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13.03.2019

DICAS DE HOMILIA - 2º Domingo da Quaresma

A Fé de Abraão - A Aliança em Cristo - A Vocação dos Discípulos

 

(Gn 15,5-12.17-18 / Sl 26 / Fl 3,17-4,1 / Lc 9,28b-36)

 

A Fé de Abraão - A Aliança em Cristo - A Vocação dos Discípulos

 

O Segundo Domingo da Quaresma traz no Evangelho a Transfiguração do Senhor, momento no qual Jesus se revela totalmente aos seus discípulos, antecipando, diante deles, o que deveria sofrer em Jerusalém, bem como, um preanuncio de sua ressurreição. A Primeira Leitura apresenta a experiência que fez Abraão e a sua Fé diante da promessa divina, um pacto que sela para sempre o compromisso de Deus com o seu povo eleito. No Evangelho de Lucas, Jesus transfigurado, dialoga com Moisés e Elias, sobre o seu caminho até à Cruz, momento no qual Ele selará para sempre a Aliança Eterna com o seu sangue derramado. Na Segunda Leitura, o apóstolo Paulo dirige uma palavra iluminadora aos cristãos de Filipos, indicando aos mesmos à qual vocação são chamados: são cidadãos do Céu.

        

A Primeira Leitura retrata a experiência que Abraão fez com o Senhor, momento no qual ele é convidado, uma vez mais, a sair de si e ir na direção da promessa divina. No relato, Deus convida Abraão a sair de sua tenda, ele que anteriormente já tinha abandonado a sua terra e o seu povo, para seguir o chamado do Senhor. Abraão não se deixa levar pelo medo, ou até mesmo, pela insegurança, mas, decide oferecer-se totalmente nas mãos do Senhor. O texto indica que ele professa a Fé diante da promessa divina e assume para si aquilo que o Senhor o apresentava, como um longo caminho a ser seguido, na confiança e esperança. O Senhor promete grande descendência e posteridade abençoada, a um homem idoso, casado com uma mulher estéril, que, por isso, não tinha filhos. Tudo isso, pode parecer profundamente contraditório e, de certo modo, impossível de ser realizado, já que a promessa feita ao servo de Deus o levaria numa outra direção.

        

No coração de Abraão, possivelmente, muitas perguntas poderiam ter aparecido, visto que, toda a sua história deveria ser modificada, a fim de que a promessa do Senhor pudesse ser cumprida. Porém, a dúvida não foi a palavra final na vida desse homem, mas, sim, a Fé, ele acreditou e foi justificado, isto é, colocou a sua total confiança no Senhor e pode ver a Palavra a ele dirigida se cumprir. Ao professar a sua Fé, Abraão sela com o Senhor um compromisso de fidelidade, algo que também é confirmado pelo próprio Senhor diante daquele que Ele chamara. O texto bíblico apresenta a cena da chama que passa entre os animais mortos e separados por Abraão. Tal gesto recorda algo que era muito comum entre os homens que selavam compromissos e alianças mútuas, isto é, ao firmarem um pacto, passavam entre animais mortos empenhando a sua palavra no que fora acordado. O sentido era o de que, caso alguma das partes violasse o pacto, o que aconteceu com os animais poderia com esse indivíduo também ocorrer. Sendo assim, Abraão vê, diante de seus olhos, a chama passar por entre os animais, algo que representa a gratuidade de Deus que assume um compromisso com os homens, ressaltando, pelo gesto, que tal empenho nunca será revogado. Esse é um dos momentos mais altos da revelação bíblica, pois indica o modo como Deus se une à história da humanidade, para sempre, selando uma Aliança gratuita e marcada por uma escolha de Amor. Deus não abandonará jamais o homem, mesmo quando esse colocar-se contra Deus, pois Ele se une aos homens por uma Aliança Eterna.

        

No Evangelho de Lucas, o texto da Transfiguração possui um caráter diferente dos encontrados nos Evangelhos de Marcos e Mateus, o que garante uma continuidade com a reflexão à respeito do desejo de Deus de se fazer presente na história da humanidade, segundo o que foi refletido na experiência de Abraão. De fato, em Lucas, Jesus aparece conversando com Moisés e Elias, sobre o seu êxodo até a cidade de Jerusalém e sobre tudo que lá deveria acontecer. A indicação sobre o que conversavam é a expressão clara de que o evangelista apresenta o caminho de Jesus até a cidade Santa, como sendo parte do desejo de Deus de se fazer presente na história da humanidade. Ou seja, Deus confirma a sua Aliança com a humanidade, reafirmando a sua promessa de salvação, de presença sempre constante. Algo que é confirmado também pelos símbolos da tenda, que Pedro deseja armar para que fiquem na montanha, lembrança das tendas do deserto, bem como, da nuvem que os encobre, que recorda a coluna de nuvem que acompanhava o povo de Israel em sua peregrinação rumo à terra prometida.

        

No momento de sua transfiguração, Jesus dialoga sobre a sua cruz, indicando o caminho que deveria percorrer até Jerusalém, mas, sobretudo, apontando para a Aliança Eterna celebrada na sua cruz. De fato, na cruz de Cristo, o próprio Senhor que será julgado pelos homens, marcando tal julgamento com a palavra do perdão, pois colocado entre os malfeitores, Jesus eleva ao Pai um pedido de perdão para aqueles que o crucificaram: "Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem" (Lc 23,34). A Aliança é concluída pelo mais alto gesto de Amor, quando o Filho doa a sua vida, para que a humanidade fosse resgatada. Não mais uma chama que passa entre os animais mortos e separados, como ocorre com Abraão, mas o Filho que se coloca entregue entre os pecadores, selando com a vida, uma Aliança que jamais será rompida e nem mesmo abolida.

        

Na Segunda Leitura, o apóstolo Paulo se dirige aos cristãos da Comunidade de Filipos, ressaltando a sua vocação como cidadãos do céu, isto é, homens e mulheres que abraçaram a cruz de Cristo e Nele professaram a sua Fé. O apóstolo ao afirmar que todos os que seguem o Senhor no caminho do discipulado missionário, são marcados por uma vocação, que os une diretamente ao Senhor. Como cidadãos do céu, Paulo não entende, pessoas marcadas por uma vivência da Fé desencarnada, ou até mesmo, longe das realidades dessa terra. Ao contrário, em muitas passagens o apóstolo afirma a necessidade de que todos sejam renovados por meio da experiência com o Senhor ressuscitado, assumindo uma vida nova, como novas criaturas, isto é, cidadãos do céu. A fim de que renovados, pela obra do Espírito Santo, possam tocar e transformar, por meio do testemunho, do compromisso, do anúncio e da denúncia, as realidades do mundo em que vivem. Desse modo, afirmar que, por vocação os cristãos, chamados a serem discípulos missionários, são cidadãos do céu, Paulo indica um modo de estar no mundo. Ou seja, viver marcados pela Fé, Esperança e Caridade, próprias daqueles que selaram com o Senhor um compromisso de Aliança. De modo que, onde estiver um discípulo de Cristo, a realidade seja iluminada pelos valores do Evangelho, pelos valores do Reino de Paz, Justiça e Solidariedade. Assim sendo, a Fé professada será confirmada pelo modo como cada um vive e se coloca diante dos desafios que ainda estão presentes no mundo, fazendo com que o mesmo, pouco a pouco, se torne mais de Deus, para ser mais de seus filhos e filhas.

        

Que a liturgia desse Segundo Domingo da Quaresma confirma em todos os corações o desejo de fazerem a mesma experiência que fez Abraão, o Pai da Fé. De modo que na celebração da Aliança com o Senhor e no desejo de viver segundo os seus desígnios marque a vida de toda a Comunidade Eclesial de Base. Chamada a formar, por meio da profissão de Fé e da contínua formação, cidadãos do céu, vivendo na terra. A fim de que a Campanha da Fraternidade e os seus apelos possam ecoar profundamente em todos, a fim de que o compromisso na construção de uma sociedade mais justa seja assumido por todos. As Políticas Públicas são compromisso e dever do estado, mas, devem ser revindicadas por todos, a fim que os menos favorecidos possam ter melhores condições de vida, isso é trazer um pedaço do céu para a terra, e isso somente os cidadãos do céu são capazes de fazer.       

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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