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30.01.2019

DICAS DE HOMILIA - 4º Domingo do Tempo Comum

A intimidade com o Senhor - O Caminho de Jesus - O Amor na vida dos discípulos missionários

 

(Jr 1,4-5.17-19 / Sl 70 / 1Cor 12,31-13,13 / Lc 4,21-30)

 

A intimidade com o Senhor - O Caminho de Jesus - O Amor na vida dos discípulos missionários

 

A liturgia desse Quarto Domingo do Tempo Comum traz a figura do profeta como alguém escolhido por Deus, desde o seu nascimento, para anunciar a Boa Nova de sua presença e graça. O Texto do Evangelho é a continuação do proposto na semana passada, no qual Jesus está na Sinagoga em Nazaré. Suas Palavras não são acolhidas pelos seus e ele experimenta e rejeição, todavia, Ele segue o seu caminho na direção da vontade do Pai. O coração do profeta é sustentado pela presença e graça de Deus e a força que o move, assim como moveu Jesus é o Amor, que é capaz de dar sentido à vida de doação, serviço e entrega.

 

A figura do profeta Jeremias descrita na Primeira Leitura é revestida de um mistério, desde o seu nascimento até o seu envio para a missão junto aos seus. A narração de sua vocação indica o centro de sua vida profética e o seu destino, enquanto homem enviado por Deus para anunciar a Sua Palavra. O seu colocar-se à serviço não é algo simples e casual, visto que, ele foi escolhido por Deus, antes mesmo de seu nascimento, ressaltando uma relação de grande intimidade com o Senhor que o escolheu. Pois Deus o escolheu, consagrou, estabeleceu e enviou como profeta das nações, para revelar a todos a Sua presença e graça.

 

Na Primeira Leitura, a relação do profeta com o Senhor é descrita pelo verbo conhecer, que vai além do conhecimento intelectual ou até corporal. Não indica a relação de conhecimento do homem em relação à Deus e nem mesmo o empenho do homem em conhecer os mistérios do mundo ao seu redor. O Verbo conhecer, utilizado no texto, indica a ação divina de escolher e intervir na vida de um homem específico, colocando em suas mãos uma responsabilidade e missão particular. Algo que vem seguido de um cuidado e atenção contínuos, fazendo com que o escolhido seja capaz de responder positivamente à Missão a ele destinada. Nesse sentido, a missão do profeta está diretamente relacionada com a sua intimidade com Aquele que o escolheu e enviou. Somente por meio de uma íntima união com o Senhor é que o mesmo será capaz de realizar tudo o que a ele será confiado.

 

A rejeição sofrida pelos profetas, por Jesus e, ainda hoje, por tantos que se dedicam à pregação do Reino é parte integrante da missão, e, no caso dos cristãos, algo que faz parte do seguimento do Evangelho. Nesse caso a força dos profetas, o que lhes sustentava era a certeza da presença continua de Deus que lhes chamara à missão, a sua intimidade com o Senhor. Pois, Ele nunca abandonou os seus profetas, mas, sempre os acompanhava, direcionando os seus passos com sua Presença, Palavra e Amor. Sendo assim, somente se torna profeta do Reino aquele que faz da comunhão com o Senhor um espaço de fortalecimento e crescimento na Fé. Desse modo a missão é realizada à medida em que o cristão cresce na comunhão e intimidade com o Pai, tornando-se um verdadeiro discípulo missionário de Jesus Cristo.

 

No caso do Evangelho desse Domingo, o texto é a continuação do da semana passada, momento no qual Jesus se encontra na sinagoga em Nazaré. Ele, após ter lido o Livro do profeta Isaías e ter afirmado que as palavras do profeta se cumpriam Nele mesmo e em sua missão, é rejeitado pelos seus que procuram matá-lo. O evangelista afirma que Jesus, deixando-os para trás segue o seu caminho, ou seja, continua a sua missão sustentado pela sua íntima comunhão com o Pai e a ação do Espírito Santo que o conduzia sempre. O modo como Jesus deixa Nazaré é uma indicação clara de sua decisão em fazer a vontade do Pai, algo que o direciona para Jerusalém, cidade na qual Ele dará a sua vida na cruz. O seu caminho não é bloqueado pela ação dos homens, pois, unido ao Pai que o enviou, Ele tem forças para continuar na direção de sua missão salvífica. O sofrimento que a cruz indica não o detém, visto que a sua força vem do desejo de cumprir fielmente a vontade do Pai.

 

Em todos os seus passos, Jesus sempre revelou a Mão amorosa do Pai, nunca deixando de estar ao lado de todos os que mais precisavam, mesmo que isso fosse causa de conflito e dor. Porém, isso somente foi possível devido ao fato Dele estar unido intimamente com o Pai, cultivando espaços de comunhão e oração, nos quais, Ele à exemplo dos profetas, ouvia a voz Daquele que o enviou. O fruto dessa comunhão era o amor com que Ele tocava a vida das pessoas, como primeiro e maior missionário enviado pelo Pai, Jesus a todos revela a sua força plena no amor que se doa e o faz sempre até às últimas consequências.

 

Desse modo a Segunda Leitura oferece uma grande luz na liturgia de hoje, pois, apresenta o Amor como a força maior, como o dom maior, que garante a todos os outros dons um sentido. Pois, sem o Amor, tudo o que alguém pode se propor a fazer será em vão, isto é, no amor está a fonte de todo o agir missionário da Igreja. Pois, foi o amor que estava presente no coração dos profetas que o sustentou em meio às perseguições, foi o amor que sustentou Jesus em sua missão até o fim e será o amor que fará de todos verdadeiros discípulos missionários da misericórdia e do amor do Pai.

 

Na Segunda Leitura, Paulo ressalta a força do amor mútuo, isto é, o amor entre os irmãos que é reconhecido pelo seu esforço e empenho, de maneira especial, quando revela o Amor de Deus aos pobres. O fato de Paulo ressaltar o esforço concreto de viver o amor entre os irmãos da comunidade, não extingue a sua essência. Ao contrário, chama a atenção para a realização histórica do mesmo, para a sua concretude, ou seja, para o fato de que o amor deve ser vivido e se tornar um compromisso de todos os cristãos. O amor tem um horizonte próprio que é reconhecido no gesto concreto da doação de Cristo na cruz, nesse caso, o amor vivido entre os irmãos da comunidade deve ser permeado pela mesma atitude de serviço, missão e doação.

 

O apóstolo deseja encarnar o amor, evitando assim qualquer tentativa de torná-lo abstrato e irreal, impossível de ser vivido e realizado, enquanto uma obra historicamente visível. Desse modo, o amor entre os irmãos deve se unir ao de Cristo Sofredor na cruz, visto que o Seu empenho e o Seu esforço estavam direcionados na doação de sua própria vida. O gesto salvifico de Cristo, manifestação perfeita de seu amor, deve se tornar a fonte do amor fraterno, na busca de alcançar a todos, principalmente aqueles que mais sofrem. Sendo assim, fica claro o desejo do apóstolo Paulo em ressaltar a concretude do amor, algo que deve fazer parte da vida daqueles que são chamados a ser discípulos de Cristo. Esses que, por vocação e missão, devem ser sinais claros e concretos do Seu amor que se doa e serve, principalmente, junto aos que mais precisam.

 

 O aspecto central da liturgia desse Domingo é a missão, desde o profeta Jeremias, passando pela Missão salvífica de Jesus e chegando até aos seus discípulos e discípulas missionários hoje. Uma missão que tem como destinatários os pobres e oprimidos, os necessitados e excluídos, aqueles que sofrem, os que mais precisam do auxílio do Senhor. Para esses Jesus veio, para lhes anunciar a Boa Notícia do Reino de Deus que é pleno em Amor e misericórdia. Todos os profetas do Antigo Testamento sofreram perseguições, bem como o próprio Jesus, que pela pregação do Reino foi levado à Cruz. Assim, também todos são chamados a assumirem com alegria a sua missão e se tornarem profetas do Reino, profetas do Amor de Deus que acolhe e promove a vida digna de todos.

 

Que a liturgia desse Quarto Domingo do Tempo Comum desperte nos corações o desejo da intimidade com o Senhor, capaz de formar verdadeiros profetas. A fim de que a vivência de Jeremias e a sua Missão, bem como a decisão e a entrega de Jesus, em fazer à vontade do Pai, sejam para todos um exemplo. A fim de que a vida de todos os cristãos seja marcada pela vocação profética que receberam em seu batismo, assumindo o compromisso de viver o Amor, sinal claro da presença do Senhor em suas vidas. 

 

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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