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10.07.2019

DICAS DE HOMILIA - 15º Domingo do Tempo Comum

Quem é meu próximo? - Movido de Compaixão - Vai e faze tu o mesmo

 

(Dt 30,10-14 / Sl 18B / Cl 1,15-20 / Lc 10,25-37)

 

Quem é meu próximo? - Movido de Compaixão - Vai e faze tu o mesmo

 

A Liturgia desse Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum traz, no Evangelho a Parábola do Bom Samaritano, que é a fiel imagem do Amor Compassivo de Cristo que todos os cristãos deveriam viver. A Parábola tem início a partir de uma pergunta fundamental, feita pelo Mestre da Lei, que rege todo o discurso de Jesus: Quem é o meu próximo? o Caminho proposto por Jesus é revelar o amor misericordioso de Deus que vem na direção dos seus filhos e filhas, algo que deve ser assumido por cada um que deseja ser um verdadeiro discípulo de Cristo. De fato, mais do que nunca o mundo precisa de Bons Samaritanos, homens e mulheres capazes de gestos, atitudes e escolhas concretas de amor, que vivam o dia a dia, por meio da compaixão e da misericórdia.

 

No Evangelho de Lucas, Jesus, ao ser interrogado pelo doutor da Lei sobre como se poderia alcançar a vida eterna, indica os mandamentos da Lei de Deus como um caminho a ser seguido. Algo que retoma a Primeira Leitura quando afirma que os mandamentos da Lei de Deus estão perto do coração do homem, ao seu alcance. Ao responder prontamente a questão levantada por Jesus ele o interroga sobre a identidade do próximo, isto é: E quem é o meu próximo? Partindo deste ponto, Jesus propõe a parábola do Bom Samaritano, uma das mais belas e instigantes passagens da Sagrada Escritura, pois nela se torna presente o imenso amor do Pai que se fez próximo por meio de Seu Filho, que tomou a humanidade nos braços e curou as suas feridas.

        

Os ensinamentos e atitudes de Jesus, principalmente voltados para os seus discípulos, retratados nos Evangelhos, revelam a preocupação clara do Senhor em direcionar os olhos e os corações dos que o seguiam para os preferidos de Deus. Esses são os pobres, os pequenos, os excluídos, os doentes, os pecadores, as mulheres, as crianças, enfim todos os que de alguma forma perderam a sua dignidade e o seu lugar na sociedade. No discurso escatológico de Mateus, Jesus é claro ao afirmar onde está alguém com fome, sede, nu, sem teto, doente, estrangeiro ou preso, ali Ele mesmo se encontra. Desse modo, a pergunta do Mestre da Lei é respondida por Jesus, quando ele descreve a situação do homem que foi roubado e deixado quase morto caído na estrada. Sendo assim, o Senhor que veio dar a vida a todos, deseja abrir os olhos de seus discípulos e discípulas para a verdade de sua presença junto a todo sofredor e, mais ainda, a sua presença no pobre sofredor. Convidando assim a todos os que o desejam seguir a reconhecer como próximo todos os homens e mulheres dessa terra, pois, onde sofre e morre alguém, lá está o próximo.

          

Na pergunta do doutor da Lei existe uma interrogação clara sobre o que se devia fazer para ganhar a vida eterna, ao retornar ao mesmo a pergunta sobre os aspectos da Lei de Deus, Jesus propõe um olhar mais profundo sobre a relação existente na Lei entre o amor a Deus e o amor dirigido ao próximo. O amor a Deus e ao próximo como a si mesmo são claramente descritos na Lei de Deus, a tradição rabínica desenvolveu uma série de "obras de misericórdia" que deveria ser cumprida para que ambos os aspectos da Lei fossem contemplados. Sendo assim, Jesus quer apresentar ao Mestre da Lei o caminho necessário da Misericórdia, a atitude concreta da Compaixão

        

No caso da parábola do Bom Samaritano, Jesus escolhe contrapor a misericórdia à prática da Lei, isto é, quando as disposições da Lei estão colocadas de forma oposta aos deveres para com a caridade. Deste modo, o sacerdote, de fato, não podia tornar-se impuro tocando um homem quase morto na estrada, da mesma forma o levita não o poderia fazê-lo sob pena de não poder exercer o seu ofício no templo. Todavia, a tradição rabínica dizia que todos deveriam fazer o possível para salvar a vida de um homem, identificando-o como o próximo que necessitava de ajuda.

        

Mas, ambos, o sacerdote e o levita, preferiram se valer do preceito da pureza legal, diante de um homem quase morto, ao mandamento da Lei que indicava o cuidado para com o próximo. Pode-se dizer que, em seu modo de pensar, eles preferiram o amor às coisas que diziam respeito a Deus, o culto e a sua pureza, ao amor ao próximo que estava ali agonizante. Neste momento aparece o samaritano, ele teria todas as razões possíveis para passar adiante, mas não o faz. Ele foi Movido pela Compaixão, o mesmo sentimento, a mesma atitude que enchia o coração de Jesus quando via os pecadores, os sofredores, os marginalizados, as multidões. A compaixão foi tão forte dentro deste homem, que moveu os seus olhos para ver o homem caído e sofredor diante dele; tocou o seu coração para que ele parasse; impulsionou os seus pés para que se dirigisse na direção do moribundo e fez que das mãos daquele  homem da Samaria,  fluísse o amor gratuito e comprometido.

          

No final da parábola o doutor da Lei é interrogado de novo por Jesus, e ao responder de forma correta recebe do Senhor o envio: "Vai, e também tu, faze o mesmo". A questão que se coloca não é a de saber quem é o próximo, mas sim, de se fazer próximo do outro, de se colocar ao seu lado e de estar aberto às suas necessidades. Ao dizer isso, Jesus convida ao doutro da Lei para seguir com Ele na direção do amor misericordioso do Pai, para que ele se deixasse investir da misericórdia divina. Assim fazendo, ele seria capaz de não só compreender a Lei, mas de vivê-la nas mais variadas situações da vida diária. Pois o Amor deve se estender até aos inimigos, isto é, existe um empenho, é uma estrada a ser trilhada por aqueles que desejam seguir Cristo como seus discípulos. Sendo assim, viver na presença de Deus, não significa somente fazer algumas coisas, mas tudo fazer animado pela lógica do Amor, principalmente direcionado aos pequenos e pobres, aos sofredores e excluídos. Somente o Amor consegue abraçar todas as coisas e dar sentido a vida inteira, inserindo o homem numa dinâmica de vida nova que nasce no coração de Cristo. Neste caso, Jesus ao convidar o Mestre da Lei a fazer o mesmo que o Samaritano fez, Jesus indica um caminho para todos os seus discípulos e discípulas. Isto é, todos devem crescer e comprometer-se com o Amor fraterno como caminho de vida. Assim fazendo o discípulo alarga o seu pequeno coração e, animado pelo Amor que Deus derrama em seu coração, segue no caminho do Amor fraterno, como sendo uma escolha reproposta a cada dia. Esse é um caminho para a vida inteira, uma estrada a ser seguida passo a passo e dia a dia, no sentido de traduzir nas escolhas e postura de vida, nas ações e palavras, o Amor que cada um é chamado a doar aos irmãos e irmãs.

        

Que a liturgia desse Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum possa provocar os corações a uma profunda e sincera conversão, de modo que todos sejam capazes de encontrar e saber onde está o seu próximo. A fim de que os gestos de Compaixão e Solidariedade se multipliquem, como um sinal claro do Reino.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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