo o que muitos desejam, mas, ainda assim, não encontraram um sentido profundo para a própria vida, algo que os ofereça a paz e tranquilidade.

        

Jesus ao responder a pergunta que lhe fora feita no Evangelho, apresenta um modo de vida livre do desejo de acumular bens, marcado pela liberdade interior de quem sabe o que, de fato, tem valor na vida. Não como um ideal impossível de ser alcançado, mas, como um caminho a ser percorrido passo a passo, dia após dia. Pois, a libertação do modo de vida marcado pela ganância e pela busca desenfreada pelos bens materiais, não é algo simples. De fato, romper com a lógica vigente é um desafio constante, porém extremamente necessário, a fim de que o homem não perca a si mesmo, numa busca que o colocará sempre mais centrado em si e distante dos outros. O egoísmo que corroí o coração do homem o fecha totalmente aos outros e a qualquer outra coisa que não lhe diz respeito, fazendo com que a sua vida seja marcada por um crescente distanciamento e insensibilidade. Tal atitude é afrontada por Jesus, quando chama de louco, aquele que procura pautar a sua própria vida na busca desenfreada pelos bens materiais.

        

Por fim, a Segunda leitura traz uma luz capaz de romper, de modo direto, com a forma de vida marcada pela ganância e pelo não sentido da vida. Pois, quando o autor da Carta aos Colossenses indica que a vida do homem, do cristão, está escondida com Cristo, em Deus, ele aponta para  um caminho de verdadeira conversão. De fato, tal afirmação propõe o rompimento com a lógica e o modo de pensar desse mundo, marcado pela ganância, pela exclusão, que são frutos do egoísmo. O verdadeiro sentido da vida, para o cristão, chamado a ser discípulo do Cristo, está em reconhecer que a sua vida está escondida Nele. Isto significa que os valores que devem ser buscados e os tesouros que devem ser conquistados estão escritos no Coração de Cristo.

        

Isso não significa que o homem não deve se preocupar com as coisas dessa terra, ao contrário, significa que deve viver guiado por valores que não passam. De modo que, a ganância não dite o seu modo de viver, mas, sim que seus passos sejam iluminados e direcionados para a doação, a partilha, a solidariedade, a compaixão e a defesa da vida dos pequenos e pobres. De modo que cada cristão, chamado a ser discípulo missionário de Cristo, rompa com o egoísmo que a todos fecha, causando a morte e a exclusão de tantos irmãos e irmãs. De fato, o discípulo tem em Cristo o seu maior tesouro e, por isso, a sua vida deve ser sempre marcada pelos valores do Evangelho. Deve crescer na consciência de que tudo na vida passa e que somente as obras do amor serão capazes de fazê-lo ouvir um dia: "Vinde benditos de meu Pai! (...). Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me rece­bestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar".

        

Que a Celebração deste Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum possa provocar em todos uma profunda reflexão sobre o modo como cada um vive e escolhe viver. A fim de que cada cristão, chamado a ser discípulo de Cristo, possa assumir o caminho da união íntima com o Senhor como caminho de vida. De modo que a vida de todos seja marcada pelos valores do Evangelho, que apontam para a partilha e a solidariedade que rompem com o egoísmo de uma vida marcada pela ganância. Que o Senhor toque em todos os corações e convide a todos a abraçarem o caminho da simplicidade e solidariedade, principalmente, com os que mais precisam.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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