28 2101-7603

Home / Dicas de homilia

15.05.2019

DICAS DE HOMILIA - 5º Domingo da Páscoa

Eis que faço Novas todas as Coisas - A Glória do Amor Fraterno - A Construção do Mundo Novo

 

(At 14,21b-27 / Sl 144 / Ap 21,1-5a / Jo 13,31-33a.34-35)

 

"Eis que faço Novas todas as Coisas" - A Glória do Amor Fraterno - A Construção do Mundo Novo

 

A Liturgia da Palavra do Quinto Domingo da Páscoa traz na Segunda Leitura do Livro do Apocalipse a novidade de Deus, na imagem da Jerusalém Celeste, a Cidade Santa. Da qual se ouve a voz do Senhor que afirma: "Eis que faço Novas todas as Coisas". Os cristãos marcados pela ressurreição do Senhor, por meio do Batismo que receberam, são inseridos na dinâmica da Vida Nova, fruto da vitória do Senhor sobre a morte. Nestes, chamados a serem discípulos missionários de Jesus Cristo, deve brilhar a glória do Amor, isto é, manifestação clara da presença do Ressuscitado em suas vidas.

        

O autor do Apocalipse vê o mundo e o cosmos não como um conjunto de belezas, de forma poética e abstrata, nem mesmo como a sua grandeza e junto dela a manifestação da presença de Deus. Ele vai além disso, o autor propõe uma visão do cosmos e dentro dele percebe a presença de Deus. Não de forma que Deus se perderia e se misturaria com o cosmo, mas ele entende que o ponto de chegada da salvação operada por Cristo é a superação da distância entre a Deus e os homens. Sendo assim, o mundo não foi criado, ele continua sendo criado, pois, Deus está ainda levando o mundo dos homens, a criação inteira a um nível de realidade nova. A sua ação contínua no mundo indica a sua presença na história humana, ao mesmo tempo que demonstra o seu desejo de envolver o homem nessa transformação gradual do criador.

        

No Livro do Apocalipse muitas vezes encontra-se o adjetivo "novo", que não significa somente o trocar algo usado por algo novo, mas indica algo bem mais profundo, que vai na direção da plenitude desejada por Deus para a sua criação. Sendo assim, fica claro que a presença de Cristo junto desse movimento contínuo de renovação e plenificação do cosmos é bastante sentida no texto do Apocalipse. Desse modo, a visão apresentada na Segunda Leitura, do Livro do Apocalipse, indica a ação divina na história dos homens, na qual o símbolo da Nova Jerusalém recolhe em si todas as esperanças de Israel. Pois, a Cidade de Jerusalém evoca sobre si a promessa de Deus, sua Aliança com o povo eleito, o Dom da Terra e da Lei, isto é, a união íntima do Senhor com o povo que elegeu.

        

Ao longo da história, a Cidade Santa passou por duras provações e grandes destruições, sem, contudo, perder o seu valor de Cidade símbolo da promessa de Deus para o seu povo escolhido. Tal esperança é fortalecida pelos textos do Primeiro Testamento, que proclamam o cuidado de Deus para com a Cidade de Jerusalém, fazendo com que o povo mantivesse sempre os olhos voltados para o horizonte futuro. Sendo assim, a imagem proposta pelo autor do Livro do Apocalipse vem de encontro às mais vivas expectativas e esperanças de Israel, que sempre aguardou ansioso a manifestação gloriosa do Senhor.

        

O olhar do autor se volta para as grandes esperanças do povo, ao longo de toda a sua história, de maneira especial, baseando-se nas promessas do Senhor de coisas novas, como apresenta o profeta Isaías (IS 43,16-17). Sendo assim, ao apresentar a Cidade de Jerusalém, como a Esposa do Cordeiro, que desce do céu, vindo ao encontro do esposo, o autor do Apocalipse indica que é o Ressuscitado o portador da novidade de Deus. É o Cristo Morto e Ressuscitado que realiza a transformação total do Universo Criado, ou seja, Neles são feitas Novas todas as Coisas, é Ele  Aquele que apresenta ao mundo um caminho totalmente novo. Nele é manifestada a fidelidade de Deus às suas promessas, pois, em Cristo, todas as realidades criadas são renovadas, fazendo surgir a Nova Criação. Por meio de Sua Morte e Ressurreição ocorre uma ruptura entre o mundo velho, marcado pelo pecado e pelo egoísmo. Fazendo surgir um mundo novo, uma estrada nova, a Cidade Nova, a Jerusalém Celeste que é Cidade que acolherá todos os filhos e filhas de Deus.

        

A grande promessa de transformação do Mundo inteiro marca decisivamente a vida da Comunidade dos Discípulos Missionários, que é chamada a ver os sinais da novidade de Cristo na história. Por vezes, esses sinais ainda em gérmen, ou seja, pequenos e frágeis estão escondidos entre os muitos sinais de morte e exclusão que ainda predominam, no mundo. Os sinais de Cristo estão presentes na vida de muitos homens e mulheres espalhados pelas cidades e campos, irmãos nas Comunidades Eclesiais de Base. Pessoas marcadas pela novidade da Ressurreição de Cristo que vivem como novas criaturas, buscando no Senhor a profunda renovação de suas vidas, a força e a coragem, para promoverem a renovação do mundo inteiro. Desse modo, inseridos na sociedade são chamados a multiplicar os sinais da ressurreição, os sinais da vida nova em Cristo, por meio do seu compromisso de Fé e, sobretudo, por um Amor Renovado.

        

A grande novidade que o Quarto Evangelho apresenta é o caminho do Amor Fraterno, que nada mais é do que a manifestação da Glória de Cristo, no mundo. De fato, a Glória de Deus é a manifestação visível do Deus invisível, isto é a sua ação salvífica na história dos homens. Segundo a afirmação do Evangelho, Jesus é a manifestação plena do Pai, a imagem visível do Deus invisível, que continua agindo na vida dos homens, em vista de sua salvação e libertação. Algo que se manifesta de forma plena em sua Cruz, momento de sua total glorificação, segundo as palavras do evangelista. A Cruz de Cristo é a imagem concreta de um amor que doa a própria vida, capaz de chegar até às últimas consequências, para a salvação da humanidade. Desse modo, a Glória de Deus se manifesta no amor de Cristo por toda a humanidade, o que faz de todo gesto de amor, uma manifestação gloriosa do Senhor.

        

A grande novidade da Liturgia da Palavra desse domingo é a apresentação da força renovadora do amor de Cristo, algo que foi manifestado de forma clara em sua vida, em sua entrega e morte na cruz e em sua ressurreição. Ao indicar o Caminho do Amor Fraterno aos seus discípulos, Jesus o apresenta como a ação gloriosa do Reino de Deus e como a fonte da vida da Igreja, por ser o amor a sua língua e o seu idioma. No Evangelho Jesus envia os discípulos com a força do seu amor e os chama a viver esse amor no dia a dia, um modo de vida que nasce a partir de Sua entrega na Cruz. Não somente um amor de palavra, mas, sobretudo, uma atitude concreta, algo que faz do cristão alguém capaz da doação total de sua vida. Um empenho sincero e constante na promoção da vida, no seu resgate, uma atitude de amor capaz de mover os corações na direção dos que mais precisam.

        

O Amor Fraterno é a fonte da grande novidade mencionada no Evangelho e que encontra no texto do Apocalipse a sua confirmação, quando se ouve nos lábios Daquele que venceu a morte, o próprio Jesus, as seguintes palavras: "Eis que faço novas todas as coisas". A grande novidade do Reino está nesse amor, que vai além dos limites estabelecidos e faz surgir, nessa terra, um novo modo de vida, próprio dos discípulos e discípulas missionários do Senhor.

        

Não é por acaso que nas últimas páginas e palavras da Sagrada Escritura encontra-se descrito o mundo como deve ser, em seu contínuo movimento de renovação. A apresentação do novo céu e de uma nova terra, como uma realidade renovada pela presença de Cristo e pela sua novidade, algo que continua a acontecer, na história, por meio das mãos operosas dos cristãos. A Jerusalém no Apocalipse é uma cidade, expressão da convivência humana, o mundo humano, pois da mesma forma que o mundo é renovado, também o é a humanidade inteira. Sendo assim, segundo as palavras da Igreja contidas no Concílio Vaticano Segundo, a esperança do Reino futuro não deve fazer com que os homens não se preocupem com o mundo presente, mas, ao contrário, se apliquem na sua inteira renovação. Isso significa que assim como a ressurreição a redenção do universo não é algo científico, mas, religioso e depende diretamente da redenção do homem.

        

No amor de Cristo manifestado aos seus discípulos e à humanidade inteira, por meio de sua Morte na Cruz torna-se o caminho único para a renovação de todo o universo. O mundo será transformado por meio de atitudes concretas de Amor Fraterno, que devem marcar a vida de todos os cristãos. Assim se apresenta a proposta de Jesus a todos os cristãos, um caminho de crescimento e amadurecimento no amor, que vai até às últimas consequências, capaz de criar uma realidade nova.      A plenificação do mundo passa pela renovação de uma esperança comunitária, da passagem de um mundo marcado pelo individualismo e pela exclusão dos mais pobres, na direção da construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. Enfim, a mudança dos valores deve ser algo a ser perseguido com insistência, pois, somente marcados pelo amor criativo de Cristo, os cristãos, os homens e mulheres de boa vontade serão capazes de atuarem na construção da Casa Comum para a humanidade inteira, da Jerusalém Celeste, dos novos céus e nova terra, onde todos terão lugar.  

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

Seja o primeiro a comentar

Informativo

Cadastre seu e-mail e receba informações mensais da Diocese.


  diocese@diocesecachoeiro.org.br

  28 2101-7603

Google Play

Rua Costa Pereira, 41 - Centro

CEP: 29.300-090 - Cachoeiro de Itapemirim - ES

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

 

© Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Todos os direitos reservados.

 

Produção / Cadetudo Soluções Web