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06.03.2019

DICAS DE HOMILIA - 1º Domingo da Quaresma

A Tentação do Pão  - A Tentação do Poder - A Tentação Religiosa

 

(Dt 26,4-10 / Sl 90 / Rm 10,8-13 / Lc 4,1-13)

 

A Tentação do Pão  - A Tentação do Poder - A Tentação Religiosa

 

O período da Quaresma é marcado por um apelo à conversão que a Igreja dirige aos seus filhos e filhas, marcando esse tempo pela oração, pelo jejum e pela caridade fraterna. A acolhida da Palavra de Deus é o espaço onde nasce a verdadeira conversão, uma etapa de um percurso que leva o cristão a uma vivência dos valores do Evangelho na vida diária. Nesse espaço de conversão a acolhida do Reino faz com que o fiel se torne discípulo de Cristo, seguindo os seus passos e vencendo todas as tentações do caminho do discipulado missionário.

        

Na Liturgia desse Primeiro Domingo da Quaresma, no Evangelho de Lucas, Jesus é conduzido pela força do Espírito Santo para o deserto, momento em que Ele será tentado pelo demônio. Ele sai vencedor de todas as tentações por meio da Força da Palavra de Deus e de sua escolha de ser fiel ao Pai. Ele vence as três tentações: a do pão, oferecendo a sua própria vida, a do poder, colocando-se à serviço e, por fim, a tentação religiosa, indicando o caminho de comunhão com o Pai e solidariedade com os irmãos e irmãs.

        

No Evangelho, Jesus cheio e conduzido pelo Espírito Santo, dirige-se ao deserto, no qual será colocado à prova, tentado pelo demônio. A palavra tentação, sempre esteve ligada diretamente ao pecado, como uma ocasião que poderia provocar um total afastamento de Deus. Porém, no grego, a palavra tentação refere-se, muito mais, à uma verificação, ou uma prova, podendo ser uma ocasião ou situação que revela aquilo que, de fato, é cada um. Sendo assim, a tentação, mais do que, uma ocasião de possível pecado, é uma oportunidade que permite ao indivíduo saber quem é verdadeiramente, por onde está guiando a sua própria vida e, até mesmo, quais são as razões mais profundas de suas escolhas e ações. Desse modo, iniciar o período da Quaresma, com as tentações de Jesus, é uma oportunidade propícia oferecida a todos de reverem o próprio caminho, opções e ações, no intuito de firmarem os passos à Luz da Palavra de Deus.

        

As tentações de Jesus, descritas no Evangelho, são três e tocam aspectos fundamentais da Sua vida, como também da vida de cada um dos seus discípulos, de ontem e de hoje. A Primeira diz respeito ao pão, ou seja, esta relacionada à vida. O homem procura o pão cotidiano, isto é, a sua própria vida, no mundo milhões de pessoas vagam sem ter o que comer e, por vezes, estão morrendo diante do descaso da sociedade inteira. Porém, quando Jesus responde ao demônio que não é só de pão que vive o homem, ele não se refere aos famintos dessa terra. A sua resposta é endereçada a todos aqueles que vivem para si mesmos, fechados no próprio egoísmo e cegos diante das necessidades dos que vagam desamparados. Uma palavra direcionada a todos os que procuram acumular riquezas, mas, acabam por perder a sua própria vida, pois se esquecem que a vida é, em si mesma dom para o outro. De fato, em todo o Evangelho de Lucas, bem como nos Atos dos Apóstolos, a vida é compreendida como um dom a ser ofertado, um serviço aos outros, algo realizado por Jesus, em primeiro lugar e depois seguido pela comunidade de seus discípulos. Sendo assim, a maior perda é aquela que acontece, quando alguém vive para si mesmo, perde a capacidade da doação e da compaixão, busca a própria salvação e acaba por perder-si completamente. No caso de Jesus, Ele não somente vence a tentação, mas, vai além, oferecendo a Sua própria vida para que todos possam ter vida plena e abundante.

        

A segunda tentação é a do poder, algo tão atual e que toca as relações cotidianas, sendo causa de grande dor e sofrimento para muitos irmãos e irmãs. No Judaísmo, a ideia de satanás apresentado como o senhor do mundo era algo comum, sendo ele o causador das grandes dores da humanidade e problemas da sociedade. De um lado era apresentado Deus e o seu projeto para os seus filhos e filhas e do outro o demônio, com a sua sede de poder e dominação. Porém, no universo bíblico, o discurso sobre o poder não é simples, pois, ele não deve ser compreendido somente como sendo algo ruim ou que causa dano à vida. De fato, o poder possui uma função social, deve ser utilizado em prol do bem de todos e, de maneira especial, da construção do Reino de Deus, justo, fraterno e solidário. Mas, no caso da tentação de Jesus, o poder é apresentado em sua versão diabólica, ou seja, na possibilidade de absolutização daquele que o detém, na busca de domínio e posse. Na história de Israel, o poder, quando mau utilizado causou grande dor ao povo e afastamento total dos desígnios de Deus, algo que acarretou sérias consequências para o povo eleito. Jesus vence tal tentação, pois o seu desejo não é o de acumular o poder, reinar e viver a partir do domínio e da tirania. Ao contrário, a sua relação com o Pai faz com que Ele busque a concretização do Reino de Deus, algo que Ele busca pelo serviço total aos irmãos e irmãs, até chegar à doação de sua própria vida. Um serviço contínuo e incansável, que o fez chegar junto aos doentes e pobres, tocar a vida das pessoas, até morrer para que a humanidade fosse liberta de todo o mau.

        

A terceira tentação diz respeito à Cidade Santa de Jerusalém, o Templo, a Casa do Pai e toca a dimensão religiosa. Na verdade, até mesmo as coisas referentes a Deus podem ser causa de grande tentação, ocasião de perda total da comunhão com o Senhor e com os irmãos. No texto do Evangelho, o demônio recita a Palavra de Deus, procurando levar Jesus a abandonar as suas convicções e ceder às tentações. A palavra do demônio pode responder, em parte, ao desejo do homem de ter um deus particular, ou seja, quando espera uma manifestação gloriosa e extraordinária de Deus. Quando a expectativa do milagre ou a possibilidade de que ele aconteça supera largamente, o desejo de caminhar com o Senhor na confiança e constância do discipulado missionário. Quando a imagem de Deus que cada um tem, não indica para Jesus de Nazaré, nascido da Virgem Maria, que decidiu assumir as dores do mundo, tocou os pobres e marginalizados e morreu, por amor, na cruz. Sendo assim, a experiência religiosa vivida por Jesus e que garantiu que Ele saísse vitorioso das tentações, não é aquela baseada no intimismo e fechamento nas necessidades pessoais. Ao contrário, o que Ele viveu foi a experiência profunda do Amor do Pai que o enviou a ser um sinal de amor e compaixão, por meio da proximidade e da solidariedade concreta com todos, principalmente, com os que mais sofriam. Ele não esperou que Deus descesse ao seu encontro, mas, assumir descer ao encontro de todos os homens e mulheres, desceu ao abismo da impotência humana, para resgatar em todos a dignidade de filhos e filhas.  Ele escolhe a estrada da impotência, para oferecer a todos um caminho seguro para vencer a tentação de afastar-se de Deus e dos irmãos e irmãs.

      

Que a liturgia desse Primeiro Domingo da Quaresma, tempo de grande graça e conversão ilumine os corações e dirija os passos de todos na busca de uma sincera conversão. De modo que no deserto do dia a dia, acompanhados por Cristo, todos sejam fortalecidos na luta contra as tentações, principalmente aquela do abandono do caminho do discipulado missionário. Que todos possam crescer e amadurecer a fé, por meio de uma profunda experiência de Fé, capaz de direcionar os passos de todos na busca do serviço, da solidariedade e compaixão com os mais pobres.    

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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