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06.02.2019

DICAS DE HOMILIA - 5º Domingo do Tempo Comum

Avançar para águas mais profundas - Aqui estou Envia-me - Pescadores de Homens

 

(Is 6,1-2a.3-8 / Sl 137 / 1Cor 15,3-8.11 / Lc 5,1-11)

 

Avançar para águas mais profundas - Aqui estou Envia-me - Pescadores de Homens

 

A liturgia desse Quinto Domingo do Tempo Comum trata da experiência religiosa, na qual o homem é colocado diante de Deus, que comunica a sua presença e o convida para a missão. Os discípulos, depois de terem escutado a Palavra de Jesus, são convidados a irem para as águas mais profundas, ou seja, são levados à fazerem uma experiência de Deus. Algo que também aconteceu com o profeta Isaías, que se sente pequeno diante da manifestação divina, que o envolve por completo, momento de grande contemplação, no qual, o profeta se coloca à disposição do Senhor dizendo: Eis me aqui, envia-me! Do mesmo modo, depois da pesca milagrosa, os discípulos se colocam diante de Jesus que os convida a abandonarem as redes e a se tornarem pescadores de homens.

 

Em todas as Leituras deste domingo, bem como, no Evangelho o encontro com o Senhor é parte integrante da narração, uma experiência religiosa, ou seja, a manifestação da presença de Deus aos seus filhos e filhas. A visão do profeta Isaías é algo maravilhoso, pois diante dele o céu se abre e o mesmo se sente abraçado pela presença de Deus, que se manifesta e a ele se dirige. O mistério divino lhe é revelado, não para fazer com que o profeta se sinta excluído da presença de Deus, mas que o mesmo tenha a certeza de ser por Ele acolhido. Da mesma foram, a experiência de Paulo com o Senhor foi transformadora, capaz de fazer com que um perseguidor dos cristãos se tornasse o maior anunciador do Evangelho. Do mesmo modo, os discípulos de Jesus, tendo ouvido a sua Palavra, são convidados por Ele para se dirigirem às águas mais profundas, ou seja, fazerem uma experiência profunda de Deus.

        

O relato do Evangelho de Lucas é bastante denso e cheio de detalhes importantes que fazem com que o mesmo ganhe contornos significativos, aproximando-o do que se encontra no texto de Isaías, da Primeira Leitura. De forma muito parecida Lucas faz do chamado dirigido aos primeiros discípulos um momento de manifestação do Senhor, uma experiência profunda de Fé. Jesus se encontra dentro da barca, da qual dirige a Sua Palavra à multidão, Ele se encontra rodeado daqueles que serão os seus primeiros discípulos que também o escutam atentamente. Após ter dirigido a todos a Sua Palavra, Jesus pede a Simão que se dirija às águas mais profundas para a pesca, algo que provoca uma negação direta de Pedro. De fato, depois de terem tentando durante muito tempo pescar algo, eles já tinham desistido da pesca, pois se encontravam cansados e desiludidos. Todavia, a escuta da Palavra de Jesus e o que a mesma provocou neles faz com que Pedro decida dar atenção ao que o Senhor lhe tinha pedido e se dirige para as águas mais profundas.

        

A experiência que Pedro e os demais discípulos fizeram da pesca milagrosa, só foi possível pois os mesmos acolheram a Palavra de Jesus, ou seja, foram capazes de se deixarem tocar profundamente pelo Senhor. A disponibilidade de Pedro em seguir a indicação de Jesus, não pode ser entendida a partir da lógica humana, visto que, lançar de novo as redes depois de uma noite inteira de trabalho, não seria razoável. Porém, na resposta de Pedro se encontra a chave de compreensão de seu gesto, ou seja, ele confiou na palavra de Jesus, foi capaz de acolhê-La profundamente em seu coração. Algo que o levou, bem como aos que estavam com ele, a fazerem uma profunda experiência de Fé, um encontro profundo com o Senhor a exemplo do que aconteceu com o profeta Isaías. Pedro também reconhece a sua pequenez e a santidade de Jesus, fazendo com que repita o gesto de Isaías, no intuito de afasta-se do Senhor. Tal experiência só aconteceu pois Pedro deixou-se guiar pelo Senhor para as águas profundas, não se contentou em ficar na segurança da margem, ou no espaço mais raso do lago da Galileia. De fato, os verdadeiros discípulos nascem nas águas profundas, lá onde o Senhor lhes fala aos corações e se revela totalmente, curando as suas feridas, formando-os na fé e enviando-os para a missão. Sendo assim, todos devem abandonar a multidão nas margens e ouvir o apelo do Senhor para que se dirijam às águas profundas, a fim de que à exemplo de Isaías, de Pedro, dos demais discípulos e de Paulo, também se tornem pescadores de homens para o Reino.  

        

O Senhor se aproxima de Isaías, a fim de que o mesmo reconheça a Sua presença e se coloque à sua disposição, ele que foi chamado a proclamar a Sua Palavra diante dos filhos de Israel. Nem mesmo o fato de se sentir indigno de estar diante do Senhor, faz com que o profeta deseje fugir, esconder-se do olhar divino que o alcança. Ao contrário, diante da manifestação divina, ele se reconhece pecador e impuro, não como uma confissão de pecados, mas, sobretudo, como o reconhecimento da distância que existe entre ele e o Todo Poderoso. Nesse momento de comunhão e manifestação da presença do Senhor, o profeta Isaías faz uma profunda experiência de Fé, um encontro com Deus, que marca decisivamente a sua vida. Ao ser tocado pelo poder de Deus, manifestado pela intervenção do Serafim que toca os seus lábios, o profeta sente-se confirmado e sustentado pela graça Daquele que o chamou. Algo que o faz subitamente confirmar o seu sim, desejando-se colocar inteiramente à disposição do Senhor, fazendo-se servo a ser enviado. A suas palavras: "Eis me aqui, envia-me", são fruto da experiência religiosa que acabara de fazer, sinal claro da acolhida da graça que lhe foi comunicada. Ele se coloca totalmente à disposição do Senhor, desejando fazer a sua vontade, tornando-se um portador de Sua Palavra.     

        

Tal disposição e acolhida da missão também está presente na atitude dos discípulos de Jesus, a partir do relato do Evangelho, bem como, na vida de Paulo e em sua missão, indicada na Segunda Leitura. Todos também fizeram uma experiência de Fé que foi transformadora, capaz de resignificar as suas vidas e redirecionar os seus passos. De fato, somente por meio de tal experiência é que os profetas são formados, os discípulos são gerados e enviados. Sendo assim, a experiência de Fé, a comunhão com o Senhor, os espaços de oração e escuta da Palavra são condição fundamental para o amadurecimento da fé e o comprometimento com a missão. Somente assumirão a missão como Isaías, o envio como os discípulos de Jesus a se tornarem pescadores de homens e o anúncio do Evangelho, à exemplo de Paulo, aqueles que fizerem uma experiência profunda de Deus.

        

Todos esses homens fizeram uma experiência profunda com o Senhor, tiveram um encontro único e marcante com Deus, algo que não se pode explicar com palavras, mas foi capaz de transformar as suas vidas. O profeta Isaías, diante da presença do Senhor, reconhece a sua incapacidade e limitação, mas, é acolhido por Deus e perdoado de seus pecados por um fogo que lhe aqueceu o coração e iluminou a vida. Já Paulo, diante de seu passado de perseguidor dos cristãos se vê obrigado a justificar o seu chamado e a missão que recebera, apresentando-se diante dos apóstolos. Ele reconhece a força da graça de Deus que superou toda a sua fraqueza, sendo nele a garantia do seu ministério como apóstolo de Cristo. Jesus dirige aos discípulos a força da Sua Palavra, uma Palavra capaz de indicar uma estrada nova, capaz de lhes garantir a certeza de poderem ir além e de serem enviados a realizar grandes obras. Eles pescam em águas profundas e reconhecem a verdade da Palavra de Jesus que lhes confirma como pescadores de homens e mulheres.

        

O Senhor se manifestou a cada um deles de um modo e maneira particular, fazendo-os perceber a sua presença acolhedora e misericordiosa, perdoado os pecados, fortalecendo no seguimento e enviando na missão. Todos tiveram um encontro com o Senhor, sem o qual nada do que fizeram existiria, pois, eles não foram curados, fortalecidos e enviados por si mesmos, mas, por Aquele que os acolheu em Sua presença. O início de todo seguimento, do discipulado missionário se dá pelo encontro com Cristo, que é condição necessária para que cada um faça uma experiência marcante com Deus. Somente na presença do Senhor, apoiados por Sua graça e fortalecidos por Sua Palavra é que nos tornaremos verdadeiros discípulos e discípulas missionários, pescadores de homens e mulheres.

        

Que a liturgia desse Quinto Domingo do Tempo Comum comunique a todos a necessidade de buscar a experiência com o Senhor, condição necessária para o crescimento e amadurecimento da Fé. De fato, somente seguindo para as águas mais profundas é que os verdadeiros discípulos serão formados e enviados para a missão de se tornarem pescadores de homens e mulheres para o Reino.

 

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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