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13.02.2019

DICAS DE HOMILIA - 6º Domingo do Tempo Comum

A Bênção da Confiança - A Bênção do Testemunho - A Bênção da Conversão

 

(Jr 17,5-8 / Sl 1 / 1Cor 15,12.16-20 / Lc 6,17.20-26) 

 

A Bênção da Confiança - A Bênção do Testemunho - A Bênção da Conversão

 

A liturgia desse Sexto Domingo do Tempo Comum é marcada pela palavra das Bem-Aventuranças, desde a Primeira Leitura que indica ser feliz, bem-aventurado, o homem que confia no Senhor, algo que se encontra também no Salmo Responsorial e, por fim, no Evangelho de Lucas. Na Primeira Leitura e no Salmo, a bem-aventurança se faz presente na vida daqueles que confiam no Senhor e no Deus de Israel depositam a sua esperança. No Evangelho de Lucas a Bem-Aventurança se encontra no Testemunho de uma vida vivida segundo os valores do Evangelho, marcada pela adesão e seguimento do Senhor. Por fim, a Bem-Aventurança leva à uma profunda conversão, algo que deve acontecer no coração daquele que ouve a Palavra e se aproxima do Senhor.

        

Na Primeira Leitura e no Salmo Responsorial, a vida do homem que caminha segundo os preceitos do Senhor e que Nele põe a sua Confiança é considerada Bem-Aventurada. Os textos utilizam as palavras bendito e feliz, para indicar a presença da graça de Deus na vida daqueles que se aproximam e caminham guiados pelo Senhor. A proposta de ambos os textos é a de fazer um paralelo entre os que ao Senhor se confiam e aqueles que se apoiam nos outros homens e em si mesmos. As imagens utilizadas evocam o ambiente próprio de Israel, marcado pela secura de suas terras e a constante necessidade de buscar a água. Tanto a Primeira Leitura, quanto o Salmo jogam com tais imagens, a fim de garantir ao leitor-ouvinte a possibilidade de fazer um paralelo entre a realidade que vê ao seu redor e a sua própria vida.

        

Ao apresentar a figura de uma árvore frondosa, cujas folhas jamais murcham, mesmo no tempo da seca, capaz ainda de produzir muitos frutos no tempo justo é muito impactante. De fato, tais árvores são bem raras, presentes, de maneira especial, no território da Galileia, que é marcado por uma vegetação mais abundante. Porém, em todo o resto do país as áreas secas são predominantes e as árvores são encontradas sempre próximas de poços naturais e até mesmo artificiais. Nesses espaços elas podem crescer e produzir os seus frutos, não sofrendo com as mudanças climáticas e nem mesmo casuais secas. Um elemento importante a ser ressaltado se encontra presente na descrição do Salmo, quando afirma que o justo, aquele que no Senhor confia, é como uma árvore plantada junto aos cursos d´água. Aqui deve se levar em consideração dois elementos, o primeiro, diz respeito ao verbo (plantada), de fato, a sua melhor tradução seria transplantada. O segundo elemento, diz respeito ao curso d´água, nesse caso, não seria um riacho já existente, mas, um canal construído propositalmente para favorecer o crescimento da árvore. Esses dois elementos são a indicação clara de que é o Senhor que cuidará, proverá condições, fará crescer e florescer a vida dos que Nele depositam a Confiança. A bênção virá como fruto dessa íntima relação com o Senhor, na qual o homem é formado à Luz da Palavra e pela ação da graça divina. Nesse sentido, a vida daqueles que confiam e caminham com o Senhor, depositando Nele a sua Confiança, será, mesmo em tempos difíceis, marcada pela abundância da graça e da bênção.

          

No Evangelho, Lucas apresenta o conhecido texto das Bem- Aventuranças, que aponta o caminho de uma vida vivida segundo os valores do Evangelho. De maneira especial, as Bem-Aventuranças apontam para o Testemunho da Fé, isto é, a vivência cotidiana e a construção do Reino de Deus. Desse modo, o evangelista chama a atenção dos fiéis para a necessidade do Testemunho de sua Fé, de maneira especial, ressaltando o fato de que todos colocam no Senhor a sua total confiança e não nas riquezas desse mundo. As Bem-Aventuranças, no Evangelho de Lucas, não se concentram sobre o aspecto moral ou até de instrução, mas, sobre a realidade concreta. Ou seja, quando afirma Bem-Aventurado os pobres, Jesus não faz alusão aos pobres em abstrato, aqueles que estão perdidos e ninguém os vê. Ao contrário, Ele indica os pobres que tinham diante de seus próprios olhos, aqueles que Ele tocou com as Suas Mãos, os que Ele alimentou e socorreu. Quando fala sobre a fome, a sua preocupação não é a fome enquanto um problema mundial, ou até mesmo uma questão sociológica. Ele olha para os famintos de sua época, ele toca as necessidades dos que tinham bem perto de Si mesmo, sente as suas dores e ouve os seus lamentos. Desse modo, os aflitos, não são homens e mulheres sem rosto, endereço, vida e sonhos, ao contrário, são homens e mulheres reais, que vivem as angústias e sofrimentos, passam as privações e estão excluídos da sociedade.

        

A Bem-aventurança, a bênção se faz presente no coração daqueles que, seguindo o exemplo e os passos de Jesus, sabem tornarem-se próximos desses que são os preferidos do Evangelho. A Alegria da vivência do Evangelho, a Bem-Aventurança, se encontra no Testemunho concreto da Fé, na possibilidade de tocar as realidades desse mundo, marcado pela exclusão e indiferença. Sendo assim, é Bem-Aventurado aquele que se coloca no caminho do discipulado missionário, reconhecendo a necessidade de aprofundar a sua relação com o Senhor que a todos ensina o caminho da vivência dos valores do Evangelho. Algo tão necessário em tempos onde os que passam por dificuldades e sofrimentos são banidos das cidades e das ruas, relegados à própria sorte. Esse convite da vivência concreta das Bem-Aventuranças não é simplesmente algo a ser feito por que muitas pessoas estão em situação de grande necessidade. Ele é um convite dirigido ao coração de cada cristão porque é parte integrante da experiência de Fé do Cristianismo, pois Deus foi o primeiro a sentir compaixão de seu povo sofrido. Por meio das Mãos Amorosas de Jesus, acolheu a todos, a todos curou e salvou, manifestando o Seu infinito amor. Por isso, os cristãos são Bem-Aventurados, cheios da Alegria e Graça do Evangelho, quando fazem de sua vida um testemunho concreto do amor e do serviço, principalmente aos que mais precisam.

        

Por fim, a Benção se faz presente na vida de todos aqueles que buscam uma sincera e verdadeira conversão, uma mudança de vida, que a todos encaminha para a vivência do Evangelho de Jesus Cristo. O texto de Lucas termina com uma série de firmes exortações, que, de certa forma, chocam, num primeiro olhar, com as Bem-Aventuranças. Todavia, elas devem ser compreendidas como parte integrante do discurso anterior, visto que, elas são o seu complemento. Toda a firme exortação de Jesus na direção dos ricos, daqueles que possuem bens está relacionada com a nova lógica do Evangelho, proposto por Jesus. Assim como as Bem-Aventuranças devem ser entendidas concretamente, da mesma forma as exortações finais desejam tocar a vida cotidiana. O homem é convidado a fazer uma revisão de seus valores, uma revisão de sua vida e buscar, de modo sincero, a conversão.

        

Quando Lucas toma o paralelo da pobreza e da riqueza, ele traz à tona algo que será apresentado no texto dos Atos dos Apóstolos, quando será proposta a Comunhão Fraterna, como sendo a marca necessária da comunidade dos discípulos missionários. De fato, a postura da partilha dos bens, a fim de que não haja necessitados na comunidade nasce no processo de conversão contínua. No qual o cristão reconhece como sendo necessária uma reavaliação de seus conceitos, do modo como organiza a sua vida e do modo como a sociedade inteira também está organizada. Sendo assim, a Bem-Aventurança da Conversão é algo a ser buscado por todos, em todos os momentos, como meio de assimilar, gradativamente, os valores do Evangelho. Desse modo, quando forem tocados os corações dos homens e mulheres, a realidade também será transformada, pois o desejo do Senhor para os seus filhos e filhas é de uma terra sem males. Um mundo mais justo fraterno e solidário, no qual todos vivem segundo a Bênção de uma vida plena em todas as suas dimensões.

        

Que a concretude da proposta da Liturgia desse Domingo seja acolhida, de modo que a vivência da Bênção do Senhor seja um caminho percorrido por todos. Que a Confiança no Senhor cresça em todos os corações, como um modo de vida, a fim de que, apoiados pela graça de Deus deem um Testemunho de uma sincera Conversão. 

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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