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07.05.2019

DICAS DE HOMILIA - 4º Domingo da Páscoa

O Pastor Doa a Vida - O Rebanho de Testemunhas - A Missão dos Discípulos Missionários

 

(At 13,14.43-52 / Sl 99 / Ap 7,9.14b-17 / Jo 10,27-30)

 

O Pastor Doa a Vida - O Rebanho de Testemunhas - A Missão dos Discípulos Missionários

 

A Liturgia da Palavra do Quarto Domingo da Páscoa apresenta no Salmo Responsorial e, especialmente no Evangelho a imagem do Bom Pastor. No qual é ressaltada, de maneira especial, a Oferta da Vida do Pastor por seu rebanho e a Sua Íntima Comunhão com o Pai. Na Segunda Leitura encontra-se o relato do Livro do Apocalipse que traz a cena da grande multidão, que são as Testemunhas da Vitória de Cristo sobre a morte. Por fim, tanto o Evangelho, quanto a Segunda Leitura estão intimamente unidos, pois, aqueles que trajam as roupas brancas são os verdadeiros discípulos missionários. Esses que são chamados à Missão de  testemunhar o amor do Pastor que se entrega para a salvação da humanidade.

        

A experiência religiosa de Israel é marcada pela presença do Senhor como o Pastor de seu povo eleito, uma imagem que recolhe em si as mais profundas esperanças e anseios dos filhos e filhas de Israel. Algo que está presente no Salmo Responsorial, pois, o salmista canta a alegria do povo eleito em ter como Pastor, o Senhor que o escolheu. Nele, o povo sente-se acolhido e cuidado, ouvido e atentamente conduzido, nos caminhos de sua história. A esperança do povo está na fidelidade do Senhor, que sempre manifesta a sua bondade e misericórdia, mesmo diante do afastamento e dos pecados de seu povo eleito. Tal experiência retratada no Salmo reflete a mesma feita ao longo da história pelo povo eleito, que sendo o menor de todos os povos, o mais fraco de todos, sempre recebe gratuitamente o amor do Senhor. Essa confiança no Senhor nasce na certeza da presença divina em cada passo que o povo deu, seja nas grandes vitórias, como também nos momentos de grandes tribulações. O Senhor sempre foi fiel ao seu povo e a sua fidelidade se manifesta ainda mais palpável em seu Filho que, como Bom Pastor, oferece a sua vida em resgate de todos.  

        

No Evangelho proclamado, a imagem do Pastor retorna quando o próprio Jesus afirma ser Ele o Pastor, aquele que dirige a Palavra às suas ovelhas, pois Ele as conhece e as ovelhas a Ele. Ele também é capaz de dar a vida por suas ovelhas, sendo fiel à sua íntima Comunhão com o Pai, que o enviou. De fato, o pastoreio de Jesus se baseia na oferta da sua própria vida, como um vínculo irrenunciável estabelecido por seu desejo em cumprir a vontade do Pai. Sendo assim, Ele se coloca ao lado de todas as ovelhas de seu rebanho, sem distinção e particularismos, pois, assume plenamente o seu papel como Bom Pastor. Desse modo, o que emerge do Evangelho é que, Jesus ao se apresentar como o Bom Pastor, não pede que ninguém dê a vida por Ele, ao contrário, é Ele mesmo que afirma oferecer a sua por suas ovelhas.

        

O Bom Pastor, por meio de suas palavras e atitudes, coloca-se à frente do rebanho, expõe-se aos perigos, assume as consequências de conduzir as suas ovelhas nos caminhos tortuosos do mundo. Sendo assim, o seu pastoreio é verdadeiro, pois, assume o lugar daquele que é capaz de dar a sua vida para que as suas ovelhas tenham a vida em plenitude. Aqui se encontra a diferença entre o mercenário e o Bom Pastor, já que o primeiro, preocupa-se consigo mesmo e com os seus próprios interesses, ele, ao ver o perigo, abandona o rebanho e foge. O Bom Pastor, por sua vez, é determinado pela sua decisão em proteger as ovelhas diante dos perigos, e, por isso, é capaz de dar a sua vida pelo rebanho a ele confiado.

        

Na Segunda Leitura, no relato do texto do Apocalipse aparece uma grande multidão, como um Rebanho de Testemunhas, que somam de cento e quarenta e quatro mil. Segundo o texto, eles lavaram e alvejaram as suas vestes no Sangue do Cordeiro, trazendo palmas nas mãos e com um canto novo em seus lábios. O sinal simbólico desta cena deve ser compreendido, de modo que seja vivenciado por todos os batizados, como algo que toca a Comunidade Eclesial de Base ainda nos dias de hoje. O número é o resultado da multiplicação das doze tribos de Israel pelo número dos doze apóstolos de Cristo e pelo número mil, que expressa algo incontável. Desse modo, encontra-se presente nesta multidão, que não se pode contar, todo o povo marcado pela Aliança de Deus com os seus, selada definitivamente pelo sangue de Cristo, derramado na cruz.

        

Esse grande número de Testemunhas, reunido pelo Pastor e por Ele conduzido, lavou as suas vestes no sangue do Cordeiro, ou seja, foi mergulhado na vida nova em Cristo, pelas águas do batismo. Esses discípulos missionários trazem nas mãos as palmas da vitória sobre o martírio, sinais claros de que assumiram até às últimas consequências, o chamado do Senhor que receberam. De fato, a sua união à Cristo, o Bom Pastor, de maneira especial em Sua entrega na Cruz, selou a vida desses fiéis para sempre. Pois foram formados na intimidade do Pastor que lhes revelou o plano de amor do Pai de resgatar a humanidade inteira, o qual eles também assumiram, em suas próprias vidas. Desse modo, formados pelos cuidados do Bom Pastor, marcados por Sua entrega na Cruz, eles também fazem, por meio de suas escolhas e posturas de vida, o mesmo caminho de entrega e total abandono nas Mãos do Pai. Tornam-se assim, testemunhas do Pastor Crucificado Ressuscitado, Daquele que morreu na Cruz, mas, Ressuscitou e Vivo está. Com as vestes brancas e as palmas da vitória, eles entoam o canto Novo que é a exaltação dos feitos salvíficos do Bom Pastor.

        

Os discípulos missionários de Jesus Cristo, formados na escola do Bom Pastor, recebem do próprio Senhor os maiores ensinamentos para a sua Missão. De fato, em sua intimidade com Cristo, o Bom Pastor, e confiando em seu grande amor, todos são introduzidos na comunhão com o Pai. De modo que, os que fazem tal experiência, sejam tocados pelos cuidados divinos e levados à uma relação intima com o Bom Pastor que lhes garante a vida plena. Como fruto dessa contínua relação, eles são também formados, pelas Palavras e Gestos do Pastor, para enfim serem enviados a manifestarem o mesmo cuidado para com os irmãos e irmãs, mais necessitados.

        

Todos os que foram mergulhados na morte e ressurgiram com Cristo para a vida nova, aqueles que trazem as vestes brancas e as palmas nas mãos, manifestam a sua adesão plena à Missão do Bom Pastor. Uma vocação e missão de manifestar ao mundo, por meio de gestos concretos, o amor do Pai. Sendo assim, a missão do cuidado para com o outro, por meio de um amor fraterno e solidário, nasce da relação de profunda intimidade com o Pastor, que a todos revela o infinito amor do Pai. É o Pastor que conhece as ovelhas, sabe de suas necessidades e se coloca ao lado delas, principalmente próximo dos pequenos e pobres. Desse modo, na relação contínua com o Pastor, os Discípulos Missionários são formados e despertados a reconhecerem as dores dos que vão perdidos. Tornando-se capazes de se colocarem ao lado dos que sofrem, com a compaixão e a solidariedade, próprias do Bom Pastor.

        

A Missão dos Discípulos Missionários, reunidos ao redor e sob os cuidados contínuos do Bom Pastor, é a de revelar os cuidados de Deus para com todos os que sofrem ainda hoje. Homens e mulheres capazes de gestos e atitudes concretos de amor, solidariedade e compaixão, principalmente com os excluídos e necessitados. De modo que em todas as Comunidades Eclesiais de Base surjam verdadeiros Discípulos Missionários, capazes de gestos próprios daqueles que foram formados na escola do amor do Bom Pastor que é Cristo.

        

Que a liturgia desse Quarto Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, todos se sintam acompanhados pelos cuidados Daquele que por todos ofereceu a sua própria vida. A fim de que, nessa relação íntima de confiança e compromisso, sejam formados verdadeiros Discípulos Missionários, Testemunhas dos cuidados do Bom Pastor. Homens e mulheres formados na escola do Pastor e enviados para a Missão, como sinais claros do amor, do cuidado e da companhia divida, principalmente junto daqueles que mais precisam.  

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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