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23.01.2019

DICAS DE HOMILIA - 3º Domingo do Tempo Comum

Hoje se cumpriu a Escritura - Anunciar a Boa Nova aos Pobres - Repartir com Aqueles que nada prepararam

 

(Ne 8,2-4a.5-6.8-10 / Sl 18B / 1Cor 12,12-14.27 / Lc 1,1-4;4,14-21)

 

Hoje se cumpriu a Escritura - Anunciar a Boa Nova aos Pobres - Repartir com Aqueles que nada prepararam 

 

A Liturgia do Terceiro Domingo do Tempo Comum tem como centro de todas as atenções a Palavra de Deus, algo que está explicitado na Primeira Leitura, passando pelo Salmo e chegando até ao Evangelho. No Evangelho, Jesus proclama a Leitura do profeta Isaías, na qual se encontram os passos que Ele mesmo assumiu em toda a sua vida pública, concluindo a sua leitura com a afirmação: Hoje se cumpriu a Escritura. A força da Palavra de Deus e a concretude de sua verdade encontram-se na vida e missão de Jesus, que se dirigiu aos Pobres para lhes anunciar a Boa Nova do Evangelho. Um anúncio que deve tocar os corações e movê-los na direção dos que mais precisam, assim, como exortava Neemias ao povo reunido em Assembleia: "Reparti com aqueles que nada prepararam, pois esse é o dia Santo do Senhor".

        

No Evangelho desse Domingo, Jesus se encontra em uma sinagoga no dia de sábado, algo que faziam todos os judeus no intuito de lerem e meditarem a Palavra do Senhor. Ao tomar o livro do profeta Isaías, Ele assume para si as palavras do profeta, que se referia à uma realidade de espera e cheia de promessas. Algo que se torna muito claro, quando, após ter lido o texto, Ele afirma: "hoje se cumpriu a Escritura", indicando que as esperanças e promessas, presentes na palavra do profeta, se realizariam em sua vida. Todos os que o ouviam, esperavam uma pregação que lhes pudesse aquecer os corações e elucidar o significado dos textos, algo novo e cheio de autoridade e poder. De fato, Jesus poderia ter-se servido dos grandes comentários já feitos sobre o texto de Isaías, ter feito uma reflexão sobre o Messias esperado e, até mesmo, ter demonstrado o seu conhecimento bíblico, diante dos seus ouvintes. Todavia, pelo que indica o evangelista Lucas, Jesus pronunciou poucas palavras, algo muito breve, mas, que causou grande comoção, tocando os corações dos que o ouviam. Esses que num primeiro momento se admiraram de suas Palavras e, logo depois, quando a sua situação de comodismo e egoísmo foi tocada, colocaram-se contra o próprio Jesus.

        

A Palavra de Deus é atual e tem o poder de tocar as realidades, não sendo dirigida ou referida à um tempo no passado, ou até mesmo, uma palavra que se perde nos caminhos da história. Ao contrário, é Espírito e Vida, como indica o Salmo Responsorial, isto é, plena da força transformadora de Deus que continua agindo na história dos homens de hoje e de sempre. Ao proclamar, com autoridade e verdade a Palavra do profeta Isaías, Jesus quer indicar que a força, encontrada nas palavras do profeta, continua agindo, por meio do próprio Deus, na história dos homens. O "hoje" dito por Jesus deve encher e ecoar em todas as Comunidades Eclesiais de Base, ressoando nos nossos corações discípulos e discípulas de Cristo, comunicando a todos a esperança, a verdade e a justiça do Reino de Deus.

        

A cena que o Evangelho de Lucas propõe é de grande importância, pois introduz o Ministério público de Jesus, não dando somente início à sua Missão, mas, conferindo-lhe um sentido profundo. Ao tomar o Livro do Profeta Isaías, Jesus assume para Si, como dito anteriormente, as Palavras do mesmo, fazendo sua a missão conferida, no texto ao Messias esperado. Tal missão é descrita de modo claro na afirmação do profeta: "Anunciar a Boa Nova aos pobres", algo que resume em si todas as demais indicações sobre a ação divina, por meio do Messias. Aqui se encontra uma verdade do Evangelho de Lucas, pois, indica que a salvação passa pelas estradas dos esquecidos do mundo, dos pobres e excluídos da sociedade. Algo que se encontra presente em diversos textos bíblicos e também em outras afirmações de Jesus, muitas delas dirigidas aos seus discípulos como ensinamentos e exortações.

        

A indicação de que a salvação é dirigida aos pobres, aos excluídos, isto é, a homens e mulheres bem concretos deveria ter provocado os corações dos que ouviam as Palavras de Jesus. Pois, todos esperavam um Messias potente, capaz de retirar Israel das garras de seus opressores, capaz de Reinar no Trono de Davi. Tal escândalo provocado na época de Jesus, ainda hoje se faz presente, quando, por vezes, os pobres e excluídos estão fora do convívio social e, até mesmo eclesial. De fato, Jesus assume com seriedade e de forma preferencial o diálogo e a sua atenção para com os pobres, fazendo deles destinatários de sua pregação e portadores do desejo de Deus de salvar a humanidade. Sendo assim, a Boa Nova dirigida aos pobres é uma indicação concreta das opções de Jesus e, por isso mesmo, das opções de seus discípulos e discípulas.

        

Com a vinda de Jesus e a sua Missão, que tem o seu início com o texto do Evangelho proclamado nesse Domingo, Ele inaugura um tempo novo, de perdão, graça e salvação definitiva. Todavia, a compreensão desse tempo novo, não deve se restringir somente à esfera espiritual do homem, negando a dimensão humana da salvação. Ou seja, no discurso de Jesus, encontram-se presentes e descritas uma série de categorias humanas, em suas dimensões sociais e históricas. Desse modo, a libertação integral da pessoa, a sua salvação, isto é a reabilitação de todas as suas potencialidades e capacidades é algo que diz respeito ao Tempo Novo inaugurado por Jesus. Sendo assim, Jesus coloca no centro das atenções os cegos, os coxos, os paralíticos, os leprosos, as mulheres as crianças, que formavam um grupo de pessoas que não contavam na sociedade. A todos esses, Jesus se dirige e os toca com a graça e o perdão divinos, com a sua compaixão e misericórdia, restituindo-lhes a dignidade que lhes fora tirada.

        

A força da Palavra de Deus ocupa um lugar central em toda a Liturgia deste Domingo, seja pela proclamação da Boa Nova de Jesus dirigida aos pobres, bem como a força e a urgência de tal anúncio, expressas na afirmação: "hoje se cumpriu a Escritura". Porém, tal anúncio, como antes afirmado, não é relegado ao passado e dirigido somente aos que escutavam o Senhor naquela Sinagoga. De fato, esta Palavra comunica a responsabilidade de sua atualização na história de hoje, a todos os que a escutam e a acolhem. Todos são colocados diante do "hoje" dito por Jesus, implicados diretamente no dia da salvação, na libertação que Deus deseja realizar e atualizar na história de seus filhos e filhas. Sendo assim, todos são convidados a escutar as palavras de Neemias, encontradas na Primeira Leitura: "Reparti com os que nada prepararam", ou seja, comprometam-se em proclamar e a vivenciar os valores do Reino de Deus, preferencialmente no cuidado com os mais pobres. 

          

A Leitura de Neemias convoca a todos a celebrarem a grande alegria da salvação, que nasce nos corações que foram tocados pela força da Palavra de Deus. De fato, toda a Liturgia deste Domingo deseja proclamar tal anúncio, a fim que todos celebrem verdadeiramente o "dia consagrado ao Senhor", um dia que não se acaba, até que o Reino de Deus se faça presente. Que seja a Liturgia deste Domingo plena da alegria do anúncio da Boa Nova de Cristo destinado aos pobres, revelando aos corações uma esperança renovada, nas promessas de Deus. De modo especial, que seja concluído um compromisso com a Palavra de Deus que é capaz de fazer de cada um, discípulos missionários de Cristo. Isto é, portadores das mesmas esperanças de vida plena aos corações dos que mais precisam, dos preferidos do Reino. Pois, o Senhor deseja tocar as realidades dessa terra, por meio das mãos, cheias de esperança e compaixão, compromisso com a defesa da vida e a promoção da paz, dos seus discípulos e discípulas. A fim de que todos tenham vida e a tenham em abundância.  

          

Que a liturgia desse Terceiro Domingo do Tempo Comum confirme a responsabilidade de cada batizado com a Missão de anunciar a Boa Nova aos pobres. Tornando a Igreja um sinal de esperança e vida plena para todos os que ainda sofrem a exclusão e a miséria, a fim de que no hoje da história os sinais do Reino de Deus sejam reconhecidos. De modo que a partilha e a solidariedade não sejam esporádicas e excepcionais, mas a marca sempre presente na vida de cada cristão católico, chamado a ser um verdadeiro discípulo missionário.

        

Pe Andherson Franklin Lustoza de Souza

 

 

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